Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Uma premonição

por Amato, em 11.12.15

O primeiro erro de António Costa enquanto líder do governo não é óbvio nem tem sido apontado por aí. Aliás, nem poderia ser. Quem costuma ter o ónus de emitir análises fica-se pelo que lhe foi encomendado de véspera e, está claro, também pelo óbvio. O primeiro erro de António Costa está na estratégia ou falta dela para as presidenciais.

 

Costa é um adepto da inação no que ao confronto político diz respeito, isto é, deixa que os outros falem por ele e que a sua prática política fale por si. Evita o confronto direto e usa-o apenas quando a vitória parece mais que garantida, quando basta um leve sopro para derrubar o adversário. Foi assim nas internas socialistas e, em grande medida, nas legislativas. Nas eleições presidenciais que se avizinham a estratégia parece ser a mesma.

 

Costa deixou que as diferentes vontades dentro do seu partido se manifestassem a seu bel-prazer fazendo fé que o resultado disso mesmo pudesse ser capitalizado politicamente de uma ou de outra forma. Ora, o crasso erro reside aqui mesmo e quero dizê-lo com todas as letras em jeito de premonição: se Marcelo Rebelo de Sousa vencer as eleições presidenciais, o governo minoritário do PS tem os seus dias contados.

 

Marcelo apresenta-se com uma estratégia inteligente propagandeando uma ideia de si plena de moderação e de bom senso. Com isto ganha a aderência do centro político e, sobretudo por não haver nenhum contraponto minimamente sério da parte do PS, caminha para uma vitória confortável à primeira volta. A questão é que Marcelo não deixa de estar intimamente ligado ao seu partido e, assim que vencer, terá que alinhar, pelo menos em parte e ainda que não seja essa a sua vontade (o que não acredito), na estratégia delineada e fielmente seguida à direita, por muito estapafúrdia que legal e moralmente esta seja. Mais: a PaF tem nesta altura uma forte máquina de fazedores de opinião capazes de pressionar vários setores da sociedade e a generalidade dos media. Não será difícil imaginar que Marcelo possa ceder a tais pressões no momento preciso em que Costa cometer o primeiro erro no decurso da governação.

 

Não tendo percebido esta problemática, Costa dirige-se para a armadilha preparada pela PaF e, agora, não parece ter possibilidade de nela evitar cair. A única contraposição a tal cenário seria a apresentação de um candidato minimamente carismático que fosse capaz de assumir um discurso anti-PaF e incorporasse os valores que residem na base da formação da coligação parlamentar de esquerda. Seria necessário um discurso coerente e sólido; um discurso que fizesse a defesa evidente mas clara e resoluta dos acordos firmados para a legislatura que viabilizam o governo minoritário do PS; um discurso em clara oposição à inadmissível lengalenga da PaF; e que fosse capaz de levar a decisão a uma segunda volta. Aí, com a união de toda a esquerda, a conversa seria outra.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Amato

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Mensagens