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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

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Uma ideia sobre o fenómeno desportivo

por Amato, em 06.08.15

Para que serve o desporto? Para que serve o desporto num país assim como o nosso ou como outro qualquer? E, mais importante, para que deveria servir o desporto?

 

Vivemos tão imergidos neste sistema capitalista, qual líquido escuro e viscoso, que perdemos totalmente a perceção das coisas, mesmo das mais básicas. Vivemos porque sim. Corremos porque os outros que nos rodeiam também correm. Mas por que vivemos, por que corremos, afinal?

 

Hoje em dia olhamos para o fenómeno desportivo e vemo-lo despido de todo e qualquer significado primário de que possamos pensar ser seu íntimo em essência. Refiro-me ao poder de mobilização dos cidadãos, com particular enfâse na juventude, ao seu desenvolvimento sobretudo físico mas também intelectual e social, à transmissão de valores como a solidariedade e o trabalho coletivo. O desporto é tudo isto, em génese, mas nada disto é na atualidade.

 

O mundo capitalista pegou em tudo isto e transformou numa ferramenta de extração de lucro. Esta ferramenta, extraordinariamente eficaz do ponto de vista do entretenimento das massas, abusa de uma noção vil de competitividade alicerçada em sentimentos de violência e rivalidade. Hoje em dia o desporto não se encontra ao serviço das sociedades em que é praticado. Com efeito, as equipas nacionais são repletas por praticantes vindos de outros países e sem qualquer ligação às sociedades onde são inseridos. Adicionalmente, o poder do dinheiro subverte a equidade competitiva a todos os níveis influindo nas leis e promovendo as mais grotescas disputas. No fim de contas, vemos sociedades inteiras entretidas em competições desiguais, injustas e sem uma correspondência social direta.

 

Tudo isto é evidente se, por um momento, pensarmos com clarividência na coisa. Todavia, se acaso colocássemos a questão em debate nestes precisos moldes não me surpreenderia que uma maioria popular optasse por legitimar o atual estado do fenómeno desportivo. O desporto justo e fiel aos seus princípios originais seria demasiadamente aborrecido.

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