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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Uma sobrecarga no sistema de compreensão

por Amato, em 10.01.21

A notícia diz que, por estes dias de frio rigoroso, algumas comunidades urbanas tiveram falhas no fornecimento de eletricidade. Vejamos se compreendemos bem as causas do fenómeno: porque tem estado muito frio, as populações têm aumentado o recurso a equipamentos elétricos de aquecimento o que, por sua vez, sobrecarregou o sistema e provocou falhas na rede de abastecimento elétrica. Refere-se, também, que o teletrabalho terá tido participação na sobrecarga da rede.

 

Não há aqui, na descrição dos eventos, nada de anormal. Poder-se-ia argumentar sobre as condições precárias a nível de aquecimento e conforto em que vivem muitos portugueses e ainda sobre a ineficácia energética e ecológica do modo como se aquece e se preserva o calor na maioria das habitações em Portugal. Poder-se-ia, pois, e o tema é de uma pertinência permanente no nosso país, mas não é sobre isto que queria refletir agora.

 

Numa altura em que, em linha com as diretivas europeias/alemãs, o Parlamento discute projetos-lei com vista à proibição da venda de automóveis movidos exclusivamente a combustíveis fósseis, pergunto-me como seria se, neste momento presente, tivéssemos uma frota automóvel movida a eletricidade em vez da que temos agora. É que, se agora a nossa rede elétrica tem dificuldades em aquecer muitas habitações, como seria se, ainda por cima, essa mesma rede tivesse que carregar as baterias de todos os automóveis de transporte individual?

 

São perguntas produzidas por um leigo. Provavelmente, as nossas necessidades futuras estão todas mais do que previstas e acauteladas. Por ventura, esta transição será até acompanhada de uma mudança radical de paradigma de transporte e mobilidade no nosso país, com o transporte público a assumir um papel absolutamente predominante e que nunca teve até aqui e o transporte individual a tornar-se raro e esporádico. De uma forma ou de outra, seguramente que não partiríamos para uma transição tão radical sem estarmos seguros de que a poderíamos suportar. Passará pela cabeça de alguém que os políticos que nos representam poderiam viabilizar políticas absolutamente insustentáveis a médio prazo? Mas não se sabe nada sobre isto, não se sabe nada de nada sobre o assunto e, então, leigos como eu com tempo para pensar têm espaço para produzir questões deste tipo.

Proposta de reflexão em tempos de veraneio

por Amato, em 29.07.18

Todos os anos, em Portugal, durante os meses de julho e agosto, sobretudo agosto, assistimos a uma sazonal migração das populações para sul do país. As massas deslocam-se para sul para se dedicarem exclusivamente ao veraneio no tempo ameno e nas águas quentes da região do Algarve. Durante estes meses, as estradas que rasgam o país de ponta a ponta, polvilham-se de automóveis coloridos. O asfalto, em algumas zonas, quase não se vê devido ao elevado tráfego.

 

De uma ponta a outra do país e, muito particularmente, nas zonas a sul mais secas e em sério risco de desertificação dos solos, o caminho faz-se ladeado por florestas de eucaliptos sem fim. Nas zonas ardidas do último ano crescem já fortes os jovens rebentos dessa espécie de árvore.

 

O eucalipto é uma das espécies mais nocivas para o nosso território, porque drena os solos de toda a água, promovendo a desertificação dos terrenos e condenando espécies endémicas. Para além disso, é uma espécie curiosa que se propaga mais rapidamente através do fogo. É dramático ver o nosso país, sobretudo mais a sul, completamente contaminado por esta árvore parasita.

                

Há uma razão para isto, é claro que há. O eucalipto cresce a uma velocidade incomparavelmente superior a qualquer outra espécie arbórea. Por isso, trata-se da espécie de eleição das empresas de pasta de papel que laboram em Portugal e que fazem da madeira a sua matéria prima. Por seu turno, os nossos governos, que apenas existem para servir o grande capital e em nada se preocupam com a sustentabilidade dos recursos do país, promovem com toda a força esta situação. Durante o governo PSD-CDS, Assunção Cristas liderou a aprovação de legislação para dar carta branca ao negócio do eucalipto. Já este governo PS, nada fez, como aliás é costume nas questões realmente importantes, para reverter a situação.

 

Desejo, por isso, umas boas férias a todos os que farão, por estes dias, as suas viagens rumo a sul. Observem bem as florestas de eucaliptos que, de ambos os lados, vos fazem guarda até ao vosso destino. Tomem nota, porque é exatamente aí que radica o problema dos fogos florestais, da desertificação dos solos, e da escassez de água doce. Lembrem-se disso quando começarem as periódicas histerias coletivas, promovidas pelos meios de informação, a propósito de cada um destes temas.

 

Retirado de jornaldascaldas.com

 

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