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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Consciência de si

por Amato, em 23.10.18

Desde muito cedo, quando este blog ainda mal tinha acabado de ser lançado, criei a tag “consciência de si” para classificar as temáticas de alguns dos primeiros posts que ia escrevendo. Volvidos mais de quatro anos sobre esses posts, a tag “consciência de si” é uma das mais usadas neste blog. Parece que quase tudo quanto escrevo acaba por levar esta etiqueta. Não se trata de uma questão estilística, no entanto.

 

Uma das coisas que mais me fascina na humanidade é a frequente falta evidente desta qualidade. Não temos consciência do que somos. Não conseguimos observar a nossa condição desde fora, desde longe. Fruto talvez da nossa ilimitada imaginação, somos capazes de criar qualquer mundo fantástico, qualquer história ficcional, de imaginarmos o que quer que queiramos ser, e, nesse processo, perdemos a noção do chão que pisamos, de onde estamos, do que somos e de para onde vamos.

 

Paralelamente, julgamo-nos sempre de outro modo diverso do que aos outros. Somos diferentes e especiais. O que se diz dos outros não se aplica à nossa pessoa. Porque a nossa pessoa é diferente. Porque a nossa pessoa é especial.

 

Escrevo estas palavras a propósito de umas declarações que li de Bolsonaro, o energúmeno que se prepara para ascender ao poder no Brasil. Disse ele, com todas as palavras, que “vamos fuzilar a pretalhada”, “acabar com os subsídios” [da pretalhada] e que vai imperar “a lei do lombo” [para a pretalhada].

 

Esqueçamos, por ora, para não arruinar a prosa, o caráter ofensivo e racista da palavra. O que mais me fascina no meio disto tudo é pensar que Bolsonaro vai ganhar as eleições num país onde a esmagadora maioria da população é mulata ou negra, o que me leva a admitir o óbvio: quando os negros ou mulatos ouvem a palavra “pretalhada”, devem pensar que é para os outros, para o amigo do lado. Deve haver sempre alguém com a tez mais escura, afinal. Os brasileiros acham que “pretalhada” é para os outros. Cada brasileiro deve considerar-se branco, caucasiano até. Os outros todos é que são negros!

 

Vem-me à memória aquela frase de John Steinbeck:

 

“O socialismo nunca formou raízes na América porque os pobres vêem-se a si próprios não como proletários explorados mas como milionários atravessando um período difícil.”

 

E vem-me também à memória aquele poema de Bertold Brecht:

 

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

 

O ser humano é assim mesmo. Nunca é connosco. É sempre com os outros. Quando reparamos que é connosco é sempre tarde demais. Não temos consciência do que somos.

Timshel: tu podes

por Amato, em 12.08.16

— Então não compreende? — perguntou em voz alta. — De acordo com a tradução da Bíblia americana, ordena-se ao homem que triunfe sobre o pecado, a que se pode chamar ignorância. A tradução de King James com o seu tu dominarás sobre ela promete ao homem uma vitória certa sobre o pecado. Mas a palavra hebraica timshel — tu podes — deixa a escolha. Talvez seja a palavra mais importante do mundo. Significa que o caminho está aberto. A responsabilidade incumbe ao homem, pois, se tu podes, também é verdade que tu não podes, compreendem?

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

Condição para medir a felicidade nos homens

por Amato, em 29.07.16

“Heródoto descreve, nas Guerras Pérsicas, a maneira como Creso [último rei da Lídia, reino antigo que ocupava uma porção da Ásia Menor], o rei mais rico e mais privilegiado do seu tempo, fez a Sólon de Atenas [um dos sete sábios da Grécia antiga] uma pergunta capital. Ele não teria feito a pergunta, se a respostas não o preocupasse: «Quem», perguntou, «é o homem mais feliz do mundo?» Ele devia estar sequioso de obter uma certeza. Sólon citou-lhe os nomes de três homens que tinham sido felizes no passado. É mais do que certo que Creso nem sequer o escutou, pois o único nome que ansiava por ouvir era o seu. Por isso, quando viu que Sólon não o mencionava, Creso sentiu-se obrigado a perguntar: «Então não me consideras um dos afortunados?»

 

Sólon respondeu sem hesitar: «Como te posso responder se ainda não morreste?»

 

Tal resposta deve ter obcecado Creso quando viu desaparecer a felicidade, as riquezas e o seu reino. E ao subir à fogueira, evocou o nome de Sólon, compreendendo a verdade da resposta e a inutilidade da pergunta feita.

 

Na nossa era, se morre um homem que possuía fortuna, influência, poderio e todos os demais atributos que despertam a inveja, se os vivos fazem o inventário da vida desse homem, logo surge naturalmente a pergunta: «A sua vida foi boa ou foi má?», o que consiste em dar outra fórmula à pergunta de Creso. Morta a inveja, o padrão usado é o seguinte: «Foi amado ou odiado? A sua morte for uma perda, ou só é motivo de júbilo?»”

 

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

Há mais beleza na verdade

por Amato, em 21.06.16

http://images.fineartamerica.com/images/artworkimages/mediumlarge/1/east-of-eden-william-fields.jpg

Há mais beleza na verdade, mesmo que seja uma verdade medonha. Os mendigos que contam histórias às portas da cidade mascaram tão bem a vida que ela acaba por parecer boa e fácil aos preguiçosos, aos teimosos e aos covardes, o que só pode concorrer para lhes agravar as enfermidades. Por esse processo nada se aprende, nada se cura, e o coração nunca se abre.

 

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

As mães de hoje em dia são ridículas

por Amato, em 11.06.16

As mães de hoje em dia são ridículas. É uma generalização, bem o sei. É algo abundantemente injusto de se dizer, também tenho consciência disso. E, todavia, é preciso que se diga! É preciso que se diga a plenos pulmões!

 

Peço encarecidamente ao leitor, portanto, que não disperse já, que continue comigo, nestas linhas, um pouco mais.

 

Nem todas as mães são ridículas mas, hoje em dia, uma boa parte delas é. O que lhes atribui a classificação de ridículo é, com efeito, o que lhes atribui a condição de mãe. O ridículo nota-se na forma como tratam os filhos. Observem um pouco. Prestem atenção. Provavelmente uma grande parte de vós sabe perfeitamente ao que me refiro. As mães contemporâneas tratam os filhos como se eles fossem bonecos e como se, elas próprias, fossem meninas com idade para brincar com bonecos.

 

Para estas mães, os seus filhos são muito literalmente o centro do universo e estes crescem e desenvolvem-se a acreditar piamente nisso mesmo. Esta crença interfere decisivamente no desenvolvimento das amizades e do espírito de solidariedade e de camaradagem entre pares. Mais: esta crença afeta seriamente a construção de uma certa ideia de igualdade. Questionamo-nos frequentemente sobre a razão de ser do crescente individualismo das sociedades ocidentais. Questionamo-nos frequentemente sobre a razão de ser desta sociedade competitiva e desumana em que vivemos. Por ventura, a resposta achar-se-á aqui e não noutro lugar.

 

Quando estas crianças, enfim, descobrem não ser o centro do universo como lhes prometeram durante toda a sua infância, que não são uma espécie de diamentes que merecem constante polimento, ficam muito admiradas e deprimidas com o mundo. Todavia, este despertar para o mundo real será sempre parcial. Subsistirá sempre uma certa forma de ver a sociedade, individual, egoísta, uma forma de avaliar o outro e os outros por contraponto ao seu próprio interesse. Estas são as sementes nefastas que ficam para erigir a sociedade destas crianças feitas, inevitavelmente, homens. Este é o problema.

 

Há quem diga que esta forma de criar e de educar das mães contemporâneas advém do facto destas atingirem a maternidade muito mais tarde nas suas vidas. Quando no passado as mulheres eram mães antes dos vinte, agora são-no mais perto dos quarenta. É talvez um sentimento de singularidade que supera qualquer outro no nascimento do filho que faz com que a mãe adquira traços de superproteção. Pode ser que muitas das mães contemporâneas vejam nos seus filhos uma possibilidade de realização pessoal algo doentia que talvez não existisse no passado. Pode ser isso ou pode não ser nada disto.

 

Há uma outra possibilidade: podem ser os pais. Há uma passagem em A Leste do Paraíso que me pôs a pensar.

 

Adam aquiesceu e os dois rapazes saíram a correr. Samuel seguiu-os com o olhar.

— Parecem ter mais de onze anos — disse ele. — Se bem me recordo, os meus filhos, aos onze anos, eram mais traquinas. Estes dois parecem adultos.

— A sério? — perguntou Adam.

— Acho que sei porque é — disse Lee. — É que não há mulher nenhuma em casa para gostar das crianças. Não me parece que os homens apreciem muito as crianças, e por isso estes rapazes nunca perceberam que vantagem tinham em se portarem como tal, pois nada tinham a ganhar com isso. Gostava de saber se isto é bom ou mau.

in A Leste do Paraíso, John Steinbeck

 

 

Realmente, parece que os pais contemporâneos deixaram um pouco a sua condição de pais. Parece que faz falta às crianças de hoje em dia terem aquela figura de alguma severidade e intransigência nas suas vidas, para conhecerem limites, para respeitarem regras, para com elas formarem o seu caráter.

 

Acaso o problema não estará no facto das mães de hoje em dia serem ridículas. Se calhar sempre o foram em dosagem possivelmente diferente. Por ventura, o problema estará nos pais que, hoje em dia, não sabem qual o seu papel, desempenhando muitas vezes as funções de uma espécie de segunda mãe em vez das de um pai.

A igreja e o bordel...

por Amato, em 14.05.16

A igreja e o bordel chegaram ao mesmo tempo ao Oeste. E ambos teriam ficado horrizados se soubessem que não passavam de diferentes facetas da mesma necessidade.

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

Os fantasmas de Kafka revisitados à luz dos dias de hoje

por Amato, em 25.04.16

Em 1925 é editado pela primeira vez o romance O Processo (Der Process) do autor checo Franz Kafka, no ano imediatamente seguinte ao da sua morte. O livro, que teria sido escrito entre 1914 e 1915, constitui uma das obras primas de Kafka e reflete a sua obsessão com a máquina burocrática dos estados, monstros que oprimem a liberdade do cidadão anónimo e esmagam a sua individualidade.

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/87/Kafka_Der_Prozess_1925.jpg

 

Neste sentido, não é surpreendente que o personagem principal seja designado apenas por Joseph K., ou seja, por um nome próprio, Joseph — um nome, aliás, extraordinariamente comum no mundo cristão —, e uma inicial K. como indicadora de apelido, claramente subvalorizando-o desta forma. Para o autor, o personagem principal, que muitos consideram uma personificação do próprio Kafka, é importante sobretudo por constituir-se como um representante do cidadão anónimo e não pelas suas características particulares.

 

http://s10.postimg.org/a8mcjk8u1/RAFH.jpg

Kafka, que nasceu numa parte do império austro-húngaro, viveu durante o seu auge e assistiu à sua dissolução no pós primeira grande guerra, conta a história da perseguição surreal a um trabalhador de um banco, o tal Joseph K., que se vê, de um momento para o outro, alvo de um processo, desconhecendo por completo as razões para tal. Joseph K. luta desesperadamente e cegamente — pois tudo o que o rodeia escapa à sua compreensão e controlo — contra um autoritarismo burocrático que parece amordaçá-lo cada vez mais, envolvendo-o numa teia artificial de culpa que, qual areia movediça, por mais que resista, acaba por levar a melhor sobre ele, resultando ultimamente na sua execução.

 

Recentemente, surpreendeu-me ler semelhantes preocupações numa passagem de A Leste do Paraíso (East of Eden), de John Steinbeck, um autor que muito estimo:

 

A nossa espécie é a única criadora e dispõe de uma só faculdade criadora: o espírito individual do homem. Dois homens nunca criaram nada. Não existe colaboração eficaz em música, em poesia, nas matemáticas, na filosofia. Só depois de se ter dado o milagre da criação é que o grupo o pode explorar. O grupo nunca inventa nada. O bem mais precioso é o cérebro isolado do homem.

(...)

Eis o que penso: o espírito livre e curioso do homem é o que de mais valioso há no mundo. E por isto me baterei: a liberdade para o espírito de tomar a direção que lhe apetecer. E contra isto me baterei: qualquer ideia, religião ou governo que limitar ou destruir a noção de individualidade.

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

 

Quem tiver a curiosidade de ler a passagem completa percebe que estas palavras surgem no contexto dos princípios da Guerra Fria e expressam precisamente a mesma preocupação obsessiva de Kafka para com os estados burocráticos esmagadores das individualidades. Era uma altura de choque civilizacional, da ascensão de medos, do medo pelo desconhecido. Não deixa de ser, todavia, surpreendente. É absolutamente compreensível, bem entendido, mas é, para mim, surpreendente.

 

Surpreende-me ler estas preocupações escritas desta forma pelo autor de As Vinhas da Ira, entre outras magníficas obras. Surpreende-me que a valorização dos sentidos de camaradagem e de fraternidade, tão engradecidos nas suas primeiras obras, sejam tão negligenciados, tão colocados de lado, ao longo das linhas supracitadas, no que à elevação do indivíduo diz respeito. É que a passagem que citei é um bom exemplo de como podemos dizer algo de genuinamente verdadeiro — quem não concorda que o coletivo tem o potencial de esmagar as individualidades? — de uma forma desprovida de um mínimo bom senso.

 

https://portalivros.files.wordpress.com/2012/04/lb-lestep.jpg

 

Importa sublinhar, contudo, o facto do primeiro parágrafo da citação encontrar-se carregado de conclusões falsas. Podemo-lo comprovar facilmente. A ciência, em geral, nunca evoluiu tanto como nos dias de hoje, suportada numa colaboração cada vez mais ampla e generalizada de cientistas de diversas áreas. É, portanto, falso dizer-se o contrário. É claro que tudo tem origem, analisando de forma sintética, num só indivíduo, não em dois ou três, mas num apenas. A questão não está aí, mas antes em saber se essa ação individual de descoberta, que Steinbeck qualifica como “miraculosa”, poderia ocorrer por si só, sem o contacto com os outros que o rodeiam. É que o milagre está, em minha opinião, precisamente aí, nos outros, e não atrás, onde é mais óbvio, no indivíduo descobridor. Essa é a razão de ser do facto desta era contemporânea colocar-se a anos luz relativamente a todas as outras no que diz respeito a inovação científica e, até, artística. Os cientistas e os artistas não são mais os bichos isolados da Idade Média que faziam tudo por tudo para esconder a sua arte e as suas descobertas até que estivessem prontas e que delas pudessem extrair algum sustento. Pelo contrário, são antes a face visível de um todo criativo.

 

Não obstante o texto já ir longo, ainda não cheguei ao ponto que me fez principiar a sua escrita. É que há nestas preocupações com as máquinas burocráticas, tanto as de Kafka como as de Steinbeck, nas quais reconheço tanto de legitimidade quanto de transversalidade à generalidade das populações, uma ideia subliminar de que se trata de uma condição dos estados, como que um sintoma de uma doença de autoritarismo e controlo estatal, própria de governos com poder a mais, de sistemas de governação perversos e dominadores. Ainda hoje, parece-me transparente que esta ideia influencia determinantemente as opções democráticas das populações, condicionando as suas escolhas no sentido de limitação do poder aos estados e aos governos.

 

Ora, é contra esta ideia subliminar que me oponho. É contra esta ideia omnipresente que escrevo este texto.

 

Há uns tempos encomendei uma cozinha a uma grande empresa multinacional. Encomendei cada peça e a respetiva montagem. Os custos foram pagos previamente e na sua totalidade e ficou combinado a obra ficar pronta ainda antes da Páscoa. Pois acontece que faltou uma peça, o acabamento foi sendo sucessivamente adiado, foram perdidas manhãs de trabalho da minha parte em intermináveis esperas para que as equipas viessem fazer o serviço, serviço esse que ficou concluído apenas a meio desta semana que agora terminou. Não houve direito a nenhuma compensação pelo atraso. Todas as reclamações foram recebidas com superior escárnio e desinteresse: afinal, a grande companhia nada tinha que ver com a empresa de montagem subcontratada para o efeito...

 

Serve portanto este relato verídico pessoal como exemplo para o que deixámos que a nossa sociedade se tornasse, governados pela tal ideia subliminar de Kafka e de Steinbeck. É que, cegados por essa ideia, horrorizados com a possibilidade de que os estados se embriagassem de poder, entregámo-lo, ao poder, numa salva de prata, aos interesses privados que cresceram e proliferaram como grandes companhias internacionais. O poder reside por completo nas suas mãos. Encontra-se bem plasmado nos contratos de prestações de serviços que assinamos, seja para encomendar uma cozinha, serviço de televisão e internet, ou qualquer outra coisa. Basta proceder à sua leitura. Todos os interesses dos capitalistas, ao contrário dos nossos, encontram-se bem salvaguardados.

 

E em caso de conflito, e aqui reside a parte mais interessante, todos os fantasmas de Kafka são ressuscitados mais autênticos e concretos do que nunca: trata-se do indivíduo isolado contra a máquina burocrática, não a do estado, mas a das grandes corporações, com as suas equipas de advogados dedicadas, todo um estado a legislar em seu benefício, e todo um sistema judicial ajuizando, com jurisprudência adequada, em seu favor.

 

Ao crescer, as grandes corporações foram multiplicando o seu poder e tomaram o estado democrático para si próprias, detendo-o amarrado a uma trela curta segura pelo seu firme punho fechado. Os fantasmas de Kafka são, afinal, muito mais reais assim, em estados fracos manietados pelos interesses económicos burgueses, no que noutra configuração qualquer. A máquina burocrática esmagadora da individualidade do cidadão, a besta terrível que devora as liberdades individuais, nunca conheceu tamanho poder pois age sob a capa da democracia, escondendo-se atrás daquela ideia subliminar do “papão estatal”.

 

Com isto não advogo a tese de que a máquina burocrática estatal é melhor do que a máquina burocrática corporativa. Bem vistas as coisas, até poderão ser consideradas faces da mesma moeda. A diferença é outra: a primeira é subordinada ao nosso voto, à nossa escolha democrática. A segunda, não. A segunda é uma forma de fascismo não declarado.

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