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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Em terra de cegos...

por Amato, em 13.09.15

Em Portugal dizer-se que não se gosta de Matemática e, mais grave, justificar-se desse inaceitável modo o insucesso na área, tornou-se algo de natural, tão natural como se nascer a gostar de fado, de futebol e de Fátima.

 

Ao longo dos anos, a sociedade portuguesa estimulou e acarinhou este género de comportamentos quer através de uma simples inação, quer através dos modelos sociais que ativamente promoveu e continua a promover. Com efeito, não existe uma mudança de paradigma no que a este particular, a forma como vemos a ciência, diz respeito. Os símbolos sociais mais estimados são inexoravelmente os modelos com que moldamos os adultos de amanhã e esses símbolos, esses modelos, são os jogadores da bola, os cantores populares e os atores de novela. Atenção que não existe aqui nada contra a existência de tais símbolos. Simplesmente e sem sombra de dúvida, a sociedade colhe as gerações que semeia.

 

Neste sentido, o amanhã tem a vocação de nos surpreender no dia de hoje. A falta de formação matemática, como simples cultura geral, surge gritante no folhear de um jornal qualquer. Neste fim-de-semana os exemplos são vários. Os mais frequentes estão presentes nas conclusões que se retiram das sondagens. Falta estudo de Estatística, falta saber o conceito de “amostra representativa”, de “erro máximo”, de “nível de confiança” e outros, falta tanta coisa... E, contudo, referem-se ao resultado das sondagens como “factos”. Utilizam mesmo a palavra “facto”. Por vezes fico na dúvida se será mesmo ignorância pura ou se também eles farão parte do processo de manipulação da opinião pública.

 

Também houve aquela referência engraçada à sequência de Fibonacci. Só que a sequência estava errada... Faltava um crucial número. Foi uma pena, o texto estava a dar a ideia de que o autor percebia imenso da matéria mas houve qualquer coisa que falhou entre o ditado ou a célebre técnica do copy-paste.

 

É claro que tudo isto é significativo. É claro que tudo isto exibe com nitidez onde estamos metidos, por um lado, e, por outro, de que massa é feita quem tem voz neste país. Também é evidente que o fomento deste estado de espírito face à Matemática e à Ciência em geral, mas também à História e à língua, por que não dizê-lo, é útil para a manutenção dos públicos que ouvem e aceitam, acriticamente por ignorância, este tipo de opinião. É a promoção dos cegos, geração após geração, para que os reis do costume mantenham o seu poder.

 

http://www.brandeis.edu/ethics/images/blindfolded.jpg

 

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