Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Brexit: esqueçam o fish and chips

por Amato, em 21.06.19

Em julho 2016, já lá vão três anos, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, renunciou ao seu cargo quando o povo que representava decidiu, em referendo, pela saída do Reino Unido da União Europeia. Do alto da sua sapiência, a velha “democracia” britânica, a mesma que sustenta uma câmara de quase oito centenas de lordes que mais não fazem do que mandar um bitaite aqui e ali, decidiu — David Cameron tinha formado governo há pouco tempo, afinal — nomear o nome que se seguia na hierarquia do Partido Conservador, no caso, uma senhora a fazer lembrar a ignóbil Margaret Thatcher, chamada de Theresa May.

 

May ocupou o seu tempo enquanto primeira-ministra do Reino Unido a negociar um acordo para a saída do seu país da União Europeia procurando, deste modo, cumprir a vontade do povo que representava. Com efeito, podemos afirmar com propriedade que em tudo o resto as ilhas britânicas congelaram: durante três longos anos — e a farsa parece que ainda está para durar — a política daquele país reduziu-se ao brexit. De forma um tanto ou quanto surpreendente, volvidos três anos sobre o referendo, todos os acordos que May conseguiu estabelecer com os seus interlocutores europeus foram sucessivamente rejeitados pelo parlamento britânico que, inclusivamente, rejeitou também a possibilidade de saída do país sem acordo.

 

Não restou, portanto, outra alternativa ao pálido deja vu de Thatcher que não o de apresentar a sua demissão, algo que viria a acontecer em maio passado. Sem vislumbres de querer defender a senhora, a verdade é que por estas horas, Theresa May deve andar a perguntar-se porque cargas de água se meteu nestes trabalhos, porque razão deixou de fazer as suas coisas e levar os seus netinhos à escola, porquanto a sensação que efervesce é que, fizesse o que fizesse, conseguisse o acordo que conseguisse, o resultado final seria sempre o mesmo e o parlamento far-lhe-ia a cama bem feita como, aliás, fez. Foram três anos bastante inúteis, inexoravelmente perdidos, para o Reino Unido.

 

Chegados a este ponto, há uma conclusão que emerge como óbvia e que resulta quer de todo o processo dirigido por May quer dos recentes resultados das eleições europeias que concederam uma incontestável vitória ao partido do brexit formado especialmente para a ocasião: o Reino Unido necessita de uma clarificação política. Não se trata apenas de nomear o próximo na lista de sucessão ao cargo: trata-se de remodelar o parlamento de acordo com a vontade popular e isso só poderá ser feito antecipando eleições e dando voz ao povo britânico.

 

Todavia, a velha “democracia” britânica, seguramente aconselhada de forma superior pela sua câmara de quase oitocentos lordes, prepara-se para ignorar o óbvio e dar lugar ao próximo. Que lição — particularmente dedicada a todos aqueles apaixonados pelo exemplo inglês — que esta democracia nos dá!

 

O próximo a aguardar impacientemente a sua vez parece ser um tal de Boris Johnson, uma imitação infeliz de Donald Trump, que será o que tem sido ao longo da sua oportunista carreira política: uma voz pouco sensata, pouco culta e pouco inteligente no panorama britânico e europeu. Mas, em boa verdade, o nome do próximo em linha de sucessão não é muito relevante aqui para o caso: o impasse parlamentar permanece perene com a mudança de nomes e não parece ter uma resolução à vista caso se mantenha a correlação de forças que existe atualmente.

 

Talvez seja esta a ideia. Talvez a estratégia britânica passe mesmo por uma procrastinação indeterminada da tomada de decisão com respeito à sua saída da União Europeia. Afinal, manter um pé dentro e um pé fora da Europa sempre foi a especialidade britânica. Esqueçam lá o fish and chips.

Como é que o Brexit se tornou num enxovalho à democracia?

por Amato, em 16.03.19

Como é que foi?

 

Quer dizer, fez-se um referendo, fez-se campanha pelo sim, fez-se campanha pelo não, o povo foi chamado a dizer de sua justiça, a maioria disse sim e, passados três anos da consulta popular, nada aconteceu.

 

Bem entendido, o primeiro-ministro demitiu-se, foi substituído, a substituta andou durante a maior parte destes três anos a negociar não se sabe bem o quê — tenho ideia que a ideia será fazer o Brexit mantendo tudo na mesma no que à alta finança diz respeito — e agora anda a tentar aprovar esse deal no seu parlamento onde tem sido objeto de debate por brexiters e remainers que não se entendem — claro que não se entendem! Como é que se haviam de entender? — a não ser em rejeitar continuamente qualquer acordo e qualquer alternativa.

 

Como é que o Brexit se tornou num enxovalho, neste lamentável enxovalho, à democracia?

 

Se o povo britânico decidiu sair da União Europeia, coisa à qual nunca, verdadeiramente, pertenceu, então que saia. A saída devia ser inevitável e inexorável com ou sem acordo entre as partes. Depois, então, negociaria tudo aquilo que entende negociar com a União Europeia assim como o faz com qualquer outro país. Mas não era exatamente isso que era pretendido, autonomia e soberania? Claro que há consequência económicas envolvidas! É natural que as haja: afinal, cada opção política que se toma tem um preço. Podemos não o ver nitidamente — como nós, portugueses, não o vimos quando aderimos à União —, mas ele existe — começamos a vê-lo agora, claramente. Ao invés, a classe política do Reino Unido prefere alimentar este folhetim parlamentar degradante ao mesmo tempo que não dá cumprimento ao desejo expresso do seu povo.

 

Como é que o Brexit se tornou num enxovalho à democracia?

 

É fácil.

 

Primeiro, porque a classe política britânica utilizou o Brexit, e lançou-o no seio das suas populações, como arma populista de jogatana política.

 

Segundo, porque grande parte da população viu no Brexit, muitos de forma verdadeiramente inocente, a solução das suas frustrações sociais legítimas jamais atendidas pelas políticas centrais britânicas.

 

Terceiro, porque o Brexit veio a corporizar um sentimento de inveja, xenófobo e racista latente na sociedade britânica, fruto de muitas transformações que ao longo de décadas mudaram a sua face.

 

Quarto, porque um segmento da sociedade britânica considera absolutamente intolerante esta crescente veia autoritária, prepotente, arrogante e opressora da União Europeia, desta União Europeia germânica que com um banal agitar de dedos faz dançar o patético fantoche francês sobre o seu colo.

 

Quinto, porque a classe política, aquela que no primeiro ponto desencadeou todo este processo, está mais preocupada em assegurar os interesses da sua gorda burguesia do que em cumprir a vontade do seu povo.

 

Conheço várias personalidades — vocês também devem conhecer, estou certo — que gostam de fugir às questões e ao debate apontando a agulha para o chamado “exemplo britânico” no que a uma democracia “madura” diz respeito. Pessoalmente, sempre abominei este provincianismo de se pensar que os outros são melhores do que nós e que é no estrangeiro que se encontra a virtude. A minha resposta é sempre a mesma: viaja! Vai ver o mundo! Porque é mesmo isto: quando não viajamos acreditamo-nos no que nos dizem.

 

No século XV, por exemplo, antes da epopeia dos descobrimentos, dizia-se que o mar abaixo de Marrocos não era navegável, que era repleto de monstros marinhos que engoliam embarcações de uma só vez e que terminava num precipício sem fim. E nós acreditávamos. Foi preciso ir até lá para se ver a verdade. Voltando à questão, nunca tomei lições do que quer que fosse, muito menos de democracia, de um país monárquico com uma câmara de mais de setecentos lordes sustentados a peso de ouro pelo erário público. Sempre me causou impressão. Mas para os outros, aqueles que andam sempre com o “exemplo britânico”  na ponta da língua, a situação atual deve causar algum embaraço.

Por lá e por cá

por Amato, em 14.04.18

Acho incrível como é que subsiste tanta gente que, depois de décadas de intervenções vergonhosas, indecentes e oportunistas no Médio Oriente, ainda atribui algum crédito aos Estados Unidos da América e aos seus lacaios patéticos, Reino Unido e França. É coisa que, sinceramente, nunca hei de entender!

 

Portugal assumir-se como um país sem espinha dorsal, isso já é fácil de entender. Sempre assim foi. O contrário constituiria novidade. E António Guterres, enquanto presidente das Nações Unidas, comportar-se como um verme vulgar com voz de sacristão que rouba o cesto das esmolas? Isso também é fácil de aceitar. É a natureza de cada um.

 

Agora, todavia, as coisas estão um pouco diferentes. Há um certo respeito que será receio, talvez, que se sente no ar. Um respeito por uma Rússia que se reergueu sem se dar por ela e que faz questão de não participar na fantochada diplomática do costume. Desengane-se quem procura adivinhar uma terceira guerra mundial: estes bombardeamentos são mero fogo de artifício para o mundo ver e, ainda assim, com aviso prévio aos russos porque isto do respeitinho... é coisa que é muito bonita.

 

Por cá, assistimos ao princípio do fim do mito a que se convencionou chamar de “geringonça”. Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português fazem-me lembrar, com efeito, aquelas esposas continuamente traídas e mal tratadas num mau casamento que se mantêm na relação por amor aos filhos — os trabalhadores e o povo, no léxico comunista. Agora, parece que o marido, o PS, prepara-se para trocar em definitivo as esposas pela amante de sempre, a direita, corporizada no PSD. Esta história do “ir mais além que as metas europeias do défice” não tem nada de novo. O que aconteceu repetidamente no passado com as cativações é de idêntica natureza. A diferença é que, agora, o PSD apresenta-se solícito para tudo aprovar em matéria de política interna, sobretudo porque esta assim vai de encontro harmonioso aos interesses da burguesia que PS e PSD tão bem representam.

 

O PS conseguiu — facto assinalável —, ao longo de todo este mandato, fazer uso de BE e de PCP a seu bel prazer até ao preciso momento em que os seus pobres parceiros se esgotaram em préstimo e serventia. Um acordo mínimo foi suficiente para agarrar BE e PCP a uma prossecução de uma governação formalmente e em toda a linha de direita — contado desta forma, ninguém acredita!

 

É sem qualquer vestígio de satisfação que reconheço que este lamentável desenlace dos acontecimentos foi aqui, neste blog, repetidamente previsto e anunciado. BE e PCP ficam muito mal na fotografia e sofrerão — acredito, esperando estar errado — sérias consequências eleitorais.

 

É, por tudo isto que foi dito, que este apoio de Portugal ao mais recente bombardeamento americano à Síria me causou uma suplementar revolta. É que, e dirigindo-me concretamente ao PCP neste ponto, tendo-se revelado incapaz de forçar as reversões que realmente importavam ao país, como o Código de Trabalho, como a Segurança Social, os direitos, os salários e as reformas, não para alguns mas para todos, tendo sido incapaz de diminuir os impostos sobre quem vive do seu trabalho, tendo, enfim, deixado cair as suas principais bandeiras ideológicas em nome de uma travagem meramente simbólica da direita e da sua austeridade, deixa agora, também, cair a sua bandeira mais identitária que é a sua matriz anti-imperialista.

 

Ano após ano, no comício da Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP estende a sua solidariedade aos povos que resistem ao imperialismo e dirige-se, concretamente, aos povos do médio-oriente. Como é que Jerónimo de Sousa conseguirá dizer isso este ano, tendo suportado parlamentarmente um governo que se aliou a uma agressão imperialista? Como? Não será possível. Não será mais possível.

 

É verdade que o PCP distanciou-se do governo e criticou-o por esta posição, mas caramba! Exigia-se mais! Estaremos a brincar às coligações? Ou para o PCP isto do imperialismo é conversa fiada que serve apenas para encher discursos e entreter as massas?

 

Não! Isto é muito sério. E, se o PCP fosse fiel à sua própria história e ideário, António Costa, depois da sua miserável intervenção de quinta-feira, caía durante esta mesma semana do seu pedestal de poder a menos que se retratasse e retirasse o nome do país desta abjeta lama onde o mergulhou.

 

O PCP, todavia, parece permanecer fiel a este medíocre papel de esposa desonrada de que falava acima. Queixa-se do governo que tem apoiado. Queixa-se num contínuo pranto. Mas não faz nada. Não faz nada.

 

Não faz nada.

 

Liga para o apoio à vítima, PCP. Liga. O número é o 116 006. Liga: é grátis. Pode ser que te ajudem.

A inenarrável questão russa

por Amato, em 27.03.18

Por que razão é que o presidente russo havia de ordenar o homicídio de um duplo espião libertado por si próprio há sete anos e há sete anos a viver em solo britânico?

 

Será que subsistia algum segredo russo que, ao longo destes sete anos, este espião ainda não havia revelado aos serviços secretos britânicos?

 

E por que razão é que a Rússia havia de escolher como método um gás tóxico perigosíssimo — a mais pequena quantidade é capaz de exterminar vilas inteiras — para assassinar um só indivíduo e que podia ser associado a si própria?

 

Não me sabem dizer? Não interessa, pois não?

 

A questão é tão inenarrável, de tão absurda que é, que nem vale a pena prosseguir.

 

As sociedades estão convertidas nisto, nesta massa de distraídos e de alheados que comem tudo o que lhes é dado, por mais absurdo que seja. Somos uma massa, no fundo, de vulgares preconceituosos e ignorantes. Que assim seja: os russos é que são maus, são um perigo para a paz mundial! Os ocidentais são uns santos que nos protegem! Carreguem, jornais “de referência”. Carreguem, televisões e rádios. Carreguem, opinion makers! Lavagem cerebral da melhor!

Os eventos do fim-de-semana

por Amato, em 28.06.16

Depois de um auspicioso princípio — com a vitória do Brexit —, este fim-de-semana que passou acabou de uma forma que deixou um travo amargo na minha boca. Deitei-me tarde no domingo e adormeci com a forte convicção de que, em Espanha, o Unidos Podemos cresceria para se tornar na segunda força política.

 

Havia uma esperança consubstanciada de que a coligação entre Podemos e Esquerda Unida seria capaz de coletar pequenas percentagens por toda a Espanha e transformá-las em lugares no parlamento. A realidade, todavia, não deixou de ser cruel, nem que por um dia apenas, e acordei para ela, na segunda-feira.

 

Em Espanha, podemos dizê-lo para abreviar, ficou tudo mais ou menos na mesma, que é o mesmo que dizer que ficou tudo péssimo. Nenhuma consequência minimamente visível foi trazida a qualquer uma das forças partidárias, talvez excetuando aquela abjeção a que chamam de Ciudadanos que levou uma forte machadada em votos. No mais, tudo sensivelmente igual.

 

O problema está não no que aconteceu mas no que não aconteceu: o PSOE não foi severamente penalizado e o Unidos Podemos não cresceu. Este singular facto demonstra cabalmente que o povo espanhol, pelo menos o que está mais à esquerda no espectro político, não está virado para grandes mudanças de paradigma. Quer as coisas como estão e como sempre estiveram. Neste particular, é risível quando nos chamam, a nós, portugueses, o povo dos “brandos costumes”.

 

Pelo contrário, e a concorrer com o anterior, o PP, com seu mentecapto líder, viu a sua votação reforçada. Isto não é algo de somenos sobretudo após toda a panóplia dos recentes escândalos envolvendo os ministros do governo espanhol de gestão.

 

Esta sequência de eventos faz-me pensar que o que aquilo que o povo realmente quer é o Bloco Central. Aqui, em Portugal, também o queriam e ficaram muito revoltados quando tal não aconteceu. Chamaram Geringonça e outros nomes feios ao que veio a acontecer. Mas reforço: se a Geringonça fosse uma perspetiva clara e viável antes das eleições, acredito que o povo ter-se-ia expressado de forma muito diferente.

 

Observação: ainda sobre o Brexit, gostava de perceber o que leva um português a defender a União Europeia quando, há dias, ouviu o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, colocar de lado sanções à França dizendo “A França é a França”, ao mesmo tempo que Portugal é diariamente ameaçado com essas mesmas sanções.

 

Por cá, ocorreu a convenção do Bloco de Esquerda. A vaia que dedicaram à delegação do Syriza é triste mas expectável, em certa medida. Começando pelo fim, é expectável porque traduz a reação mais natural do Bloco à camisa de forças em que se meteu quando apoiou cegamente aquele partido grego e a ele se colou enquanto foi politicamente interessante. Agora, perante a evidência da realidade política, o Bloco sentiu necessidade de se descolar do Syriza e, diga-se, fê-lo da pior das formas. E é por isso mesmo que é triste: o Bloco mostrou aqui a sua completa e endémica imaturidade política, não obstante os anos que já leva enquanto partido.

 

Destaco ainda mais uma bomba mediática que, como não poderia deixar de ser — estamos a falar do Bloco de Esquerda —, tinha que ser lançada: a questão do referendo à União Europeia ou ao Tratado Orçamental. Esta bomba, completamente infundada do ponto de vista constitucional e desmontada por António Filipe, deputado comunista, para além de visar o mediatismo, como é timbre característico do Bloco, é mais um absurdo ideológico. Falamos de um partido que nunca colocou em causa a permanência de Portugal no Euro, quanto mais na União Europeia! Não há muito mais a dizer sobre o assunto: o Bloco cavalga a onda do mediatismo, seja ela qual for. Neste momento, essa onda chama-se Brexit.

Sobre os contrassensos da propaganda de medo

por Amato, em 24.06.16

Por que é que é tão difícil explicar a uma pessoa inteligente e letrada que a saída do Reino Unido da União Europeia em nada tem que ver com liberdade de circulação para esse país?

 

Há exemplos de países europeus que, não pertencendo à União Europeia, não necessitam de vistos especiais para serem visitados. A isso chama-se Espaço Schengen e, não sendo esse Espaço um exclusivo dos membros da União Europeia, não há nada que obrigue o Reino Unido a não manter acordos bilaterais relativamente a comércio e livre circulação com os seus parceiros europeus. O problema é que o Reino Unido, juntamente com a República da Irlanda, nunca tinha assinado esse acordo. Então, qual é verdadeiramente o problema? Quem se coloca contra o Brexit usa argumentos — a livre circulação e o livre comércio — que não têm, como facilmente se constata, qualquer sentido.

 

Todavia, é muito difícil fazer compreender que tudo aquilo que identificamos como União Europeia não é, de facto, União Europeia. Quanto muito, a União Europeia, enquanto construção, tê-lo-á tomado de emprestado. A ideia que temos não corresponde à realidade: a União Europeia é controlo, é subtração de autonomia, de liberdade e de democracia. A solidariedade entre os povos terá sempre lugar, assim os povos o queiram, pois não teve o seu princípio, nem terá o seu fim, na União Europeia.

 

A propaganda faz com que seja difícil de entender. É uma propaganda de medo que começou ainda antes dos resultados do referendo. A sua razão de ser radica no facto do poder europeu não querer ver a experiência democrática britânica replicada em mais nenhum país.

Viva o Brexit!

por Amato, em 24.06.16

Acordar com a notícia da vitória do Brexit é algo de excecional. Escrevo estas palavras sob um espírito de júbilo e de esperança. Não sei se o Reino Unido o fez pelas melhores razões, mas isso tão pouco interessa. O povo votou e escolheu sair e isso é excelente. É excelente por diversos motivos, principalmente porque coloca em causa o caminho seguido pela União Europeia desde sempre, ou seja, uma espécie de federalização não declarada governada pela Alemanha e orientada por políticas neofascistas.

 

Quem diria que iria ser a democracia o calcanhar de Aquiles desta União Europeia? Quem diria? A União Europeia, que tudo fez para se esquivar ao crivo democrático dos seus povos, com a criação de abjeções não eleitas como o Eurogrupo, ao mesmo tempo que despe o Parlamento Europeu de todo e qualquer poder significativo, vem a ser colocada em causa por um referendo nacional interno!

 

Excelente! Excelente! Viva! Ainda não escrevi tudo o que queria ter escrito, mas agora não consigo! Tenho demasiada adrenalina! Viva o Brexit!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Amato

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Mensagens