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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Como a população forma a sua opinião

por Amato, em 11.10.16

O facto mais interessante que podemos retirar deste diferendo entre táxis e Uber é constatar que a esmagadora maioria da população forma a sua opinião com respeito ao assunto unicamente com base na sua opinião pessoal relativamente à classe profissional dos taxistas.

 

Num assunto de todo em todo técnico, que só tem que ver com a noção de equidade perante a lei ou, eventualmente, com o tipo de sociedade que mais apraz a cada um, seja mais socialista, seja mais liberal, o povo emite a sua sentença, diz de sua justiça, negligenciando tudo isto, e tomando em consideração, simplesmente, a impressão empírica que tem sobre o serviço prestado pelos táxis e a simpatia dos taxistas.

 

Se bem que estas constituem-se como informações da maior relevância para a discussão do serviço em si, apesar da sua natureza empírica, nada têm que ver com a discussão em causa. Isto diz muito, todavia, sobre a psicologia das sociedades. Isto explica muita coisa sobre o funcionamento da democracia.

Apriorismo de opinião

por Amato, em 11.02.16

No que à formação de opinião diz respeito, confesso-me apriorista. Nem racionalista, nem empirista: apriorista.

 

Ainda antes de observar o problema ou diferendo em detalhe, muito antes de conhecer os factos que o rodeiam, a pessoa humana contém dentro de si a sua resposta que não é mais do que o resultado de um posicionamento político a priori. É verdade que essa resposta pode sofrer alterações com a experiência e com a influência do meio, todavia cabe a algo que reside no lugar mais íntimo e reservado do indivíduo a primazia no momento da formação de opinião. Nada é tão marcante ou duradouro quanto a bagagem sentimental, não racional, de que o indivíduo é dotado no momento da sua conceção.

 

E é por esta acurada razão que toda a transformação social, política ou, simplesmente antropológica, é tão morosa, tão árdua, em que cada passo lançado em diante parece preceder dois passos dados à retaguarda. Por vezes, parece que cada revolução resulta da indução massiva de um certo estado de ebriedade, findo o qual as massas rejeitam o processo e retomam o estado de equilíbrio anterior, aquele que mais vai de encontro ao seu posicionamento político apriorístico.

 

Por feliz e virtuoso acaso, entre uma e outra revolução permanecem resquícios, como que sementes revolucionárias, que se agarram ao solo e ganham raízes e a Humanidade assim evolui, lentamente, semente a semente, entre cada descuido da sua própria essência.

Uma hierarquia de necessidades do ser humano

por Amato, em 26.03.15

No seu artigo de 1943, “A Theory of Human Motivation”, Abraham Maslow estabeleceu a chamada Pirâmide de Necessidades, construção que lhe concedeu a imortalidade no universo da psicologia moderna.

 

A pirâmide não era mais do que uma hierarquização de necessidades que, de uma maneira geral, abrangem todo o indivíduo social, começando com as necessidades mais básicas, na base, e subindo, camada a camada, até ao topo para necessidades secundárias ou mais sofisticadas. A ideia subjacente à idealização da pirâmide era de que existe uma lógica de priorização no universo de todas as necessidades do ser humano.

 

Inicialmente, Maslow elaborou uma pirâmide com apenas cinco tipos de necessidade.

 

Na base pontificavam as chamadas necessidades psicológicas que tinham a ver com o acesso a alimento, água, ar, roupa e abrigo e, também, com as necessidades sexuais. Estas eram, segundo o autor, as necessidades mais básicas que cada ser humano tinha que suprir para poder funcionar corretamente.

 

Seguidamente, na camada superior, surgiam as necessidades de segurança, cujo nome é suficientemente elucidativo (segurança pessoal, financeira, de saúde, ...).

 

A terceira camada da pirâmide designa-se por necessidades de amor ou de pertença. Tratam-se de necessidades de se sentir amado e importante num certo contexto micro-social.

 

Na penúltima camada observamos as necessidades de estima. É curiosa a criação desta camada separadamente da anterior. Falamos das necessidades em se ser reconhecido socialmente, em se sentir estimado no coletivo social em que se insere, de se sentir importante na função que desempenha na sociedade, em ter uma boa autoestima e um bom autoconceito.

 

No topo da pirâmide atingimos as necessidades de autoatualização que têm a ver com a necessidade do ser humano desafiar os seus limites, reformular objetivos de vida e superar as suas próprias metas.

 

Toda esta construção é bastante discutível e a hierarquização das necessidades foi fortemente atacada no mundo científico por diversas razões válidas. O próprio Maslow viria a reformular a sua pirâmide acrescentando mais dimensões para além das cinco apresentadas inicialmente e introduziu também um juízo crítico de contexto na sua análise. Todavia, a ideia sempre me pareceu assaz interessante e empiricamente comprovável. Como pode uma pessoa pensar em cultura, educação de estômago vazio? Como é que se pode suprir certas necessidades sem se suprir outras, mais prementes? Como podemos ter democracia perante uma população assimétrica em termos das suas necessidades?

 

A pirâmide de Maslow fez-me lembrar esta música do Sérgio Godinho, a qual já mencionei aqui.

 

 

Aos olhos do martelo...

por Amato, em 09.03.15
“I suppose it is tempting, if the only tool you have is a hammer, to treat everything as if it were a nail.”
― Abraham Maslow, Toward a Psychology of Being

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Amato

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