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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Sentem-se e esperem para ver

por Amato, em 27.09.18

Ouvi hoje António Costa referir-se a dois problemas concretos do país — a habitação na capital e a sobrelotação do aeroporto de Lisboa — e as soluções que apresentou não me surpreenderam, mas deixaram-me preocupado com o futuro que se avizinha.

 

Diz António Costa que, no que à escassez de habitação diz respeito, o turismo não é um problema. Antes, a solução é aumentar a oferta, entenda-se aumentar a construção na zona que é, de longe, a com maior densidade populacional do país. Entendamos bem: a solução de Costa para o problema da habitação em Lisboa é o aumento de licenças para os empreiteiros erguerem prédios de cimento sobre prédios de cimento.

 

Quanto ao aeroporto, Costa ainda consegue ser mais claro: o “Portela mais um” já devia ter sido para ontem e avançará rapidamente, para satisfação dos novos donos da TAP que pretendem concentrar o seu negócio em Lisboa. Claro que o facto de que os outros aeroportos do país, particularmente o do Porto, encontrar-se às moscas, é coisa de somenos.

 

Costa e, mais geralmente, os governos PS são peritos neste estender de passadeiras encarnadas aos vorazes interesses da burguesia, particularmente na construção civil, nas obras públicas, dos mamutes de ferro, cimento e betão armado.

 

Em nenhum momento, nenhum mesmo, uma vaga noção de interesse público, de interesse nacional, de equilíbrio de meios e de distribuição dos equipamentos e da riqueza por todo o país, atravessa a mente de António Costa. Pelo contrário, apenas o negócio rápido, o satisfazer cobarde e obediente dos interesses burgueses, por mais perversos que sejam para os interesses do nosso país.

 

Que me desculpem os meus amigos de esquerda, mas mais vale um conservador, do que um António Costa no governo. Costa não é conservador, nem liberal, não é de esquerda, nem de direita. Costa é de quem manda. Senta-se do lado direito do poder. O que se passa é grave e o país vai pagar por isto mais cedo do que pensa. E mais cedo do que pensamos, veremos a história repetir-se diante de nós. Sentem-se e esperem para ver.

Patria o muerte!

por Amato, em 29.11.16

Fidel costumava dizer, em jeito de lema, “Patria o muerte!”. Dizia-o não com a superioridade com que o dizem os fascistas, não. Aquelas palavras não tinham nada de xenofobia ou de racismo. Pelo contrário, fosse qual fosse o momento, fossem quais fossem as circunstâncias, Cuba estava sempre preparada para enviar os seus médicos, os seus engenheiros, os seus quadros em geral, para acudir e ajudar todos os povos do mundo. Assistimos a isso mesmo, catástrofe após catástrofe, emergência após emergência.

 

Aquelas palavras transbordavam sim em amor àquela ilhota a flutuar entre o norte e o sul das Américas, amor pelas pessoas que lá viviam. “Patria o muerte!” significa “tudo pelo nosso país, tudo para sermos melhores, tudo para vivermos melhor, para sermos mais sábios e mais felizes”. Significa “orgulho, princípios e identidade”.

 

Disto temos muito pouco em Portugal. Com a visita dos reis de Espanha a Portugal ficou provado, aliás, que a nossa identidade é tão sólida como pasta de papel. As palminhas, as bandeirinhas espanholas, os “adeus”, a cavalaria da guarda — aliás, devem ter tido que alugar uma meia dúzia de cavalos à pressa para o efeito —, o Rolls Royce, as jantaradas nos palácios, os beija-mão e as vénias, foi tudo um espetáculo demasiado deprimente protagonizado pela nossa República de fingir.

 

De tudo, o mais grave, o mais nojento, pela simbologia, pelo desrespeito para com a nossa História, foi aquele momento de orgasmo incontido em que Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto, oferece as chaves da cidade ao Rei de Espanha! Reparem bem: o presidente da Câmara da segunda cidade de Portugal ofereceu as chaves da cidade ao Rei do país vizinho. Não há noção nem há um pingo de decência.

 

Para gente deste calibre, para gente desta qualidade, as palavras “Patria o muerte!” de Fidel só podem soar a grotesco por serem completamente incompreensíveis.

Demonstração de antipatriotismo

por Amato, em 04.02.16

Se há aspeto positivo em redor desta expectável novela do orçamento de estado é a forma como elegantemente se demonstra o antipatriotismo de demasiados portugueses. Deste conjunto, a peçonha é assinalavelmente mais grave quando afeta portugueses detentores de cargos políticos da mais elevada responsabilidade.

 

Façamos uso dos argumentos que bem entendermos e defendamos as posições que consideramos mais justas, mas há sempre um ponto em que o tempo de argumentar se suspende e em que temos o dever de não obstar à ação da posição vencedora do diferendo. Acresce que tal conclusão resulta com a naturalidade de que, se é certo que a discussão envolve interesses, motivações e opiniões distintas, também é certo que todas as partes se reconhecem como isso mesmo: partes de um mesmo todo. Acresce ainda em relevância o facto de que este todo se encontrar em processo negocial com entidades externas.

 

É como no futebol: por muito que não concordemos com as escolhas do selecionador e por muito que nos ofenda não ver mais jogadores da nossa equipa entre os convocados, uma vez iniciada a partida, a disputa, somos todos pela seleção, torcemos por todos e por cada um daqueles jogadores que vestem as cores da nossa bandeira.

 

O que se passa com a discussão em torno do orçamento de estado para o ano corrente não é nada disto. O governo, concorde-se ou não com as suas ideias, procura o melhor acordo possível com os interlocutores europeus, ao mesmo tempo que internamente, a nível do parlamento nacional, e mesmo externamente, a nível do parlamento europeu, a oposição perpetua um irrelevante debate e, com isso, enfraquece a posição negocial do país. Tal atitude constitui-se como uma imagem marcante de antipatriotismo e de, sublinhe-se cada uma das letras, terrorismo conspirativo político. A oposição, os seus deputados e eurodeputados, concorre objetivamente e ativamente para o fracasso do governo do seu país colocando-se do lado dos nossos opositores.

 

A tudo isto a sociedade portuguesa assiste com normalidade, sendo que uma parte substancial da mesma se posiciona do lado dos com que connosco negoceiam, ou seja, contra os interesses do nosso próprio país. Este posicionamento surge da ideologia de pensamento único vigente segundo a qual o capital é sagrado e os capitalistas (mercados) são deuses.

 

Perante o Olimpo, as aspirações dos mortais terrestres são irrelevantes e devem ser subjugadas aos interesses dos deuses, seus superiores. Este quadro alegórico é amplamente difundido pelos meios de comunicação social e, deste modo, temos uma boa parte do povo a repetir frases e a repensar pensamentos como: “não devemos ter opinião”, “não devemos ter vontade”, “devemos obedecer aos mercados sem negociar”, entre outras deformidades.

 

Fica claro que há portugueses que só apoiam a seleção de futebol se esta apenas tiver jogadores dos seus clubes. Fica claro que há portugueses que colocam interesses particulares, não necessariamente portugueses, à frente dos interesses de Portugal. Fica claro que há portugueses que são portugueses apenas pelo acaso do local do seu nascimento.

Catalunha livre

por Amato, em 08.11.14

Gostava de ver uma Catalunha independente. Independente, como aquele povo merece e como sempre devia de ter sido, por muitos anos que tenham passado e por muitos mais que possam vir a passar.

 

Não me esqueço de que Portugal deve a restauração da sua independência, em parte, à Catalunha. Devemos-lhes isso. Não fosse a revolta que deu na Guerra da Catalunha de 1640 a 1652 e o nosso próprio golpe revolucionário de 1640 poderia não ter resultado em coisa nenhuma. Por isso, repito: devemos-lhes isso, porque tenho memória histórica e porque amo o meu país. É triste que ao mais alto nível não subsistam estas qualidades. Porque, caso contrário, os mais altos representantes da nação assumiriam o seu dever moral e patriótico de apoiar a causa catalã.

 

Gostava de ver uma Catalunha independente como é o seu direito. Mas gostava também que o caminho livre e independente que o povo catalão há de um dia tomar nas suas próprias mãos fosse um caminho de progresso social e humano e que a Catalunha livre de Castela se erguesse como um farol de liberdade. Um farol para iluminar a europa e o mundo neste século XXI. De países conservadores e repressores já estamos bem servidos.

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Amato

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