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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Para quê?

por Amato, em 08.06.18

Thomas Mann

 

O homem não vive somente a sua vida individual; consciente ou inconscientemente participa também da sua época e dos seus contemporâneos. Até mesmo uma pessoa inclinada a julgar absolutas e naturais as bases gerais e ultrapessoais da sua existência e que dá ideia de as criticar tão objectivamente como Hans Castorp, pode facilmente sentir o seu bem-estar moral um tanto diminuído pelos defeitos inerentes a essas bases. O indivíduo pode visar numerosos objectivos pessoais, finalidades, esperanças, perspectivas, que lhe dêem o impulso para grandes esforços e elevadas actividades; mas quando o elementos impessoal que o rodeia, quando o próprio tempo, não obstante toda a agitação exterior, carece no fundo de esperanças e perspectivas, quando se lhe revela como desesperador, desorientado e sem saída, e responde com um silêncio vazio à pergunta que se faz consciente ou inconscientemente, mas em todo o caso se faz, a pergunta pelo sentido supremo, ultrapessoal e absoluto, de toda a actividade e de todo o esforço, então tornar-se-á inevitável, precisamente entre as naturezas mais rectas, o efeito paralisador desse estado de coisas e esse efeito será capaz de ir além do domínio da alma e da moral e de afectar a própria parte física e orgânica do indivíduo. Para um homem se dispor a empreender uma obra que ultrapassa a medida do que é usual fazer-se, sem que a época saiba dar uma resposta satisfatória à pergunta «Para quê?», é indispensável ou um isolamento moral e uma independência, como raras vezes se encontram e têm um quê de heróico, ou então uma vitalidade muito robusta. Hans Castorp não possuía nem uma nem outra dessas qualidades e portanto deve ser considerado medíocre, posto que num sentido inteiramente louvável.

 

— Thomas Mann, A Montanha Mágica

Donzela de dia, meretriz de noite

por Amato, em 14.05.17

O que mais me revolta na humanidade é a hipocrisia, a dissimulação, a farsa, a imposturice. O que mais me revolta é a tentativa em fazer-me crer em algo que não é, com o singular propósito em daí extrair algum tipo de vantagem.

 

Na última semana, antes da visita do Papa a Fátima, uma das notícias mais destacadas, a mais destacada na região norte, sem dúvida, foi o desentendimento entre Rui Moreira, o atual Presidente da Câmara do Porto e o PS, que acabou com o primeiro a rejeitar ou prescindir do apoio do segundo à sua candidatura para um segundo mandato à frente da Câmara. Esse apoio seria de todo em todo natural, já que Rui Moreira tem governado a cidade desde o primeiro dia com o apoio declarado, assumido e formalíssimo do PS e dos seus vereadores. A razão para o desentendimento teriam sido as pressões do PS para incluir determinados nomes nas listas da candidatura de Moreira, o que poria em causa a independência da mesma e que teriam sido consubstanciadas nas declarações públicas da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes. Rui Moreira chega mesmo a dizer que, na sua candidatura, os lugares são atribuídos apenas pela competência das pessoas e não por qualquer outro tipo de razão.

 

Porque eu sei que esta intrujice imunda passa para as pessoas e que muitas delas a aceitam assim mesmo sem pensar, vou dedicar o resto deste post para tentar desmascarar esta farsa.

 

Vou começar pelo fim. Se Rui Moreira apenas escolhe as pessoas do seu movimento pela competência, porque governou ao lado do PS durante estes quatro anos? Em particular, porque é que escolheu para seu braço direito e lhe atribuiu importantes pelouros um personagem como Manuel Pizarro, um puro aparelhista do PS e um perfeito incapaz fora desse estrito contexto?

 

Em segundo lugar, escolher a palavra independência para a defesa da candidatura de Rui Moreira é mais que uma mentira: chega a ser uma infâmia, um insulto! Rui Moreira é independente porque não tem filiação partidária? É isso?! Só quem não quer é que não sabe, porque é público, que a candidatura de Rui Moreira foi pensada por Paulo Portas, corria o ano de 2012, em reuniões com militantes do CDS nas quais Rui Moreira esteve presente. A candidatura de Rui Moreira, apresentada trapaceiramente como independente, foi apoiada formalmente, desde o primeiro momento, pelo CDS e, informalmente, por setores do PSD que, na altura, se opunham à candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto. Toda a gente sabe disto. Toda a gente sabe que Rui Moreira, não sendo militante do CDS, sempre foi íntimo desse partido e que frequentava (e frequenta...) as suas reuniões.

 

Porquê esta farsa? Porquê o embuste? Ah, é para se dizer de independente, porque está na moda e porque fica bem, as pessoas gostam, principalmente os idiotas úteis apartidários que se reproduzem como coelhos na nossa sociedade.

 

Chego deste modo ao último ponto ainda com esta dúvida no ar: qual a razão para este desaguisado entre Moreira e o PS, afinal? As declarações de Ana Catarina Mendes são, parece-me, de todo em todo expectáveis e naturais: se o PS apoia oficialmente a candidatura de Moreira à Câmara, é natural que festeje a sua vitória e que a interprete como também sua e também é natural que esteja representado na composição da lista de Moreira. Estranho seria o contrário. O problema, especulo eu, é que a lista em preparação de Moreira já deve ter os seus lugares bem atribuídos entre gente do CDS e “independentes”, como o próprio Moreira, afetuosos ao CDS ou ao próprio PSD. E, na verdade, sobretudo nesta fase de crispação política entre a antiga PaF e a nova Geringonça, Rui Moreira não quererá ver a sua candidatura “independente” como putativa plataforma de entendimentos entre PSD, CDS e o PS. Imagine-se: a candidatura de Moreira apresentar-se a eleições — como o foi até à semana passada — como uma pândega, vitoriosa por antecipação, entre CDS, PSD e PS!

 

É a candidatura “independente” de Rui Moreira, transparente e cristalina aos olhos de todos: pela frente, durante o dia, uma donzela impoluta, independente, que não se mistura com ninguém, dona apenas dos mais nobres preceitos de caráter; por trás, de noite, uma mulher da vida, uma meretriz que a todos se dá pela troca de favores e pela conquista de poder. Perdão, a todos exceto a CDU, cujos vereadores são a única força que resiste e que denuncia a patranha no seio da autarquia.

Catalunha livre

por Amato, em 08.11.14

Gostava de ver uma Catalunha independente. Independente, como aquele povo merece e como sempre devia de ter sido, por muitos anos que tenham passado e por muitos mais que possam vir a passar.

 

Não me esqueço de que Portugal deve a restauração da sua independência, em parte, à Catalunha. Devemos-lhes isso. Não fosse a revolta que deu na Guerra da Catalunha de 1640 a 1652 e o nosso próprio golpe revolucionário de 1640 poderia não ter resultado em coisa nenhuma. Por isso, repito: devemos-lhes isso, porque tenho memória histórica e porque amo o meu país. É triste que ao mais alto nível não subsistam estas qualidades. Porque, caso contrário, os mais altos representantes da nação assumiriam o seu dever moral e patriótico de apoiar a causa catalã.

 

Gostava de ver uma Catalunha independente como é o seu direito. Mas gostava também que o caminho livre e independente que o povo catalão há de um dia tomar nas suas próprias mãos fosse um caminho de progresso social e humano e que a Catalunha livre de Castela se erguesse como um farol de liberdade. Um farol para iluminar a europa e o mundo neste século XXI. De países conservadores e repressores já estamos bem servidos.

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