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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Quo vadis, PCP?

por Amato, em 27.05.18

Explica-me isto da eutanásia, PCP, explica-me. Explica-me a tua posição. Estás contra, eu sei, só não percebo bem porquê. É porque se deve valorizar a vida? É porque nos devemos apoiar na evolução científica para prolongar a vida e não encurtá-la? É porque a sociedade deve dotar o ser humano de condições para que este possa ter qualidade de vida? Isso está muito bem, está muito correto, sim, senhor. Mas diz-me, PCP, de que vale isso a quem está hoje em agonia e não consegue morrer porque o estado não deixa? De que vale? Achas, portanto, PCP, que o estado deve ter o direito de impedir alguém de se matar só porque... pode?

 

E já pensaste no aborto, PCP? Sim, na interrupção voluntária da gravidez que tão fervorosamente defendeste no passado? É que muito deste teu argumentário se poderia aplicar, quase que por decalque, à questão do aborto. Porque também devemos valorizar a vida, pelo menos a potencialidade dela existir. Porque também todas as mães deviam ter as condições perfeitas, materiais e sociais, para poder ter os seus filhos e, se as tivessem, a esmagadora maioria delas não abortaria. Porque devemos valorizar a vida, prolongá-la e não encurtá-la.

 

Não entendo, PCP, em que ficamos? Afinal, no que à eutanásia diz respeito, o que tu achas é que deve haver uma lei para os mais fracos e para os mais pobres e outra para os outros. Sim, porque os que têm saúde podem matar-se de uma forma mais ou menos convencional, ninguém os pode impedir e ninguém tem nada com isso, e os ricos podem ir fazê-lo ao estrangeiro onde a eutanásia é permitida: olha aquele australiano que viajou meio mundo até à Suíça para poder morrer há umas semanas. Lembras-te? Costumavas dizer isto mesmo relativamente ao aborto, relativamente à hipocrisia do que se passava no Portugal de então. Longínquos tempos esses.

 

Mas isto da eutanásia não é o que mais me preocupa, PCP. O que me preocupa é o rumo que tomas. Acaso sabes dos trilhos que calcorreias? Sabes para onde vais, para onde te diriges, o que pretendes? É que eu não sei. Ver-te aliado a CDS e PSD, à mais abjeta direita de onde nada de fecundo ou venturoso jamais brotou, não é animador. Ouvir certas múmias erguerem-se dos seus sarcófagos para invocarem o teu nome abonatoriamente em seu favor é atemorizante também. Será este o teu propósito? Tornares-te no primeiro partido de esquerda conservadora, de mãos dadas com a igreja e com os bons costumes? Será? Pergunto-me...

Lembremo-nos dos gregos

por Amato, em 17.09.16

Chama-se de Grécia Antiga a uma civilização que existiu entre aproximadamente o século VIII a. C. e o ano 600 d. C. Esta civilização não era delimitada exclusivamente por fronteiras políticas. Pelo contrário, as muitas dezenas de cidades-estado que varriam toda a zona que hoje é ocupada pela atual Grécia, pelo sul de Itália e da França, a Macedónia, o Chipre, a Turquia e parte do norte de África, eram unidas por um laço mais forte chamado de cultura, de filosofia e de ciência.

 

Na Grécia Antiga sabia-se mais matemática e tinha-se mais conhecimento do que durante os quase dois milénios que se seguiram ao fim do império romano. Sabia-se, por exemplo, que era a Terra que orbitava em torno do Sol e não o contrário. Estimara-se também o raio da Terra e a distância da Terra à Lua. São apenas alguns exemplos. Os avanços dos gregos abrangeram praticamente todas as áreas do saber e da cultura.

 

É surpreendente constatar como foi possível apagar este riquíssimo legado da História do Homem durante quase dois mil anos. Sim, foi exatamente isso que aconteceu. De um momento para o outro, a recém criada Igreja Católica queimou livros e bibliotecas, apedrejou e queimou sábios e cientistas e mergulhou toda uma civilização nas mais profundas trevas culturais, período esse ao qual se convencionou chamar de “Idade Média”. Da noite para o dia, passou-se a acreditar que afinal era o Sol a “viajar” em torno de uma Terra plana. Mesmo depois do fim deste período, a retoma do caminho da cultura fez-se sempre muito devagar, muito lentamente. Ainda hoje, a sociedade contemporânea alicerça-se sobre o legado grego.

 

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Ninguém sabe ao certo o que se perdeu. Ninguém pode afirmar com segurança com quantos séculos de atraso ficámos, o quão à frente estaríamos se tal não tivesse ocorrido. Mas, para mim, o importante é notar o facto. O que é importante é perceber que sim, que é possível mergulhar o povo na mais profunda ignorância de um dia para o outro, literalmente. Aconteceu no passado. Pode-se repetir no futuro. E quando nos apoiamos sobre os recursos tecnológicos de que hoje dispomos e no que mais temos à disposição para desprezarmos tal ameaça, estamo-nos apenas a enganar. Não dominamos nada de nada. Quanto muito, os sistemas de comunicação apenas concorrem para a lavagem cerebral coletiva. Bem entendido, hoje em dia é ainda mais sofisticado enganar o povo.

 

Se não se acreditarem, se acharem que é teoria da conspiração, olhem para a História. Lembrem-se dos gregos.

Uma boa oportunidade para se começar a acabar com a Concordata

por Amato, em 30.08.16

Seria deveras interessante que esta recente altercação entre Igreja Católica e Estado a propósito da cobrança de IMI a edifícios pertencentes à Igreja resultasse num pouco mais do que no habitual “recuar e meter o rabinho entre as pernas”, que, aliás, já se antecipa, por parte do Estado, cedendo a todas as pretensões da Igreja. Seria interessante que este caso pudesse constituir o princípio de algo belo e justo, o princípio do fim da Concordata, esse tratado de tratamento de favor, esse acordo de privilégio, que um Estado formalmente laico como o nosso concede e persiste em conceder a uma igreja em particular.

 

É interessante notar, contudo, que o nosso povo, sempre tão lesto em apontar o dedo aos privilegiados deste país, sobretudo aos seus vizinhos, aos seus amigos, ou àqueles que usufruem de apoios sociais, é, ao mesmo tempo, tão torpe em erguer esse mesmo dedo na direção dos verdadeiramente poderosos, daqueles que verdadeiramente recebem a fatia de leão dos rendimentos do país, nos quais podemos incluir, de modo absolutamente inexorável, a Igreja Católica.

 

É caso para escrever que para que isto acontecesse, para que o governo começasse a beliscar os escandalosos privilégios da Igreja, seria necessário bem mais do que a força dos homens, os quais não estão para aí virados, nem daqui a um milhão de anos. Seria necessário um verdadeiro milagre.

 

Jesus expulsa os vendilhões do templo

 

A igreja e o bordel...

por Amato, em 14.05.16

A igreja e o bordel chegaram ao mesmo tempo ao Oeste. E ambos teriam ficado horrizados se soubessem que não passavam de diferentes facetas da mesma necessidade.

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

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