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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Breves de maio de 2021

por Amato, em 11.05.21

1. Está frio, está um maio que parece inverno. As andorinhas que nidificam sob a proteção do telhado da minha casa parecem arrependidas por não terem adiado a viagem deste ano. Chove copiosamente. Não sei porquê, mas desconfio que não seja o bastante para afastar o alarme permanente de seca no nosso querido país.

 

2. Entre ontem e hoje, nos intervalos dos aguaceiros, tive a sorte generosa de observar três arco-íris. O de hoje de manhã era uma semicircunferência colorida tão perfeita quanto imagino que seja possível.

 

3. Não parece haver nada que abale este governo. Um membro do executivo insulta um programa de jornalismo da televisão pública e nada acontece. É perigoso. É um sentimento de impunidade crescente tão criador de clivagens sociais quanto a promoção de ideários populistas.

 

4. Portugal descobriu, de repente, as falanges de trabalhadores orientais que tem dentro de fronteiras subsistindo e trabalhando em condições miseráveis e sub-humanas. Quanto tempo demorará a esquecer tudo outra vez?

 

5. Jerónimo preocupa-se muito com os trabalhadores da Groundforce e pouco com os da Galp. A refinaria de Matosinhos já parou a produção. O que deixou de produzir e é necessário para o país será importado. O resto será um rombo nas exportações e nos dividendos gerados. Trabalhadores de mãos e pés atados e destino traçado.

 

6. O negócio do lítio começa a ser, lentamente, revelado e começam a esfumar-se as promessas de qualquer tipo de retorno económico ou, até, ambiental, que se veja, para o país. Antes pelo contrário. Ai os nossos rios e cursos de água. Ai as nossas paisagens. O ambiente é um negócio e uma hipocrisia.

 

7. Uma das singelas bandeiras do Bloco, arrancada a ferros do útero contraído do governo PS, o chamado “estatuto do cuidador informal”, revela-se, afinal, uma medida para meia-dúzia, como, aliás, ninguém com dois dedos de memória não poderia deixar de esperar. O governo diz que faz, diz que dá, põe na lei, mas a prática, esse inexorável critério da verdade, é outra. A prática é outra.

 

8. Parou agora de chover. Procurei por um arco-íris, mas não o encontrei. Hoje não tive essa sorte.

A sociedade, segundo Zeca Afonso

por Amato, em 24.04.21

Nas vésperas da comemoração de mais um aniversário da data, deparei-me com este vídeo da Associação José Afonso, excerto de uma entrevista a Zeca Afonso em 1984:

 

 

Os jovens, e digo os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles, que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que estamos a viver.

 

Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril não foram só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da atual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se com problemas tão graves ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar, o desemprego, por exemplo, e, por vezes, não têm recursos. O sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade.

 

Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos — nós, eu refiro-me à minha geração — de recusa frontal, de recusa inteligente, se possível, até, pela insubordinação, se possível, até, pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos cidadãos, pelos direitos dos cidadãos.

 

É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro, que é imposta aos jovens de hoje. Tal como nós, eles têm que a combater, têm que a destruir, têm que a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criar essa sociedade que têm em mente que não é, com certeza, estou convencido, a sociedade de hoje.

 

José Afonso, 1984

 

Fiquei muito sensibilizado ao ouvir esta entrevista. Primeiro, pela atualidade da mesma, quer pelo conteúdo propriamente dito — uma sociedade governada por um “deus banqueiro” com uma “aparência de liberdade” —, quer pela birra deste ano dos liberais em quererem fazer parte das comemorações do 25 de Abril. Vem, de facto, muito a propósito: “Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril não foram só aqueles que o fizeram, imaginaram uma sociedade muito diferente da atual que está a ser oferecida aos jovens”.

 

Segundo, por uma questão de memória. Tal como o capitalismo americano converteu Che Guevara numa marca, em mais um produto lucrativo, identificando-o com uma atitude rebelde genérica e desprovida de conteúdo, também o capitalismo português fez, de certo modo, o mesmo com Zeca Afonso. É normal, hoje, ver os filhos dos que não quiseram o 25 de Abril, os descendentes dos PIDEs, os amantes da “ordem” e da “disciplina” do estado novo e do fascismo, hoje convertidos em “liberais democratas”, cantarolarem as melodias eternizadas por Zeca Afonso e, até, vestirem t-shirts com a sua cara estampada. Tornou-se normal, na nossa sociedade, associar Zeca Afonso a uma atitude rebelde genérica contra o fascismo e dissociar a sua música de uma mensagem e posicionamento políticos concretos.

 

Ainda bem, por isso, que ainda existem estes testemunhos gravados. Se não existissem, eu próprio, na minha senilidade crescente, começaria a duvidar de mim mesmo.

 

 

Sócrates: uma boa oportunidade para nos olharmos ao espelho

por Amato, em 11.04.21

Não tenho a certeza se nestes sete anos que passaram desde a detenção do ex-primeiro-ministro terei escrito alguma coisa sobre o assunto. Lembro-me que comecei a escrever por diversas vezes, mas acho que acabei sempre por não publicar o que realmente pensava sobre o assunto.

 

Ainda hoje, passado tanto tempo, sinto que o assunto não me diz respeito ou, melhor, que não é justo que me incomode ao escrever sobre alguém que nunca mereceu o meu voto ou, sequer, qualquer mero pensamento abonatório. «Quem votou nele, que fale, que escreva, que vocifere». E assim foi. Da minha boca nunca se ouviu, nem ouvirá nada que possa sequer ser confundido com uma defesa de Sócrates.

 

Não posso é deixar de sublinhar a profunda hipocrisia da sociedade portuguesa, uma hipocrisia obscena e transversal a todo um povo que hoje se enfurece e exige em uníssono a cabeça do seu antigo governante.

 

Hipocrisia do povo, em primeiro lugar, que elegeu o personagem por duas vezes, que lhe deu uma maioria absoluta para governar a seu bel prazer quando já se conheciam certos casos obscuros da sua passagem anterior pela pasta do ambiente.

 

Hipocrisia da direita política, em particular, que, durante anos, lhe dedicou Hossanas cantadas, ao escolhido que cumpria no PS a política neoliberal que ela própria, a direita, nunca tinha conseguido implementar no país, perfeitamente extaziada com a privatização dos setores do estado, das autarquias, com a função pública e os sindicatos postos na linha e a destruição do estado social e do código de trabalho.

 

Hipocrisia do PS, também, sempre empenhado em demarcar-se do seu ídolo de outrora, fingindo nada saber ao mesmo tempo que mantém a generalidade dos quadros políticos próximos de Sócrates no governo atual ou em funções de relevo.

 

Hipocrisia hoje da generalidade dos comentadores dos media, muitos deles advogados, ignorando completamente a outrora conveniente “presunção da inocência” e dando como provadas acusações que nem sequer foram a julgamento. Afinal, não há estado de direito: tal como já desconfiávamos, o que há é um estado de emoção, de euforias, de depressões e de cóleras.

 

Acho mesmo que a população, como um todo, não tem dúvidas porque, na realidade, nunca teve dúvidas, sabe bem quem quer e quem não quer e a quem concede a vara do poder.

 

Não há aqui qualquer defesa de Sócrates, nem pode haver. O que há é a constatação de uma evidência, a fixação de uma memória que não se pode perder, um registo que se impõe por uma questão de boa saúde mental: o que nos enfurece não é a corrupção, é o que ela revela de nós mesmos. O que realmente queremos é um bode-expiatório para continuar tudo na mesma. Capitalismo sem corrupção é uma utopia maior do que sociedade sem classes. E nós, no fundo, sabemo-lo bem. Por isso é que precisamos tanto destes momentos catárticos.

Problemas de audição

por Amato, em 06.04.21

Será verdade? Ouvi que o governo, só no último orçamento de estado, terá feito cativações na ordem dos três mil milhões de euros! Terei ouvido bem?

 

Seguramente que não. De outro modo, não estaria a regatear míseros montantes (para cumprir aquilo com que se comprometera) relativos a apoios durante a pandemia.

 

Lei é lei, claro. Decência é que é outra coisa.

Quino. O artista. O homem. A sociedade.

por Amato, em 01.10.20

https://ogimg.infoglobo.com.br/in/24669928-497-e5c/FT1086A/652/x89840992_Lucca-1984-Argentinian-cartoonist-Quino-carrying-an-outline-oh-his-character-MafaldaLucc.jpg.pagespeed.ic.gedC7xlDxG.jpg

image: ogimg.infoglobo.com.br

 

A morte dos grandes artistas suscita-me inevitavelmente sentimentos de grande perplexidade perante as grosseiras incongruências do mundo. Ontem, a notícia da morte de Quino, o genial cartoonista criador da Mafalda, foi mais um pretexto para hoje eu acordar em plena convulsão interna.

 

Em primeiro lugar, importa que percebamos o que é que concedeu a Quino a sua propriedade de genial, como referi. Frequentemente, temos tendência a associar o genial ao domínio da técnica, à inovação, à novidade, sobretudo na era contemporânea, fortemente marcada pelo marketing, pela publicidade e pela propaganda. Mas serão mesmo estas as condições para a genialidade? No caso em questão, horas após o falecimento de Quino, terão sido estas as características que fizeram dele um génio intemporal? Eu acho que não.

 

É um facto que Quino dominava genialmente a técnica e também terá sido um inovador no seu tempo, disto não poderei opinar com propriedade pois não sei o suficiente sobre a área, mas admito que sim, dou isso de barato. Mas o que fez da Mafalda o símbolo que ainda hoje é, um símbolo da liberdade, da igualdade, da paz, do movimento feminista, não foi nada de natureza técnica ou publicitária: foi a mensagem veiculada que era própria, que era autêntica e genuína. O elemento diferenciador, o passaporte para a eternidade, é a mensagem.

 

As perguntas que Mafalda fazia em meados dos anos sessenta continuam igualmente válidas hoje em dia. Permanecem quase que imutáveis, como se a evolução do mundo não lhes conseguisse dar resposta. Em entrevista, Quino costumava dizer que quando começou a desenhar tinha a esperança de conseguir mudar o mundo. Lamentavelmente, o mundo mudou, mas para pior.

 

Em segundo lugar, algo que estou sempre a sublinhar quando um génio desta estirpe nos deixa, é a comoção mediática generalizada, a elevação do homem a uma espécie de estádio superior, ao qual justamente deve pertencer, pelo alcance da obra feita em vida. Não consigo de deixar de apontar o dedo à imensa hipocrisia que inunda a comunicação social e a sociedade, uma hipocrisia que permite, em simultâneo, elogiar a pessoa e a obra e continuar a alimentar as lógicas de uma sociedade cada vez mais desigual, cada vez mais injusta e exploradora. É difícil de entender como é possível alinhar neste jogo duplo e, nestes momentos, é quase como o assumir de uma contradição gritante entre os princípios assumidos e escolhidos para se viver a vida e os princípios desejáveis da moralidade ou da ética.

 

Quino morreu. Celebramos a sua vida, mas a vida que levamos e vamos construindo coletivamente é contraditória com o seu legado.

«Faça-se!»

por Amato, em 31.07.20

1. O parlamento, inspirado numa certa ideologia animalista em voga, aprova uma lei que proíbe o abate de animais em canis municipais. Poucas serão as pessoas que não concordarão com a bondade desta lei. Na madrugada de 19 de julho um incêndio em Santo Tirso mata dezenas de animais em dois canis locais onde os mesmos viviam, ao que tudo indica, em péssimas condições.

 

2. O governo decide reabrir as escolas para aulas presenciais no novo ano letivo obrigando os espaços educativos a imporem uma ética reforçada de higienização e desinfeção e os alunos a manterem um distanciamento entre um e dois metros. Ao mesmo tempo, o governo anunciou a intenção de proceder a um reforço no pessoal docente que, todavia, parece não se vir a concretizar, pelo menos em número suficiente. O número de alunos por turma não será alterado. O número de funcionários mantém-se. Não se percebe como se poderá levar a cabo as diretivas governamentais.

 

3. Centros de Saúde, hospitais, maternidades operam diariamente sem médicos, enfermeiros ou pessoal auxiliar em número suficiente, particularmente em tempos de pandemia.

 

4. O governo ou o parlamento diz «Faça-se!» e a coisa fica-se por isso mesmo. Não há verdadeiro escrutínio. Aprovam-se demasiadas leis, tomam-se demasiadas medidas neste país quando não há vontade política para disponibilizar os recursos para que essas leis e medidas sejam levadas à prática. O processo legislativo está convertido numa farsa.

 

5. Este governo é particularmente hábil no ardil que envolve este modo de atuar. Em particular, ficará para a história como o governo que elevou a infâmia das cativações orçamentais a um estatuto próprio e intocável no que diz respeito à norma de governação do país.

 

6. Sublinhe-se também a facilidade com que António Costa sacrifica os seus subordinados governativos, os presidentes ou diretores das instituições várias que polvilham o tecido das responsabilidades do estado na governação deste país. Nos tempos que correm, demitir uma destas figuras equivale ao sacrifício de um cordeiro ou de um par de pombas brancas pela paz ou pela remissão dos pecados do homem.

 

7. O governo diz «Faça-se!». Não se faz. Ou, se se faz, alguma outra coisa deixará de ser feita. A otimização de recursos tem um limite para lá do qual só existem fábulas, histórias de encantar e universos mágicos.

Uma ilusão que se esfuma

por Amato, em 15.07.20

No final da semana passada fomos surpreendidos com a escolha de Rita Rato no concurso público para a direção do Museu do Aljube — Resistência e Liberdade. Aqui o uso do verbo surpreender é inexato e algo abusivo.

 

O que é surpreendente é ainda existir alguém que se surpreenda com concursos públicos de fachada, de faz-de-conta, com critérios desrespeitados, outros feitos à medida, entrevistas verdadeiramente geniais capazes de anular e suplantar currículos medíocres ou inadequados, que resultam em escolhas inesperadas e extraordinárias. Quem isto desconhece ou quem acha que o que acabei de escrever é irreal deve continuar assim, mudar de página, não deve investigar nem fazer nada: essa inocência pura é o seu passaporte mais seguro para a felicidade.

 

Acho que o que é mais agressivo à alma é esta perceção da hipocrisia. Será a hipocrisia, acima de tudo, o que mais fere, porque qualquer cidadão médio tem plena consciência de que todas as instituições têm uma inclinação política, uma orientação enviesada, mesmo aquelas que se financiam com dinheiros públicos, mesmo que se construam os mais diversificados crivos democráticos. E o que dizer de um museu com cinco anos de vida, “dedicado à história e à memória do combate à ditadura e ao reconhecimento da resistência em prol da liberdade e da democracia”? O que dizer de um projeto de vocação eminentemente política cuja origem, desenvolvimento e história estarão umbilicalmente ligados ao PCP? E seria natural, invertendo a questão, que a direção de um museu com estas premissas, dedicado à memória da resistência antifascista em Portugal, fosse entregue a um não comunista? Mas voltamos à hipocrisia, a esta hipocrisia visceral, este querer parecer o que não se é, esta obstinação por uma imagem, que não é a nossa, de aparência nívea, imaculada, escondendo uma realidade de compadrios e de jogos de interesses.

 

Dito isto, é evidente que o PCP sai chamuscado deste processo.

 

Primeiro, porque é o ator principal de uma peça que coloca numa instituição financiada com fundos públicos um quadro seu sem nenhuma qualificação académica para a função e cuja escolha se baseia simplesmente no facto de ter sido deputada, e deputada do PCP, na Assembleia da República. O critério político sobrepôs-se, portanto, ao critério académico e profissional. Saem igualmente melindrados a classe política como um todo e a imagem dos cargos nas instituições públicas ou com funções públicas.

 

Segundo, porque fica também aqui patente aquela deriva autista, para a qual venho alertando, que tomou o PCP desde o seu interior. Repare-se como teria sido fácil ao PCP ter construído um projeto de direção do Museu a partir de um dos seus muitos quadros na área da História. Teria sido fácil, mas não o fez.

 

Há uma sensação assustadora de que o partido não quer saber do que a sociedade pensa, no que lhe fica bem ou mal e prossegue um processo de conspurcação irrevogável de uma certa imagem que lhe era atribuída com propriedade, conquistada ao longo de muitos anos com muito sacrifício, de coerência, de honestidade, de integridade, de correção e de dignidade no desempenho de funções públicas, de defesa dos trabalhadores e do povo.

 

Neste particular, são deprimentes as defesas ensaiadas pelo PCP e pelos seus canais não oficiais a todo este processo. Não se trata sequer de aferir se as justificações são válidas ou não: é o constatar de que os comunistas se veem reduzidos a um argumentário próprio da direita política e das suas promiscuidades endémicas com o poder e os interesses económicos. A isto não estávamos habituados.

 

Quebra-se aqui uma ideia que os comunistas guardavam com cuidado, esfuma-se uma ilusão nutrida com afeto, de que o PCP era um partido diferente, que seguia as normas, as da ética e da moral antes das convenções sociais ou legais, um partido de gente séria no qual era possível confiar. Depois da gestão que foi feita da “geringonça”, depois das incoerências e das traições ao ideário marxista, das inéditas polémicas na gestão das autarquias, da questão da Festa do Avante! a realizar de qualquer forma e em contraponto com o que se passa no resto do país, esta escolha de Rita Rato para a direção do Museu do Aljube foi, talvez, a gota de água que faltava neste legado de destruição da imagem de um partido, um legado que Jerónimo de Sousa indelevelmente deixa enquanto secretário geral.

 

O tempo é, pois, de expetativa e desespero para marxistas e revolucionários. Desespera-se por uma inversão de políticas internas. Desespera-se pelo congresso. Questiona-se se o partido lá chegará com alguma coisa de si ainda intacta ou se dele sairá, definitivamente, como um partido aburguesado e igual a todos os outros.

 

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