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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Quino. O artista. O homem. A sociedade.

por Amato, em 01.10.20

https://ogimg.infoglobo.com.br/in/24669928-497-e5c/FT1086A/652/x89840992_Lucca-1984-Argentinian-cartoonist-Quino-carrying-an-outline-oh-his-character-MafaldaLucc.jpg.pagespeed.ic.gedC7xlDxG.jpg

image: ogimg.infoglobo.com.br

 

A morte dos grandes artistas suscita-me inevitavelmente sentimentos de grande perplexidade perante as grosseiras incongruências do mundo. Ontem, a notícia da morte de Quino, o genial cartoonista criador da Mafalda, foi mais um pretexto para hoje eu acordar em plena convulsão interna.

 

Em primeiro lugar, importa que percebamos o que é que concedeu a Quino a sua propriedade de genial, como referi. Frequentemente, temos tendência a associar o genial ao domínio da técnica, à inovação, à novidade, sobretudo na era contemporânea, fortemente marcada pelo marketing, pela publicidade e pela propaganda. Mas serão mesmo estas as condições para a genialidade? No caso em questão, horas após o falecimento de Quino, terão sido estas as características que fizeram dele um génio intemporal? Eu acho que não.

 

É um facto que Quino dominava genialmente a técnica e também terá sido um inovador no seu tempo, disto não poderei opinar com propriedade pois não sei o suficiente sobre a área, mas admito que sim, dou isso de barato. Mas o que fez da Mafalda o símbolo que ainda hoje é, um símbolo da liberdade, da igualdade, da paz, do movimento feminista, não foi nada de natureza técnica ou publicitária: foi a mensagem veiculada que era própria, que era autêntica e genuína. O elemento diferenciador, o passaporte para a eternidade, é a mensagem.

 

As perguntas que Mafalda fazia em meados dos anos sessenta continuam igualmente válidas hoje em dia. Permanecem quase que imutáveis, como se a evolução do mundo não lhes conseguisse dar resposta. Em entrevista, Quino costumava dizer que quando começou a desenhar tinha a esperança de conseguir mudar o mundo. Lamentavelmente, o mundo mudou, mas para pior.

 

Em segundo lugar, algo que estou sempre a sublinhar quando um génio desta estirpe nos deixa, é a comoção mediática generalizada, a elevação do homem a uma espécie de estádio superior, ao qual justamente deve pertencer, pelo alcance da obra feita em vida. Não consigo de deixar de apontar o dedo à imensa hipocrisia que inunda a comunicação social e a sociedade, uma hipocrisia que permite, em simultâneo, elogiar a pessoa e a obra e continuar a alimentar as lógicas de uma sociedade cada vez mais desigual, cada vez mais injusta e exploradora. É difícil de entender como é possível alinhar neste jogo duplo e, nestes momentos, é quase como o assumir de uma contradição gritante entre os princípios assumidos e escolhidos para se viver a vida e os princípios desejáveis da moralidade ou da ética.

 

Quino morreu. Celebramos a sua vida, mas a vida que levamos e vamos construindo coletivamente é contraditória com o seu legado.

«Faça-se!»

por Amato, em 31.07.20

1. O parlamento, inspirado numa certa ideologia animalista em voga, aprova uma lei que proíbe o abate de animais em canis municipais. Poucas serão as pessoas que não concordarão com a bondade desta lei. Na madrugada de 19 de julho um incêndio em Santo Tirso mata dezenas de animais em dois canis locais onde os mesmos viviam, ao que tudo indica, em péssimas condições.

 

2. O governo decide reabrir as escolas para aulas presenciais no novo ano letivo obrigando os espaços educativos a imporem uma ética reforçada de higienização e desinfeção e os alunos a manterem um distanciamento entre um e dois metros. Ao mesmo tempo, o governo anunciou a intenção de proceder a um reforço no pessoal docente que, todavia, parece não se vir a concretizar, pelo menos em número suficiente. O número de alunos por turma não será alterado. O número de funcionários mantém-se. Não se percebe como se poderá levar a cabo as diretivas governamentais.

 

3. Centros de Saúde, hospitais, maternidades operam diariamente sem médicos, enfermeiros ou pessoal auxiliar em número suficiente, particularmente em tempos de pandemia.

 

4. O governo ou o parlamento diz «Faça-se!» e a coisa fica-se por isso mesmo. Não há verdadeiro escrutínio. Aprovam-se demasiadas leis, tomam-se demasiadas medidas neste país quando não há vontade política para disponibilizar os recursos para que essas leis e medidas sejam levadas à prática. O processo legislativo está convertido numa farsa.

 

5. Este governo é particularmente hábil no ardil que envolve este modo de atuar. Em particular, ficará para a história como o governo que elevou a infâmia das cativações orçamentais a um estatuto próprio e intocável no que diz respeito à norma de governação do país.

 

6. Sublinhe-se também a facilidade com que António Costa sacrifica os seus subordinados governativos, os presidentes ou diretores das instituições várias que polvilham o tecido das responsabilidades do estado na governação deste país. Nos tempos que correm, demitir uma destas figuras equivale ao sacrifício de um cordeiro ou de um par de pombas brancas pela paz ou pela remissão dos pecados do homem.

 

7. O governo diz «Faça-se!». Não se faz. Ou, se se faz, alguma outra coisa deixará de ser feita. A otimização de recursos tem um limite para lá do qual só existem fábulas, histórias de encantar e universos mágicos.

Uma ilusão que se esfuma

por Amato, em 15.07.20

No final da semana passada fomos surpreendidos com a escolha de Rita Rato no concurso público para a direção do Museu do Aljube — Resistência e Liberdade. Aqui o uso do verbo surpreender é inexato e algo abusivo.

 

O que é surpreendente é ainda existir alguém que se surpreenda com concursos públicos de fachada, de faz-de-conta, com critérios desrespeitados, outros feitos à medida, entrevistas verdadeiramente geniais capazes de anular e suplantar currículos medíocres ou inadequados, que resultam em escolhas inesperadas e extraordinárias. Quem isto desconhece ou quem acha que o que acabei de escrever é irreal deve continuar assim, mudar de página, não deve investigar nem fazer nada: essa inocência pura é o seu passaporte mais seguro para a felicidade.

 

Acho que o que é mais agressivo à alma é esta perceção da hipocrisia. Será a hipocrisia, acima de tudo, o que mais fere, porque qualquer cidadão médio tem plena consciência de que todas as instituições têm uma inclinação política, uma orientação enviesada, mesmo aquelas que se financiam com dinheiros públicos, mesmo que se construam os mais diversificados crivos democráticos. E o que dizer de um museu com cinco anos de vida, “dedicado à história e à memória do combate à ditadura e ao reconhecimento da resistência em prol da liberdade e da democracia”? O que dizer de um projeto de vocação eminentemente política cuja origem, desenvolvimento e história estarão umbilicalmente ligados ao PCP? E seria natural, invertendo a questão, que a direção de um museu com estas premissas, dedicado à memória da resistência antifascista em Portugal, fosse entregue a um não comunista? Mas voltamos à hipocrisia, a esta hipocrisia visceral, este querer parecer o que não se é, esta obstinação por uma imagem, que não é a nossa, de aparência nívea, imaculada, escondendo uma realidade de compadrios e de jogos de interesses.

 

Dito isto, é evidente que o PCP sai chamuscado deste processo.

 

Primeiro, porque é o ator principal de uma peça que coloca numa instituição financiada com fundos públicos um quadro seu sem nenhuma qualificação académica para a função e cuja escolha se baseia simplesmente no facto de ter sido deputada, e deputada do PCP, na Assembleia da República. O critério político sobrepôs-se, portanto, ao critério académico e profissional. Saem igualmente melindrados a classe política como um todo e a imagem dos cargos nas instituições públicas ou com funções públicas.

 

Segundo, porque fica também aqui patente aquela deriva autista, para a qual venho alertando, que tomou o PCP desde o seu interior. Repare-se como teria sido fácil ao PCP ter construído um projeto de direção do Museu a partir de um dos seus muitos quadros na área da História. Teria sido fácil, mas não o fez.

 

Há uma sensação assustadora de que o partido não quer saber do que a sociedade pensa, no que lhe fica bem ou mal e prossegue um processo de conspurcação irrevogável de uma certa imagem que lhe era atribuída com propriedade, conquistada ao longo de muitos anos com muito sacrifício, de coerência, de honestidade, de integridade, de correção e de dignidade no desempenho de funções públicas, de defesa dos trabalhadores e do povo.

 

Neste particular, são deprimentes as defesas ensaiadas pelo PCP e pelos seus canais não oficiais a todo este processo. Não se trata sequer de aferir se as justificações são válidas ou não: é o constatar de que os comunistas se veem reduzidos a um argumentário próprio da direita política e das suas promiscuidades endémicas com o poder e os interesses económicos. A isto não estávamos habituados.

 

Quebra-se aqui uma ideia que os comunistas guardavam com cuidado, esfuma-se uma ilusão nutrida com afeto, de que o PCP era um partido diferente, que seguia as normas, as da ética e da moral antes das convenções sociais ou legais, um partido de gente séria no qual era possível confiar. Depois da gestão que foi feita da “geringonça”, depois das incoerências e das traições ao ideário marxista, das inéditas polémicas na gestão das autarquias, da questão da Festa do Avante! a realizar de qualquer forma e em contraponto com o que se passa no resto do país, esta escolha de Rita Rato para a direção do Museu do Aljube foi, talvez, a gota de água que faltava neste legado de destruição da imagem de um partido, um legado que Jerónimo de Sousa indelevelmente deixa enquanto secretário geral.

 

O tempo é, pois, de expetativa e desespero para marxistas e revolucionários. Desespera-se por uma inversão de políticas internas. Desespera-se pelo congresso. Questiona-se se o partido lá chegará com alguma coisa de si ainda intacta ou se dele sairá, definitivamente, como um partido aburguesado e igual a todos os outros.

 

Suprema ironia

por Amato, em 04.06.20

Nestes tempos de pandemia assistir aos liberais, aos que são avessos ao estado limitador das liberdades, de mão estendida por uma esmola desse mesmo estado, exigindo até como se fosse seu direito, é a revelação da suprema ironia, da ironia das ironias.

 

Todos exigem.

 

Todos procuram melhor posição às cavalitas da detestável máquina estatal, agarrados às famigeradas e desprezíveis gorduras do bicho.

 

Querem livre mercado. Querem o mercado a funcionar e a regular-se a si próprio. Menos quando dá para o torto. Nesse momento, querem estado e querem estado à fartazana!

 

Que lindo mundo este em que é possível andar de cabeça levantada e continuar a tentar convencer os outros a fazer aquilo que não se faz quando a oportunidade aparece. E como apareceu a oportunidade! Fica o registo para memória futura.

 

A fatura não tardará a chegar mas para os mesmos do costume, aqueles que têm que trabalhar para sobreviver. Luta de classes ao rubro... só que não. Infelizmente.

Comentário à aprovação da eutanásia

por Amato, em 25.02.20

Os cinco projetos-lei sobre a eutanásia foram aprovados. Todos os progressistas devem-se congratular e, por uma vez que seja, admirar o parlamento que temos. É de assinalar, todavia, a dificuldade que existe e persiste em fazer aprovar uma lei que visa unicamente dar uma liberdade às pessoas, liberdade essa, sublinhe-se, que não influi, nem belisca minimamente, a liberdade dos demais. Quem quer fazer uso da eutanásia faz, e sob circunstâncias extremamente específicas. Quem não quer, não faz. Ninguém é obrigado a fazer. É tão simples quanto isto e, contudo, tão difícil foi fazer aprovar a lei.

 

Sobre a eutanásia gostaria de destacar ainda o seguinte.

 

Primeiro, claro, a argumentação absolutamente detestável do ponto de vista lógico por parte dos oposicionistas à medida. Foi uma mistura entre um discurso utópico, da defesa de um mundo idílico onde tais práticas não teriam lugar, e um discurso moralista religioso que nos dias de hoje, por esta ou aquela razão, ninguém leva muito a sério.

 

Segundo, notar como os níveis de hipocrisia, nesta discussão, bateram todos os recordes desde que há registos. Destacam-se, neste particular, as ordens profissionais dos médicos e dos enfermeiros, representantes dos cidadãos que estão na primeira fila do auditório desta dramática e terrível película que passa todos os dias, a todas as horas, em todos os hospitais deste país, onde “eutanásias” informais são aplicadas a cada instante. Não há juramento de Hipócritas, perdão, Hipócrates, que lhes valha. O que nos vale, a nós, é que estas ordens não representam, nesta matéria, a maioria dos seus profissionais, estando mais preocupadas em fazer a defesa de um certa ordem social-religiosa que ainda vigora do que fazer a representação dos seus membros.

 

Terceiro, observar a incoerência ideológica da direita política em geral, com exceção parcial da Iniciativa Liberal, sempre tão obcecados na liberalização da sociedade, na defesa de uma suposta liberdade individual do cidadão, na implosão de um estado controlador das liberdades mas que, quando há uma medida concreta, agarra-se com unhas e dentes ao mais bafiento conservadorismo religioso e esquece-se do que anda a apregoar nos outros trezentos e sessenta e quatro dias do ano.

 

Quarto, apontar a inexorável desilusão com a posição já esperada do Partido Comunista Português, posição essa absolutamente injustificada do ponto de vista ideológico ou de qualquer outro. Sublinha-se também o embaraço, a vergonha de ver o PCP, partido histórico, sólido e coerente, a levar uma ensaboadela monumental, mas justificada e merecida, do líder do PAN, essa abstração parlamentar, essa inexistência política. O PCP atingiu, na passada semana, o ponto mais baixo da sua existência em democracia. E o mais dramático é que ninguém, dentro do PCP, deu por isso.

 

O processo não acaba aqui, bem entendido. Segue-se a fase da elaboração de um texto comum que seja sólido e robusto, mas antevê-se, também, alguma luta que se prepara adiante e que pode ser algo de relativamente sério ou, simplesmente, um estrebuchar final dos derrotados. Nessa fase, o Presidente da República poderá assumir-se como uma figura chave para forçar um referendo de circunstância que vise atrasar ou, no pior cenário, bloquear o processo.

 

Desculpe, disse Luanda Leaks?

por Amato, em 21.01.20

Acho que no passado não havia tanta hipocrisia. Está bem que havia a religião, poderosa, a justificar tudo o que fosse necessário, a condecorar os vencedores como humildes servos de Deus e a julgar os vencidos como hereges, infiéis e outros adjetivos que tais, independentemente do sangue que escorria das armas de ambos os lados. E a religião mais não era, bem entendido, que um pretexto escrito para fundamentar aquela nossa natureza abjeta de louvarmos os vencedores ao mesmo tempo que pisamos os vencidos.

 

Mas no fundo, bem lá no fundo..., não havia tanta hipocrisia no processo. Faziam-se as guerras e aos vencedores era dado tudo, todo o espólio, na mesma proporção em que aos vencidos tudo se retirava. Era a lei tácita que existia e era compreendida e aceite como natural por todos, com um maior ou menor florear da coisa.

 

Hoje a lei que vigora é exatamente a mesma mas há uma coisa que se junta à mistura e que confunde as ideias. Vêm os jornais e os jornalistas, as televisões, as rádios e enchem-nos com teorias, tramas, provas, acusações e julgamentos e, de repente, já não se trata de uma coisa corriqueira, já não é a normal sucessão de poderes, parece que é mais do que isso, como que uma vontade de uma força superior, estado de direito, alta moralidade, coisa que tem que ser assim para que sejamos sérios e respeitáveis, disputa simplista mas superlativa do bem contra o mal. E aí, o pisotear os vencidos adquire uma outra razão de ser porque de vencidos já não trata a questão: os vencidos passam a ser um tipo de gente vil, gente que não presta e que deve ser amputada da sociedade porque infeta e apodrece como gangrena a gente boa, séria e respeitável.

 

É espirituoso assistir a episódios destes, dia após dia. As lutas pelo poder disputam-se no espaço mediático e parece que a lei tácita de que falava já não chega: é necessário convencer as massas. As narrativas que se tecem fazem tábua rasa do que foram os eventos do passado. Os padrinhos, que outrora os ergueram em braços, convertem-se em carrascos. São os mesmos e fazem-no de cara destapada e com moral elevada. E nós? Assistimos com curiosidade, como se não tivéssemos memória do dia de anteontem, e cremos piamente na supremacia de um certo ideal de moralidade, de seriedade, de bem e de justiça. Dormimos bem à noite, assim. Bons sonhos!

Descargos de consciência

por Amato, em 21.11.19

Há sempre um irritante que efervesce quando uma pessoa morre. Sabem? É aquele elogio de caráter obrigatório que brota das bocas com facilidade, porque a morte tem este peculiar condão: faz da pessoa mais vil a mais virtuosa num passo de magia, entre um estalar de dedos. Era o “amigo do seu amigo”, era o “grande homem” e outras generalidades que tais.

 

O caso de José Mário Branco não é exatamente este: pessoa generosa, altruísta e solidária, que dedicou a sua a vida à luta por esses valores e por uma sociedade bem diferente daquela onde nasceu e onde, infelizmente, não merecia ter morrido. Estes predicados foram essenciais para catapultar a sua arte na escrita e composição de canções para os sublimes patamares da eternidade.

 

Já o escrevi aqui, algures, que a diferença entre um artista comum e um grande artista é exatamente esta: a existência de um propósito maior que o egoísmo e que a ambição, a presença de valores que superem o próprio artista, que a obra produzida seja mais que um mero exercício de excreção do que vai na alma, masturbatório, egocêntrico. A grande obra é a que se inspira nas gentes e inspira as gentes. A grande obra é a que é a expressão da vida coletiva e não apenas da vida individual. E José Mário Branco tinha exatamente esse ingrediente. Muita gente desconhece, mas várias obras eternizadas na voz de Zeca Afonso e de outros grandes cantores eram da autoria de José Mário Branco. Esta, de Sérgio Godinho, também.

 

Por que comecei, então, do modo como comecei? Porque os elogios que se multiplicam a José Mário Branco são vazios. Porque as palavras não têm correspondência com a realidade. Porque não se pode elogiar a vida de um homem ao mesmo tempo que se vive a própria vida de um modo diametralmente oposto. Ou, se se pode, trata-se de uma autocrítica. Caso contrário, é hipocrisia pura. É oportunismo. É falso elogio. A sociedade que abundantemente elogia José Mário Branco é a antítese dos seus valores, é a razão de ser das suas angústias.

 

Querem elogiar José Mário Branco? Vivam a própria vida como ele viveu a dele. Tomem as opções que ele tomou em cada dia. E, no mais, deixem-se de palavras. As palavras são fáceis. São descargos de consciência.

 

José Mário Branco. Foto tirada de https://vilanovaonline.pt/wp-content/uploads/2019/11/jos%C3%A9-m%C3%A1rio-branco-fb-Webp.net-resizeimage-ec.jpg

 

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