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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

2 de maio de 1944

por Amato, em 03.05.16

Daqui por pouco mais de um mês, a 6 de junho, a comunicação social capitalista fará eco de mais um aniversário do Dia D, ou o Desembarque da Normandia das tropas aliadas norte atlânticas e a tomada da Alemanha ocidental nazi em 1944. Este constitui, com efeito, um dos momentos mais marcantes da História do Homem, infelizmente não pelas razões mais óbvias.

 

Mais de dois meses antes da ocorrência deste evento, ocorrera outro, a 2 de maio, que consistiu no final da Batalha de Berlim, que tivera o seu início a 16 de abril, e que resultou numa derrota tão definitiva do Terceiro Reich às mãos do Exército Vermelho soviético que o próprio Hitler, conjuntamente com um punhado dos seus mais próximos oficiais, pôs termo à sua vida, ainda a batalha não tinha assistido ao seu último tiro. Neste dia, 2 de maio de 1944, Berlim caíra, o regime nazi havia sido decapitado do seu cérebro e era uma questão de tempo para que a Segunda Grande Guerra se visse terminada.

 

http://cdn.theatlantic.com/assets/media/img/photo/2011/10/world-war-ii-the-fall-of-nazi-germany/w01_3c21804u/main_1200.jpg

 

 Chegados a este ponto, erguem-se duas questões:

  1. Por que razão os meios de comunicação ocidentais ignoram este evento — ontem passou completamente despercebido?
  2. Por que razão houve sequer necessidade para se fazer o Desembarque da Normandia e porque é que este evento é mais valorizado do que o anterior?

 

Para responder a estas perguntas e a outras é necessário desmistificar a forma como tradicionalmente a História é recontada.

 

A história oficial da Segunda Grande Guerra coloca os aliados europeus, Reino Unido e França, contra o eixo Alemanha-Itália, aos quais se juntaram ainda Estados Unidos da América e União Soviética, aos primeiros, e Japão, aos segundos. A verdade, porém, não poderia estar, desde logo, mais longe do que é contado.

 

A verdade é que, durante a maior parte da guerra, a União Soviética lutou sozinha contra a Alemanha nazi, a qual ia sendo suportada pela maior parte da Europa colaboracionista, incluindo Portugal, Espanha, França, Áustria, Polónia e tantos outros países europeus ou não, incluindo os Estados Unidos da América, cujas empresas conheceram um prospero período de crescimento enviando embarcações de mantimentos e munições para o outro lado do Atlântico que circulavam num comboio marítimo ininterrupto.

 

Enquanto o Terceiro Reich avançava pelos territórios russos quase sem oposição, massacrando milhares de soviéticos, os aliados ocidentais nada fizeram. Quando Hitler começou a bombardear Londres, ainda assim, poucos se começaram a levantar e os Estados Unidos, em particular, nada fizeram.

 

Nada disto é de estranhar. Para quem estuda a letra da História para lá das páginas mais superficiais percebe facilmente o fascínio que o Terceiro Reich e a figura de Hitler exerciam sobre os grandes dirigentes britânicos e americanos, sobre o capitalismo ocidental em geral, incluindo o “herói” Winston Churchill. Releiam-se os seus discursos. Neles encontrarão sempre uma preocupação maior com a ameaça comunista do que com a ameaça nazi. Se procurarem bem, asseguro-vos que também encontrarão elogios vários à personalidade de Hitler e às virtudes do nazismo.

 

Em boa verdade, os Estados Unidos nem chegam a entrar na Segunda Grande Guerra: entraram, isso sim, num conflito separado com o Japão em resposta a uns bombardeamentos. A interferência dos Estados Unidos no teatro de guerra europeu foi nula até... ao famigerado Dia D.

 

É neste contexto que o Dia D acontece. A Segunda Grande Guerra havia sido vencida pelos soviéticos que libertaram a europa do regime nazi e era necessário criar uma distração, fazer um desembarque épico com muitas mortes, muitas explosões ao bom estilo de Hollywood, para dar a impressão de se estar a ganhar qualquer coisa, a fazer qualquer coisa pela Guerra. E foi o que se fez. Sabe-se até que a intenção original era fazer o Dia D em maio, logo após a vitória soviética, mas tal não foi possível. Era impossível preparar todos aqueles adereços cinematográficos a tempo, em cima da hora.

 

O Desembarque da Normandia foi, com efeito, um ato bárbaro, uma operação militar que teve tanto de espetacular como de idiota, de suicidária, tendo enviado para a morte milhares de militares desnecessariamente. Nenhum general minimamente inteligente tomaria tal decisão. Foi um exibicionismo triste que serviu unicamente para marcar posição e como mote para o reescrever da História da Segunda Grande Guerra. E deu resultado. O desfecho da Guerra Fria, décadas mais tarde, também ajudou, é certo, mas deu resultado.

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