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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Diz-me com que andas e dir-te-ei quem és

por Amato, em 11.11.18

Desculpem-me os meus amigos de esquerda. Desculpem-me particularmente aqueles, que muito prezo, que ainda se desmultiplicam em desculpas para este governo, em ensaios de defesa desta “geringonça” que logrou estabelecer neste país o que a direita que a precedeu tanto tentou, que continuam a desenrolar putativas boas intenções que só subsistem, ainda, nas suas próprias cabeças. Desculpem-me.

 

Este governo é um engodo tão grande que daria uma boa anedota se todos estivéssemos mais atentos. É que não há uma coisa que o executivo se proponha a fazer que efetivamente leve a cabo, assim, de forma limpa e transparente. Pelo contrário, depois de anunciar pomposamente as medidas, tudo faz para não as cumprir.

 

Não me canso de evocar, aqui, em todas as oportunidades que tenho, a baixeza das cativações orçamentais. Em todas as áreas, indiscriminadamente, o governo acorda com os seus interlocutores parlamentares determinados gastos orçamentais associados a objetivos negociados e bem definidos, para depois reter verbas e não autorizar os gastos acordados, faltando com a palavra dada. Foi assim em diversas áreas, ano após ano, orçamento após orçamento — na educação, na saúde, na justiça, nos serviços públicos em geral —, mas talvez a mais simbólica que tenha vindo ao espaço mediático tenha sido a questão da ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto. A situação é tão inenarravelmente miserável que continua a ser discutida no orçamento de estado deste ano depois de já ter sido incluída no do ano passado. Continua a ser discutida, bem entendido, porque o governo não cumpriu com o que se comprometeu.

 

O azar dos utentes da ala pediátrica do S. João, bem o sabemos, é não se constituírem como banco ou fundo de investimentos. Se assim fosse, ninguém tenha dúvidas, quebrar-se-iam nesse mesmo momento todas as barreiras orçamentais, todos os limites do défice e investimentos extraordinários seriam autorizados com urgência. Também aqui se vê bem para quem é que este governo governa.

 

Mas as coisas não ficam por aqui. Parece não haver término para a vilania orçamental deste executivo. Viemos a saber no final desta semana que até mesmo aquela medida dos manuais escolares gratuitos — aquela singela medida de natureza frívola, de alcance pueril, que não aquece nem arrefece no contexto dos graves problemas estruturais que afetam a nossa débil sociedade, com vestigial impacto orçamental —, tem sido cumprida de forma impostora, com a generalidade das livrarias credoras de altos valores referentes aos livros trocados pelos vouchers. Muitas ameaçam não alinhar mais neste embuste já a partir do próximo ano letivo.

 

Não há nada que seja implementado por este governo de forma limpa e transparente. Ao longo desta legislatura, o governo tem-se comportado como uma pessoa falsa, de mau caráter e sem escrúpulos. Diz que faz uma coisa e não faz. Promete uma coisa e esquece-se, diz que não foi bem assim. Chegámos ao ponto de discutir posições de vírgulas no texto orçamental como reflexo inequívoco da má fé que está em jogo.

 

Palavra que não consigo entender como, à esquerda, tanto se defende uma pessoa (coletiva) desta baixeza moral, deste calibre humano. Não consigo entender como se continua a negociar, sequer a falar, com este governo. O maior problema é que, cada dia de vida a mais desta “geringonça”, cada dia mais que se passa a lidar com este governo, a esquerda vai-se conspurcando de um bafio, de um bolor, que não sairá com um simples banho. Já dizia Goethe, e o povo antes dele, Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

Sentem-se e esperem para ver

por Amato, em 27.09.18

Ouvi hoje António Costa referir-se a dois problemas concretos do país — a habitação na capital e a sobrelotação do aeroporto de Lisboa — e as soluções que apresentou não me surpreenderam, mas deixaram-me preocupado com o futuro que se avizinha.

 

Diz António Costa que, no que à escassez de habitação diz respeito, o turismo não é um problema. Antes, a solução é aumentar a oferta, entenda-se aumentar a construção na zona que é, de longe, a com maior densidade populacional do país. Entendamos bem: a solução de Costa para o problema da habitação em Lisboa é o aumento de licenças para os empreiteiros erguerem prédios de cimento sobre prédios de cimento.

 

Quanto ao aeroporto, Costa ainda consegue ser mais claro: o “Portela mais um” já devia ter sido para ontem e avançará rapidamente, para satisfação dos novos donos da TAP que pretendem concentrar o seu negócio em Lisboa. Claro que o facto de que os outros aeroportos do país, particularmente o do Porto, encontrar-se às moscas, é coisa de somenos.

 

Costa e, mais geralmente, os governos PS são peritos neste estender de passadeiras encarnadas aos vorazes interesses da burguesia, particularmente na construção civil, nas obras públicas, dos mamutes de ferro, cimento e betão armado.

 

Em nenhum momento, nenhum mesmo, uma vaga noção de interesse público, de interesse nacional, de equilíbrio de meios e de distribuição dos equipamentos e da riqueza por todo o país, atravessa a mente de António Costa. Pelo contrário, apenas o negócio rápido, o satisfazer cobarde e obediente dos interesses burgueses, por mais perversos que sejam para os interesses do nosso país.

 

Que me desculpem os meus amigos de esquerda, mas mais vale um conservador, do que um António Costa no governo. Costa não é conservador, nem liberal, não é de esquerda, nem de direita. Costa é de quem manda. Senta-se do lado direito do poder. O que se passa é grave e o país vai pagar por isto mais cedo do que pensa. E mais cedo do que pensamos, veremos a história repetir-se diante de nós. Sentem-se e esperem para ver.

Este governo é um logro

por Amato, em 02.09.18

Este governo é um logro. Aceitem o facto. Dormirão melhor, logo à noite, se o fizerem. Nada é sincero. Nada é franco. Nada é honesto.

 

A última novidade já nem foi capaz de produzir em mim vestígio de indignação. Pelo contrário, serviu de pretexto para uma boa barriga de risadas. No final da semana, anuncia-se entusiasticamente que se pretende fazer retornar os nossos emigrantes através de uma redução ao nível do IRS. A medida, patética à partida, porque apenas um débil mental pode imaginar a existência de um emigrante que seja que volte ao nosso país por causa de um alívio tópico no imposto, nem foi capaz de se sustentar por mais que um dia! No dia seguinte, com efeito, os jornais gritaram em uníssono que tal medida era pior do que o regime fiscal para estrangeiros que já existe.

 

O que dizer disto?

 

Relembremos as cativações orçamentais que representam evidentes engodos aos orçamentos de estado, e suas intenções, apresentados e negociados no parlamento.

 

Relembremos as promessas sobre as carreiras dos professores, feitas apenas para ludibriar por mais um ano os sindicatos e os parceiros parlamentares e não para serem cumpridas.

 

Relembremos a proposta das reformas antecipadas, um autêntico escárnio sobre quem trabalha e sobre a realidade do mercado de trabalho contemporâneo e que não afetará, seguramente, mais que uma mão cheia de cidadãos.

 

Relembremos o que dizia Mário Centeno há quatro anos e o que diz agora, enquanto presidente do eurogrupo.

 

É isto. Nada é sincero. Nada é franco. Nada é honesto.

 

Olhemos em nosso redor para o que é concreto e para o que é palpável: carga fiscal e mercado laboral idênticos aos tempos da troika. O povo que trabalha concordará se tiver os olhos abertos. Em quatro anos, vê o seu salário igual, inalterado, congelado. Em quatro anos, vê os preços dos produtos, da alimentação, da gasolina, da renda de casa, muitíssimo mais caros. O resto é propaganda.

 

Este governo é um logro.

Proposta de reflexão em tempos de veraneio

por Amato, em 29.07.18

Todos os anos, em Portugal, durante os meses de julho e agosto, sobretudo agosto, assistimos a uma sazonal migração das populações para sul do país. As massas deslocam-se para sul para se dedicarem exclusivamente ao veraneio no tempo ameno e nas águas quentes da região do Algarve. Durante estes meses, as estradas que rasgam o país de ponta a ponta, polvilham-se de automóveis coloridos. O asfalto, em algumas zonas, quase não se vê devido ao elevado tráfego.

 

De uma ponta a outra do país e, muito particularmente, nas zonas a sul mais secas e em sério risco de desertificação dos solos, o caminho faz-se ladeado por florestas de eucaliptos sem fim. Nas zonas ardidas do último ano crescem já fortes os jovens rebentos dessa espécie de árvore.

 

O eucalipto é uma das espécies mais nocivas para o nosso território, porque drena os solos de toda a água, promovendo a desertificação dos terrenos e condenando espécies endémicas. Para além disso, é uma espécie curiosa que se propaga mais rapidamente através do fogo. É dramático ver o nosso país, sobretudo mais a sul, completamente contaminado por esta árvore parasita.

                

Há uma razão para isto, é claro que há. O eucalipto cresce a uma velocidade incomparavelmente superior a qualquer outra espécie arbórea. Por isso, trata-se da espécie de eleição das empresas de pasta de papel que laboram em Portugal e que fazem da madeira a sua matéria prima. Por seu turno, os nossos governos, que apenas existem para servir o grande capital e em nada se preocupam com a sustentabilidade dos recursos do país, promovem com toda a força esta situação. Durante o governo PSD-CDS, Assunção Cristas liderou a aprovação de legislação para dar carta branca ao negócio do eucalipto. Já este governo PS, nada fez, como aliás é costume nas questões realmente importantes, para reverter a situação.

 

Desejo, por isso, umas boas férias a todos os que farão, por estes dias, as suas viagens rumo a sul. Observem bem as florestas de eucaliptos que, de ambos os lados, vos fazem guarda até ao vosso destino. Tomem nota, porque é exatamente aí que radica o problema dos fogos florestais, da desertificação dos solos, e da escassez de água doce. Lembrem-se disso quando começarem as periódicas histerias coletivas, promovidas pelos meios de informação, a propósito de cada um destes temas.

 

Retirado de jornaldascaldas.com

 

A proeza deste governo

por Amato, em 09.07.18

Nestes anos de geringonça, o PS conseguiu a proeza de enganar o PCP e o BE de inúmeras formas no contexto do reduzido e muito limitado entendimento que estabeleceram entre si.

 

Depois das cativações nos sucessivos orçamentos de estado, que representaram políticas de investimento ainda mais conservadoras do que no tempo do governo PSD-CDS; depois das inúmeras promessas feitas aos sindicatos da função pública que foram quebradas a posteriori; depois de uma legislatura inteira com uma componente fiscal pelo menos tão pesada como nos tempos do ajustamento, quebrando o compromisso geral estabelecido de desenvolver políticas contra a austeridade; depois destas e de outras patifarias, chega-nos agora a notícia que nos dá conta da triste realidade de que a redução do horário de trabalho na função pública para 35 horas foi toda feita à custa da deterioração dos serviços por escassez grosseira de pessoal.

 

Traídos de tantas formas e feitios, não sei a que é que PCP e BE ainda se agarram para continuarem a manter a sua parte deste acordo, um acordo que sustenta um governo de gente tão desonesta capaz de dizer uma coisa pelas frentes e de fazer o seu oposto pelas costas. Não sei. O que sei é que o que quer que seja feito agora será sempre demasiado pouco e demasiado tarde. PCP e BE não deram apenas um governo ao PS. Deram-lhe também carta branca para governar, de facto, à direita e uma oportunidade para limpar a sua imagem política.

Dizem que este governo é de esquerda - parte 2

por Amato, em 27.06.18

Pois é, depois de lavar todas as camadas de porcaria, desculpem, de propaganda, que reveste, já batida e ressequida, a face deste país à beira mar plantado — é difícil, eu sei, mas depois de o fazermos, de a rasparmos com perseverança e obstinação—, sobra apenas isto:

 

https://www.resistir.info/e_rosa/imagens/custo_trabalho_17jun18.gif

 

Ou seja, vamos lá ver se conseguimos interpretar corretamente o que nos diz este gráfico do Eurostat: de todos os países do universo da União Europeia em apenas um o custo da mão de obra diminuiu entre 2017 e 2018. Em apenas um país, de entre todos os países da União Europeia, o preço-hora dos trabalhadores decresceu. Esse país chama-se Portugal.

 

Adicionalmente, temos mais uma mudança na legislação laboral em perspetiva que visa, como sempre, precarizar ainda mais — ainda mais! — as condições de vida dos trabalhadores deste país.

 

Há tanta confusão nas nossas cabeças... Dizer que este governo é de esquerda já começa a ser gozação. Este governo é tão de esquerda quanto os governos de direita gostariam de ser. E, PCP e Bloco, isto também é da vossa responsabilidade.

Preço da gasolina

por Amato, em 24.04.18

Ontem pus gasolina no carro. Paguei mais de um euro e sessenta cêntimos por litro.

 

Sem mais comentários do que este: assim, qualquer um seria considerado o Cristiano Ronaldo das finanças. Em frente, governo!

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