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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Gestão "de topo"

por Amato, em 13.06.18

Gestão “de topo”, conversa fiada, “economês”, ignorância, muita ignorância de raiz, de natureza primária. É isto que temos para construir um país. É isto que nos sobra para erguer Portugal.

 

Em linha com o que tem sido escrito e avisado neste blog, nos últimos anos a Caixa Geral de Depósitos, o banco público, perdeu mais 4450 milhões de euros em depósitos.

 

É muito dinheiro.

 

Podem consultar aqui o estudo de Eugénio Rosa que aponta esta e outras consequências dos “excelentes” atos de gestão do gestor “de topo”, que tanto serve à direita como à esquerda, Paulo Macedo.

 

A Caixa está a definhar com o beneplácito da nossa indiferença e da nossa ignorância. Parece que não há educação que cure esta peste que nos assola enquanto povo.

Portugal está entregue

por Amato, em 15.05.18

A China prepara-se para controlar completamente e em simultâneo a produção e a distribuição de energia elétrica em Portugal.

 

Quando acabo de ler aquilo que escrevi sinto arrepios de frio na espinha. Mas pergunto-me: serei o único?

 

Um país estrangeiro, jogando o jogo do mercado, que de livre não tem nada, diga-se, está prestes a colocar ambas as mãos num setor vital para a soberania do nosso país e ninguém se atemoriza com a gravidade da situação. Nenhum dos partidos políticos com assento parlamentar, e entristece-me ter que admitir isto, parece muito preocupado. Pelo contrário, PS e PSD, quais melhores amigos reencontrados volvido tanto tempo de afastamento, rejubilam com esta possibilidade de entrada de capital chinês em Portugal. Costa ri-se, Rio ri-se. Riem-se os dois.

 

Serão débeis mentais? Ou será isto o derradeiro apogeu vitorioso desta linha política mercenária que vê isto como o ambicionado corolário de décadas de delapidação do património e setores estratégicos portugueses?

 

Portugal está entregue. Está vendido. Não tem mais nada de seu. Se a China quiser, desliga-nos a tomada. De um dia para o outro. Se não for a China, é outro qualquer. É isto a nossa política. Foram estas as nossas escolhas democráticas.

Preço da gasolina

por Amato, em 24.04.18

Ontem pus gasolina no carro. Paguei mais de um euro e sessenta cêntimos por litro.

 

Sem mais comentários do que este: assim, qualquer um seria considerado o Cristiano Ronaldo das finanças. Em frente, governo!

Há mais receita fiscal, mas continuamos a pagar o mesmo

por Amato, em 20.04.18

Mais um dia e mais uma excelente marca batida pela economia portuguesa: pela primeira vez em dez anos, o número de desempregados ficou abaixo dos quatrocentos mil (393 335, nos dados do IEFP), confirmando uma tendência de descida que vem desde o final da legislatura anterior e que, em certa medida, se tem acentuado. Esta tendência segue à boleia de uma conjuntura internacional de crescimento e de consumo e, muito concretamente, do setor do turismo que se encontra em franca e descontrolada expansão no nosso país. Será, pois, no exato momento em que estes dois fatores se inverterem — e esse momento chegará, acreditem, a história assim nos conta que a economia é feita de ciclos — que, então, se verá a verdadeira robustez da nossa economia assim como o material de que é feita. Até que esse momento chegue, todavia, prossegue a procissão com os maiores e mais brilhantes fogos de artifício feitos de bazófia das mais diversas cores.

 

É óbvio que não interessa aqui averiguar a qualidade dos empregos criados. Não. Isso não é para aqui chamado e até pode ter o condão de estragar a festa. Precariedade é palavra que já começa a ficar gasta nos ouvidos da população para a qual a palavra é representante do seu presente e anunciadora do seu amanhã. Não. Não falemos disto.

 

Falemos de uma outra coisa. É que — dei comigo a pensar na coisa desta forma que ainda não me tinha ocorrido! — tanta gente a trabalhar, tanta gente que não trabalhava e que agora trabalha — só desde o ano passado são quase cem mil! — é muita gente nova a descontar e a pagar impostos! Impostos que não eram pagos e que correspondem a uma eliminação de prestações sociais que o estado não precisa mais de pagar. Já repararam nisso? O que se faz a esse dinheiro? O que se faz?

 

Quer dizer, continuamos todos na mesma, como estávamos, a pagar os mesmos impostos que pagávamos? Como é isto?

 

É que estas marcas económicas que se atingem e que, per si, são louváveis, têm que ter consequências na vida de todos nós. No mínimo, devíamos exigir que a carga fiscal, que penosamente suportamos, diminuísse visivelmente. No entanto, continua tudo como dantes. E parece que o mundo todo neste nosso Portugal está muito contente.

 

Há mais receita fiscal, mas continuamos a pagar o mesmo.

Dizem que este governo virou a página

por Amato, em 30.03.18

Dos mesmos produtores de Dizem que este governo é de esquerda, chega-nos agora Dizem que este governo virou a página... da governação, da austeridade, do que quer que seja: aceitam-se sugestões!

 

Se as evidências do embuste não se acumulassem já em quantidades insuportavelmente obscenas, a realidade teima em adicionar mais capítulos à sórdida novela.

 

Desta feita, o mais recente capítulo chama-se Novo Banco. Adivinha-se e anuncia-se a injeção de mais oitocentos milhões de euros para prosseguir o resgate de mais um campo de jogos burguês, porque é exatamente isso que um banco é no quadro económico capitalista: uma plataforma de especulação e de jogo económico.

 

O povo paga a fatura.

 

O povo aceita este escândalo.

 

À parte de uma conjuntura favorável e de uma forma diferente de comunicar e de fazer exatamente as mesmas coisas que eram feitas pelo governo anterior, não há, com efeito, nada de substantivamente novo neste governo. Dizem que este governo virou a página... pois dizem! Aguardamos com entusiasmo as cenas dos próximos capítulos.

 

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Ninguém compreende Nash

por Amato, em 29.12.17

John Nash foi um matemático brilhante que marcou a ciência sobretudo pelos seus estudos em Teoria de Jogos. As aplicações da sua teoria inovadora valeu-lhe, em 1994, a atribuição do Prémio Nobel em economia. Mas que teoria foi essa afinal?

 

John Nash

 

A Teoria de Jogos é um ramo da Matemática que se preocupa com o estudo de jogos num sentido lato do termo, isto é, por jogo devemos entender uma competição entre duas ou mais partes. Nash dedicou-se particularmente aos jogos não cooperativos, onde, genericamente, cada parte atua individualmente em competição. Ao contrário do paradigma até então que defendia que cada parte competia pelo prémio máximo procurando eliminar os adversários dessa forma retirando-lhes qualquer ganho, Nash defendeu na sua tese de doutoramento que, pelo contrário, as partes tendiam a chegar a um entendimento, ou acordo, que permitisse a todas não perder e a garantir ganhos estáveis e repartidos. Este entendimento é chamado de equilíbrio de Nash e as suas aplicações à economia são evidentes. Mais: a existência do equilíbrio de Nash é natural e espontâneo: chama-se cartel ou cartelização. A título de exemplo, veja-se o que sucede com o preço da gasolina previamente acordado por todas as marcas fornecedoras. É igual, não é? Mas não devia ser. É o equilíbrio de Nash!

 

O problema é que ninguém compreende Nash, verdadeiramente. Ninguém compreende o alcance da sua teoria e do seu equilíbrio, por muitas vezes que vejam Uma Mente Brilhante. O equilíbrio de Nash diz-nos uma coisa tão simples quanto isto: a existência do mercado livre é uma mera abstração. Não tem correspondência com o real.

 

No ano novo que aí vem vamos ser confrontados novamente com uma nova manifestação do equilíbrio de Nash. Face aos aumentos obscenos das tarifas da eletricidade na EDP que se anunciam, os nossos governantes, impotentes e serventuários perante o poder económico, mandam-nos procurar alternativas na concorrência. Vamos, então, ficar muito admirados quando comprovarmos que toda a chamada “concorrência” do mercado da eletricidade vai oferecer preços muito semelhantes aos praticados pela EDP.

 

É o capitalismo no seu esplendor! Nash explica-o.

Matam a Caixa nos Paços do Governo! Acorrei à Caixa que a Matam!

por Amato, em 07.08.17

Tomei de empréstimo uma citação da Crónica d'el-rei D. João I, o Mestre de Avis, Matam o Mestre nos Paços da Rainha! Acorrei ao Mestre que o Matam!, para começar este relato que me enche de tristeza e de preocupação pelo meu país.

 

O processo que está em curso, a todo o vapor, na Caixa Geral de Depósitos é de uma gravidade tremenda. Todavia, o país não parece perceber bem o que se está a passar.

 

Até ao final deste ano civil uma substancial parte dos clientes do banco público de Portugal mudar-se-ão para outros bancos. A razão é simples: as absurdas comissões que a Caixa vai começar a cobrar a partir de setembro a todos os clientes, mesmo àqueles que têm o seu salário domiciliado na Caixa.

 

Muitas pessoas já começaram a fechar as suas contas no banco público e este mês de agosto promete ser muito movimentado. As transferências para outros bancos onde tais comissões não são cobradas multiplicam-se. Contudo, é de esperar que uma maior percentagem, menos informada, tome essa decisão uma vez que comecem a ser cobradas as comissões mensais a partir de setembro.

 

Nos próximos tempos a Caixa Geral de Depósitos, outrora um banco forte e de confiança, converter-se-á num banco minimal, servindo apenas uma parte dos reformados, pronto a ser absorvido por um Santander qualquer e a desaparecer do mapa, cumprindo-se assim o ansiado desígnio da direita.

 

Não é irónico que o PS tenha sido o elegante carrasco da Caixa. Não é nada irónico. O PS está, como sempre esteve, ao serviço do grande capital e dos seus objetivos. O que é irónico é que o tenha feito com o apoio de Bloco de Esquerda e de Partido Comunista Português. Nem adianta invocar as diferenças que existem entre estes partidos. Se o PS — que até foi resgatar o cacique do outro governo, Paulo Macedo, para levar a cabo a empreitada — logrou cumprir o desmantelamento da Caixa Geral de Depósitos, fê-lo porque BE e PCP assim o permitiram. E acrescento ainda o seguinte: de pouco valerão as expectáveis manifestações populares organizadas por estes partidos para que a Caixa não feche. As roldanas já foram postas em movimento. O processo de raquitização do banco público é virtualmente irreversível.

 

Mas se algumas pessoas já começam a ver com clareza o que parece ser inevitável, a verdade é que poucos percebem a gravidade da situação. O estado português vai perder o seu banco público. O estado português vais perder a sua única ferramenta de intervenção na banca e uma das poucas que ainda tem para agir sobre a economia do país. Tal situação é impensável em qualquer país soberano. Absolutamente impensável! Mas é para aí mesmo que caminhamos, para um estado sem gota de soberania, um não-país, um lacaio declarado da Alemanha e do diretório de potências imperialistas mundiais onde o dinheiro e o poder se conserva e se multiplica.

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