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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Uma questão de fé

por Amato, em 07.11.14

Ao mesmo tempo que escrevo sobre os menos afortunados da vida, aqueles que escolheram o lado errado da cama para acordar de manhã, parece que me esqueço dos outros, aqueles cerca de cinco pontos percentuais que, em boa verdade, nunca ganharam tanto como agora. Existem certos princípios de vida que são como que insofismáveis. Um deles é que “não há melhor altura para ganhar dinheiro do que em tempos de crise”. Entenda-se, contudo, a palavra “ganhar” como um eufemismo descarado.

 

A riqueza, sendo de natureza finita, tem destas coisas. É relativamente fácil de perceber: quando uns perdem, e tantos perderam tanto, outros têm de ganhar, e os poucos que sobram ganham tudo o que os primeiros perderam. Não há grande volta a dar à questão. Mas é mais fácil tratar o assunto se o pusermos claramente como ele é.

 

Mas o que é surpreendente, verdadeiramente surpreendente, é que uma parte da população encare esta realidade objetiva ignorando a sua perniciosidade latente. Com efeito, são muitos os que rejubilam com os lucros crescentes dessas “empresas” interpretando-os como sinais positivos da economia. Devem pensar: o dinheiro está bem entregue nas mãos daqueles senhores, eles saberão o que fazer com ele pelo meu bem. Como escrevi num post anterior, é preciso notar como se faz a retribuição social desses lucros e para onde vai esse dinheiro. Existe maior investimento? Mais empregos? Melhores salários e condições de trabalho?

 

É preciso estar atento. Porque acreditar na solidariedade social dos empresários é acreditar na inversão da sua natureza. Não é mais do que uma questão de fé.

Sobre a expansão e o crescimento económico

por Amato, em 25.10.14

Tornou-se num hábito olharmos para qualquer dado estatístico sobre a expansão económica com os olhos de uma virgem inocente desencadeando uma enxurrada de elogios bacocos de natureza acéfala sobre o assunto. A sociedade da propaganda tem destas coisas.

 

Em abstrato, o crescimento económico é algo de louvável. O abstrato, contudo, de nada vale sem o concreto. Dediquemo-nos, portanto, ao concreto da coisa, sendo conveniente concentrarmo-nos sobre dois pontos: o sustentáculo e o consequente social. São dois pontos umbilicalmente interligados e que assumem uma importância vital em qualquer tipo de análise séria sobre o assunto. Olhemos, a título de exemplo, para as empresas associadas ao setor primário, amplamente elogiadas, nomeadamente ao mais alto nível. Com efeito, após nos debruçarmos durante uns minutos sobre os dois pontos referidos anteriormente verificamos o quão ocos são os elogios tecidos. Em que se sustenta esse crescimento afinal?

 

Em muitos casos, tratam-se de empresas que entre o deve e o haver entre benefícios fiscais, planos de apoio e fundos europeus, efetuam um investimento que apenas poderá ser caracterizado como minimal, a existir algum, e retribuem pouco mais do que nada em termos de imposto. Inicia-se logo aqui uma relação empresa-estado-sociedade pouco sã, pois não existe uma relação direta de retribuição em termos fiscais. Mas tudo isto perderia relevância num certo grau fosse essa retribuição fiscal efetuada noutros moldes, concretamente no volume de emprego criado. Mas até aqui, a realidade revela-se confrangedora. De facto, temos muitas vezes empresas sustentadas em postos de trabalho tão precários que tão pouco são ocupados pela população emigrante de leste, mas antes por tailandeses e filipinos, que sobrevivem em parcas condições até regressar ao país de origem. Esta é a realidade governada pela lei em que “os fins justificam os meios”. E, neste contexto, de que servem os lucros crescentes destas empresas? De que valem os números crescentes das exportações? Valem apenas na justa medida da profundidade dos bolsos dos donos destas empresas. Para o país, valem de muito pouco.

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Amato

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