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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Nas entrelinhas da vitória

por Amato, em 06.07.15

Felizmente o “não” venceu o referendo. Caso assim não tivesse sido, todo o movimento anti-imperialista teria sofrido uma derrota dramática. Por isso repito: felizmente o “não” venceu. A jogada política ousada e, diga-se, completamente demente do Syriza acabou por dar resultado. Mas não vale a pena insistir no que já passou. Vale a pena olhar para o caminho que falta calcorrear. Esse caminho, contudo, apresenta-se árduo e incerto.

 

Após a vitória no referendo, foi anunciada, qual murro no estômago, a demissão do ministro das finanças grego Yanis Varoufakis. A incredulidade pela decisão apenas se vê suplantada pela ainda mais espantosa justificação para o ato: Varoufakis tomou a decisão com base numa pressão exercida pelos parceiros negociais europeus.

 

Visto pelo prisma que se quiser, esta decisão é de todo em todo repugnante. Ingerência direta inter-nações soberanas, covardia política do próprio, cedência vergonhosa do Syriza aos interesses do capital, e mais, mais, muito mais. Escolha-se o que se quiser: qualquer opção terá tanto de repulsivo quanto de desilusão.

 

O Syriza parece ter uma prontidão desconcertante para fugir às responsabilidades que o seu povo lhe coloca. Da primeira vez que venceu as eleições, saiu de cena tão depressa quanto ascendeu ao poder. Agora parece estar à procura de um pretexto para saltar fora do barco, um pretexto que lhe permita sair de cena de mãos lavadas, mas de consciência suja. Para mal dos seus pecados, o povo grego mostra ser dono de uma coragem de ferro, de uma vontade de aço, e obriga o Syriza a continuar a lutar. O povo grego é, com efeito, a única e derradeira esperança da Grécia.

 

Ingredientes para uma grande obra

por Amato, em 12.10.14

O que faz de um livro um grande livro? Antes disso: o que faz com que uma obra de arte supere a generalidade e se apelide de “grande”? Podemos dividir uma obra em duas partes: forma e conteúdo.

 

A primeira tem a ver com a técnica de construção da obra. Uma grande obra deve ter uma forma irrepreensível que marque indubitavelmente o estilo ou, então, que seja ela própria geradora de um novo estilo de fazer. A técnica apurada e/ou inovadora do autor servirá, então, de exemplo aos que o seguirão. Ao estilo de fazer podemos chamar o estilo de contar, contar a história, transmitir uma mensagem.

 

Chegamos assim ao segundo ponto: o conteúdo da obra. Trata-se de um ponto repleto de controvérsia já que para muitos o tratamento formal da obra é o suficiente e é aquilo que é importante. Essas pessoas precisam de ir ao Rainha Sofia e parar um pouco diante do Guernica. Parar um pouco. Isso seria o suficiente. Ou então assistir a uma qualquer ópera de Verdi. Uma qualquer. É verdade que existem correntes artísticas abstratas onde o conteúdo pode se encontrar esbatido mas o menosprezo da sua importância na valorização da obra de arte será sempre um erro.

 

O conteúdo da obra é uma espécie de energia que anima o corpo da obra, a forma e as grandes obras de arte são exatamente isso: obras magníficas a nível formal com uma história genial e autêntica animando cada linha de texto, cada pincelada, cada nota musical.

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Amato

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