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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Alemanha e Europa, extrema direita e história recente

por Amato, em 26.09.17

A Alemanha e a Europa estão chocadas — e bem! — com a ascensão da extrema direita de inspiração nazi (AFD) ao bundestag, o parlamento alemão.

 

Há três anos, em fevereiro de 2014, a mesma Alemanha e a mesma Europa — falar de uma é falar da outra, não é? — apoiaram o golpe de estado na Ucrânia que colocou os nazi-fascistas no poder, derrubando um presidente e um governo democraticamente eleitos.

 

Devemos, portanto, duvidar destes políticos que dizem detestar a extrema direita. Se calhar não detestam. Se calhar são farinha do mesmo grão, mas muito processada em hipocrisia.

 

http://cdns.yournewswire.com/wp-content/uploads/2017/04/Germany-censor-alternative-media.jpg

 

Sobre a maravilhosa coincidência

por Amato, em 18.09.17

A questão que veio cair como fétida nódoa na imaculada reputação política de Fernando Medina é de um assinalável interesse.

 

Desde logo, porque a alvura da reputação política de Medina a que me referia na oração anterior tem tanto de falso, quanto de artificial, pois não é fruto de nenhuma particular evidência mas, pelo contrário, de empenhado labor de há muitos anos a esta parte dos media nacionais. Casos como este são, aliás, assaz frequentes. De entre a panóplia de malfeitorias que lhes são características, os media adoram o tricotar miudinho de santos políticos de pau oco, falsos ídolos impolutos, ao mesmo tempo que ocultam habilmente os respetivos rabos de palha que só se vêm a revelar muito mais tarde numa mistura de incredibilidade, de espanto e de histeria.

 

Mas o que é mais interessante não é a questão em si, isto é e fazendo fé nas notícias que têm vindo a público, a maravilhosa habilidade de Medina para a venda e compra de imóveis com margens de lucro absurdas ao mesmo tempo que adjudica diretamente obras na autarquia de milhões de euros à mesma parte envolvida nos negócios. Não, o que é mais interessante não é esta maravilhosa coincidência que só acontece aos eleitos para governar no meio dos homens. Antes, é a faculdade que o caso nos confere para identificar serventuários do sistema, jagunços da panela de que Medina é a face, agora e por ora, visível. Isto, sim, é deveras interessante.

 

E são tantos, são tantos..., nas televisões e nos jornais, por toda a parte, de tantos e diferentes quadrantes da sociedade lisboeta. Não é por acaso que Medina leva uma tão abundante vantagem nas intenções de voto. Quem defende o indefensável seguramente terá algum interesse concreto na sua eleição.

Banco de terras: a lição que o PCP deu

por Amato, em 22.07.17

É curioso ter sido o Partido Comunista Português aquele que, esta semana, protegeu os pequenos proprietários do banco de terras proposto por PS e Bloco.

 

O banco de terras e o fundo de mobilização de terras, a serem criados, poderiam significar, na prática, uma espécie de nacionalização compulsiva de muitos pequenos terrenos sem que os proprietários tivessem uma palavra a dizer ou retirassem qualquer benefício disso.

 

É curioso, repito, que tenha sido o voto contra do PCP o responsável principal pela queda desta medida. Num mundo que sistematicamente abusa de chavões e de clichês anticomunistas, particularmente no que concerne ao conceito de propriedade privada, o PCP acaba por dar uma lição preciosa a quem quer que tenha os sentidos despertos para aprender: nem o comunismo é contra a propriedade privada nem se tratam de conceitos mutuamente exclusivos.

 

“Ah e tal, mas Marx dizia que o objetivo era a abolição de toda a propriedade privada.”

 

Mas de que é que estamos realmente a falar? De latifundiários? Então estamos de acordo. De pequenos proprietários? Não, claro que não.

 

Aliás, em qualquer sistema económico, seja ele qual for, a riqueza, a terra, tem que ser distribuída de algum modo. Daqui resulta que a existência de pequenos proprietários será sempre uma realidade. Agora, grandes acumuladores de terra, não. Latifundiários, não. Caso contrário, entre comunismo e capitalismo não subsistiria diferença visível e seriam ambos os sistemas promotores da concentração de riqueza. O objetivo do comunismo é, sim, a promoção de uma distribuição mais equilibrada da riqueza produzida. Daí a proteção aos pequenos proprietários e o voto contra qualquer medida que vise a concentração das propriedades.

 

Em todo este processo, nota ainda para a total colagem do PS aos interesses das empresas de celulose e da pasta de papel. Capoulas Santos, pelos vistos, até teve que ser afastado da mesa de negociações para se poder chegar a um entendimento mínimo. Até há pouco tempo nunca tinha percebido a razão de ser da presença de Capoulas Santos em sucessivos governos PS. Foi preciso este processo para o entender sem qualquer dúvida.

PS quintessencial

por Amato, em 13.07.17

Eu acho que notícias como esta que aparece nos jornais de hoje sobre as escandalosas benesses que este governo está a conceder à grande burguesia portuguesa é que deviam ser analisadas com cuidado.

 

Isto é o PS quintessencial: mais do que a promoção de um regime tributário desequilibrado entre trabalhadores e patrões a favor destes últimos, é o entregar de mão beijada da riqueza de todos nas mãos da burguesia. Vem-me à memória as parcerias público-privadas e os estágios gratuitos. Recordo-me também dos postos de trabalho precários pagos dos bolsos da enferma segurança-social aos grandes capitalistas deste país apenas com o objetivo de lhes engordar os seus já morbidamente obesos proveitos. Trata-se de inovação e de repetição da mesma repugnante fórmula.

 

Adicionalmente, todos percebem bem ou, pelo menos, desconfiavam de patranhas desta estirpe para sustentar os resultados económicos apresentados por este governo. Esta, pelo menos, já se conhece. Outras estarão, seguramente, para vir à tona.

 

A esquerda devia preocupar-se com isto e não com mais esta ou aquela migalha concedida a esta ou aqueloutra classe. As migalhas tanto se dão como se tiram, de um dia para o outro. O que fica para a posterioridade, a corroer o país por dentro como um cancro invasor, são políticas deste género. Este tipo de notícias é que devia de exigir de PCP e BE posições de força irredutíveis. Caso contrário, serão sempre considerados como coniventes parceiros inferiores destas mesmas políticas.

Tanta carta branca para fazer tanta tropelia

por Amato, em 29.06.17

artigo de Santana Castilho sobre a greve dos professores ocorrida na semana passada é, sob muitos aspetos, excelente e merece ser lido. Destaco o parágrafo seguinte, que considero delicioso.

 

A ética mínima ficou na lama com esta greve. Atropelando o direito à greve dos professores, Passos e Crato enxertaram na lei os serviços mínimos em tempo de exames. O PS e as forças políticas que agora sustentam o Governo revoltaram-se na altura. Mas, sem incómodo de maior, viram agora ser usada essa lei para fazer o que antes censuraram. Julgamentos e cirurgias sofrem adiamentos quando há greves na Justiça ou na Saúde. Mas um exame do 11º ano mais a brincadeira de uma prova de aferição são necessidades sociais impreteríveis. Em Janeiro de 2016, Tiago Brandão Rodrigues disse ao Diário de Notícias que o modelo de exames era “errado e nocivo”. Que alguém tenha a caridade de lhe explicar que não pode dar lições sobre a maldade dos exames e depois decretar serviços mínimos para os garantir.

 

Não há nada a dizer. Não há como contestar. Aconteceu tal e qual foi descrito. Esta dualidade de critérios por parte de PCP, BE e CGTP fica muito mal na fotografia. Nunca um governo teve tanta carta branca para fazer tanta tropelia sem praticamente qualquer oposição, sobretudo na rua. Dá que pensar...

A palavra e a prática

por Amato, em 01.05.17

Hoje, António Costa, o Primeiro-ministro, serve-se do Diário de Notícias para emitir uma página de opinião sob o título Dignificar o trabalho para uma economia com futuro. Ao longo dessa página, Costa assume-se frontalmente contra o trabalho precário, defende a segurança e a estabilidade dos trabalhadores e promete os mais variados e redobrados esforços da parte do governo para corrigir a situação que, diz, encara toda a temática como a prioridade das prioridades.

 

https://imagens.publicocdn.com/imagens.aspx/884527?tp=UH&db=IMAGENS

 

Curiosamente, mesmo na página ao lado — bravo, DN! —, surge uma peça sobre o facto de que este mesmo governo de António Costa prepara-se para rejeitar as propostas do PCP sobre a valorização da contratação coletiva no país. Vieira da Silva, o ministro do trabalho, nem quer ouvir falar delas.

 

Em duas páginas apenas, lado a lado, desmascara-se de forma clara a realidade deste governo, aquilo em que o governo efetivamente acredita — na peça sobre a contratação coletiva —, secundada pela hipocrisia da mensagem governativa, a sua oratória oca — no artigo de opinião de Costa. Vê-se claramente — mesmo quem é distraído — como este governo é capaz de dizer uma coisa e tudo fazer em sentido contrário do que diz. Trata-se de um governo falso, hipócrita, que não é de confiança. Tem uma palavra e uma prática que se não intersetam.

Paulo “Surreal” Macedo

por Amato, em 15.03.17

Para mim é surreal ver o mesmo Paulo Macedo que foi ministro porta-estandarte do governo PSD-CDS e, portanto, conivente com toda a panelinha que conduziu ao calamitoso estado atual da Caixa Geral de Depósitos, a assumir o papel de salvador da Caixa Geral de Depósitos e a dizer coisas como: “Não se percebe como deixaram a CGD chegar a estes pontos!!...”.

 

Surreal!

 

De resto, nota-se coerência no homem, lá isso nota-se! O plano de Macedo, seja para onde quer que ele for chamado, é sempre o mesmo: cortar, cortar e cortar. Na CGD vai acontecer — já anda a ser anunciado — o mesmo que aconteceu no ministério da saúde: cortes sobre cortes, despedimentos massivos, encerramento de agências, que é para endireitar a coisa. Consta até que, certa vez, para salvar a sua família, Macedo terá despedido um cão e dois periquitos amarelos, porque estes lhe estavam a dar muita despesa e a tornar a sua situação inviável.

 

Volto a repetir: não percebo porque é que Paulo Macedo é especial e por que é pago a peso de ouro. Qualquer um faria o mesmo. O difícil é reorganizar e otimizar.

 

E também isto é... surreal!

 

http://sm2.imgs.sapo.pt/mb/E/y/u/o/0ffu3CCJtyO111F5fCGk0tk_.jpg

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