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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Falta coragem a quem era importante que tivesse coragem

por Amato, em 11.05.19

O que aprendemos com esta crise política?

 

  1. Que a palavra de certos políticos vale zero, que são mentirosos, intrujões, sem caráter e sem escrúpulos. O que aconteceu foi tenebroso. Desde as mentiras descaradas ao povo sobre as “boas contas” à inversão da palavra dada num par de dias, particularmente a quem usa da palavra para influenciar as populações e liderar o país é desprezível. Termos o país entregue a seres humanos tão reles como estes é dramático.

 

  1. Que PS, PSD e CDS — reflexo da sociedade que os elege — não têm um pingo de respeito pelos professores e que, com isto, quer queiramos quer não, moldam o tipo de homens e de mulheres que teremos na sociedade de amanhã.

 

  1. Que BE e PCP, tendo sido coerentes em todo o processo, não conseguem esconder o alívio pela mudança de posição de CDS e PSD e por não terem que enfrentar eleições antecipadas neste momento.

 

A dialética sempre foi, desde a antiguidade clássica, uma disciplina estrutural para se ilustrar os cidadãos. A capacidade de bem falar, de argumentar, de defender uma posição, de seduzir o auditório e o próprio opositor, de ganhar uma disputa através da palavra, era vista como uma ferramenta essencial para o Homem, visto pelos gregos como um animal eminentemente político.

 

Quer-me parecer que temos demasiado disto nos dias que correm. Temos demasiada dialética, demasiada palavra e pouca ação. Demasiada justificação do injustificável. No rescaldo desta crise política, o que se me afigura é uma superlativa falta de coragem, sobretudo a quem importava que tivesse alguma coragem. Perante a ameaça de eleições antecipadas de Costa, do alto da sua posição privilegiada que as sondagens lhe parecem conferir, o parlamento estremeceu de medo, desde a direita até à esquerda. Ninguém enfrentou as ameaças de Costa com força de caráter, com inabalável convicção. Ninguém. Todos tremeram de uma ponta à outra.

 

BE e PCP temem pelo fim de um mísero poder que ninguém sabe muito bem quanto vale exatamente, mas que já toda a gente adivinha que o que vale é muito pouco. Tremem os dois como verdes varas. Dizem que ainda há muito a fazer. Mas quem pensam eles que enganam? Se ainda havia alguma coisa a fazer ou a conquistar a este governo burguês, sempre de mãos dadas com o poder económico, com o resultado desta crise deixou de haver. Aliás, para sermos mais rigorosos, depois da aprovação do derradeiro orçamento de estado, última oportunidade perdida para a esquerda poder afirmar as suas posições, já não restava grande coisa a fazer. Escrevi-o aqui várias vezes e repito-o.

 

Falta muita coragem, sobretudo a quem era importante que tivesse coragem, entenda-se: BE e PCP. E isto é algo que até um cão vadio fareja à distância mais depressa do que a um pedaço de toucinho gorduroso esquecido na soleira da porta de um talho. E é um funesto presságio para as eleições que aí vêm.

Quem se mete com patifes...

por Amato, em 04.05.19

Quando o país foi mergulhado na última crise de tesouraria, motivada por andar a desbaratar dinheiro em obras públicas e em linhas de crédito a bancos a mando da União Europeia, sublinhe-se, os governos recorreram aos mesmos de sempre para sair do poço sem fundo onde se metera. Particularmente, a classe dos Professores, bem como os demais funcionários públicos, viu o seu tempo de serviço congelado durante mais de nove anos para efeitos de progressão das carreiras. Foi à custa desta e de outras extorsões sobre o povo trabalhador que o Estado foi capaz de pagar os seus próprios erros de gestão e os auxílios, sempre abundantes, à banca e ao setor empresarial do país.

 

Teria sido da mais elementar justiça que, tendo o país saído da situação de desequilíbrio de contas e de crise de tesouraria em que se encontrava, tendo invertido a sua trajetória económica — este governo passou os últimos quatro anos a gabar-se disso mesmo —, que os Professores e demais funcionários afetados tivessem exigido o pagamento de todo o dinheiro retirado ao longo da última década. Nada disso foi feito. Para os trabalhadores, note-se, nunca há contratos a cumprir, o que se rouba não se devolve. Ao invés, os Professores exigiram simplesmente a contabilização do tempo de serviço congelado para efeitos de progressão da carreira e que essa contabilização pudesse ser gradual ao longo dos próximos anos. É isto uma reivindicação não razoável? É isto uma posição inflexível? Para o governo parece que é.

 

As voltas e voltinhas que este processo já deu ao longo dos anos que já leva não são de somenos relevância. Primeiro, o governo disse que sim senhora, que ia recuperar o tempo de serviço, só que não era para já, que ficava para o ano. Depois, ficava para o outro, até que os parceiros de esquerda o obrigaram a inscrever a medida no orçamento de estado. Mas quando que o orçamento era para ser cumprido, eis que na recuperação do tempo de serviço o do não era do era de e esse de fazia toda a diferença porque implicava que o governo não tinha que recuperar todo o tempo de serviço congelado mas só algum. Numa guerra facialmente linguística mas visceralmente de caráter, porque é mesmo disto que se trata, de falta de caráter do governo, o executivo, obrigado pelo Presidente da República, finge negociar com sindicatos e aprova unilateralmente um decreto que, dos mais de nove anos de tempo de serviço, recupera apenas cerca de dois.

 

Esta semana, porém, o parlamento obrigou o governo a fazer o que está correto e a recuperar todo o tempo de serviço. Mas esperem: isto não fica assim. Em vez de respeitar a casa da democracia, Costa e Centeno não aceitam a decisão democrática e ameaçam com a demissão no caso do diploma ser aprovado! Como que por artes mágicas, Centeno surge nas televisões afirmando que esta medida faria com que a despesa passasse de duzentos para oitocentos milhões! Notável!

 

A ciência destes números, ninguém percebe. Imagino que a ideia não seja entender. Porque, se entendêssemos, surgiriam de seguida outras questões como: e o dinheiro para resgatar bancos ou para os privatizar? Quanto custam essas operações? Quanto custa ao estado a privatização da TAP e dos CTT? Quanto vai custar, por exemplo, a mais recente brincadeirinha da Lone Star no defunto Banco Espírito Santo? Já foi contabilizada para este ano ou é só para o próximo? Ah, claro, essas matérias nunca entram nas contas do orçamento do estado, nós só sabemos delas porque as pagamos mais tarde.

 

Nada disto me surpreende. Absolutamente nada. Neste meu espaço, discorri copiosamente sobre este governo, sobre a sua natureza e a natureza do PS e o que está a suceder apenas me vem dar razão. Esta solução governativa só chegou onde chegou porque o PCP e o BE fizeram de tudo para a aguentar começando por aceitar apoiar o governo a troco de um conjunto de reivindicações absolutamente minimal. E viu-se, claramente, ao longo da governação, como o governo sempre desprezou abertamente a esquerda nas questões verdadeiramente estruturantes e essenciais e se aliava à direita no fundamental como nas questões europeias e no código de trabalho.

 

PCP e BE tudo fizeram para que o governo chegasse até ao fim, rebaixaram-se tanto quanto podiam, muito mais do que deviam, ao ponto de aceitar que este governo fizesse aquilo que consideravam inadmissível aos outros governos, particularmente ao antecedente de direita. No fim de contas, todos estes esforços revelaram-se inglórios por mero taticismo eleitoral da parte de António Costa, que vê aqui uma oportunidade para tentar uma maioria absoluta.

 

Seria outra coisa de esperar, todavia? Os sinais foram surgindo, um atrás do outro e, a cada um deles, PCP e BE foram fechando os olhos. Foi permitido também que o PS dominasse a agenda, controlasse a geringonça do primeiro ao último dia e dela recolhesse todos os frutos. Sempre aqui afirmei, e afirmarei novamente uma última vez, a minha total estupefação perante o facto do PS, estando completamente dependente do PCP e do BE para governar, conseguir ser a parte dominadora no governo. Como o PS conseguiu dominar o PCP e o BE sendo efetivamente a parte mais fraca na coligação é, para mim, espantoso. Os resultados estão à vista.

 

Não podemos, pelo exposto, ter pena dos partidos de esquerda. Quanto muito, podemos admitir que foram traídos pela sua inexperiência a estes níveis ou por alguma inocência. Com franqueza, porém, esperaríamos nós semelhante complacência se acaso nos envolvêssemos com patifes, oportunistas, miseráveis e acabássemos atraiçoados? Não. Claro que não. E isto é só o início. Vêm aí as eleições.

Diz-me com que andas e dir-te-ei quem és

por Amato, em 11.11.18

Desculpem-me os meus amigos de esquerda. Desculpem-me particularmente aqueles, que muito prezo, que ainda se desmultiplicam em desculpas para este governo, em ensaios de defesa desta “geringonça” que logrou estabelecer neste país o que a direita que a precedeu tanto tentou, que continuam a desenrolar putativas boas intenções que só subsistem, ainda, nas suas próprias cabeças. Desculpem-me.

 

Este governo é um engodo tão grande que daria uma boa anedota se todos estivéssemos mais atentos. É que não há uma coisa que o executivo se proponha a fazer que efetivamente leve a cabo, assim, de forma limpa e transparente. Pelo contrário, depois de anunciar pomposamente as medidas, tudo faz para não as cumprir.

 

Não me canso de evocar, aqui, em todas as oportunidades que tenho, a baixeza das cativações orçamentais. Em todas as áreas, indiscriminadamente, o governo acorda com os seus interlocutores parlamentares determinados gastos orçamentais associados a objetivos negociados e bem definidos, para depois reter verbas e não autorizar os gastos acordados, faltando com a palavra dada. Foi assim em diversas áreas, ano após ano, orçamento após orçamento — na educação, na saúde, na justiça, nos serviços públicos em geral —, mas talvez a mais simbólica que tenha vindo ao espaço mediático tenha sido a questão da ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto. A situação é tão inenarravelmente miserável que continua a ser discutida no orçamento de estado deste ano depois de já ter sido incluída no do ano passado. Continua a ser discutida, bem entendido, porque o governo não cumpriu com o que se comprometeu.

 

O azar dos utentes da ala pediátrica do S. João, bem o sabemos, é não se constituírem como banco ou fundo de investimentos. Se assim fosse, ninguém tenha dúvidas, quebrar-se-iam nesse mesmo momento todas as barreiras orçamentais, todos os limites do défice e investimentos extraordinários seriam autorizados com urgência. Também aqui se vê bem para quem é que este governo governa.

 

Mas as coisas não ficam por aqui. Parece não haver término para a vilania orçamental deste executivo. Viemos a saber no final desta semana que até mesmo aquela medida dos manuais escolares gratuitos — aquela singela medida de natureza frívola, de alcance pueril, que não aquece nem arrefece no contexto dos graves problemas estruturais que afetam a nossa débil sociedade, com vestigial impacto orçamental —, tem sido cumprida de forma impostora, com a generalidade das livrarias credoras de altos valores referentes aos livros trocados pelos vouchers. Muitas ameaçam não alinhar mais neste embuste já a partir do próximo ano letivo.

 

Não há nada que seja implementado por este governo de forma limpa e transparente. Ao longo desta legislatura, o governo tem-se comportado como uma pessoa falsa, de mau caráter e sem escrúpulos. Diz que faz uma coisa e não faz. Promete uma coisa e esquece-se, diz que não foi bem assim. Chegámos ao ponto de discutir posições de vírgulas no texto orçamental como reflexo inequívoco da má fé que está em jogo.

 

Palavra que não consigo entender como, à esquerda, tanto se defende uma pessoa (coletiva) desta baixeza moral, deste calibre humano. Não consigo entender como se continua a negociar, sequer a falar, com este governo. O maior problema é que, cada dia de vida a mais desta “geringonça”, cada dia mais que se passa a lidar com este governo, a esquerda vai-se conspurcando de um bafio, de um bolor, que não sairá com um simples banho. Já dizia Goethe, e o povo antes dele, Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

A apologia do pecado

por Amato, em 05.08.18

O que é mais traumatizante no caso Robles não é o facto de se constatar que há um político no Bloco de Esquerda que não tem um pingo de vergonha na cara, nem de escrúpulos, nem de caráter. Com efeito, nem o Bloco de Esquerda é um partido de santos, nem a esquerda, em geral, é composta, apenas e em exclusivo, destes seres imaginários sem sexo.

 

O Bloco de Esquerda, em particular, parece ser profícuo em nos brindar com figuras muito mediáticas, nomeadamente no que concerne à autarquia da capital, que, uma vez conquistado o poder, tratam de arranjar a sua vidinha e esquecer a cartilha que levavam no bolso durante a campanha. Ou já se esqueceram de um tal de José Sá Fernandes? À terceira, isto é, ao terceiro eleito para a Câmara de Lisboa, será de vez. Acreditemos.

 

O que é, de facto, consternador, é a direita ter capitalizado com o fenómeno que teve assim o condão de difamar e descredibilizar o discurso da esquerda como um todo e de, ao mesmo tempo, encher o peito da abjeta direita política e da sua práxis mundana de promiscuidade com o mundo dos negócios. Em linguagem religiosa, foi como se tivesse resultado uma apologia definitiva do pecado que se deduziu diretamente do apontar do dedo aos defeitos de caráter dos evangelistas.

 

Não. Não é assim. Não aceito esta lógica. Não aceito que Assunção Cristas e seus acólitos malfeitores possam sair disto por cima, como se toda a patifaria que aprontaram durante largos anos no governo, no domínio do mercado de arrendamento e noutros, pudesse ser apagada simplesmente porque do outro lado havia uma pessoa pouco séria. Que apague aquele sorrisinho prepotente que leva, por estes dias, nos lábios!

 

Não deixo de sublinhar, todavia, a forma patética com que o Bloco de Esquerda lidou com todo este caso. Justifica, desculpa, não se demite, demite-se, não se desculpa, não se justifica, admite-se um erro. Afinal houve um erro. Ficam na memória as tristes figuras de Mariana Mortágua, Catarina Martins e Francisco Louçã procurando, no mais exclusivo espaço mediático, justificar o injustificável. O Bloco de Esquerda é isto, infelizmente. Não se nota evolução.

A proeza deste governo

por Amato, em 09.07.18

Nestes anos de geringonça, o PS conseguiu a proeza de enganar o PCP e o BE de inúmeras formas no contexto do reduzido e muito limitado entendimento que estabeleceram entre si.

 

Depois das cativações nos sucessivos orçamentos de estado, que representaram políticas de investimento ainda mais conservadoras do que no tempo do governo PSD-CDS; depois das inúmeras promessas feitas aos sindicatos da função pública que foram quebradas a posteriori; depois de uma legislatura inteira com uma componente fiscal pelo menos tão pesada como nos tempos do ajustamento, quebrando o compromisso geral estabelecido de desenvolver políticas contra a austeridade; depois destas e de outras patifarias, chega-nos agora a notícia que nos dá conta da triste realidade de que a redução do horário de trabalho na função pública para 35 horas foi toda feita à custa da deterioração dos serviços por escassez grosseira de pessoal.

 

Traídos de tantas formas e feitios, não sei a que é que PCP e BE ainda se agarram para continuarem a manter a sua parte deste acordo, um acordo que sustenta um governo de gente tão desonesta capaz de dizer uma coisa pelas frentes e de fazer o seu oposto pelas costas. Não sei. O que sei é que o que quer que seja feito agora será sempre demasiado pouco e demasiado tarde. PCP e BE não deram apenas um governo ao PS. Deram-lhe também carta branca para governar, de facto, à direita e uma oportunidade para limpar a sua imagem política.

Povo mole

por Amato, em 14.05.18

Eu não dizia há uns tempos que não valia a pena ficar muito chocado a propósito das crianças do S. João que andam a fazer tratamentos de quimioterapia nos corredores desse hospital do Porto? Eu não disse que não valia a pena alinhar em histerias efémeras? Na altura escrevi: amanhã tudo estará esquecido.

 

E não é que está mesmo?

 

Leio agora esta notícia, com alguns dias de atraso, que refere que este mesmo país destas crianças, pelas quais tanto nos indignámos, e esta mesma cidade deste hospital, em que não há condições mínimas ou verba para obras essenciais, preparam-se para receber uma tal de Climate Change Leadership Porto 2018, uma conferência sobre coisa nenhuma do género daquela Web Summit que se fez em Lisboa há uns tempos, desta feita para discutir gambozinos climáticos sem o mínimo de rigor científico e, para tal, reservaram-se já quinhentos mil euros — 500 000 € — para mandar vir Barack Obama cá dizer que sim, que conseguimos, seja lá o que for que conseguimos.

 

O que ele consegue percebe-se bem, é meio milhão de euros assim, a seco, sem um pingo de suor, basta apresentar aquela cara por cá e dizer duas anedotas para o povo soltar umas risadas. O que nós conseguimos é, talvez, demonstrar o povo mole, mole, mole — mole até dizer basta! — que somos.

 

Sabem qual é o preço de uma selfie com Obama e os nossos vaidosos governantes? Quinhentos mil euros! Sabem quem paga?... Mas esperem pela conferência, esperem pela chegada de Obama! Ainda vamos ver o povo todo em delírio com a coisa, a encher ruas inteiras e a celebrar efusivamente o fenómeno de ter sido roubado.

O partido sem caráter

por Amato, em 05.05.18

Confesso que este PS nunca me deixa de espantar! É como a abertura de uma garrafa de espumante: sabemos bem o que vai acontecer à rolha, já sabemos de cor que a rolha vai saltar, mas isso não evita o susto, não inibe a surpresa!

 

Pois não é que, durante esta semana, o governo do partido socialista encetou uma ação concertada para se demarcar do seu anterior secretário-geral e primeiro-ministro José Sócrates! Foi assim com um punhado de declarações bem afinadas, desde António Costa, passando pela liderança intermédia, até chegar à sargentada, todas, como dizia, bem afinadas pelo mesmo diapasão, o da vergonha, com uma eventual condenação de Sócrates. Creio que António Costa acredita que com isto consegue expurgar a podridão do seu partido, limpá-lo de responsabilidades, lavar-lhe as mãos, os pés e a alma.

 

Desengane-se o leitor, se por acaso julgar encontrar nestas linhas vislumbre de um princípio de manifestação de solidariedade com o senhor engenheiro Sócrates. Não. Nem solidariedade, nem simpatia, nem nada. O que me move é outra coisa: é apontar o dedo à falta de decência, à falta de caráter.

 

Como pode uma trupe composta por ex-ministros de Sócrates, ex-secretários de estado, ex-colegas de governo de Sócrates, ex-defensores acérrimos dos governos Sócrates, ex-vomitadores de elogios bacocos, ex-amigos do peito, virar-se agora contra o homem? Como pode fazê-lo sem que, em simultâneo, assumam a sua própria responsabilidade e conivência com as imoralidades e corrupção que estão em cima da mesa? Os ministros de Costa, ex-ministros de Sócrates, de nada sabiam? De que discutiam nas reuniões e conselhos de ministros? De futebol? Do jogo do dia anterior? E os amigos do peito? Viviam na ilusão? Caíram agora na realidade?

 

Como é que esta sociedade de memórias curtas tolera este tipo de comportamentos? Como é que os jornais não expõem em uníssono esta falta de caráter em gordas de primeira página? Como é que nós, pessoas de bem, somos capazes de olhar mais para a cara desta gente, quanto mais votar novamente no PS? Como permitimos que esta estratégia seja bem sucedida? Como? Acaso seremos feitos da mesma massa? Por ventura, sim. Definitivamente, sim!

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