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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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1 de outubro de 2017: cai a máscara da democracia espanhola

por Amato, em 01.10.17

Fico sempre muito triste, muito chocado, ao ver a polícia a investir sobre multidões perfeitamente pacíficas. O que se passou na Catalunha, durante a manhã de hoje, o que se continua a passar ainda, é chocante.

 

Por um lado, a polícia mostra que mais não é que um conjunto de animais treinados, seres acéfalos amestrados, capazes de exercer violência gratuita por razões meramente tecnocráticas, de erguer e agitar bastões sobre cidadãos indefesos, seres incapazes de empatia, solidariedade ou compaixão para quem luta sem armas e sem vestígio de violência.

 

Por outro lado, enfatiza-se nestas ocasiões o papel real que a polícia e as forças de segurança têm, com efeito, nas sociedades contemporâneas: servem apenas para proteger o poder e os poderosos das massas e não para estabelecer qualquer noção, por ténue que seja, de justiça ou de paz.

 

https://ogimg.infoglobo.com.br/in/21894081-118-3b8/FT1086A/420/x71993636_People-scuffle-with-Spanish-Civil-Guard-officers-outside-a-polling-.jpg.pagespeed.ic.VmPzSkJzwN.jpg

 

O que se passa na Catalunha é absolutamente chocante. Mostra como são falsas estas democracias de papel, como são erigidas sobre alicerces débeis, de circunstância e de hipocrisia. Em Espanha, como na Europa e no resto do mundo, a democracia que tanto se apregoa serve, afinal, até ao momento que deixa de servir. Quando a democracia ameaça os poderes instalados, num ápice põe-se em suspenso, num ápice esmagam-se as vozes que se erguem, num ápice esvaziam-se os conceitos ocos que outrora serviam para defender o regime.

 

Como são débeis estes conceitos que nos vendem à boca cheia! Liberdade, democracia... Como são débeis...

 

O dia de hoje, 1 de outubro de 2017, fica marcado como o dia em que cai a máscara da democracia espanhola. Não deixa de ser irónico, todavia, que a monarquia espanhola tenha sido sempre tão vocal e veemente a apontar o dedo à Venezuela num passado recente: um país que não permite um simples referendo chama de ditadura um país que se desmultiplica em eleições e consultas populares. Onde estão essas vozes, tanto lá como cá, agora?

Três factos impressionantes

por Amato, em 01.07.16
  1. O descaramento de Maria Luís Albuquerque. Não é um traço inédito da deputada e ex-ministra, já que é partilhado com uma porção considerável de outros seus pares, mas não deixa de ser impressionante. A falta de comedimento de Maria Luís Albuquerque quando aborda certos assuntos e opina sobre questões governativas faz-nos pensar duas vezes se aquela personagem terá sido mesmo a ministra das finanças do último governo. Ouvir Maria Luís Albuquerque falar no Parlamento e interpelar o atual governo faz-me duvidar da minha memória. Por momentos, penso que atingi um estado de senilidade.

 

  1. As inadmissíveis pressões europeias sobre Portugal, corporizadas naquela figura sinistra que dá pelo nome de Schäuble e parece que também é ministro das finanças da Alemanha. Schäuble parece retirado diretamente de há setenta anos, quando a Alemanha se autodenominava o terceiro reich nazi, e, com o estilo rude e mal humorado característico alemão, cospe barbaridades desconexas na cara dos mais altos representantes da nação portuguesa. A razão oficial parece ser umas décimas percentuais do nosso défice. Impressionante! E ainda há quem não encontre razões para mandarmos a União Europeia e o Euro dar uma curva! Não é preciso ir mais longe, basta ficar por aqui.

 

  1. As incríveis decisões do anterior e “seríssimo” Presidente da República Cavaco Silva. Alguém devia dedicar um tempinho para fazer uma estatística rigorosa sobre a proporção de individualidades com problemas na justiça que foram condecoradas por Cavaco Silva. O último caso foi o do Diretor do Museu da Presidência, Diogo Gaspar. Há crimes para todos os gostos, milhões de euros em causa. Adicionalmente, há ainda o caso do Mercedes de cerca de duzentos mil euros que Cavaco comprou com o dinheiro de todos nós e que andou a ser oferecido por aí sem ninguém o querer. Sabe-se que o Presidente Marcelo e o ex-Presidente Sampaio rejeitaram a oferta por considerarem a viatura demasiadamente luxuosa, que deve ser uma outra forma de se dizer insultuosa para o povo. Acabou o veículo nas unhas do motorista do Primeiro-ministro para usufruto deste último. É deste modo que a Presidência da República portuguesa consegue ser mais cara que a monarquia espanhola. Impressionante!

Vem aí mais uma brilhante ideia dos iluminados neoliberais

por Amato, em 08.05.16

Chama-se Transatlantic Trade and Investment Partnership, abreviado por TTIP e traduzido para português como Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, e é a última brilhante ideia dos iluminados neoliberais para, dizem eles, impulsionar a economia norte americana, a europeia e, até mesmo, a mundial!

 

O acordo veio na algibeira de Obama na sua última visita ao velho continente e está a ser negociado da forma como os capitalistas mais gostam, em segredo, completamente a leste do crivo político e do horizonte democrático. Os outorgantes de tal acordo serão os Estados Unidos da América e a União Europeia, a qual, nestas questões, comporta-se claramente como uma federação e não como uma união, decidindo em nome de todos os seus estados membros. Aliás, é precisamente esse o objetivo do TTIP: passar por cima da vontade dos povos e impedir que os estados aderentes interfiram nas negociatas económicas estabelecidas entre a burguesia transatlântica.

 

Simultaneamente, os proponentes do acordo apresentam as melhores e mais otimistas projeções. Note-se que efetivamente é sempre assim. Foi assim com a criação da União Europeia, com o Euro, com cada um dos tratados de livre comércio assinados ao longo dos anos: as melhores projeções e intenções banhadas de uma cândida e subliminar ideia de inevitabilidade.

 

Os resultados, porém, nunca foram muito animadores. Estamos dotados, com efeito, de privilegiadas condições para observarmos à nossa volta os resultados de tais acordos: concentração da riqueza sobre os países mais fortes, aumento das desigualdades económico-sociais dentro de cada país e entre países, e retrocesso generalizado. Isto é o quadro geral com o qual podemos contar se o TTIP vier a ser aprovado.

 

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Não obstante, quando uma das partes é constituída pelos Estados Unidos da América, é justo que prestemos atenção a um outro tipo de problemas. Refiro-me, em particular, à questão dos organismos geneticamente modificados (GMO). Os Estados Unidos já conseguiram, pela sua enorme influência, infetar uma grande parte dos terrenos de cultivo mundiais com os seus produtos geneticamente modificados. Esses agricultores que aderiram aos GMO tornaram-se escravos da indústria americana já que os seus terrenos converteram-se estéreis ao cultivo de quaisquer outros produtos que não GMO's. Adicionalmente, tornaram-se também dependentes das panóplias de inseticidas, herbicidas e pesticidas que apenas a indústria americana produz e, sem os quais, a produção dos GMO's é impossível. Mais grave, todavia, é o facto da população mundial estar submetida, quase sem alternativa, ao consumo de tais produtos. Ainda subsistem entraves à generalização destas práticas em solo europeu e neste particular, estou seguro, este TTIP tratará bem do recado.

 

A propósito, surgiu a notícia de que os Estados Unidos da América preparam-se para libertar no arquipélago de Califórnia Keys, a sul da costa da Califórnia, milhões de insetos geneticamente modificados, dizem eles para combater as doenças tropicais como a malária e a dengue. Dizem que não há perigo, que é só um inseto que pretendem dizimar, pois o inseto GMO é infértil. Brincam com o fogo. Subvalorizam a importância daqueles insetos no contexto da biodiversidade. Atacam um problema não pela raiz, não pela origem do mesmo, mas remediando, isto é, criando outro potencial problema. Tudo isto é muito grave. E é com este tipo de mentes alienadas e dementes que estamos a negociar o TTIP.

 

Aedes aegypti mosquito

 

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