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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Guterres, o homem com h minúsculo

Terça-feira, 19 de setembro de 2017. Donald Trump discursava perante uma assembleia repleta das Nações Unidas. Do alto da sua boçalidade, entre insultos variados e gratuitos à Coreia do Norte, aos seus dirigentes e ao seu povo, disse que, se a oportunidade se se apresentasse, destruiria completamente aquele país. A seu lado, o presidente das nações unidas, impávido e sereno. Disse bem: o presidente das Nações Unidas, aquela instituição que foi criada para promover a paz, a concórdia e o diálogo entre os povos após duas grandes guerras mundiais, após um senhor chamado de Adolph Hitler, chanceler alemão, ter procurado subjugar meio mundo e depois de um senhor chamado Franklin Roosevelt, presidente Americano, ter autorizado o lançamento de duas bombas atómicas sobre o Japão, numa das mais obscenas chacinas perpetradas a coberto da guerra, o presidente das Nações Unidas manteve-se impávido perante um presidente de uma nação que afirmava que destruiria completamente um outro país.

 

É importante que coloquemos nomes, que relembremos a história, porque se não o fizermos corremos o risco de crermos nestas fábulas contemporâneas que nos são servidas pelos media do capitalismo.

 

Mas voltando ao que escrevia, Trump foi às Nações Unidas e disse que dizimaria um povo. Não houve ninguém que o chamasse de genocida. Houve um burburinho, apenas isso. Os amigos genocidas de Israel bateram palmas, claro. Mas ninguém apontou a gravidade da afirmação. O presidente das Nações Unidas manteve-se sereno. Não foi capaz de dizer, “Sr. Trump, modere a linguagem, vamos procurar respeitar-nos. Vamos falar de paz e não de guerra. O senhor está na casa das Nações Unidas, não num reality show qualquer”. Ao que consta, ele acha muito bem tudo aquilo. Ele acha que as Nações Unidas devem ser precisamente isto, um púlpito pomposo onde os países poderosos humilham os demais, uma espécie de canal mundial do serventualismo.

http://lachachara.org/chachawp/wp-content/uploads/2017/03/Turcios-Antonio-Guterres-ONU.jpg

 

Guterres não me surpreende em nada, na verdade. O seu percurso fala por si. É um homem muito pequeno, baixo, um homem de h minúsculo, que se assemelha na forma intelectual mais a um rastejante do que a um mamífero. Sempre foi um serventuário do poder no plano nacional e internacional e, agora, exerce a sua vocação ao mais alto nível.

 

Olhamos para trás, para a poeira da história e ficamos sempre muito espantados. Espantamo-nos com o modo como chegaram ditadores exploradores de povos ao poder. Espantamo-nos com as guerras e com a violência gratuita. O espanto, também ele, é gratuito. As razões estão aqui, bem claras, no presente. As razões estão nos homens com h minúsculo que, como Guterres, servem os mais odiosos poderes sem vestígio de princípios ou valores ou espinal medula.

publicado às 21:03

Sociedade de mariquinhas

Parece que os professores não podem fazer greve aos exames. Os alunos — coitados! — não podem fazer o exame noutro dia! É que depois, já têm férias marcadas e tudo! Que maçada! Isto dos professores quererem fazer greve aos exames é de uma desumanidade! Só mostra como não se preocupam com as criancinhas! Em boa hora o governo veio requerer serviços mínimos para que nenhum exame — nenhum! — deixe de ser feito!

 

Parece que, mais e mais, deixa de ser possível observar as transformações sociais sem uma boa dose de ironia. Sem ironia, as palavras tornam-se demasiado duras e ásperas.

 

Objetivamente, o direito à greve é esvaziado de substância com decisões como esta como a requisição de serviços mínimos para a realização de exames que podem ser realizados em qualquer outro dia. Nem há justificação, nem há lógica, nem nenhuma interpretação abusiva do conceito de “necessidades sociais impreteríveis” que possa valer e mais valia, por uma razão de decência, que se legislasse de uma vez por todas que os professores apenas têm direito à greve durante o período de férias, justificando a decisão pelo facto dos indefesos alunos não poderem ser prejudicados.

 

Mas isto não é um problema apenas deste governo ou dos anteriores nem é um problema circunscrito a esta ocorrência: é um problema social geral e profundo. É um problema que se percebe das conversas de café, tanto com o empresário em nome individual como com o trabalhador por conta de outrem, tanto com o remediado como com o assim-assim. É um problema desta sociedade de mariquinhas, de criancinhas às quais ninguém lhes pode tocar durante o seu desenvolvimento e que se tornam adultos que pensam que o são apenas por terem duas notas no bolso. É um problema de uma sociedade que não sabe distinguir os valores, que mistura tudo no mesmo saco e que avalia as coisas apenas tendo por base a inveja e o poder relativo das partes. É uma sociedade de gente egoísta, de homens que mais não são que meninos mimados, que pensam que apenas os seus interesses devem ser protegidos, incapazes de se colocarem no lugar do seu semelhante, que aceitam o poder sem o questionar e exercem-no sem bom senso... Uma sociedade composta por gente sem princípios verdadeiros. Se assim não fosse, absurdos como estes nunca seriam aceites.

 

O problema está aqui. A razão de ser é esta.

publicado às 09:22

Um certo sentimento de melancolia no ar

Há um certo sentimento de melancolia no ar que respiro, como uma tristeza profunda que invade os dias com nuances mescladas de resignação e de desespero. É difícil enfrentar a dura realidade das coisas. O ser humano evolui tão devagar, mas tão devagar, que parece que, em cada momento, não evolui nada de nada. Em cem anos, parece que a evolução do ser humano foi nenhuma. O que movia e controlava as massas há cem anos atrás é o que move e controla as massas hoje em dia: a religião, Fátima; o desporto, o futebol; o jogo, euromilhões, totoloto, totobola, lotaria, raspadinhas e, agora, as novíssimas apostas desportivas da placard.

 

É deprimente.

 

Com Fátima a rebentar pelas costuras para ver o Papa que beija criancinhas e deficientes, lembro-me das palavras sábias do Padre Mário de Oliveira: as pessoas buscam fora de si as soluções para as suas vidas. Deus, a existir — acrescento eu —, vive dentro delas e não fora, age através delas e não enquanto uma entidade autónoma. É mais fácil, todavia, passar uma vida entretida com encenações, teatrinhos irrelevantes, com jogos sem nenhum interesse para além do lúdico — e, por vezes, nem esse — e não tomar nas suas próprias mãos a sua própria vida, o seu próprio destino.

publicado às 05:44

Cultura de prepotência

A juventude entra na faculdade e, ato contínuo, segue em rebanho para as chamadas praxes onde é sujeita a todo o tipo de enxovalhos e humilhações. É certo que também há retorno positivo, há amizades, engates, conhecimentos, mas a coisa é exatamente assim e, mais, uma coisa não devia estar relacionada com a outra. Os jovens sujeitam-se e aguentam as humilhações dia após dia, até ao final do primeiro ano. Resulta, quase em jeito de regra geral, que estes mesmos jovens começam o segundo ano de faculdade a infligir idênticos enxovalhos e humilhações aos caloiros do novo ano. Fazem-no porque fizeram-lhes igual. Fazem-no por vingança. Fazem-no porque veem nessa ação uma espécie de sentido estranho justificativo para o que sofreram no ano anterior.

 

Esta lógica social do ambiente relativamente circunscrito das universidades é transportada por decalque para outros ambientes sociais, nomeadamente para o mundo do trabalho. Na maioria dos locais de trabalho, os trabalhadores sofrem os maiores enxovalhos e humilhações por parte dos seus patrões. Estes últimos fazem abusivo uso do seu poder sobre os primeiros que deles dependem para a sua sobrevivência. Esta arrogância, esta prepotência, esta falta de correção e respeito no trato transporta-se na cadeia de comando, desde o patrão até ao último subordinado. É estranho que assim seja e que não ocorra uma quebra desta lógica em algum elo. É estranho que cada um dos trabalhadores interiorize que é assim que se deve tratar um subordinado, em última instância, um colega. Recordo o dito popular: “Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu”...

 

Há uma interiorização deste exercício do poder pelo poder que é transversal em toda a sociedade. Como se nos tratássemos uns aos outros por vingança, olho por olho, dente por dente. Por que é que agimos desta forma para com os outros? Porque outros agiram sobre nós dessa mesma forma. Não sei onde caberá aqui a ideia de não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós próprios.

 

Por que o fazemos? Porque já assim se fazia quando aqui chegámos. 

 

https://i.stack.imgur.com/MyQki.jpg

 

publicado às 15:46

Como a população forma a sua opinião

O facto mais interessante que podemos retirar deste diferendo entre táxis e Uber é constatar que a esmagadora maioria da população forma a sua opinião com respeito ao assunto unicamente com base na sua opinião pessoal relativamente à classe profissional dos taxistas.

 

Num assunto de todo em todo técnico, que só tem que ver com a noção de equidade perante a lei ou, eventualmente, com o tipo de sociedade que mais apraz a cada um, seja mais socialista, seja mais liberal, o povo emite a sua sentença, diz de sua justiça, negligenciando tudo isto, e tomando em consideração, simplesmente, a impressão empírica que tem sobre o serviço prestado pelos táxis e a simpatia dos taxistas.

 

Se bem que estas constituem-se como informações da maior relevância para a discussão do serviço em si, apesar da sua natureza empírica, nada têm que ver com a discussão em causa. Isto diz muito, todavia, sobre a psicologia das sociedades. Isto explica muita coisa sobre o funcionamento da democracia.

publicado às 22:42

Um deserto habitado por bestas selvagens

http://www.livrariamachadodeassis.com.br/capas/782/9788575590782.jpg

 

A sociedade moderna é um deserto habitado por bestas selvagens. Cada indivíduo está isolado dos demais, é um entre milhões, numa espécie de solidão em massa. As pessoas agem entre si como estranhas, numa relação de hostilidade mútua: nessa sociedade de luta e competição impiedosas, de guerra de todos contra todos, somente resta ao indivíduo ser vítima ou carrasco. Eis, portanto, o contexto social que explica o desespero e o suicídio.

 

— in Sobre o Suicídio, Karl Marx

publicado às 21:08

Algumas considerações sobre o pessimismo

Deixo aqui a ligação para mais um excelente artigo de José Pacheco Pereira. Destaco o parágrafo final, o qual não dispensa a leitura integral do texto.

 

O que se passa neste infeliz País é que há demasiadas coisas a puxar para "baixo" ou a travar o caminho para cima. E como se passa sempre nestes casos não faltam pessoas, muitas por interesse ou elitismo – isso sim verdadeiro elitismo –, a ajudar a manter o estado de coisas. Aqui, como em muitas outras matérias, há também uma "luta de classes" latente, que encontra um "ópio" (e uso deliberadamente uma das expressões mais viciadas que há) neste embrutecimento colectivo. Com uma classe média a afundar-se na proletarização, dificilmente seria de outra maneira. Mas não há problema, vem aí o futebol…

Pacheco Pereira in Sábado, 2 de setembro de 2016

 

Não são poucas as vezes que este blog é acusado de ser demasiadamente pessimista ou negativista. De quando em vez, lá recebo uma mensagem nesse sentido. Há alguma verdade nessa crítica e eu compreendo-a e aceito-a de bom grado. Há que realçar, contudo, dois ou três aspetos.

 

Em primeiro lugar, o conceito primordial do Porto de Amato é a observação crítica, é a partilha de pensamentos e de reflexões que partem da experiência pessoal de quem nele escreve. Este blog não obedece nem a critérios científicos, nem jornalísticos, nem tão pouco está preocupado com isso. Sobre a voz do Porto de Amato não são exercidos quaisquer constrangimentos externos e procura-se fazer dela um instrumento de ação e de intervenção sociológica através de uma análise e reflexão antropológica objetiva, culta e politicamente comprometida.

 

Não me enganei. Repito: politicamente comprometida. Isto não quer dizer que o Porto de Amato tem os seus artigos ditados por algum partido ou movimento político. Afirmo aqui a total independência deste blog. Todavia, é um espaço politicamente assumido e politicamente comprometido, distanciando-se frontalmente de outros blogs que, apregoando neutralidade política, na prática, comportam-se como autênticos amplificadores do pensamento da burguesia reinante. A neutralidade é, aliás, um estado manifestamente utópico. Condição essencial para se ser neutro é estar-se calado, porque a partir do momento em que se começa a falar, a escrever, a emitir qualquer recorte de opinião, está-se a tomar posição política quer se queira, quer não.

 

Em segundo lugar, não é verdade que não pontifiquem neste espaço artigos elogiosos, de regozijo ou de partilha de satisfação por determinados eventos. Há exemplos vários, basta procurar. O que acontece simultaneamente, é que no Porto de Amato não há lugar para o elogio gratuito e qualquer louvor vem acompanhado, em regra, de alguma consideração crítica, o que resulta natural pela intangibilidade da perfeição na ação humana.

 

Em último lugar, creio que o pessimismo é muitas vezes pouco considerado no que respeita ao potencial que realmente contém. É importante distinguir o “bota abaixismo” da crítica válida, ponderada e construtiva porque esta será, em última análise e tal como podemos observar da leitura do parágrafo supratranscrito, o melhor conselho para a autopromoção e para aprimoramento das sociedades, dos processos e dos indivíduos.

publicado às 18:58

Apriorismo de opinião

No que à formação de opinião diz respeito, confesso-me apriorista. Nem racionalista, nem empirista: apriorista.

 

Ainda antes de observar o problema ou diferendo em detalhe, muito antes de conhecer os factos que o rodeiam, a pessoa humana contém dentro de si a sua resposta que não é mais do que o resultado de um posicionamento político a priori. É verdade que essa resposta pode sofrer alterações com a experiência e com a influência do meio, todavia cabe a algo que reside no lugar mais íntimo e reservado do indivíduo a primazia no momento da formação de opinião. Nada é tão marcante ou duradouro quanto a bagagem sentimental, não racional, de que o indivíduo é dotado no momento da sua conceção.

 

E é por esta acurada razão que toda a transformação social, política ou, simplesmente antropológica, é tão morosa, tão árdua, em que cada passo lançado em diante parece preceder dois passos dados à retaguarda. Por vezes, parece que cada revolução resulta da indução massiva de um certo estado de ebriedade, findo o qual as massas rejeitam o processo e retomam o estado de equilíbrio anterior, aquele que mais vai de encontro ao seu posicionamento político apriorístico.

 

Por feliz e virtuoso acaso, entre uma e outra revolução permanecem resquícios, como que sementes revolucionárias, que se agarram ao solo e ganham raízes e a Humanidade assim evolui, lentamente, semente a semente, entre cada descuido da sua própria essência.

publicado às 14:53

Evidência da semana

Há um aspecto do comportamento dos portugueses que muito me desagrada. (...) Trata-se da tendência para ser subserviente face ao poder, ter muito respeitinho face aos poderosos, nalguns casos ter medo, e, depois de estes caírem do seu pedestal, ir lá a correr atirar a enésima pedra.

— José Pacheco Pereira, in Público, 19/12/2015

 

Todas as generalizações são injustas. Todas as generalizações são incorretas. Não olhemos para a citação acima como uma generalização, portanto. Salvaguardemos sempre o caso particular do caso geral. Antes, olhemos para a citação apresentada como um padrão comportamental obtido através de um processo de abstração, porque é exatamente isso mesmo que é: um padrão comportamental. E se existe alguma coisa de errado ou de impreciso no que foi escrito, é apenas a palavra “portugueses”. Não devia estar escrito “portugueses”, mas sim, “pessoas” ou, quanto muito, “pessoas do mundo ocidental”. E esta correção devia ser feita em razão da natureza superlativa deste padrão extraído especificamente da sociedade portuguesa, já que se estende por decalque a sensivelmente todas as pessoas das sociedades que se regem pela lei da selva a que chamamos de capitalismo. Podíamos ir, com efeito, mais longe ainda, já que relatos de comportamentos similares surgem plasmados em textos mais antigos, nomeadamente na Bíblia. Podíamos, mas não é preciso. José Pacheco Pereira escreveu-o a propósito do tratamento social dado a José Sócrates e tem toda a razão. Fez bem em destacar esta evidência comportamental que apenas nos desclassifica no plano intelectual e, mais importante, humano. Agora, para um domingo de manhã, creio que já chega de discorrer sobre o que é evidente.

publicado às 10:52

A alma de um povo

No meio de tudo isto, de toda a tempestade que se ergueu e permanece ainda mais forte do que nunca, apesar do vendaval de mentiras semeado pelos dirigentes e erguido pelos meios de comunicação, apesar de tudo, o que para mim é importante é a evidência cabal de que uma grande parte do país perdeu uma boa parte da sua alma, daquilo que nos define não apenas como portugueses, mas como povo soberano e orgulhoso. Não restam dúvidas acerca disto.

 

A questão da dívida é paradigmática. Perante evidências claras sobre uma influência externa direta e determinante, o povo escolheu a oratória bacoca e provinciana da auto-culpabilização corporizada no atual governo, bem como no principal partido da oposição. O povo escolhe acreditar que é o culpado da situação e aceita a auto-punição ditada pela austeridade dita “necessária”. O povo admite a sua desonestidade, confirma que viveu muito acima das suas possibilidades e entrega-se voluntariamente às autoridades justiceiras estrangeiras, muito sérias e honestas. Isto é uma questão muito importante pois não encontra paralelo em mais nenhum povo do mundo que se encontrou, em algum momento da sua história, numa situação semelhante.

 

A atitude de Portugal durante estes anos passados valer-lhe-á, com efeito, a entrada para os anais de história antropológica mas inevitavelmente ver-se-á retratado como o povo que um dia deixou de o ser sem um único conflito, o disparo de uma qualquer bala ou a efervescência de uma qualquer revolução. Deixou de o ser, simplesmente, democraticamente.

publicado às 19:11

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