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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Sectarismo

por Amato, em 07.07.16

Confesso que fiquei admirado.

 

Confesso que, depois do texto exato e cabal de António Filipe no Diário de Notícias de ontem — do qual fiz eco aqui no blog —, esperava que a controvérsia em torno da patética proposta de referendo do Bloco de Esquerda — repito, patética — tivesse ficado por ali. Todavia, Francisco Louçã vem hoje no Público responder. O que responde em nada acrescenta ao assunto, limita-se a puxar do seu verbalismo de algibeira e, assim, de duas palavras faz três, de três faz quatro, junta-lhe um ou dois chavões, de natureza subliminarmente insultuosa, que repete como um leitmotiv nauseante, e, num piscar de olhos, temos uma sucessão de frases, um texto de opinião!

 

Acho que chega a ser cómico o Bloco de Esquerda constantemente acusar o Partido Comunista Português de “sectarismo”, inclusivamente a propósito desta proposta de referendo. Para o Bloco, pelos vistos, o facto do PCP não apoiar as suas ridículas propostas, surgidas literalmente de um dia para o outro e que visam unicamente o mediatismo fácil e rápido, é sintoma do seu “sectarismo”.

 

Imagino, no entanto, o que seria deste governo sem o “sectarismo” do PCP e, pelo contrário, com um PCP do tipo do Bloco de Esquerda... Quantos meses duraria? A quantas propostas bombásticas sobreviveria? Teria chegado a tomar o poder? Quero dizer, teria sido possível firmar acordos? Teriam as exigências sido razoáveis? Seria possível viabilizar parlamentarmente um governo?

 

Eu acho que quando o Bloco de Esquerda fala em “sectarismo” na verdade quer dizer solidez, quer dizer equilíbrio, quer dizer responsabilidade e quer dizer também coerência. O PCP é o que é, concorde-se ou não. O que não é, não obstante os debates internos que também tem, é um partido com dezenas de tendências alternativas. Isto pode constituir motivo de perplexidade, sobretudo no contexto do mundo contemporâneo sempre muito desconfiado de idealismos e de idealistas, mas ajuda a explicar a coerência e o equilíbrio do PCP.

 

O PCP sabe em que é que acredita. Sabe-o exatamente. Podemos, repito, concordar ou não concordar com o PCP, mas o PCP nunca trairá quer uns, quer outros. Bem entendido, dificilmente alguém ficará surpreendido com a ação do PCP. A isto o Bloco chama de “sectarismo”. Na verdade, o Bloco não compreende como o PCP pode ser como é, porque o Bloco, com as suas diferenças, não consegue ser como o PCP, nem daqui por um milhão de anos.

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