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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Se o abstrato fosse concreto: um exercício ficcional

por Amato, em 02.03.15

Se este governo fosse uma pessoa, se tivesse braços e pernas e uma cara que pudéssemos ver, olhar nos olhos a cada atitude sua, seria seguramente alguém a quem me recusaria cumprimentar.

 

Seria uma pessoa mesquinha, sem vestígio algum de caráter, de espinha dorsal, alguém sem respeito ou consideração por quem quer que fosse com a exceção dos seus patrões, como fiel lacaio que seria. Forte com os mais fracos e fraco com os mais fortes. Sem respeito inclusivamente pela lei procurando forçar a sua vontade contra tribunais constitucionais ou meramente civis, recurso após recurso, chumbo após chumbo, advertência após advertência. Como que se julgando superior aos demais.

 

Seria uma pessoa que me revoltaria as entranhas a cada encontro ocasional. Com aquele ar petulante com que se apresenta após cada malfeitoria, aquele esgar hipócrita de quem procura fingir ser extremamente sério. Seria uma pessoa de escassa cultura, sem saber estar, sem saber viver, de boçais modos, de sorriso mentiroso.

 

E seria mais: seria o típico vizinho invejoso, ativo no seu desejo de rebaixar os seus pares ao seu próprio nível, ao invés de procurar, com eles, crescer também. Se os governos fossem pessoas, se os países fossem pessoas, como Portugal, como a Espanha, como a Grécia... que triste cena seria esta... Como poderiam certos governos, como pessoas que seriam, olhar-se ao espelho a cada manhã depois do que tentaram fazer nas costas dos outros em seu prejuízo?

 

Mas este governo não é uma pessoa. É uma entidade abstrata sem braços ou pernas, sem cara ou olhos. Quanto muito, são muitos milhares de pessoas. Ou essas pessoas, em geral, admitem que uma entidade abstrata faça aquilo que, por outro lado, consideram moralmente reprovável a um indivíduo de facto, ou então sou eu que não faço parte, que não me enquadro. São os meus valores que estão ultrapassados.

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Amato

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