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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

O conceito de diplomacia

por Amato, em 30.04.16

Nos últimos anos Portugal tomou duas decisões, pelo menos duas, aparentemente de natureza diplomática, que influenciaram determinantemente os seus interesses económicos. Da primeira decisão poderá ter resultado uma inversão na trajetória da balança comercial portuguesa, no que concerne às exportações. Da segunda esperam-se as mais nefastas e diversificadas consequências económicas a curto e médio prazo.

 

Refiro-me, em primeiro lugar, à decisão de colar Portugal à União Europeia “alemã” no apoio à Ucrânia em oposição à Rússia no conflito que ainda medra entre estes dois países. É extraordinário verificar como as repercussões desta decisão fugiram, quase que por completo, ao radar dos meios de comunicação social e escapam ao entendimento do português médio, incapaz de associar uma coisa com a outra. Com efeito, desde essa decisão, a Rússia operou uma diminuição das suas importações de bens alimentares portugueses que, dizem, rondará os dezasseis milhões de euros, com o potencial de ascensão até aos quarenta milhões. Nestas questões os números, apontados pelos mesmos que nos sonegam e censuram diariamente a informação, são sempre meramente indicativos.

 

A segunda decisão tomada foi a que diz respeito a Angola e ao BPI, com o Estado a produzir legislação especificamente para favorecer quem a União Europeia queria que fosse favorecido no diferendo, isto é, a banca espanhola. Se a tendência de Angola já vinha sendo diminuir e hostilizar tudo o que fosse português, secundada numa estratégia de produção própria e de autonomização produtiva, não é preciso possuir uma bola de cristal para adivinhar o cinzento futuro que nos esperam as relações luso-angolanas no que diz respeito a exportações, a investimento e a cooperação económica com aquela potência africana.

 

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Os sucessivos governos parecem não conhecer a palavra diplomacia e amarram-nos, a Portugal, a um papel de peão de sacrifício no tabuleiro de xadrez das potências do eixo atlântico, sobretudo da Alemanha. Tomam-se por interesses do país certos interesses externos ao país e é o povo português que se vê permanentemente na corda bamba desses interesses, sem estabilidade para a organização da sua vida e para perspetivar o seu futuro.

 

No fim de contas, ninguém, nenhum governo e nenhum governante, assumirá a sua responsabilidade nestas matérias relativamente ao condicionamento operado sobre o conjunto das nossas opções e do nosso futuro. Nem precisam de assumir tais responsabilidades. Afinal, agem a coberto de interesses superiores ao do nosso país e têm toda uma comunicação social que sobre eles estende a sua manta protetora como que num abraço fraterno. Neste sentido, note-se que nenhuma destas decisões diplomáticas são objeto de consulta popular ou são merecedoras de um especial debate. Pelo contrário, cada uma delas é encarada de forma acrítica e, muitas vezes, camuflada sob questiúnculas paralelas que, verdadeiramente, nada têm que ver com o caso.

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