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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Muros da hipocrisia

por Amato, em 30.07.15

A nove de novembro de 1989 o mundo rejubilou com o princípio do fim do muro de Berlim. O muro, símbolo da apelidada “cortina de ferro”, que dividia o mundo ocidental capitalista do mundo oriental comunista, havia sido fortemente criticado ao longo dos seus quase trinta anos de existência. As críticas, orquestradas desde o lado ocidental, eram justificadas e alicerçadas em boa parte numa argumentação de razão e de lógica. Havia mesmo um certo unanimismo em torno da abjeção da existência desse muro e a queda do mesmo veio justamente a emergir como um acontecimento dos mais marcantes do final do vigésimo século.

 

Não deixa de ser curioso observar o mundo na sua plena atualidade. Não deixa de ser dramático verificar que todas aquelas razões justas, toda aquela argumentação lógica, não constituíam mais que um oportuno enredo hipócrita para movimentar as massas de população e vencer uma guerra política. Senão vejamos.

 

Israel tem, já desde há muito tempo, as suas fronteiras com Egito, na Palestina, e ultimamente com a Síria, blindadas por muros. A Hungria anunciou há cerca de um mês a construção de um muro anti-refugiados ao longo da fronteira com a Sérvia. Nos Estados Unidos ameaçam mais uma vez com a construção de um muro anti-emigrantes na fronteira com o México e, agora... agora temos a mente brilhante de David Cameron. O Reino Unido, em fino decalque do comportamento da União Europeia relativamente à questão das vagas descontroladas de emigração africana, anunciou a construção de uma “vedação” impeditiva dos referidos emigrantes tentarem o atravessar do canal da mancha. É esta a brilhante solução para o problema.

 

A máscara da hipocrisia pode demorar a cair mas o seu destino final é inevitável. Aqui o temos: claro, transparente, límpido. O lema deste mundo que resultou da queda daquele primeiro muro de que falava inicialmente e que, lamentavelmente, é o único que figura nos livros de história, é o de que os fins justificam os meios. E para os fins do capital, para o suportar do seu poder, qualquer muro vê a sua construção perorada e justificada.

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