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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Miguel Urbano Rodrigues (1925-2017)

por Amato, em 28.05.17

https://1.bp.blogspot.com/-ohay9QRI2QI/WSm9VxITjQI/AAAAAAAAasU/m9xVKRqBKx4I9ku_v5873Ojov1KF-6ZfQCLcB/s1600/miguel1.JPG

 

Morreu Miguel Urbano Rodrigues.

 

Morreu um homem com muitos mundos, com muitas vidas, com muitas viagens, com muitos livros. Morreu um sábio e morreu um humanista com um sem fim de histórias para contar de uma vida que valeu por dez vidas de tantos homens comuns.

 

Gostava de dizer qualquer coisa carregada de esperança, mas não consigo. Atravesso uma fase demasiadamente pessimista para o efeito. Neste momento, não consigo deixar de ver o vazio imenso, superlativo, que Miguel Urbano Rodrigues deixa nesta terra com a sua partida. Não mais poderei ler os seus artigos clarividentes sobre política nacional e internacional, tão conhecedor que era de cada canto do mundo e das suas histórias. Não mais poderei ler os seus comentários sobre livros esquecidos, autores ignorados, sobre a arte e sempre com o seu perspicaz conhecimento da humanidade e das sociedades. Agradeço particularmente as últimas criações de Miguel Urbano Rodrigues, os sítios odiario.info e resistir.info, raros — para não dizer únicos — espaços onde podemos ter acesso a informação alternativa de qualidade e em português.

 

Por ser comunista, Miguel Urbano Rodrigues dificilmente terá o reconhecimento de que é credor neste mundo. Isso mesmo se tem visto nestes primeiros dias após a sua morte, não obstante ter sido deputado da nação e de ter assumido outras funções de relevo na sociedade portuguesa. Do PCP, sinceramente, também esperava mais do que a meia dúzia de linhas modestas que o partido lhe dedicou, em nada merecedoras da honra que o partido deve ter em poder depositar a sua bandeira sobre o caixão de Miguel Urbano Rodrigues. Sim. Perdoem-me os coletivistas espinais, os que, por dogma, menosprezam a individualidade humana e perdoem-me também os que pouco ou nada aprenderam com as experiências do passado. A honra é toda do Partido Comunista Português por ter tido um tão brilhante e versado militante e não o contrário.

 

Quero acreditar que outros intelectuais tão cultos e humanistas existirão para seguir os passos de Miguel Urbano Rodrigues. Quero acreditar. Mas não consigo. Não hoje, pelo menos. Sinto-me muito desanimado. Sinto-me muito triste.

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