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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Andorinhas de julho, agosto e meio de setembro

por Amato, em 07.07.15

Em julho inicia-se uma fase peculiar na vida de muitos milhares de pessoas que vivem no nosso país e que se prolonga até meio de setembro. São pessoas que convivem connosco, que estão mesmo aqui ao lado, que partilham a boleia do autocarro ou do metro, que se cruzam numa rua ou num café, que estão mais à frente ou mais atrás numa fila de supermercado ou que connosco esperam sentadas nos bancos gastos de uma repartição de finanças.

 

São pessoas que chegam a este trimestre e ficam sem trabalho. Ou melhor, ficam sem salário. São trabalhadores como os outros mas que auferem menos de dez meses ao ano. Parecem reproduzir-se a uma velocidade exponencial: são cada vez mais e pululam pelos postos de trabalho, substituindo outros, diferentes, daqueles que ganham catorze meses ao ano.

 

Chegam a esta altura e é como se parte da sua vida ficasse interrompida, parada no tempo, enquanto a outra parte, a que resta, continua. É que nestes meses, nos meses em que não há dinheiro, não deixam estes muitos milhares de pessoas de ter a casa para pagar e a luz e a água e o resto.

 

Uma parte refugia-se na casa dos pais: faz lá as refeições todas, pede emprestado, faz o choradinho, por si e pelos filhos. A outra parte parte para o sul, como as andorinhas no inverno, à procura do trabalho sazonal num hotel qualquer ou num bar qualquer à face da praia. Estas andorinhas de verão sustentam-se assim.

 

E quer umas quer outras, as andorinhas da casinha dos pais e as andorinhas de verão, observam a sua condição com a naturalidade do “é assim que tem que ser”. Quanto muito revoltam-se com a injustiça da sua condição particular, da crueldade do destino sobre a sua própria e especial cabeça.

 

Contentemo-nos em vê-las, bonitas, no céu esvoaçante, enquanto viajam para o seu destino de julho, agosto, até meio de setembro. Apreciemos o anual espetáculo, que por hora, parece estar para durar.

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