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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

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A Festa

Neste último fim-de-semana teve lugar na Quinta da Atalaia, Seixal, a trigésima nona Festa do Avante, mesmo ao lado do campo do Amora F. C., o primeiro que viu Jorge Jesus como treinador de futebol.

 

A Festa do Avante pode ser vista de várias formas. Depende se se é anticomunista ou não. Depende se alguma vez lá se foi ou não. Depende de muitas coisas. Depende da qualidade do observador.

 

O que é verdadeiramente triste é que não seja dada a oportunidade plena, livre, democrática, ao observador, seja ele qual for, de saber o que é a Festa do Avante, de formar opinião própria. Ao observador apenas resta uma hipótese para saber o que é a Festa do Avante: ir.

 

Isto é tão verdade se lermos as referências à Festa do Avante nos noticiários televisivos, nos jornais diários e semanais, antes e depois do acontecimento. Não existem, são minimais, vestigiais quanto muito. São notícias produzidas por ditado de alguém superior, peças que já se encontram feitas de antemão, expelidas frequentemente em tom jocoso, preconceituoso e boçal. São peças jornalísticas que procuram reduzir a Festa do Avante à sua componente política e que ignoram, em regra, toda a componente cultural massiva, plural e democrática que é superlativa, que é dominante, que é estrutural naqueles três dias de celebração. Isto para não referir a solidariedade que se sente, que se respira, o clima de fraternidade verdadeira que é palpável em cada momento.

 

Neste sentido, em todos os sentidos, não existe nenhuma outra festa no panorama nacional e internacional que se aproxime daquilo que é a Festa do Avante. E, contudo, não existe um anúncio da Festa do Avante que passe na comunicação social, são raríssimas as reportagens decentes produzidas sobre a Festa do Avante, cobertas sempre de uma velada censura em anos de eleições. Contrariamente, qualquer “festival musical de verão”, qualquer “festa do continente”, tem coberturas de meia hora e anúncios repetitivos fastidiosos a cada intervalo na programação.

 

Isto é a democracia do poder dominante, isto é a pluralidade, isto é a liberdade para quem nos governa, para quem nos fornece as notícias.

 

Este ano levei uma amiga apartidária à Festa do Avante. Ela não sabia o que a Festa era. Nunca tinha ouvido falar da Festa do Avante apesar de viver em Portugal, apesar de ser letrada e informada. Agora já sabe. Para o ano que vem, no primeiro fim-de-semana de setembro, vai voltar. Adorou a música, a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, os Xutos e Pontapés, o Fausto, o Janita Salomé, os Expensive Soul, a Brigada Victor Jara, a Linda Martini, o Sebastião Antunes e tantos outros. Mas também adorou as peças de teatro e as exposições de pintura e desenho e ciência, o artesanato e a gastronomia nacional e internacional, e as atividades desportivas e o resto, adorou tudo isto.

 

E, pelo meio, gostou das mensagens políticas, identificou-se com elas. Porque isto também é fazer política, isto é mostrar o que se quer para o povo e para a sociedade. Isto é mostrar ao que um partido vem e o que se propõe fazer se acaso tiver o poder. Não existe nada de mais transparente.

 

Não sei o que ela fará nas próximas eleições de quatro de outubro (nem tenho nada com isso) mas, pelo menos, sei que o país tem agora menos uma pessoa a dizer que os partidos e os políticos “são todos iguais”. Porque não são. Porque a Festa do Avante não é feita por um partido qualquer. É obra do Partido Comunista Português.

publicado às 23:26

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