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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

O político que vira as costas e “faz queixinhas” pelos jornais

por Amato, em 30.07.16

A propósito de um post que escrevi, não fiquei muito admirado quando o Presidente da Câmara do Porto veio escrever um artigo no JN onde procura defender-se das acusações de que é alvo no caso da Imobiliária Selminho. Como é seu apanágio, Rui Moreira faz uma descrição parcial da sucessão dos eventos, apresentando-os como insofismáveis ou indiscutíveis, ao mesmo tempo que se esquiva às questões mais pertinentes. Isto é feito com um tom arrogante que lhe é característico, que o leva a adjetivação imprópria que é marca, aliás, de quem se sente encurralado e de quem não tem argumentos.

 

Devo sublinhar que a atitude que Rui Moreira teima em repetir, que se traduz em abandonar o debate — literalmente virar as costas aos seus interlocutores — quando é confrontado com o que não deseja ouvir, para depois vir para os jornais confortavelmente “fazer queixinhas” e contar a história como bem entende, causa-me um profundo asco. É sintoma de falta de cultura democrática. Reconhecer que alguém com este tipo de estrutura ou de qualidade de caráter possa ser Presidente da Câmara do Porto é, para mim, simplesmente lamentável.

 

Fica aqui a resposta ao Presidente da Câmara do Porto pelo vereador da CDU no mesmo jornal, uma vez que não é permitido que os assuntos sejam discutidos em sede própria, ou seja, em sede da Assembleia Municipal. Ficam, sobretudo, as questões às quais Rui Moreira se recusa a responder ao longo do seu enternecedor exercício de vitimização, mas que faço questão de as transcrever.

 

1) “Este acordo, apesar de ter sido assinado em 2014, não foi levado a reunião de Câmara.”

Porquê?

 

2) “O acordo compromete a Câmara a tomar diligências para alterar o PDM de acordo com as pretensões da empresa Selminho, o que entra em contradição com as posições que esta tomou no passado (rejeitando essas pretensões na revisão do PDM de 2006 e na alteração do PDM de 2012, com pareceres negativos dos serviços camarários do ambiente e urbanismo)”.

Porquê?

 

3) “[A Câmara] acaba por reconhecer de facto direitos construtivos a esta empresa que até então não os tinha. Com a possibilidade, caso as pretensões da empresa não sejam satisfeitas na revisão do PDM em curso, de esta poder recorrer a um tribunal arbitral (onde cada parte elege um representante e as duas partes elegem um terceiro para presidir), para reclamar uma indemnização.”

Quem se responsabiliza por isto?

 

4) “Tudo à revelia do vereador do Urbanismo, que afirmou desconhecer completamente o assunto! Quem tomou, então, esta decisão e quais as razões da mesma?”

 

5) “Diz Moreira que as probabilidades de sucesso da Câmara em tribunal eram pequenas? Quem apurou essas probabilidades?”

 

6) “Diz, também, que a Câmara se atrasou a entregar as suas alegações em tribunal favorecendo a Selminho: já apurou responsabilidades?”

 

Fica uma questão mais, colocada por mim: no fim de contas, depois de todos os preceitos jurídicos e legais cumpridos, dando de barato todas as justificações processuais oportunas, quem vai beneficiar com este negócio? Os portuenses, o Porto, ou a Imobiliária Selminho?

                                                                                           

Seja como for, este caso tem o condão de nos permitir ouvir slogans como “O Porto primeiro” ou “O Porto somos nós” sob uma luz muito mais esclarecedora.

Aura de santidade política

por Amato, em 24.07.16

Existe uma aura de seriedade e, até, de superioridade moral que envolve a personalidade de Rui Moreira, aquele que, por ora, ocupa o cargo de Presidente da Câmara do Porto. Essa aura é-lhe conferida pela generalidade da população. Para quem vive em redor da região do Porto isso é muito claro. A população da região do Grande Porto adora o seu Presidente e dedica-lhe os comentários mais abonatórios. Basta calcorrear as ruas, frequentar os cafés da cidade. Nas celebrações da eucaristia, os clérigos, imagino, dedicar-lhe-ão parte das homilias, e o povo, em geral, entoará cânticos em seu louvor.

 

Todavia, tal impressão não é exclusiva das gentes do Porto. Se bem notarmos, ela estende-se um pouco a todo o país, quase como se a personalidade estivesse a ser preparada a preceito para outros voos políticos. De onde vem tal aura de santidade política não se percebe verdadeiramente. Bem entendido, não existe nada que à partida o justifique. O concorre para o facto será, eventualmente, o que sempre concorre para casos similares ao de Rui Moreira: 1) Uma ascensão profissional “meteórica” mas discreta; 2) Estar sempre de mão dada com os poderes capitalistas da sociedade; 3) Assumir permanentemente um discurso anti-sistema e anti-políticos; 4) Vestir sempre fato e gravata; 5) Assumir sempre uma postura mediática hirta, de “cara feia”, aos olhos do povo, sinónimo de seriedade; 6) Ser relativamente “virgem” na vida política propriamente dita; 7) Corresponder aos anseios infantis do povo por uma liderança considerada “forte”. Estes sete condimentos, quando combinados, formam uma mistura a que chamarei de “sebastiânica” e que envolve excelente aceitação popular, excelentes críticas na comunicação social e, em suma, “carta branca” na sua ação política.

 

Algumas consequências dessa “carta branca” começam a eclodir no seio do Porto e na sua governação. O último desabrochamento de que se tem conhecimento veio no Expresso deste fim-de-semana, uma peça interessantíssima sobre uma tal de Imobiliária Selminho, o PDM e construção em terreno rústico sobre proteção ambiental no Porto, na zona da Arrábida. Estaremos cá para observar este e todo o tipo de frutos que irão ser deixados no Porto após os mandatos deste executivo.

 

O povo parece prolongar perpetuamente uma busca em torno de um líder que por ele faça e que por ele pense, quando essa é precisamente a condição sine qua non para se ser o mais rapidamente enganado. Enquanto continuarmos a aceitar frases como “o nosso partido é o Porto” ou outros logros intelectuais que tais, então continuaremos a ter lideranças do mesmo tipo. Lideranças superiores requerem eleitorados intelectualmente superiores.

Retrato de tiranete

por Amato, em 15.05.16

Uma vez mais a cena repete-se o que faz das ocorrências anteriores não episódios infelizes, fruto de um mau dia ou de uma reação menos ponderada — ainda assim igualmente condenáveis, bem entendido —, mas antes parte intrínseca da matéria com que o caráter do personagem é feito.

 

Com efeito, Rui Moreira tem muita dificuldade em lidar com a crítica. Mais: Rui Moreira tem muita dificuldade em lidar com opiniões diferentes das suas. Depois das lamentáveis reações à oposição da CDU à solução de concessão da recolha de resíduos na cidade, depois de, em plena reunião da Assembleia Municipal, ter sido retirada a palavra ao vereador da CDU e de este, em conformidade, ter-se retirado da reunião como forma de protesto, vem agora o Presidente da Câmara do Porto, qual tiranete, criticar ferozmente os comunistas por estes colocarem legítimas reservas à possibilidade dos funcionários da EPorto — a concessionária privada que vai explorar o estacionamento na cidade — em colocarem avisos de pagamento nas viaturas como se agentes de autoridade administrativa se tratassem sendo que, de momento, não possuem legalmente tal estatuto.

 

Acresce que, para tecer tais críticas à CDU intituladas “PCP mais uma vez contra portuenses”, e aqui o título é apenas o princípio do teor altamente difamatório e insultuoso do comunicado, Rui Moreira utilizou a página oficial da autarquia transformando aquilo que é a sua opinião pessoal na opinião institucional da Câmara Municipal do Porto. Não obstante, já não lhe chegava a sua página de Facebook para vomitar insultos: Rui Moreira tinha que escalar mais um degrau. Também não lhe chegou como exemplo o incidente diplomático que criou com Vigo quando depreciou publicamente o seu aeroporto e manchando, dessa forma, o nome da cidade do Porto.

 

Justifica-se, deste modo, o título deste post. Tiranete não é um tirano, é um pequeno tirano. É um indivíduo que se julga mais do que aquilo que é e que, por isso, abusa da sua autoridade ou posição para vexar os outros (retirado em parte de www.priberam.pt). Infelizmente, o retrato de Rui Moreira parece-se muito com isto. Não aceita uma crítica, não aceita uma opinião diferente da sua, não aceita um reparo sequer à sua forma de governar ou de fazer as coisas e logo reage selvaticamente, desmesuradamente, perde a compostura e a razão.

 

Parece que o mandato presidencial vai ser isto até final e, adivinhando-se a adoração popular de que padece e que muito contribui para este padrão atitudinal, teremos mais quatro anos deste lamentável espetáculo no município do Porto. Por vezes, faz-me lembrar os tempos áureos de Alberto João Jardim na Madeira. Será que no final do segundo mandato teremos um Porto “amadeirado”? O povo, como sempre, assim o dirá.

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Amato

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