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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Só há um partido que defende os trabalhadores

por Amato, em 01.09.17

Se há uma coisa que fica cabalmente demonstrada com esta greve da Autoeuropa, é que apenas existe um partido na sociedade portuguesa que defende intransigentemente os direitos dos trabalhadores e que se posiciona sempre do lado destes. Esse partido é o Partido Comunista Português.

 

Não há qualquer novidade no conteúdo das declarações dos dirigentes da direita, PS incluído. Estes, colocam os lucros da multinacional Volkswagen à frente de toda e qualquer norma laboral, de todo e qualquer direito dos trabalhadores e de todo e qualquer conceito mínimo que diga respeito à sua saúde e bem-estar. Inclusivamente, hoje acordei a ouvir Assunção Cristas, histérica, a pedir ao governo que não mexa na lei laboral. Este é o maior medo da direita: que não se dê nem mais um cêntimo para o proletariado! Por oposição, este deveria ser o mais forte e inabalável desígnio da esquerda: implodir este código de trabalho neoliberal e refazer um código de trabalho de matriz socialista.

 

Reforço o que tenho escrito ao longo destes dias: o papel a que se presta a comunicação social portuguesa tem sido verdadeiramente ordinário. Há não tantos anos quanto isso, estariam, estes mesmos, a defender a escravatura para benefício da viabilidade das fábricas e dos latifúndios agrícolas. É uma vergonha que esta sociedade imponha este pensamento único e esta máxima de os fins justificarem os meios. É o auge da desumanização das sociedades.

 

Onde há novidade neste processo é na atitude do Bloco de Esquerda enchendo a boca com a importância da Autoeuropa para o país, cavalgando a onda do anticomunismo e procurando fazer desta luta séria dos trabalhadores que defendem o seu direito ao descanso numa luta partidária.

 

Termino como comecei: só há um partido que defende os trabalhadores. O resto é conversa fiada. Mais: isto que escrevo é absolutamente transparente para quem quer ver.

Com gente desta, como podemos evoluir?

por Amato, em 30.08.17

Para a comunicação social portuguesa e opinion makers em peso, desde que uma empresa invista no país e “crie” emprego, pode fazer o que bem lhe apetecer com os seus trabalhadores, inclusivamente forçá-los a trabalhar aos sábados por menos retribuição salarial e a proibir que desfrutem dessa autêntica benesse que é ter dois dias de descanso consecutivos.

 

Esta é a lógica. Os fins das empresas justificam todos os meios. Não existem quaisquer normas de tratamento das pessoas que trabalham. As pessoas, a sua saúde, devem ser colocadas indiscriminadamente ao dispor e subjugadas à obtenção dos lucros da burguesia.

 

Como podemos evoluir enquanto povo, enquanto sociedade, com gente desta a opinar e a inundar os ecrãs das televisões e as páginas dos jornais? Como poderemos ter um mundo mais justo, mais equilibrado, com melhor qualidade de vida e mais pacífico?

 

Não podemos.

 

O que fazemos é, pelo contrário, regredir a largos passos para os tempos do século XIX.

Tanta carta branca para fazer tanta tropelia

por Amato, em 29.06.17

artigo de Santana Castilho sobre a greve dos professores ocorrida na semana passada é, sob muitos aspetos, excelente e merece ser lido. Destaco o parágrafo seguinte, que considero delicioso.

 

A ética mínima ficou na lama com esta greve. Atropelando o direito à greve dos professores, Passos e Crato enxertaram na lei os serviços mínimos em tempo de exames. O PS e as forças políticas que agora sustentam o Governo revoltaram-se na altura. Mas, sem incómodo de maior, viram agora ser usada essa lei para fazer o que antes censuraram. Julgamentos e cirurgias sofrem adiamentos quando há greves na Justiça ou na Saúde. Mas um exame do 11º ano mais a brincadeira de uma prova de aferição são necessidades sociais impreteríveis. Em Janeiro de 2016, Tiago Brandão Rodrigues disse ao Diário de Notícias que o modelo de exames era “errado e nocivo”. Que alguém tenha a caridade de lhe explicar que não pode dar lições sobre a maldade dos exames e depois decretar serviços mínimos para os garantir.

 

Não há nada a dizer. Não há como contestar. Aconteceu tal e qual foi descrito. Esta dualidade de critérios por parte de PCP, BE e CGTP fica muito mal na fotografia. Nunca um governo teve tanta carta branca para fazer tanta tropelia sem praticamente qualquer oposição, sobretudo na rua. Dá que pensar...

Sociedade de mariquinhas

por Amato, em 17.06.17

Parece que os professores não podem fazer greve aos exames. Os alunos — coitados! — não podem fazer o exame noutro dia! É que depois, já têm férias marcadas e tudo! Que maçada! Isto dos professores quererem fazer greve aos exames é de uma desumanidade! Só mostra como não se preocupam com as criancinhas! Em boa hora o governo veio requerer serviços mínimos para que nenhum exame — nenhum! — deixe de ser feito!

 

Parece que, mais e mais, deixa de ser possível observar as transformações sociais sem uma boa dose de ironia. Sem ironia, as palavras tornam-se demasiado duras e ásperas.

 

Objetivamente, o direito à greve é esvaziado de substância com decisões como esta como a requisição de serviços mínimos para a realização de exames que podem ser realizados em qualquer outro dia. Nem há justificação, nem há lógica, nem nenhuma interpretação abusiva do conceito de “necessidades sociais impreteríveis” que possa valer e mais valia, por uma razão de decência, que se legislasse de uma vez por todas que os professores apenas têm direito à greve durante o período de férias, justificando a decisão pelo facto dos indefesos alunos não poderem ser prejudicados.

 

Mas isto não é um problema apenas deste governo ou dos anteriores nem é um problema circunscrito a esta ocorrência: é um problema social geral e profundo. É um problema que se percebe das conversas de café, tanto com o empresário em nome individual como com o trabalhador por conta de outrem, tanto com o remediado como com o assim-assim. É um problema desta sociedade de mariquinhas, de criancinhas às quais ninguém lhes pode tocar durante o seu desenvolvimento e que se tornam adultos que pensam que o são apenas por terem duas notas no bolso. É um problema de uma sociedade que não sabe distinguir os valores, que mistura tudo no mesmo saco e que avalia as coisas apenas tendo por base a inveja e o poder relativo das partes. É uma sociedade de gente egoísta, de homens que mais não são que meninos mimados, que pensam que apenas os seus interesses devem ser protegidos, incapazes de se colocarem no lugar do seu semelhante, que aceitam o poder sem o questionar e exercem-no sem bom senso... Uma sociedade composta por gente sem princípios verdadeiros. Se assim não fosse, absurdos como estes nunca seriam aceites.

 

O problema está aqui. A razão de ser é esta.

Este governo também faz requisições de serviços mínimos

por Amato, em 09.06.17

Perante as múltiplas ameaças de greve que o país enfrenta, descontando a hipocrisia e o descaramento dos seus representantes, a resposta do governo PS é em tudo idêntica à do anterior executivo PSD-CDS. Nos seus pérfidos gabinetes já se preparam, tal como no passado, as infames requisições de serviços mínimos, pejadas de ilegalidade, saturadas de ignobilidade, ao mesmo tempo que se ignora as justas reivindicações dos trabalhadores, justamente aqueles que têm pago a crise, os juros da dívida e o défice. São requisições de serviços mínimos que, na prática, obrigam a serviços máximos, desmobilizando a luta dos trabalhadores. Não interessa que sejam ilegais. Não interessa que os tribunais condenem — vêm sempre tarde demais. O seu objetivo é sempre o mesmo: ferir de morte o exercício do direito à greve.

 

Com que olhos vê o PCP esta realidade? Com que cara enfrenta o seu eleitorado? Não me refiro aos aparelhistas que com tudo concordam e que tudo justificam. Refiro-me aos outros, que formam os sete-oito pontinhos percentuais que raramente falham, aqueles militantes ou simpatizantes que pensam pela sua própria cabeça e que sempre se identificaram com a coerência do Partido Comunista Português. O que diz o PCP a estes militantes? Onde encontra o partido justificações para apoiar agora o que antes combatia?

 

Dizia Pacheco Pereira que o PCP e o Bloco têm agora um poder efetivo, que nunca tiveram, ao fazerem parte desta solução governativa. Mas qual poder? Aumentar uns cêntimos aos reformados é suficiente para estes partidos? Proteger o funcionalismo público é suficiente? Se têm poder que uso têm feito dele? O que eu vejo é o PS a governar a seu bel-prazer com uma carta branca sem qualquer tipo de justificação e que esgotou a sua razão de ser há muito tempo. O PCP e o Bloco parecem estar reféns desta solução de mal menor, desta ideia fixa de que isto é mau mas a alternativa era pior. Acordem: não é pior! É igual!

Serviços mínimos

por Amato, em 20.05.15

Justamente no seguimento do post publicado no dia de ontem, fiquei a saber que o nosso governo aprontou mais uma das suas malfeitorias. Agindo descaradamente contra a lei vigente, emitiu um despacho governamental decretando serviços mínimos aos trabalhadores da Petrogal/GALP Energia que haviam anunciado uma greve.

 

A ilegalidade desta ação não é discutível por ser demasiadamente grosseira. Nesse sentido, já foram iniciados os procedimentos legais para levar o governo a responder pela sua ação. Note-se que o despacho em causa não apenas viola a Constituição como afronta a autoridade dos tribunais, únicos responsáveis pela definição de serviços mínimos em situação de preparação de greve.

 

Não obstante, o governo consegue o seu intento: intimidou os trabalhadores com serviços máximos disfarçados de mínimos. Veremos se em Portugal o crime vai compensar.

 

O conceito de serviços mínimos é frequentemente utilizado de forma completamente idiota. Com efeito, os serviços mínimos dizem respeito a necessidades sociais impreteríveis e apenas a estas. Transportes em situação de emergência, questões de segurança e afins. Não há muito mais do que isto que alguém com um mínimo de decência intelectual possa incluir no pacote. Todavia torna-se claro que quanto mais lata for a interpretação do que são necessidades sociais impreteríveis mais restrito se torna o direito à greve.

 

Não causa qualquer tipo de espanto, contudo, que este tipo de interpretações abusivas da lei emirja de certos protagonistas da vida política nacional, nomeadamente de alguns que descendem em linha direta de altas figuras do antigo regime. O espírito do fascismo está no meio de nós...

Classes como paredes de vidro

por Amato, em 12.05.15

“Pilotos em greve têm que ser os primeiros a ser despedidos”, disse Miguel Sousa Tavares juntamente com muitas outras enormidades.

 

Esta frase encerra em si tantas ilegalidades e, mais grave, tantas imoralidades juntas, que surge como uma espécie de vómito negro e viscoso de um visco jactante que é inveja e presunção, assim, misturadas, sem se perceber muito quando começa um e quando termina o outro.

 

Sendo muito graves estas afirmações, sobretudo quando emitidas desde um canto de uma boca de advogado, não se comparam com a constatação de que existe todo um exército de portugueses a bater palmas a este e a outro tipo afim de declarações. E até podia citar outras declarações de muitos outros, mais ou menos notáveis, mágicos, ministros e secretários de estado. Infelizmente, trata-se de uma praga que prolifera porque é nutrida ativamente por uma boa parte da população que, até podendo não votar em contexto de eleições, tem suficiente argúcia para “dar like” na aberração e deixar o seu comentário.

 

Isto sim, se não outra coisa qualquer, atesta de forma dramática o funeral da “luta de classes”: o operariado não existe mais com consciência de si próprio nem da sua condição (será que alguma vez terá existido?). Somos um país de servos feitos patrões, empreendedores e empresários que competem entre si. As classes existem e assumem-se mais estáticas e cristalizadas do que nunca erguendo-se como intransponíveis e inquebráveis paredes de vidro. A luta entre elas é que não existe mais. Morreu.

 

E, assim, prepara-se um caldo onde se cozinha a inveja social e um modelo de sociedade gerador de pessoas que se preocupam mais com o exercitar da coscuvilhice, do desdém e da falta de solidariedade. Talvez seja por isso que os Reality Shows proliferam como cogumelos pela ímpia programação televisiva.

 

Recordo-me daquela frase de Steinbeck, então sobre a sociedade americana, que se adequa aqui na perfeição:

“O socialismo nunca formou raízes na América porque os pobres vêem-se a si próprios não como proletários explorados mas como milionários atravessando um período difícil.”

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