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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Há mais beleza na verdade

por Amato, em 21.06.16

http://images.fineartamerica.com/images/artworkimages/mediumlarge/1/east-of-eden-william-fields.jpg

Há mais beleza na verdade, mesmo que seja uma verdade medonha. Os mendigos que contam histórias às portas da cidade mascaram tão bem a vida que ela acaba por parecer boa e fácil aos preguiçosos, aos teimosos e aos covardes, o que só pode concorrer para lhes agravar as enfermidades. Por esse processo nada se aprende, nada se cura, e o coração nunca se abre.

 

— John Steinbeck, A Leste do Paraíso

Medida do sucesso

por Amato, em 26.08.15

https://c1.staticflickr.com/1/39/75538839_6fe290fb09_z.jpg?zz=1

 “I perdenti, come gli autodidatti, hanno sempre conoscenze più vaste dei vincenti, se vuoi vincere devi sapere una cosa sola e non perdere tempo a saperle tutte, il piacere dell’erudizione è riservato ai perdenti. Più cose uno sa, più le cose non gli sono andate per il verso giusto.”

 

“Os perdedores, assim como os autodidatas, sempre têm conhecimentos mais vastos que os vencedores, e quem quiser vencer deverá saber uma única coisa e não perder tempo sabendo todas, o prazer da erudição é reservado a perdedores. Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.”

 

— Umberto Eco, Número Zero

Escrever “arte”

por Amato, em 22.08.15

https://remagez.files.wordpress.com/2014/02/img_3261.jpg

 

Escrever não é despejar quilos de informação para o papel. Escrever “arte” é outra coisa.

 

É, pelo contrário, saber escolher que detalhes revelar. Quando se conta uma história o principal objetivo é capturar literalmente a atenção do leitor. Isso não se faz, contudo, com a inundação do mesmo com detalhe.

 

O escritor deve, com efeito, deixar espaço branco, espaço em aberto, para que o leitor o preencha com a sua própria imaginação, com os seus próprios detalhes, com algo que seja seu. Deste modo a história, não deixando de ser transmitida rigorosamente, passa a ser pertença do leitor, pois uma certa quantidade de detalhes perfeitamente irrelevantes (e aqui é que entra em jogo a capacidade do escritor) serão daquele leitor e apenas dele.

 

É por isso que o grande desafio do escritor não é simplesmente colocar a história no papel. Isso, qualquer um, qualquer jornalista, o pode fazer. O grande desafio do escritor é, antes, escolher o que contar, escolher como contar e abrir um caminho transparente e aliciante que o leitor possa percorrer.

Tipos de escrita

por Amato, em 16.12.14

O universo da escrita pode ser dividido em três tipos essenciais.

 

Em primeiro lugar temos os escritores que escrevem sobre o que experimentam, o que sentem e o que vivem e relatam-no tão fielmente como quanto acreditam possível. Para estes o importante é isso mesmo: traçar um retrato da sociedade e da natureza tão fiel quanto a sua capacidade artística permite.

 

Em segundo lugar existem aqueles que se centram sobre o seu universo imaginário e escrevem, assim, não sobre a realidade em si, mas sobre uma realidade possível, sobre uma existência especulativa. A estes segundos se devem as ilusões e os impossíveis, as utopias, os ideais e os sonhos.

 

Em último lugar e, por mera intenção de exaustividade, temos os escritores que escrevem sobre o que ouvem dizer, sobre o que leem nos jornais, ouvem na rádio ou na televisão, não se podendo intersetar necessariamente nem com o primeiro grupo nem com o segundo, pois na verdade, nada do que dizem será inteiramente seu.

 

O terceiro grupo constitui-se objetivamente como um “verbo de encher”, um eco de outras vozes, destinado a perder-se como murmúrio inaudível, por vezes, não tão rapidamente quanto o desejável.

 

É minha convicção que é de uma conjugação harmoniosa do primeiro grupo com o segundo que surge a grande obra na presença da qual o público encontra genuína e autêntica identificação e, ainda, ter nela uma lanterna, um farol, para iluminar o futuro e aquecê-lo numa manta de retalhos que são sonhos de muitas e diferentes cores. Sonhos tão essenciais para quebrar paradigmas, construir novos e, enfim, fazer com que o Homem se erga e caminhe em frente.

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Amato

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