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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Cultura de mortos-vivos

por Amato, em 31.07.16

http://hypebeast.com/image/2016/07/pawel-kuczynski-pokemon-go-0101.jpg

 

O Pokemon Go não é o problema, é meramente um pretexto. Não fosse o Pokemon Go e seria um outro jogo, o Facebook, o Twitter, o Messenger ou outra desculpa qualquer para a alienação, para a fuga da realidade. Parece que a população acedeu a um estádio do seu desenvolvimento que é uma espécie de depressão coletiva, permanente, com a valência de ejeção massiva dos homens da sua condição social, cultural e... humana. Os homens são cada vez menos homens: são mortos-vivos despojados de livre autodeterminação.

O plural de pokemon é pokemon

por Amato, em 22.07.16

A febre de Pokemon Go, que atinge momentaneamente o nosso país, é o sintoma da decadência cultural das sociedades. Decadência é a palavra mais acertada para descrever o fenómeno.

 

O jogo em si é uma palermice, mas não é apenas uma palermice, é uma palermice perigosa, um braço do sistema de vigilância em que nos metemos — cidadãos, sociedades e nações — voluntariamente, e que se vai tornando cada vez mais sofisticado. Desta vez, assume a forma de um jogo palerma. Através deste jogo, pode-se aceder às rotinas diárias dos jogadores, passo por passo, à conta de e-mail e sim, até ao interior das casas onde vivem, assim, inocentemente.

 

Sublinho aqui a palermice do jogo: quem já jogou algum jogo da saga percebe facilmente que este Pokemon Go tem muito pouco que ver com os seus parentes afastados da Nintendo. É tão somente uma simplificação pateta com condimentos para viciar as massas.

 

Que o mundo, e o nosso país em particular, está repleto de palermas, não constitui propriamente uma novidade de assinalar. Estes — os que andam para trás e para diante a palmilhar as ruas e os recantos do país com os olhos vidrados no telemóvel sem pestanejar — são os mesmos jovens da geração de “os políticos são todos iguais” e outras pérolas que tais, mas que votam sempre nos mesmos. Também são as audiências dos big brothers e das casas dos segredos. Reparem que não interessa que tenham ou não um curso superior: são todos iguais, unidos nesta mediocridade cultural sem precedentes, porque esta cultura reality-TV, que também não conhece precedentes, alimenta-os e cria-os. O Pokemon Go é simplesmente a última face desta miséria cultural a que chegámos.

 

Mas se se impõe que se fale e que se escreva sobre o fenómeno, pelo menos que se tenha a derradeira decência de se falar e de se escrever com correção. O plural de pokemon não é pokemons, é pokemon. Não se acrescente à palermice incorreção linguística. Pelo menos isso, se não outra coisa qualquer, pode ser que ajude a disfarçar a decadência cultural em que nos metemos.

Sobre a mediocridade à venda nos CTT

por Amato, em 19.07.16

Hoje aconteceu ver a minha rotina quebrada com uma visita a um posto dos correios. Fiquei deveras espantado: é incrível a mediocridade em forma de livro que lá é vendida. Há de tudo: romances de cordel, biografias patéticas e autobajulantes, manuais de autoajuda... escolha-se o que seja de melhor agrado.

 

https://silverbirchpress.files.wordpress.com/2013/08/mick-stevens-i-m-looking-for-a-book-by-t-what-s-his-face-boyle-new-yorker-cartoon.jpg

Assim, é fácil perceber como certos autores são tão bem sucedidos nas vendas: até nos CTT estão lá, arreganhados com a tag “sugestão da semana” em cima. Já não chegava os continentes e os pingo doces a colocá-los junto às promoções do dia, já não bastava que as livrarias comerciais também não tivessem um pouco de ética nas suas escolhas de montras e expositores, já não bastava, enfim, a fossa em que a qualidade literária média caiu na sociedade contemporânea. É assim que se constrói o unanimismo. É assim que se constroem os falsos ídolos no que à literatura diz respeito.

 

Estes autores — não interessa estar aqui a discriminar — são literalmente enfiados pela goela abaixo dos leitores menos avisados culturalmente, que, por não lhes ser dado a conhecer nada de melhor, confundem o que leem com qualquer coisa parecida com destreza artística. A História, porém, como crivo de mediocridade que é e que nunca deixará de ser, não deixará registo de um único exemplar daqueles que pontificam nas prateleiras dos CTT. É pena é que ninguém seja responsabilizado por isso.

Devaneios matinais de sábado

por Amato, em 25.06.16

A esta hora que escrevo estende-se uma manhã de verão cálida e luminosa. Sábado não poderia ser antecipado de uma melhor e mais auspiciosa forma. Acordei, portanto, com recarregada energia e redobrada confiança na humanidade.

 

Penso que, demasiadas vezes, temos pouca fé na humanidade. Concedemos-lhe escasso crédito. E a humanidade é uma coisa extraordinária em geral, mas também em particular.

 

Veja-se o caso de David Dinis. David Dinis é uma individualidade extraordinária. Devíamos ter orgulho em termos tão ilustres portugueses como ele. Reparem no seu percurso: durante seis anos estudou jornalismo na Católica — terminou em 1999 — e, desde logo, devido ao seu extraordinário brilhantismo, claro está, assumiu em setembro desse ano o cargo de Editor Político no defunto Diário Económico! Seguiram-se Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Jornal Sol, em idênticas funções. Depois, mais um salto de canguru: diretor no Observador, diretor da rádio TSF e, agora, ao que parece, do jornal Público! Que brilhantismo!

 

David Dinis é uma personalidade admirável! Gostava de conhecer o seu currículo em detalhe, mas também não é preciso: tenho a certeza que David Dinis terá rebentado a escala em todas as cadeiras que frequentou na universidade. Só desse modo é que é possível, penso eu, replicar tal percurso profissional. Aos milhares de jovens licenciados do jornalismo em Portugal que não conseguem arranjar emprego ou que andam a estagiar de graça e a tirar fotocópias nas redações dos jornais: ponham os olhos em David Dinis, concedam-lhe uma vénia e sintam-se inspirados pelo seu exemplo!

 

Num outro assunto, completamente não relacionado com o anterior, fascinam-me as histórias do folclore afro-americano daquela zona do Louisiana, Mississippi, onde um pobre coitado, sem nenhum particular encanto ou qualidade, vende a alma ao diabo a troco de um qualquer dom especial — não interessa qual. Contam-se essas histórias a propósito dos grandes músicos de Blues para tentar justificar a sua arte extraordinária que, por ser tão extraordinária, só poderia ter uma origem sobrenatural. Normalmente, o Diabo aparece em forma de mulher atraente num cruzamento de estradas poeirentas após ter sido feita uma oferenda apropriada. Concedido o dom, ao homem é também dado um prazo para dele usufruir, findo o qual, a sua alma será resgatada pelos cães do inferno.

 

 https://1.bp.blogspot.com/-OsZbrkxdQUk/U9z1_bpYKoI/AAAAAAAAEZk/2jc3E-Vr0ks/s1600/crossroad.png

 

Estas histórias fazem parte de um folclore local que inspira a cultura da região, incluindo a toada melancólica característica dos Blues. Como todas as histórias deste género, não valem pela sua autenticidade. O seu valor reside na moral subjacente que pretendem transmitir, na ligação metafórica que existe entre fábula e realidade.

 

Não raras vezes, parece-me que muitas pessoas do mundo real operam uma espécie de venda da sua alma. O que é a alma se não aquilo que de mais íntimo temos? O que é a alma se não aquilo que pensamos? E o entendimento deste processo revela-se útil para a compreensão, por sua vez, daqueles casos extraordinários que conhecemos na sociedade e que muito dificilmente conseguimos explicar se não com recurso ao sobrenatural.

 

Se observarmos com atenção estas individualidades de percurso extraordinário, verificamos que, muitas vezes, trata-se de pessoas de pensamento único, de discurso cristalizado, sem vestígio de bom senso, que fazem tudo por tudo para transmitir e fazer valer uma certa ordem de pensamento. Quando prestamos atenção, verificamos que aquele pensamento e aquele discurso não são verdadeiramente delas, são de outras pessoas. Os “diabos” ditam o que deve ser feito, o que deve ser escrito e difundido. Em troco, conferem-lhes as mais altas posições. Isto, claro, até ao momento de cobrar a alma devida, quer dizer, de proceder à sua substituição por alguém que seja mais jovem e mais inocente. Os “diabos” procuram sempre a carne mais fresca.

Porque lhes convém que não ousemos imaginar

por Amato, em 01.06.16

Para todo aquele que possui alguma clarividência sobre o assunto ou alguma cultura histórica, a discussão em torno das palavras de José Rodrigues dos Santos não seriam, em momento algum, dignas de maior valorização do que, digamos, o ladrar irritado de um cão confinado à varanda de um apartamento ou do que a buzina persistente de um automóvel bloqueado no trânsito.

 

Dizer que o fascismo tem origem marxista é tão idiota, tão intelectualmente baixo, que não merece discussão. É procurar forçar conexões onde elas não existem para além do que é natural e do que ocorre, em boa verdade, entre qualquer par de conceitos humanos, sejam eles quais forem, sociais ou culturais. Porque este blog despreza o que é ignorante e o que é vestigial em bom-senso, passamos à frente, ignoramos o conteúdo da frase.

 

Mais grave do que o conteúdo da frase e que em boa verdade não é genuinamente novo — lembro que Miguel Sousa Tavares ensaiou uma tese análoga no seu medíocre segundo romance —, mais grave é a subliminar intenção que sustenta a frase. Essa intenção consiste em operar uma colagem do fascismo ao comunismo, quase como que por decalque, com intento claro de menorização do segundo, ao mesmo tempo que se procura limpar a memória histórica de íntima ligação, e de admiração dos métodos e do conceito, da burguesia e da igreja relativamente aos regimes fascistas onde quer que estes tenham medrado.

 

Comparar os regimes fascistas aos regimes comunistas é comparar o incomparável, é observar a realidade sob uma condição de miopia política aguda. Tal tentativa de comparação ganha fôlego apenas quando olhamos superficialmente para a natureza autoritária dos regimes. As similitudes, todavia, ficam-se apenas por aqui.

 

Comparar os regimes fascistas, regimes que oprimiam os seus povos, que os votavam às trevas da ignorância, à exploração burguesa declarada de um capitalismo de estado evidente — de uma burguesia que prosperava lado a lado com o poder, que era o poder verdadeiramente —, que mergulhavam as sociedades a um retrocesso generalizado em todas as áreas do saber e da cultura, com os regimes comunistas que, quer se queira, quer não, com maior ou menor sucesso, faziam precisamente o contrário, democratizando a educação, a cultura, o acesso à saúde, fazendo uma distribuição mais justa da riqueza produzida e dos recursos, só pode ser qualificado como desonesto e embusteiro.

 

O regime soviético, porque é este que se pretende atingir, não obstante os seus pecados que justamente devem ser apontados, pegou numa sociedade extremamente atrasada, quase que medieval — a sociedade russa czarista — e projetou-a para o topo do mundo em termos económicos, industriais e sociais, numa ascensão sem precedentes pelo curto espaço de tempo em que ocorreu — menos de meio século e tendo atravessado duas guerras mundiais!

 

A sociedade soviética foi pioneira em diversos domínios. Evidências disto mesmo podemos observar ainda hoje no nosso estado social europeu fortemente influenciado pelos ideais marxistas corporizadas a leste. Após a queda da União Soviética a esperança média de vida de um russo recuou quase vinte anos e apenas há poucos anos a Rússia contemporânea conseguiu recuperar essa esperança perdida.

 

Mesmo relativamente à natureza política do sistema, colar o fascismo ao comunismo soviético pelo facto de serem formalmente ditaduras é extraordinariamente redutor. No regime soviético ocorriam frequentemente eleições. Elegiam-se delegados e representantes que, por sua vez, elegiam os membros do comité central do partido único que, ultimamente, elegiam o líder. É verdade: não era uma democracia como a nossa e chamar-lhe democracia não deixa de ser forçado. Mas também não era uma monarquia absolutista. Teoricamente qualquer um poderia fazer parte do sistema eletivo. Aliás, por haver um certo grau de democracia no sistema soviético é que este foi capaz de ruir, isto é, foram capazes de penetrar no sistema e ascender ao topo gente cujo objetivo, revelou-se, era dinamitar a coisa.

 

Comparar regimes com objetivos e resultados tão distintos no que ao bem-estar da pessoa humana diz respeito é pouco profundo e pouco sério. É querer pintar tudo com as mesmas cores para esconder as diferenças relevantes entre eles. É por isso mesmo, no meu ponto de vista, que a sociedade alimenta a discussão sobre estas patetices sem pés nem cabeça. Interessa ofuscar a História. Interessa difamar e interessa impedir que se saiba. Interessa prevenir a todo o custo que se ouse imaginar que é possível um outro tipo de sociedade.

Sentimento de mágoa pelos povos do mundo

por Amato, em 25.03.16

Sinto-me magoado. Falo de verdade: sinto-me magoado. Existe uma dor dentro de mim, que vive dentro de mim, dentro do meu corpo, que sinto como uma presença fria entre os pulmões, o coração e o estômago. Desliza por ali, fria, por vezes gelada, e eu sei que é tristeza em forma de desespero.

 

É um sentimento que, todavia, não é genuinamente meu, vem de fora, é-me impingido, injetado, de todos os lados, por toda a parte, aonde quer que eu vá, por todos com quem troco duas palavras. Explicar-me-ei melhor: esta tristeza é reação ao mundano que me agride.

 

Por muito que os acontecimentos se repitam, por muito que essa repetição seja recorrente e que essa recorrência seja mais e mais acelerada, parece que o mundo persiste num conjunto de reações acéfalas, incapaz delas evoluir. Parece que não há aprendizagem qualquer sobre a semelhança dos acontecimentos, sobre as suas causas, e persiste-se no abraço da ignorância plena, da cultura do medo, do estímulo ao racismo, à xenofobia, à intolerância. Para qualquer lado que nos viremos é isto que podemos observar, é disto que inspiramos, doses massivas disto, ferindo os pulmões como lâminas finas e afiadas.

 

É natural que assim seja, porque não querendo tratar das razões dos problemas, restam apenas o racismo, a xenofobia e a intolerância como armas derradeiras de conservação do poder. É apenas disso que se trata, bem entendido: perpetuar o mais possível os mecanismos de exploração dos povos, de escravização da mão de obra, continuando para isso a destruir socialmente sociedades inteiras, incitando e alimentando conflitos e guerras sempre que tal seja necessário.

 

O que não deveria ser natural perante a repetição de factos e de acontecimentos, não obstante, era esta aceitação popular generalizada, este acolher tenebroso da dialética do medo. Se pensarmos bem, todavia, também isto é compreensível. O povo está cada vez mais identificado com a cultura da posse, inspirado na avareza mais pura, educado a preceito e formado com honras na teologia do capital. A palavra solidariedade foi apagada do dicionário dos povos. E quão importante é esta palavra, não apenas para o remedeio dos problemas, mas sobretudo para a sua prevenção!

 

Não há nada de mais irónico do que constatar, para além de qualquer dúvida, que em nenhum momento da História como hoje o povo foi tão eficazmente manietado agindo em perfeito acordo com os mais íntimos interesses do poder vigente e contra os seus próprios interesses. Nem na idade média, a das trevas, nem nos negros tempos da inquisição ou da escravatura — o poder descobriu a forma perfeita e, sublinhe-se, inatacável de escravizar os povos do mundo: dar-lhes a liberdade de escolha sob o véu ilusório da igualdade.

Evidência sobre insondabilidade do povo e a "nova esquerda"

por Amato, em 31.01.16

Em verdade, as razões que sustentam as escolhas democráticas do povo são insondáveis.

 

Quem imaginaria, no seu perfeito juízo, que após a canalhada de governação do Syriza na Grécia, subjugando-se totalmente ao diretório de potências europeu, adotando toda e ainda mais alguma da austeridade contra a qual erguia bandeiras antes de ser governo, o Bloco de Esquerda e o Podemos, partidos totalmente colados politicamente a essa “nova esquerda” encabeçada pelo Syriza, obtivessem os seus melhores resultados eleitorais?

 

Para mim, que me considero de esquerda e que me considero com um mínimo de racionalidade lógica é algo de verdadeiramente surreal. O que é que o povo pensa afinal? Mais importante: o que é que o povo de esquerda pensa? O povo olha a situação, observa os factos que são claros e decide-se deste modo, como que suportando um movimento que tem dado provas de não possuir uma verdadeira alternativa ao sistema. O que podemos esperar do Bloco de Esquerda e do Podemos se acaso chegarem ao poder, se não uma réplica local da ação do Syriza grego? De que evidências dispomos, que sinais esses partidos nos dão, para podermos pensar o contrário?

 

A “nova esquerda” não é, com efeito, revolucionária: é apenas reivindicativa. A “nova esquerda” não pretende a transformação do sistema e das suas estruturas: pretende apenas operar uma maquilhagem sobre a sua face. A “nova esquerda” não tem sequer teoria para aplicar na prática: fica-se apenas por um conjunto de boas e de justas intenções. Sobre como levá-las à prática... isso é outra história. E é por isso que a “nova esquerda” não é mais do que uma perda de tempo. Falta-lhe cultura e História. Falta-lhe ler os clássicos. E talvez não seja necessário procurar mais longe: talvez seja exatamente aqui que radiquem os seus mais recentes sucessos eleitorais, condenados, consequentemente, à efemeridade.

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