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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

O trabalhador é apenas uma peça

por Amato, em 27.07.16

Hoje proponho uma reflexão sobre o efeito do capitalismo sobre o trabalho em geral.

 

Noto que o sistema capitalista induz nos seus trabalhadores um grande distanciamento das suas funções. Por norma, os trabalhadores não aguentam muito tempo num mesmo trabalho, estando constantemente a mudar de emprego. Isto é consequência direta da instabilidade/flexibilidade de que o sistema capitalista é feito, por um lado, e, por outro, da promoção junto de cada pessoa de uma ideia de competitividade e de procura por algo que possa ser melhor.

 

Este distanciamento bem patente entre trabalhador e trabalho resulta numa grande ineficácia dos serviços. Não quer isto dizer que não haja — nem sempre há — um sorriso na cara ou uma aparente boa vontade por parte do trabalhador em cumprir a sua tarefa. Não é disso que se trata. No que este distanciamento se traduz efetivamente é numa falta de sensibilidade para com as particularidades do trabalho, sensibilidade essa que decorre de uma experiência que, no contexto do sistema, nunca é adquirida. É aquilo a que se chama o “saber fazer”.

 

É fácil comprovar o que escrevo: quantas vezes encontramos as mesmas caras quando recorremos a um serviço qualquer? Quantas? E por quanto tempo?

 

E há ainda uma outra coisa que se perde ou, talvez, nunca se ganha: um respeito pelo trabalho que se tem, um certo tipo de amor que tem o condão de fazer de cada trabalhador um defensor intransigente da sua fábrica ou da sua empresa. Ao contrário do que pensam os psicólogos motivacionais do capitalismo, isto não se adquire com jantaradas ou festas onde se forçam camaradagens artificiais. O amor pelo trabalho adquire-se com anos de serviço, com o conferir ao trabalhador de estabilidade, de responsabilidade e de importância perante a sua função.

 

O capitalismo tudo isto renega, observando o trabalhador como uma peça na sua engrenagem de produção de lucro. O lucro fácil é, aliás, a razão de ser de tudo o que acontece na sociedade capitalista. Para disfarçá-lo, a ideologia capitalista carrega no botão da propaganda, dos anúncios, da imagética, produzindo uma mensagem hipócrita por ser tão contraditória. Esconde-se atrás das novas tecnologias e em pseudo-novos-avanços-tecnológicos, que na maior parte dos casos se revelam absolutamente redundantes, na prestação de serviços que sempre serão essencialmente os mesmos. O povo normalmente vai atrás dessa imagem de contínua novidade quando aquilo que procura normalmente é de uma natureza perene como a folhagem de certas árvores.

 

Simultaneamente, a vertigem pelo lucro fácil induz a seleção daqueles trabalhadores que se resignam a vender o seu trabalho pelo menor preço, o que, por sua vez, conduz a uma real deterioração da qualidade humana/técnica dos trabalhos, ao contrário do que a propaganda capitalista afirma.

 

Neste processo, o que realmente se perde é uma filosofia de constante melhoria individual, de aprimoramento infinito das várias funções laborais. Dessa filosofia já nem uma ténue ideia resta na sociedade concreta que experimentamos. Como escrevi há dois parágrafos atrás, o trabalhador é apenas uma peça e uma peça não pensa, nem tem sentimentos.

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/The_protectors_of_our_industries.jpg

Os Papéis como sintoma

por Amato, em 07.04.16

Hoje fui à Autoridade para as Condições de Trabalho. Cheguei cedo, ainda era muito cedo, o sol ainda espreitava tímido no céu azul e os seus raios finos e tenros mal conseguiam perfurar as paredes de prédios cinzentos que ladeavam a avenida. Mas o meu conceito de cedo revelou-se desajustado com a realidade daquela sala de espera.

 

Encontrei uma vintena de pessoas que, como eu, esperavam, ansiosas por resolver os seus problemas laborais ou, no máximo, colher um feixe de esperança que, ainda que ténue, os guiasse para uma luz ao fundo do túnel.

 

Isto é o reflexo do estado do país, do estado lastimável da sociedade. Não são nem Panamá Papers nem outros mega processos jornalístico-judiciais que o mostram. O estado do país vê-se aqui. O resto é foguetório para entreter a malta.

 

A raiz dos problemas revela-se aqui, no ACT, onde cada sala de espera apinhada devia envergonhar cada governante sobre o estado do trabalho, sobre o desequilíbrio de forças que existe no nosso país e sobre as consequências nefastas que se multiplicam na distribuição da riqueza e na justiça social.

 

Nada disto é genuinamente surpreendente. Estas salas abarrotadas são o resultado de vários anos de políticas que forçaram o desequilíbrio de forças entre o patronato e o operariado, com vantagem evidente para o primeiro, ainda que com o obséquio ativo do segundo. E é precisamente aqui que radica tudo o resto, a acumulação obscena de riqueza e, consequentemente, casos como este que agora preenche todas as primeiras páginas, os Papéis do Panamá.

 

Os Papéis não são causa de nenhum problema, são apenas sintoma. Simplesmente é-nos conveniente pensar o contrário.

Uma questão de perspetiva

por Amato, em 07.03.16

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, reconhece que em Portugal há muito trabalho precário, mas não hesita em dizer que, na atual conjuntura, “mais vale ter trabalho precário do que desemprego”.

— in Público

 

Dizer que mais vale ter trabalho precário do que desemprego não é dizer muito. Também mais vale trabalho escravo do que desemprego (Valerá? Voltarei a este tópico mais tarde). Ou, visto de outra forma, mais vale trabalho precário do que ter uma doença grave. Bem vistas as coisas, a saúde é o mais importante!

 

Juntamente, condicionar o discurso à “atual conjuntura” não é, em tese, muito meritório. Porque a única conjuntura a que se tem acesso plenamente é fatalmente esta, a atual. Não há outra. As conjunturas passadas são hoje interpretadas de forma desconforme com o distanciamento que hoje delas temos. As conjunturas futuras são impreterivelmente de natureza insondável. Por consequência, mais do que não meritório, usar de um condicionalismo argumentativo face à “atual conjuntura” é intelectualmente baixo, porque procura condicionar o pensamento alheio com coisa nenhuma.

 

Voltando um pouco atrás, à referência ao trabalho escravo, devo dizer, em abono da mais pura das verdades, que há circunstâncias várias em que mais vale (!) o trabalho escravo do que o trabalho precário. Reparem que não estou a comparar a escravatura com o desemprego, agora. Com efeito, o trabalho escravo propiciava casa, comida e vestes gratuitas, quando em muitos casos, no mundo ocidental contemporâneo, o vencimento oriundo do trabalho precário não possibilita tais “privilégios”.

 

Torna-se, deste modo, imperioso colocar as coisas em perspetiva. É melhor ganhar quinhentos euros do que duzentos, mas também é melhor ganhar cem do que dez e é melhor ganhar dez do que nada. Analogamente, é melhor trabalhar quarenta horas do que cinquenta e é melhor trabalhar de sol a sol do que não ter onde trabalhar e ganhar o sustento. De acordo: esta lógica é brilhante, mas não nos conduz a lado nenhum. Ou, por outro lado, sim, leva-nos precisamente onde os senhores que António Saraiva representa pretendem: à redução das condições de vida dos trabalhadores aos limites infra-humanos da sobrevivência.

 

Termino com uma palavra de incentivo a António Saraiva: é bom sabermos que em Portugal há sempre alguém suficientemente iluminado no meio de toda a bruma de ideias que não hesita em dizer o que deve ser dito. Obrigado! E muita saúde para continuar sempre a defender os bons valores no superior interesse do país e do povo!

A filosofia não vem primeiro, vem depois

por Amato, em 30.12.15

Não sou contra a existência de exames em qualquer nível de ensino. Os exames a nível nacional são os instrumentos de avaliação mais imparciais e equitativos de que podemos dispor para aferir objetivamente a capacidade dos alunos na execução de um determinado tipo selecionado de atividades.

 

Dito isto, algumas relevantes questões se impõem. E tais questões impõem-se apesar de para muitas pessoas o parágrafo pretérito, por ser verdadeiro, secar em seu redor todo o debate sobre educação e pedagogia, qual eucalipto dogmático.

 

Será que é importante a aplicação de tais instrumentos em geral ou num certo nível de ensino em particular? Por outras palavras, será que a informação, objetiva e equitativa, que estes instrumentos permitem recolher é importante ou até mesmo relevante para retirar conclusões sobre a capacidades efetivas de cada aluno no contexto da disciplina? Será que o modelo de avaliação sugerido pela aplicação de exames é essencial ou único ou indispensável?

 

A questão que se coloca é, na minha opinião, muito mais abrangente do que a utilização ou não de meros instrumentos avaliativos. Com efeito, trata-se antes da adoção de uma visão global para a educação e para a formação. Trata-se de uma questão filosófica.

 

Com exames temos uma educação focada em objetivos palpáveis e medíveis. Com exames temos uma educação automatizada e mecanizada. Mas com essa procura de objetivos medíveis perde-se algo por ventura mais essencial: qualidade nas aprendizagens. A maioria dos professores com que nos possamos cruzar dir-nos-á isso mesmo. Uma aprendizagem governada em torno da existência de exames, isto é, conduzida para atingir o sucesso em exames, é uma aprendizagem forçosamente mais pobre porque forma máquinas de resolução de questões através da aplicação de receitas.

 

Por outro lado, um ensino livre de exames tende a ser mais lascivo, é verdade, mas há que separar o que é endémico do que é casuístico, ou melhor, do que é oportunista. Porque a inexistência de exames abre, isso sim, um mundo de aprendizagens completamente diferente na perspetiva do professor e, sobretudo, do aluno. O professor poderá submeter os seus alunos a métodos de avaliação diferenciados, poderá mesmo lecionar matérias diferentes de formas diferentes que permitam a diferentes alunos aprender diferenciadamente mas, ainda assim, aprender.

 

https://marquetteeducator.files.wordpress.com/2012/07/5232012052424iwsmt.jpeg

 

A chave aqui está na figura do Professor. O esvaziamento do seu poder e autoridade não é uma boa solução. Pelo contrário, o Professor deve ser superiormente formado e socialmente reconhecido para poder, aí, dispor da autoridade e da responsabilidade inerente para desenvolver o seu trabalho autonomamente. Se assim for, a ocorrência do ensino lascivo é dramaticamente reduzida. Se apostarmos na qualidade da formação do Professor, qualidade científica e humana, então só teremos que confiar nele e ele saberá, melhor do que ninguém, formar e educar os nossos alunos.

 

O percurso, todavia, tem sido contrário e, diga-se, não é exclusivo da profissão de Professor: desleixo na formação de Professores, sobretudo no que diz respeito à formação privada, esvaziamento de competências e responsabilidades, desautorização e humilhação do ponto de vista laboral e salarial. Neste contexto, vemos o Professor como um mero boneco numa sala de aula sem qualquer laivo de livre arbítrio, que faz estritamente o que lhe mandam e que tenta, de todo e qualquer jeito, preparar os seus alunos para as questões-tipo de exames. A figura do Professor, ao invés de ser respeitável e socialmente admirável, é uma figura sinistra e incapaz que toda a comunidade educativa vê com olhos de desconfiança e que, por isso mesmo, o sistema trata de sobrecarregar com burocracia protocolar.

 

A classe dos Professores devia ser uma classe de excelência, devia ser uma classe que se constituísse como sustentáculo científico e cultural da sociedade. O que estamos a construir, todavia, parece ser o contrário.

 

O entendimento deste fenómeno, da situação laboral dos Professores, é indissociável da questão dos exames com que abri o post. Uma coisa surge no seguimento da outra. Nisto, como no resto e na maioria dos casos, a filosofia do sistema não é mais que uma justificação para se atingirem objetivos sociais muito concretos. Ao contrário do que se julga e do que nos fazem crer, a filosofia não vem primeiro, vem depois.

Sintoma da decadência do trabalho

por Amato, em 06.11.15

Na sociedade que nos rodeia já não existem secretárias, trolhas ou carpinteiros. Olhem em vosso redor e procurem. Não encontrarão nenhuma dessas profissões. Quer dizer: elas continuam a existir. Continuam a existir secretárias, trolhas e carpinteiros. Claro que sim: são essenciais para que as roldanas sociais permaneçam rodando. Simplesmente já não se chamam assim. Já não se chamam nem secretárias, nem trolhas, nem carpinteiros. Todas estas profissões consideradas mais simples ou que não requerem uma formação intelectual mais avançada perderam as suas nomenclaturas. Com efeito, não existe uma destas profissões que não comece por engenheiro ou por gestor. Secretária? Não: gestora de operações. Trolha, carpinteiro? Não: engenheiro de materiais e construção.

 

Esta encenação apareceu de repente, foi injetada numa sociedade onde parecer é mais importante do que ser, uma sociedade governada por aparências e por conluios, e em que todos nós nos deixámos invadir por este espírito chegando ao ponto em que chegámos hoje: o ridículo.

 

Para mim, esta forma de encarar o trabalho é também sintoma de uma sociedade que desvaloriza o trabalho. Numa sociedade saudável todas as profissões detêm o mesmo grau de importância, porque todos detêm um papel sem o qual a sociedade, ou melhor, a comunidade, não funciona. E, então, não há lugar a máscaras sobre as profissões, não há lugar a embaraço ou a vergonha. Pelo contrário: cada profissão deve ser valorizada e exibir um orgulho próprio que advém da sua condição de fundamental no processo da existência humana.

Testemunho

por Amato, em 16.09.15

http://www.mymanlyblog.com/wp-content/uploads/2015/03/pen-and-paper.jpg

“Eu e a minha companheira somos professores. Todos os dias levantamo-nos às seis horas da manhã para começarmos a trabalhar às oito e um quarto. E todos os dias, antes das oito e um quarto, temos que colocar a impressão digital naquele aparelho cinzento-escuro, quase preto, com um díodo que emite uma luz vermelha como um laser. É o “picar o ponto” dos tempos modernos. Ela vai para a escola dela e eu vou para a minha. Só nos voltamos a ver depois das oito da noite.

 

Trabalhamos a recibos-verdes, ao minuto. Não é à hora. É ao minuto. Eles contam os minutos de aulas ou formação, porque aquilo que eu dou agora chama-se de formação. E quando vou ao quarto de banho não é formação nem direito. Não recebo quando vou ao quarto de banho, nem quando me desloco de uma escola para a outra. Sim, porque também não dou aulas apenas numa escola.

 

O que ganhamos não é mau. Não é mau quando comparamos com o salário mínimo. Mas depois há que colocar algum de lado para a segurança social, todos os meses. Ah: e também para o IRS. É melhor colocar algum de lado para o IRS se não para o ano a pancada será forte demais. Este ano que passou tive que pedir dinheiro aos meus pais. Para o ano quero ver se não peço. Mas o mês ainda não acabou e eu já ando de bolsos vazios... O que a gente ganha é muito mau. O que a gente ganha é uma merda.

 

Mas não é por isto que escrevo. Escrevo pelo que referi no início. Todos os dias eu e a minha companheira levantamo-nos às seis e meia da manhã, despedimo-nos às oito da manhã e só nos voltamos a ver depois das oito da noite. Tentamos ir para a cama às onze, tentamos dormir. Durante o fim-de-semana trabalhamos um pouco mais, pelo menos uma manhã ou uma tarde, para ganhar uns euros mais. No restante vamos fazer as compras da semana e tentamos limpar a casa que mal nos vê, que mal vemos. Tenho saudades de a abraçar e de lhe dizer que a amo. Digo-o todos os dias, mas não o digo com cabeça. Digo-o de cor porque ando cansado e ela ouve-me e sorri de cor porque também ela anda cansada. Tenho saudades de sentir os beijos que lhe dou.

 

Dá-me vontade de rir quando se fala em falta de natalidade em Portugal. Eu e a minha companheira trabalhamos os dois das oito da manhã até às oito da noite e não somos ricos o suficiente para o luxo de termos um filho que seja. Mas mais do que isso, mais do que o dinheiro que custa ter um filho, não temos tempo. Não temos tempo para nos amarmos, não temos energia. E se assim é, como poderemos ter tempo para amar um filho? Como poderemos ter tempo para o criar, para o educar?

 

Quando se fala em falta de natalidade em Portugal dá-me vontade de chorar. Porque nós não somos um caso isolado. Não somos a exceção à regra. Nós somos a regra neste país. E todos nós, a minha geração, a nossa geração, aceitamos estas políticas, esta distribuição de riqueza e de tempo, porque o tempo também é riqueza.

 

Até quando?

 

Quando esse dia chegar espero não me ter esquecido do sentido das palavras e voltar a sentir “meu amor” cada vez que lhe digo “meu amor”. Espero poder envolvê-la no meu abraço e senti-la comigo e não noutro lado qualquer. Espero que esse dia chegue a tempo de termos um filho como um homem e uma mulher devem ter um filho e não como dois animais que procriam apenas porque lhes dá a vontade. Espero que chegue a tempo esse dia, antes de ser velho demais e ela velha demais, antes de sermos cadáveres. Se não chegar a tempo, ficará para a próxima vida, ficará para a eternidade o beijo e o abraço que deixei de lhe dar, o sorriso e o olhar que deixei de receber. Ficará para sempre o “meu amor” que tão poucas vezes lhe disse ao ouvido.”

Sobre a natalidade

por Amato, em 02.06.15

 

No seguimento do post anterior queria acrescentar o seguinte: jogar a carta da natalidade na discussão em torno da sustentabilidade da segurança social extravasa o demagógico. É intelectualmente menor.

 

Vejamos, então, que, por cada cem portugueses entre os dezoito e os trinta anos de idade, inseridos no mercado de trabalho, quarenta estão desempregados. Dos sessenta que sobram, estimo grosseiramente que:

  • vinte estarão em estágios profissionais sustentados pela segurança social,
  • trinta estarão a recibos verdes,
  • dez estarão com contrato a termo certo.

Falar de natalidade perante este panorama laboral é muito mais do que demagogia: é menoridade intelectual.

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Amato

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