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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Uma pergunta é suficiente

por Amato, em 28.08.17

Por vezes, uma pergunta é suficiente. Não é preciso acrescentar mais nada. Uma pergunta diz muito sobre o calibre intelectual do interpelador e é capaz de esboçar um retrato pormenorizado do mesmo.

 

Hoje o noticiário das nove da manhã da SIC Notícias abriu com uma entrevista a um representante sindical dos trabalhadores da Autoeuropa, em Palmela. No decorrer da entrevista, o jornalista, de seu nome Joaquim Franco, fez a seguinte pergunta:

 

“E entende que é possível manter a produção que se pretende (...) deste novo modelo com essas restrições que vocês querem impor ao alargamento dos turnos?”

 

Recorde-se que os trabalhadores da Autoeuropa estão em luta contra o facto da empresa querer impor-lhes trabalho aos sábados sem que seja pago como trabalho extraordinário, mas para Joaquim Franco são os trabalhadores — “vocês” — que querem impor restrições à Autoeuropa. Mais, Joaquim Franco considera importante, neste contexto, questionar o representante sindical sobre a viabilidade da produção da empresa, induzindo o ouvinte no sentido de que essa viabilidade está a ser posta em causa com a ação dos trabalhadores.

 

Se esta pergunta já dizia tudo o que era preciso dizer sobre a mediocridade intelectual do indivíduo, ao qual se aconselha vivamente que leia mais, muito mais, sobre os movimentos sociais de finais do século passado que, entre outras coisas, lhe permitem fazer as perguntas imbecis que hoje faz de microfone na mão, a verdade é que esta pergunta também é reveladora da cândida “imparcialidade” com que é revestida boa parte da mui nobre comunidade jornalística portuguesa.

 

Uma nota para salientar algo que merece ser salientado. Esta situação que aflige os trabalhadores da Autoeuropa é o corolário esperado das ações de um movimento sindical muito elogiado por toda a sociedade — patronato incluído —, uma comissão de trabalhadores moderna e virada para o futuro, cujo líder inicial, entretanto reformado, até se tornou num símbolo pop da nova esquerda, para a qual a luta de classes é um conceito ultrapassado. Refiro-me a António Chora e ao Bloco de Esquerda, como é evidente. Convém que coloquemos os nomes nas pessoas e nos partidos para que se saiba a quem é devida a responsabilidade das coisas.

 

De acordo em acordo, de cedência em cedência, muitas vezes a troco de umas efémeras esmolas, este movimento sindical foi permitindo ativamente que um quadro de direitos laborais minimais fosse instituído naquela empresa e a situação foi perdurando até recentemente quando os trabalhadores se uniram e disseram basta! Os trabalhadores sentiram que não podiam continuar mais a ceder, vergados a ameaças constantes de encerramento e deslocalização e à ladainha vazia e hipócrita do costume por parte da empresa e que faz parte da cartilha que é sempre recitada pela burguesia nestas ocasiões. Parabéns aos trabalhadores da Autoeuropa pela sua coragem. Perderam, todavia, muito tempo. Sobre isto o Bloco de Esquerda não diz uma palavra. António Chora também não. A estes, nem uma pergunta. Passam pelos eventos como que saltitando por entre os pingos da chuva. António Chora nunca foi alguém verdadeiramente importante. Foi simplesmente alguém a quem o capital recorreu para levar os seus interesses avante. A burguesia tem inúmeros recursos para minar e dividir a luta dos trabalhadores. Chora foi apenas mais um.

Silly season — a façanha

por Amato, em 14.08.17

Em 1998 Donald Trump terá dito, a propósito de uma possível candidatura à Casa Branca, que se se candidatasse, fá-lo-ia pelos republicanos. É que, segundo ele, constituíam o grupo mais estúpido de votantes, que se acreditavam em tudo o que a cadeia de notícias Fox News dizia, mentiras incluídas.

 

If I were to run, I'd run as a Republican. They're the dumbest group of voters in the country. They believe anything on Fox News. I could lie and they'd still eat it up. I bet my numbers would be terrific.

— Donald Trump, 1998, People Magazine

 

Quando sou literalmente assaltado pelas sempre extensivas e pormenorizadas coberturas mediáticas da Festa do Pontal, pergunto-me se Pedro Passos Coelho e o PSD não estarão em proporção para Donald Trump e para o Partido Republicano. É como se não existisse memória. É como se fossemos todos peixinhos de aquário para os quais quase tudo é novo a cada instante.

 

Entretanto mudei rapidamente de canal e perdi o paralelismo sem interesse.

 

Todavia, gostava de ver as televisões, os jornais, os comentadores, tentarem a inédita façanha de colocar um burro, um asno mesmo, uma besta sobre quatro patas, na posição de primeiro-ministro deste país. É que eu acho que conseguiam! E o povo aplaudia! A sucessão histórica no cargo também concorre para o meu otimismo. É só mais um pequeno passo! Coragem e perseverança!

 

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Não seja um verbo-de-encher

por Amato, em 07.08.17

A vida tem coisas curiosíssimas. Ainda há três dias comentava com um amigo o quão repulsivo considerava o Jornal i pela sua vocação profundamente reacionária, pela ausência permanente de um mínimo de contraditório, pelos conteúdos absolutamente enviesados do ponto de vista político, embebidos de uma ignorância crónica.

 

Parece que quanto mais cedo tivesse eu tido esta conversa, mais depressa teria surgido este brilhante artigo de opinião. Eu, “antidemocrata” me confesso é um texto de Nuno Ramos de Almeida que aborda concretamente a situação da Venezuela mas fá-lo com uma clarividência e com um bom senso notáveis. Coloca as coisas em contexto: compara o que por lá se passa e o que se diz sobre o que por lá se passa com o que se passou também aqui em Portugal no período revolucionário e o que a imprensa também dizia sobre isso; mas também compara o presente com o passado recente da Venezuela. Baseia-se em factos tão claros que os de boa memória abdicarão do seu direito de confirmação. Do início ao fim, trata-se de um texto belíssimo.

 

De seguida, destaco algumas partes que considero importantes.

 

Adorei a bofetada intelectual dada na insciente face de Francisco Assis (de cada vez que abre a boca, sinto que uma destas é necessária):

Embora o termo democracia esteja enevoado pelas meninges dos Assizes desta vida, democracia quer dizer “poder do povo”. E este só consegue ter poder quando oitenta por cento dele não está na miséria.

 

Sobre a Venezuela antes de Chávez:

Pouco anos depois na Venezuela, em 1989, a população pobre de Caracas revolta-se contra as medidas ditadas pelo FMI e impostas pelo governo de Carlos Andrés Pérez, político da Internacional Socialista. As medidas seguem o chamado “Consenso de Washington”, com redução dos gastos sociais, privatização de empresas públicas e desregulamentação do mercado laboral, aumento dos produtos de primeira necessidade.

 

(...)

 

O país vivia numa imensa miséria com 80% da população abaixo do limiar da pobreza. Nesse dia 27 de fevereiro de 1989, o presidente suspendeu os artigos das Constituição que garantia as liberdades democráticas e mandou a tropa disparar. Segundo os números oficiais morreram 277 pessoas. Segundo observadores independentes e organizações de direitos humanos, mais de 2000 pessoas foram assassinadas, muitas delas depois de terem sido presas e torturadas pelas forças da ordem.

 

O país (...) vivia supostamente em democracia há mais de 31 anos. Mas grande parte da população estava excluída de facto do processo democrático. Não tinha nem voto no que faziam os governos, nem tinha direito à vida. O país tinha uma espécie de rotativismo, entre partidos ditos de centro esquerda e centro direita, que garantiam o poder das elites do costume, e sobretudo os negócios das grandes companhias petrolíferas estrangeiras. Tudo estava bem para a Europa e os EUA.

 

Sobre a Venezuela de Chávez:

A subida ao poder de Hugo Chávez, eleito em 1998, e tomando posse em 1999, veio alterar os dados da situação. O novo poder colocou a companhia petrolífera nas mãos do Estado e usou os rendimentos desta para fazer um conjunto de programas sociais que permitiram às populações dos bairros pobres aceder à saúde, educação e saírem do limiar da pobreza. Esta política de redistribuição dos petrodólares, não alterou a estrutura de propriedade de poder económico do país, mas retirou dezenas de milhões de venezuelanos da pobreza e permitiu que muitos deles começassem a participar no processo político.

 

E a evidência que parece que não importa ou que não existe:

Em 20 eleições democráticas realizadas, os chavistas ganharam 18. Grande parte com enormes vantagens. Nas restantes duas, Chávez foi derrotado com margem mínima num referendo para um novo texto constitucional que pressupunha a possibilidade de voltar a candidatar-se, e, mais recentemente, Maduro, depois de ter ganho as presidenciais, num país em que o poder executivo é do presidente, perdeu as eleições legislativas em que o PSUV teve 41% e a oposição do MUD, 56%.

 

Sobre o papel da comunicação social no processo:

Este processo conta com uma autentica campanha mediática, que tem muito pouco a ver com jornalismo, cujo objetivo é multiplicar o número de mortos entre os manifestantes e esconder os atos de violência da oposição. Só assim se percebe que a maioria dos jornais espanhóis publiquem a fotografia de uma explosão, dizendo que é violência chavista, quando foi um atentado numa esquadra. As televisões afirmem que foram assassinados candidatos, “esquecendo-se”, que eram chavistas que se candidatavam à Constituinte. Que a comunicação social não divulgue notícias sobre chavistas queimados vivos por opositores. E que os média garantam que os números da consulta popular realizada pela oposição são verdadeiros, sem que os registos dos votos e cadernos eleitorais sejam públicos, enquanto contestem a legitimidade da eleição da Constituinte, dizendo-a ilegal, sem se darem ao trabalho de ler o artigo 348 da Constituição, que a regulamenta.

 

Destaco também o parágrafo final:

Aquilo que os EUA e as oligarquias locais e mundiais contestam na Venezuela não é serem dirigidas por um incapaz, ou até o crescente autoritarismo do governo de Caracas: os EUA e os seus aliados europeus dão-se muito bem com regimes, como o da Arábia Saudita, que condenou, recentemente, à morte 14 pessoas pelo crime de se manifestarem contra a monarquia, e onde não há nem oposição, nem órgãos de comunicação social contrários ao governo. O que esses poderes mundiais nunca perdoaram ao chavismo foi a tentativa de promover uma maior igualdade económica e colocar os pobres no centro da ação política. É isso que é imperdoável para quem manda neste mundo. Como disse Assange, se a Venezuela tivesse a constituição da Arábia Saudita, tudo estaria bem para Washington e o petróleo em “boas mãos”.

 

Termino este post com uma nota. As últimas publicações deste blog não têm como intenção que não se debata o que quer que seja. Antes pelo contrário. O objetivo destas publicações é informar o leitor e dizer-lhe, muito claramente, o seguinte:

 

É uma opção sua dizer o que diz e defender o que defende. Faça-o porque realmente acredita no que diz. Não o faça por ser um papagaio da burguesia que controla os países, os jornais, o poder económico e o poder político. Assuma-se. Não seja um verbo-de-encher.

Consistência dos conceitos III

por Amato, em 11.07.17

A característica mais singular, mais inusitada, deste capitalismo forçado nas gentes por esta propaganda constantemente disseminada pelos media é a constante mutação dos conceitos que ele próprio cria. A sociedade que julga o regime cubano de não democrático por não seguir os cânones das democracias representativas ocidentais, é a mesma sociedade que acusa o governo venezuelano, possivelmente o governo mais vezes democraticamente eleito em toda a América latina, de ser uma ditadura. De modo análogo, na Venezuela e na Síria chamam de manifestantes ou lutadores pela liberdade ao que chamam de terroristas em qualquer outro lugar do mundo.

 

O capitalismo é, por isto mesmo, o regime moralmente mais abjeto de que há memória na história da humanidade. A sua bússola moral é o lucro, canibal, autofágico, passando por cima de tudo e de todos. O seu lema é Os fins justificam os meios. A sua vocação é a guerra e a destruição.

 

http://www.emlii.com/images/article/2014/07/53bd296532021.jpeg

 

Velhacos

por Amato, em 26.06.17

A questão não é Passos Coelho ser um velhaco, um daqueles velhacos para o qual tudo vale para tentar reconquistar o poder.

 

A questão é os meios de comunicação teimarem em colocar-lhe um microfone à frente para que ele possa expelir as suas velhacarias.

 

É porque são tão velhacos quanto ele é.

 

Velhacos!

Dias desinteressantes

por Amato, em 25.06.17

Estes dias têm sido desinteressantes. Entre o histerismo com a tragédia de Pedrogão, histerismo pueril porque se extingue rapidamente sem que nada daí resulte, e o histerismo com o futebol, esse verdadeiro ópio do povo, e com a seleção, já não tenho paciência para ouvir ou ler as notícias. Não tenho mais paciência para esta sucessão bipolar de histerismos, de masturbação mediática da tragédia. Desculpem-me a frontalidade mas a comunicação social mete-me nojo e revolta-me ainda mais a forma como nós nos prestamos tão bem a este papel de marionetas desmioladas dos media.

 

Vem-me sempre à memória aquela citação de Saramago que já aqui coloquei uma vez no blog.

 

   Este país preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa.

 

   — José Saramago, Jornal de Letras, Artes e Ideias (1999)

 

Entre outras notícias menores, há a astróloga que foi eleita deputada em França pelo “partido” da meritocracia de Macron. Não somos só nós que somos néscios aqui por Portugal. Também os franceses, os franceses da França de Descartes e Voltaire, o são!

 

Por cá, parece que o PCP começa a cair na real e a apontar o dedo às políticas deste governo que, afinal, nunca deixaram de ser de direita, ao que parece. Não sei se o PCP vai a tempo de se descolar da geringonça. Esperemos, para bem do país, que esteja enganado.

Sobre os Le Pens e os Macrons

por Amato, em 10.05.17

A fórmula mais eficaz para enganar o povo é fazê-lo crer numa sociedade a preto e branco, dividida entre bons e maus. Para ser bem sucedida, essa simplificação centra-se em um ou dois aspectos, no máximo, considerados como fundamentais e é bombardeada pelos media a todas as horas e a todos os minutos do dia até que o povo ceda, nem que por cansaço, até que deixe de questionar a formulação apresentada para apenas prosseguir a sua vida sem conflitos internos com a voz dominante.

 

http://static.diary.ru/userdir/1/8/7/0/1870468/59479782.jpg

 

A minha opinião é que nos preocupamos demasiado com Le Pens, quais demónios encarnados em figura de gente, e muito pouco com Macrons, os que se opõem ao mal e, portanto, os bons. Enquanto isso, os Macrons vão trilhando a sua ação política de desregulação das sociedades, de desequilíbrio económico, de favorecimento de classe — a banca, a alta finança, os donos dos grandes grupos económicos, os capitalistas, a burguesia —, e conduzindo essas mesmas sociedades a pontos de rotura, já sem qualquer vislumbre nem de pátria, nem de nação, nem de coisa nenhuma. Os Le Pens são consequência dos Macrons e não o contrário. Se consideram que o primeiro é o mal e o segundo é o bem, é bom que pensem melhor.

 

Mas é mais fácil pensar assim, admito. Este pensar entretém por mais um tempo. Os exploradores e os explorados permanecem explorados e explorados. Há uma ira que vai fermentando por debaixo deste pensar, é certo, mas nos entretantos, enquanto não rebentar a bolha que se vai formando, esta sociedade burguesa vai continuando o seu caminho.

 

Em Portugal assiste-se a fenómenos parecidos todos os dias. Por um lado, enojamo-nos — e bem! — com qualquer coisa que soe a fascismo declarado. Por outro, batemos palmas ao personagem que, por ora, vai ocupando os Paços do Concelho do Porto, fazendo a apologia de ditaduras para pôr o país em ordem. Rui Moreira gosta, aliás, de proferir os maiores disparates histórico-políticos nas palestras para as quais é convidado amiúde. Não sabe mais, compreenda-se. Todavia, as plateias aplaudem-no. Diz que podemos precisar de ditaduras “para termos a nossa soberania económica, na segurança”. Diz que espera que não seja assim mas... o país pode querer aquilo, refere, do alto da sua sapiência, não deixando de fazer objetivamente um elogio aos méritos que, segundo ele, o sistema tem. Diz ele, também, que uma solução para as sociedades é passarmos a ter democracias diretas em que todas as pessoas votariam através de uma app de um telemóvel, como se estivessem a jogar Pokemon Go. E as pessoas aplaudem! Profere ainda outras frases de igual estirpe, mas estas que selecionei são realmente impressionantes. É inenarrável a decadência, a mediocridade intelectual do personagem, mas ainda mais grotesco é ver aquela plateia de alunos e professores do ensino superior a aplaudir estas alarvidades como se não dispusessem de mais do que um neurónio para raciocinar.

 

As pessoas aplaudem, é um facto. Depois de ser reeleito para a Câmara Municipal do Porto, vê-lo-emos, Rui Moreira, a tentar uma cadeira do poder central e é provável que consiga. As pessoas aplaudem-no, não se esqueçam! E prestem atenção: Rui Moreira não é um Le Pen, é um Macron.

 

Os ditadores não são os Le Pens, acreditem. Estes raramente chegam ao poder. Os ditadores são os Macrons e vão a votos e ganham. E são aplaudidos.

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