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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

A proeza deste governo

por Amato, em 09.07.18

Nestes anos de geringonça, o PS conseguiu a proeza de enganar o PCP e o BE de inúmeras formas no contexto do reduzido e muito limitado entendimento que estabeleceram entre si.

 

Depois das cativações nos sucessivos orçamentos de estado, que representaram políticas de investimento ainda mais conservadoras do que no tempo do governo PSD-CDS; depois das inúmeras promessas feitas aos sindicatos da função pública que foram quebradas a posteriori; depois de uma legislatura inteira com uma componente fiscal pelo menos tão pesada como nos tempos do ajustamento, quebrando o compromisso geral estabelecido de desenvolver políticas contra a austeridade; depois destas e de outras patifarias, chega-nos agora a notícia que nos dá conta da triste realidade de que a redução do horário de trabalho na função pública para 35 horas foi toda feita à custa da deterioração dos serviços por escassez grosseira de pessoal.

 

Traídos de tantas formas e feitios, não sei a que é que PCP e BE ainda se agarram para continuarem a manter a sua parte deste acordo, um acordo que sustenta um governo de gente tão desonesta capaz de dizer uma coisa pelas frentes e de fazer o seu oposto pelas costas. Não sei. O que sei é que o que quer que seja feito agora será sempre demasiado pouco e demasiado tarde. PCP e BE não deram apenas um governo ao PS. Deram-lhe também carta branca para governar, de facto, à direita e uma oportunidade para limpar a sua imagem política.

Segurança social de quem?

por Amato, em 07.01.18

Deixem cá ver se eu entendo isto.

 

Este ano a idade da reforma aumenta mais um mês para os 66 anos e 4 meses. No próximo ano aumentará mais um mês, em princípio. Dizem que é devido ao aumento da esperança média de vida. Dizem que é para a segurança social ser sustentável. Confesso que não consigo detetar em meu redor quaisquer sinais, por singelos que sejam, que apontem para esse afamado aumento da esperança média de vida. Pelo contrário, vejo o povo a morrer como sempre morreu e na idade em que sempre morreu. Até me parece ver mais gente a morrer antes do seu devido tempo devido a doenças do foro oncológico. Mas isso são as minhas observações empíricas. Não tenho autoridade científica para contrariar o que é dito nos jornais e que toda a gente repete em forma de lei. E que assim seja: que efetivamente estejamos todos a viver por mais tempo!

 

Já relativamente à questão da sustentabilidade da segurança social... Parece que a sustentabilidade da segurança social só se faz por esta via, isto é, pelo aumento da idade da reforma e pela diminuição consistente das reformas em si. Se não, vejamos: a segurança social continua a financiar a burguesia através de estágios por ela remunerados e de emprego precário via o instituto de emprego; a segurança social continua a desviar milhões para os orçamentos de organizações privadas mais ou menos relevantes como a Raríssimas; a segurança social continua a financiar fundações que vivem exclusivamente da teta estatal e cuja função social é incerta ou desconhecida, como a Fundação Mário Soares, por exemplo.

 

Em suma, a segurança social tem suficientes dotações para anualmente servir de plataforma para o estado roubar o dinheiro do povo e injetá-lo diretamente nos bolsos da burguesia e das sua clientelas politico-económicas para que as primeiras incrementem os seus já gordos lucros e as segundas se sustentem principiscamente. Ao mesmo tempo, esse mesmo povo deve rever as suas expectativas em baixa quanto à sua idade de aposentação e ao valor da sua reforma, pois, se não o fizer, a sustentabilidade da segurança social ficará em risco.

 

O embuste é tal que até dá vontade de rir. O que devia ser o princípio lógico de uma rebelião em grande escala contra quem nos governa é interiorizado e repetido como uma verdade incontestável. Que estranho povo sem caráter e sem espinha nos tornámos!

Duas razões para não escrever

por Amato, em 12.11.17

De vez em quando, recebo mensagens que perguntam porque não escrevo mais frequentemente. Em resposta a essas mensagens apresento, de seguida, duas razões essenciais.

 

A primeira é a ausência de tempo e energia para escrever tão frequentemente quão desejaria e porque, ao contrário do que os leitores possam imaginar, este blog não é o centro da minha vida, nem de perto, nem de longe. Existe uma grande quantidade de outras coisas que me despertam o interesse e eu acho que isso é também enriquecedor dos textos e opiniões que constam deste espaço.

 

Kasper Gutman, o famoso personagem do clássico de cinema noirA Relíquia Macabra (título original: The Maltese Falcon), dizia a Sam Spade, o detetive protagonizado por Humphrey Bogart, que desconfiava do homem calado, porque este geralmente escolhia a hora errada para dizer as palavras erradas. Para ele, falar não podia ser praticado de forma judiciosa, a menos que se falasse o bastante.

 

Escrever, como falar, tem que ser praticado de forma abundante para poder ser feito judiciosamente. Tendo a divergir, contudo, de Gutman num ponto: quem fala e escreve demais, a toda a hora e a todo o momento, tem propensão para produzir comunicações de pouco valor e para dizer o que não quer e o que é irrefletido. Não dando um passo atrás antes de falar, não dedicando uma boa dose de reflexão sobre os temas, nem empregando um olhar vasto, como um abraço à realidade em redor, é impossível emitir opinião em qualidade, em amplitude de contexto e de bom-senso.

 

Este é um problema bem visível, por exemplo, no nosso Presidente da República: um comunicador voraz, experimentado, constante e absorvente do espaço mediático, mas uma a uma, as suas intervenções são de um vazio retumbante. Não é por acaso que o Presidente fala, fala, fala muito, fala disto e daquilo, do atual e do passado, pronuncia-se sobre tudo mas, no fim de contas, ninguém sabe bem o que ele disse, nem sabe quais as consequências do que disse para a sua situação, ou seja, o que ele diz não interessa muito. O que fica para lá de todo o infindável jorro de palavras do Presidente é uma, e somente uma, única palavra, a palavra “afeto”, como um leitmotiv ensurdecedor de toda a controvérsia, de toda a discussão, de todo o debate, e, claro, os fonéticos e teatrais abraços e beijos que distribui pela população.

 

A segunda razão porque não escrevo tanto quanto desejaria é a falta de paciência para lidar com a repetição. Por exemplo, há um ano escrevi este texto sobre a Lisbon Web Summit que hoje poderia repetir aqui na íntegra. Passou um ano e a febre em torno desta tonteira, deste disparate megalómano de gente preguiçosa, incapaz e intelectualmente infértil ainda se tornou maior, mais demente, mais pestilente.

 

Isto é bem compreensível, na verdade. É a febre do empreendedorismo, daquela ideia falsa que o capitalismo tão bem sugere de que é possível fazer dinheiro a partir do nada, de necessidades artificiais, vendidas através de um website apelativo ou de uma app qualquer. No fundo, bem lá no fundo, é aquela ideia tão atrativa de que é possível triunfar fazendo de burros o resto da malta, impingindo-lhes necessidades que nunca tiveram antes, extorquindo-lhes rendas por esses serviços de que nunca antes precisaram, frequentemente com criação minimal de emprego e com domicílio fiscal no exterior. Para o estado, para o país, o retorno é próximo de zero, se excetuarmos, claro, as bebedeiras na hotelaria lisboeta por altura da conferência.

 

O reconhecimento da recorrência deste tipo de fenómenos afasta-me da sociedade. Sentir que, ano após ano, nada se transforma, observar o drama desta inércia faz-me não comentar e não escrever. E, por isso, não comento, nem escrevo.

 

Meio mundo virtual está agora em polvorosa com o facto de um jantar final inserido nesta Web Summit ter tido lugar no panteão nacional, a Igreja de Santa Engrácia. Não percebo esta febre de indignação. Simbolicamente, parece-me perfeitamente adequado. A Web Summit janta e defeca lado a lado com os restos mortais de alguns dos mais ilustres cidadãos portugueses de sempre, dando corpo literal à proverbial metáfora: somos um país de papalvos provincianos, sem vestígio de identidade nem noção de história.

O cúmulo da desonestidade política

por Amato, em 09.10.17

Em julho deste ano, portanto há cerca de três meses, a oposição venezuelana convocou ilegalmente um referendo popular que visava colocar em causa a legitimidade política de um governo reiteradamente eleito de forma democrática. O referendo em causa, todavia não seguindo os pressupostos legais, não teve qualquer oposição por parte do estado venezuelano e pôde decorrer com a normalidade possível. Não obstante terem sido violados variados princípios éticos na organização do referendo — as televisões mostravam pessoas a votar nas ruas e sem confidencialidade garantida, por exemplo —, os seus resultados esmagadores contra o governo venezuelano tiveram um eco fenomenal em toda a Europa, particularmente em Portugal e em Espanha.

 

Em síntese, os resultados de um referendo ilegal, mal aplicado, violando princípios básicos de qualquer sistema democrático, foram recebidos com êxtase pelo mundo ocidental e serviram para exigir a demissão a um governo democraticamente eleito, bem como a convocação de eleições antecipadas. Antes de prosseguir, é bom deixar isto bem claro.

 

Volvidos menos de três meses, a Catalunha convocou um referendo sobre a sua independência. O referendo foi, como todos tivemos oportunidade de verificar, fortemente reprimido pelo estado espanhol. Ainda assim, o governo catalão encontrou formas hábeis de conseguir consultar o seu povo.

 

É evidente que, devido à inqualificável ação do governo espanhol, tais resultados não serão representativos, nem o referendo dispôs de todas as condições para ser aplicado com transparência e normalidade. Mas o que é estupendo é que as mesmas forças políticas, as portuguesas e as espanholas, que procuraram legitimar o referendo venezuelano e com base neste exigiram a demissão do governo daquele país chamando-o de “ditadura”, entre outros insultos, são agora lestas a descredibilizar o referendo catalão e a apelidá-lo de “ilegal”.

 

A duplicidade de critérios é absolutamente surreal. Estes políticos — é fácil saber quem são — deviam ser simplesmente proibidos de falar e de exercer atividade pública. São uns crápulas. Ontem ouvi alguns naquele programa de debate, o Eurodeputados da RTP. Houve um que até teve coragem de ensaiar uma resposta indignada perante este mesmo facto que foi apontado pelo eurodeputado comunista.

 

Não há vergonha nem há decência. Não devíamos aceitar este tipo de baixeza na política. Ou sim, ou não. Ou a favor, ou contra. Dizer sim nuns casos e não noutros, ser a favor perante um interesse ou um amigo e contra noutra circunstância, não pode ser. É o cúmulo da desonestidade política.

Guterres, o homem com h minúsculo

por Amato, em 22.09.17

Terça-feira, 19 de setembro de 2017. Donald Trump discursava perante uma assembleia repleta das Nações Unidas. Do alto da sua boçalidade, entre insultos variados e gratuitos à Coreia do Norte, aos seus dirigentes e ao seu povo, disse que, se a oportunidade se se apresentasse, destruiria completamente aquele país. A seu lado, o presidente das nações unidas, impávido e sereno. Disse bem: o presidente das Nações Unidas, aquela instituição que foi criada para promover a paz, a concórdia e o diálogo entre os povos após duas grandes guerras mundiais, após um senhor chamado de Adolph Hitler, chanceler alemão, ter procurado subjugar meio mundo e depois de um senhor chamado Franklin Roosevelt, presidente Americano, ter autorizado o lançamento de duas bombas atómicas sobre o Japão, numa das mais obscenas chacinas perpetradas a coberto da guerra, o presidente das Nações Unidas manteve-se impávido perante um presidente de uma nação que afirmava que destruiria completamente um outro país.

 

É importante que coloquemos nomes, que relembremos a história, porque se não o fizermos corremos o risco de crermos nestas fábulas contemporâneas que nos são servidas pelos media do capitalismo.

 

Mas voltando ao que escrevia, Trump foi às Nações Unidas e disse que dizimaria um povo. Não houve ninguém que o chamasse de genocida. Houve um burburinho, apenas isso. Os amigos genocidas de Israel bateram palmas, claro. Mas ninguém apontou a gravidade da afirmação. O presidente das Nações Unidas manteve-se sereno. Não foi capaz de dizer, “Sr. Trump, modere a linguagem, vamos procurar respeitar-nos. Vamos falar de paz e não de guerra. O senhor está na casa das Nações Unidas, não num reality show qualquer”. Ao que consta, ele acha muito bem tudo aquilo. Ele acha que as Nações Unidas devem ser precisamente isto, um púlpito pomposo onde os países poderosos humilham os demais, uma espécie de canal mundial do serventualismo.

http://lachachara.org/chachawp/wp-content/uploads/2017/03/Turcios-Antonio-Guterres-ONU.jpg

 

Guterres não me surpreende em nada, na verdade. O seu percurso fala por si. É um homem muito pequeno, baixo, um homem de h minúsculo, que se assemelha na forma intelectual mais a um rastejante do que a um mamífero. Sempre foi um serventuário do poder no plano nacional e internacional e, agora, exerce a sua vocação ao mais alto nível.

 

Olhamos para trás, para a poeira da história e ficamos sempre muito espantados. Espantamo-nos com o modo como chegaram ditadores exploradores de povos ao poder. Espantamo-nos com as guerras e com a violência gratuita. O espanto, também ele, é gratuito. As razões estão aqui, bem claras, no presente. As razões estão nos homens com h minúsculo que, como Guterres, servem os mais odiosos poderes sem vestígio de princípios ou valores ou espinal medula.

Consequências lógicas do sistema

por Amato, em 16.08.17

As pessoas não entendem que isto não é por mais esta ou aquela lei, não é por mais polícia na rua, por mais guichets de serviços, pessoal a atender ou papéis para preencher. O que está mal é o sistema. O que está errado é esta filosofia que preside às sociedades humanas e que nos está tão entranhada desde o momento em que vemos a luz do dia e que somos formatados para sermos peões sobre este tabuleiro de xadrez.

 

As pessoas não percebem isto. Porque a lei não existe para sermos tratados por igual. Porque a polícia não existe para nos proteger por igual. Porque os serviços não existem para sermos servidos por igual. Porque os papéis não servem uma organização social que nos trata por igual. A lei, a polícia, os serviços e os papéis servem para proteger o dinheiro e quem o tem. Este é o seu singular propósito.

 

O problema está no sistema, na filosofia, no capitalismo. Nunca nos poderemos tornar melhores sob um sistema que nos trata como cães em disputa constante por uma mesma côdea de pão. Tudo o que vamos assistindo — crime, corrupção, injustiça, iniquidade — são meras consequências lógicas, expectáveis, do sistema.

 

As pessoas não entendem isto. É difícil de entender.

 

Mude-se o sistema, destrua-se o capitalismo e, então, poderemos ambicionar atingir um outro nível mais equilibrado, mais justo, mais democrático, moralmente mais elevado, mais avançado.

Não seja um verbo-de-encher

por Amato, em 07.08.17

A vida tem coisas curiosíssimas. Ainda há três dias comentava com um amigo o quão repulsivo considerava o Jornal i pela sua vocação profundamente reacionária, pela ausência permanente de um mínimo de contraditório, pelos conteúdos absolutamente enviesados do ponto de vista político, embebidos de uma ignorância crónica.

 

Parece que quanto mais cedo tivesse eu tido esta conversa, mais depressa teria surgido este brilhante artigo de opinião. Eu, “antidemocrata” me confesso é um texto de Nuno Ramos de Almeida que aborda concretamente a situação da Venezuela mas fá-lo com uma clarividência e com um bom senso notáveis. Coloca as coisas em contexto: compara o que por lá se passa e o que se diz sobre o que por lá se passa com o que se passou também aqui em Portugal no período revolucionário e o que a imprensa também dizia sobre isso; mas também compara o presente com o passado recente da Venezuela. Baseia-se em factos tão claros que os de boa memória abdicarão do seu direito de confirmação. Do início ao fim, trata-se de um texto belíssimo.

 

De seguida, destaco algumas partes que considero importantes.

 

Adorei a bofetada intelectual dada na insciente face de Francisco Assis (de cada vez que abre a boca, sinto que uma destas é necessária):

Embora o termo democracia esteja enevoado pelas meninges dos Assizes desta vida, democracia quer dizer “poder do povo”. E este só consegue ter poder quando oitenta por cento dele não está na miséria.

 

Sobre a Venezuela antes de Chávez:

Pouco anos depois na Venezuela, em 1989, a população pobre de Caracas revolta-se contra as medidas ditadas pelo FMI e impostas pelo governo de Carlos Andrés Pérez, político da Internacional Socialista. As medidas seguem o chamado “Consenso de Washington”, com redução dos gastos sociais, privatização de empresas públicas e desregulamentação do mercado laboral, aumento dos produtos de primeira necessidade.

 

(...)

 

O país vivia numa imensa miséria com 80% da população abaixo do limiar da pobreza. Nesse dia 27 de fevereiro de 1989, o presidente suspendeu os artigos das Constituição que garantia as liberdades democráticas e mandou a tropa disparar. Segundo os números oficiais morreram 277 pessoas. Segundo observadores independentes e organizações de direitos humanos, mais de 2000 pessoas foram assassinadas, muitas delas depois de terem sido presas e torturadas pelas forças da ordem.

 

O país (...) vivia supostamente em democracia há mais de 31 anos. Mas grande parte da população estava excluída de facto do processo democrático. Não tinha nem voto no que faziam os governos, nem tinha direito à vida. O país tinha uma espécie de rotativismo, entre partidos ditos de centro esquerda e centro direita, que garantiam o poder das elites do costume, e sobretudo os negócios das grandes companhias petrolíferas estrangeiras. Tudo estava bem para a Europa e os EUA.

 

Sobre a Venezuela de Chávez:

A subida ao poder de Hugo Chávez, eleito em 1998, e tomando posse em 1999, veio alterar os dados da situação. O novo poder colocou a companhia petrolífera nas mãos do Estado e usou os rendimentos desta para fazer um conjunto de programas sociais que permitiram às populações dos bairros pobres aceder à saúde, educação e saírem do limiar da pobreza. Esta política de redistribuição dos petrodólares, não alterou a estrutura de propriedade de poder económico do país, mas retirou dezenas de milhões de venezuelanos da pobreza e permitiu que muitos deles começassem a participar no processo político.

 

E a evidência que parece que não importa ou que não existe:

Em 20 eleições democráticas realizadas, os chavistas ganharam 18. Grande parte com enormes vantagens. Nas restantes duas, Chávez foi derrotado com margem mínima num referendo para um novo texto constitucional que pressupunha a possibilidade de voltar a candidatar-se, e, mais recentemente, Maduro, depois de ter ganho as presidenciais, num país em que o poder executivo é do presidente, perdeu as eleições legislativas em que o PSUV teve 41% e a oposição do MUD, 56%.

 

Sobre o papel da comunicação social no processo:

Este processo conta com uma autentica campanha mediática, que tem muito pouco a ver com jornalismo, cujo objetivo é multiplicar o número de mortos entre os manifestantes e esconder os atos de violência da oposição. Só assim se percebe que a maioria dos jornais espanhóis publiquem a fotografia de uma explosão, dizendo que é violência chavista, quando foi um atentado numa esquadra. As televisões afirmem que foram assassinados candidatos, “esquecendo-se”, que eram chavistas que se candidatavam à Constituinte. Que a comunicação social não divulgue notícias sobre chavistas queimados vivos por opositores. E que os média garantam que os números da consulta popular realizada pela oposição são verdadeiros, sem que os registos dos votos e cadernos eleitorais sejam públicos, enquanto contestem a legitimidade da eleição da Constituinte, dizendo-a ilegal, sem se darem ao trabalho de ler o artigo 348 da Constituição, que a regulamenta.

 

Destaco também o parágrafo final:

Aquilo que os EUA e as oligarquias locais e mundiais contestam na Venezuela não é serem dirigidas por um incapaz, ou até o crescente autoritarismo do governo de Caracas: os EUA e os seus aliados europeus dão-se muito bem com regimes, como o da Arábia Saudita, que condenou, recentemente, à morte 14 pessoas pelo crime de se manifestarem contra a monarquia, e onde não há nem oposição, nem órgãos de comunicação social contrários ao governo. O que esses poderes mundiais nunca perdoaram ao chavismo foi a tentativa de promover uma maior igualdade económica e colocar os pobres no centro da ação política. É isso que é imperdoável para quem manda neste mundo. Como disse Assange, se a Venezuela tivesse a constituição da Arábia Saudita, tudo estaria bem para Washington e o petróleo em “boas mãos”.

 

Termino este post com uma nota. As últimas publicações deste blog não têm como intenção que não se debata o que quer que seja. Antes pelo contrário. O objetivo destas publicações é informar o leitor e dizer-lhe, muito claramente, o seguinte:

 

É uma opção sua dizer o que diz e defender o que defende. Faça-o porque realmente acredita no que diz. Não o faça por ser um papagaio da burguesia que controla os países, os jornais, o poder económico e o poder político. Assuma-se. Não seja um verbo-de-encher.

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