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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Para quê?

Thomas Mann

 

O homem não vive somente a sua vida individual; consciente ou inconscientemente participa também da sua época e dos seus contemporâneos. Até mesmo uma pessoa inclinada a julgar absolutas e naturais as bases gerais e ultrapessoais da sua existência e que dá ideia de as criticar tão objectivamente como Hans Castorp, pode facilmente sentir o seu bem-estar moral um tanto diminuído pelos defeitos inerentes a essas bases. O indivíduo pode visar numerosos objectivos pessoais, finalidades, esperanças, perspectivas, que lhe dêem o impulso para grandes esforços e elevadas actividades; mas quando o elementos impessoal que o rodeia, quando o próprio tempo, não obstante toda a agitação exterior, carece no fundo de esperanças e perspectivas, quando se lhe revela como desesperador, desorientado e sem saída, e responde com um silêncio vazio à pergunta que se faz consciente ou inconscientemente, mas em todo o caso se faz, a pergunta pelo sentido supremo, ultrapessoal e absoluto, de toda a actividade e de todo o esforço, então tornar-se-á inevitável, precisamente entre as naturezas mais rectas, o efeito paralisador desse estado de coisas e esse efeito será capaz de ir além do domínio da alma e da moral e de afectar a própria parte física e orgânica do indivíduo. Para um homem se dispor a empreender uma obra que ultrapassa a medida do que é usual fazer-se, sem que a época saiba dar uma resposta satisfatória à pergunta «Para quê?», é indispensável ou um isolamento moral e uma independência, como raras vezes se encontram e têm um quê de heróico, ou então uma vitalidade muito robusta. Hans Castorp não possuía nem uma nem outra dessas qualidades e portanto deve ser considerado medíocre, posto que num sentido inteiramente louvável.

 

— Thomas Mann, A Montanha Mágica

publicado às 22:32

Sobre o caminho a seguir

https://oss.adm.ntu.edu.sg/xtan060/wp-content/uploads/sites/1805/2017/08/2108-cheshire-cat-alice-in-wonderland.jpg

 

— Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
— Isso depende muito de para onde queres ir — respondeu o gato.
— Preocupa-me pouco aonde ir... — disse Alice.
— Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas — replicou o gato.

 

Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas

publicado às 22:02

Os Pobrezinhos

“Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

 

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

 

— Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

 

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

 

— Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

 

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

 

(— Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

 

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

 

— Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

 

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

 

— Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu.

 

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

 

— O que é que o menino quer, esta gente é assim

 

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

 

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

 

— Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

 

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

 

Na minha ideia o padre Cruz e a Sãozinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

 

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".

 

— António Lobo Antunes, in Livro de Crónicas

publicado às 08:43

A névoa

https://minimoeomaximo.files.wordpress.com/2016/05/saramago1.jpg

Conta Eduardo Galeano, grande escritor uruguaio, que Rafael Guillén, antes de tornar-se Marcos, veio a Chiapas e falou aos indígenas mas eles não o entenderam. «Então meteu-se na névoa, aprendeu a escutar e foi capaz de falar.» A mesma névoa que impede ver é também a janela aberta para o mundo do outro, o mundo do índio, o mundo do «persa»... Olhemos em silêncio, aprendamos a ouvir, talvez depois, finalmente, sejamos capazes de compreender.

 

— José Saramago, in Chiapas, nome de dor e de esperança

publicado às 22:54

Ideia fixa em países adiantados

Então o quê? Não concebem um secretário de Estado filósofo, um ministro poeta, escritor elegante, cheio de graça e de talento? Não, bem vejo que não: têm a ideia fixa de que um ministro de Estado há-de ser por força algum sensaborão, malcriado e petulante. Mas isto é nos países adiantados, em que já é indiferente para a coisa pública, em que povo nem príncipe lhes não importa já em que mãos se entregam, a que cabeças se confiam.

— Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett

publicado às 21:02

Pop Nobel

A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan deve ser entendida no estrito contexto de pronunciado declínio da Literatura no mundo contemporâneo. Esse declínio está intimamente conectado com o esbatimento das formas, dos conceitos, em particular no que diz respeito à forma romance e ao próprio conceito de arte.

 

O capitalismo tem destas coisas. Como na nossa sociedade há apenas uma entidade, um valor, que se sobrepõe a todas as outras — o capital —, então é apenas uma questão de tempo até que todas as outras se moldem e se esbatam em função dessa.

 

O romance dos tempos modernos saiu de moda. É um produto que quase que não se fabrica mais. A sociedade da competição, a vida a mil à hora, não se coaduna com a leitura de um escrito substancial, massivo, que necessita de tempo para ser entendido, de horas consecutivas para ser apreendido, interiorizado. Esta sociedade prefere, com efeito, o parente pobre do romance, o chamado romance de cordel. Não interessa se o desenrolar do mesmo seja uma meia dúzia de lugares-comum que se repetem ad nauseam. Com efeito, é melhor deste modo: assim poupa-se no pensar. Por outro lado, o que interessa mesmo é o número de cópias vendidas — lembram-se? —, não é a arte que é vertida em tinta nas páginas brancas.

 

Por seu turno, o conceito de arte tornou-se numa entidade mais abstrata do que qualquer outra, do que jamais foi. Chegamos ao ponto de medir a arte de uma obra pela publicidade gerada, pelo número de likes e de partilhas, para além do número de vendas. Podemos dizer que não, mas na prática é exatamente assim. Se existisse um mínimo de brio profissional na edição livreira, se existisse um mínimo de consideração, de amor, pela arte, se houvesse um conceito concreto qualquer que fosse, então uma boa parte dos livros à venda atualmente nas estantes das livrarias não seria sequer publicada, simplesmente. Não é possível perceber como é que se pode produzir tanto lixo em forma de livro se não se imaginar que possam existir outros objetivos afluentes que se pretendem atingir junto das massas.

 

A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan, já o tinha escrito neste blog a propósito de Vargas Llosa — nem de propósito! —, não é muito relevante, mas deve ser entendida sob este ponto de vista. Há quem diga, e com toda a razão, ser incrível que Portugal, historicamente um país de excelentes escritores, ter apenas um laureado comparativamente com outros países como a Suécia que tem sete vencedores. Isto também diz muito sobre a qualidade das escolhas. Contudo, pela forma como a carruagem Nobel está a fazer o seu caminho, tenho muito receio que o próximo português vencedor do Nobel da Literatura, ou desta nova versão do Pop Nobel, venha a ser algum escritor da espécie de José Rodrigues dos Santos. Tenho receio porque, acima de tudo, se está a tornar provável e porque ainda me sobra alguma noção do ridículo e, por isso, também alguma vergonha.

publicado às 22:07

Uma triste figura

A primeira vez que ouvi o nome de Mário Vargas Llosa foi a propósito da atribuição do prémio Nobel da literatura a este escritor. O ano de 2010 precipitava-se para o seu términos. Na altura não percebi a razão de ser da atribuição deste prémio. Continuo a não perceber. Talvez um dia, quando a força das circunstâncias assim o exigir, pegarei um livro seu em mãos e, então, serei capaz de ajuizar sobre a justeza de tal atribuição.

 

A verdade é que o prémio Nobel não significa muito. Sejamos honestos e não dispersemos com a rudeza das palavras escritas: quantos prémios Nobel da literatura ficaram para a história? Quantos? Conseguem nomeá-los? Até vos faço um favor: percorram a lista da wikipedia e digam-me, honestamente, quantos dos laureados consideram que serão imortalizados acima do escorrer das areias do tempo? Admirados? São poucos?

 

Tal facto apenas vem concorrer para aquilo a que o prémio se tornou ao longo dos anos: um prémio totalmente politizado — no mau sentido —, travestido de qualquer sentido de arte, a leste de qualquer conceito de literatura, com o objetivo único de premiar não o escritor, mas aquilo que o escritor representa, isto é, de usar o escritor como uma bandeira para influenciar politicamente os povos.

 

Claro que, pelo meio, há Steinbeck, há Neruda, há Saramago, há Russel, Sartre e Shaw e ainda Hemingway e García Márquez e existirão outros, com certeza, mas estes acabam por ser exceções a uma regra vil e pérfida que se vem tornando mais carregada, mais descarada, a cada ano que passa.

 

Voltando a Llosa, devo confessar que “comecei” mal com o personagem. Ter como ponto alto do seu currículo uma altercação com Gabriel García Márquez, pareceu-me sempre pouco abonatório com respeito à sua pessoa. Dizem que se tratou de uma “questiúncula de saias”. Nunca consegui interiorizar bem a coisa, todavia. Como é que alguém poderia se chatear com um dos mais queridos, com um dos mais admirados, escritores latino-americanos, o mestre criador do realismo mágico que nos presenteou com algumas das mais preciosas obras literárias? Claro que as coisas não são bem assim, claro que o escritor e o homem não se constituem como entidades indissociáveis com propriedades transferíveis.

 

Hoje percebo melhor a questão. Vargas Llosa poderá ser um excelente escritor, mas é um indivíduo de uma pobreza intelectual assustadora. As recentes declarações sobre o Podemos espanhol e o que realmente pensa sobre o mapa geopolítico na América Latina, na qual se inclui o seu posicionamento sobre as FARC e o processo de paz na Colômbia, são um bom exemplo disso. Qualquer ignorante diria o mesmo. Qualquer ignorante talvez o dissesse melhor, descontados quaisquer assombros de pseudo-intelectualidade.

 

Na verdade, não sei se terá sido a tal “questiúncula de saias” a responsável pelo afastamento de Márquez e Llosa. Talvez sim. Para mim, contudo, a razão essencial terá sido, antes, o facto de Márquez ter visto a vivas cores a natureza medíocre de Llosa. De todas as atoardas que Llosa lançou nos últimos dias, a que para mim se reveste de maior dramatismo é a seguinte: “As utopias não trazem o paraíso à terra. Criam o inferno.”

 

Com esta tirada não sobra mais nada para se dizer. Para Llosa, contentem-se com o que temos: não vale a pena ambicionar mais nada. Ficamos por aqui. Para mim, é extraordinariamente triste ouvir tais palavras.

 

Acima, escrevi que Llosa talvez fosse um excelente escritor. Esqueçam. Quem diz uma coisa destas não pode ser um excelente escritor, tão pouco um razoável escritor. Tão pouco um razoável ser humano. Esqueçam a diferença que existe entre o escritor e o ser humano. Não se aplica. Llosa apenas poderá ser um medíocre, um triste escritor, um triste homem... uma triste figura.

publicado às 17:58

"Cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis"

Depois de publicar a parte da citação de Almeida Garrett que é mais conhecida, mais popular, digamos, dei comigo a revisitar o Viagens na Minha Terra. A citação em causa vem logo no terceiro capítulo e pareceu-me insuficiente. Com efeito, tanto o texto que a precede, como aquele que a ela se segue, são de uma riqueza tão assinalável que me parece indesculpável que não se lhes dê iguais honras de destaque.

 

Todo o parágrafo, que transcrevo em seguida, é de uma beleza muito rara no universo dos livros escritos em português, normalmente abundantes de um provincianismo que não permite reflexões deste género. Saliente-se antes ainda a incontornável pergunta que ecoa por entre as linhas do texto:

 

“No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana?”

 

Bravo, Garrett!

 

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó-de-pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos-de-ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa, como tendes feito esta que Deus nos deu, tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai: reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. — No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico. — Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já deve de andar orçado o número de almas que é preciso vender ao Diabo, o número de corpos que se têm de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro — seja o que for; cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.

 

— Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra

 

Viagens na Minha Terra, Livros de Bolso Europa América

 

publicado às 21:07

O Leitor, 2008

Hoje assisti a um filme que me comoveu. Chama-se O Leitor (título original The Reader), original de 2008.

 

Este filme fez-me refletir sobre a hipocrisia das massas. Fez-me pensar que o que buscamos, tanto ontem como hoje, é de um bode expiatório dos nossos pecados e das nossas imperfeições. Se há coisa em que se pode dizer com propriedade que a humanidade não mudou um milímetro ao longo dos milénios da sua existência é isto: conseguimos ver num pueril singular sacrifício a capacidade de redenção das massas, de purificação dos seus pecados coletivos.

 

Ontem, como hoje.

 

O filme fez-me refletir sobre muitas outras coisas, mas esta foi a mais importante.

 

O Leitor, com Kate Winslet soberba (venceu um óscar à conta do seu desempenho neste filme).

 

O Leitor

 

 

publicado às 20:52

Quantos pobres são precisos, afinal, para produzir um, somente um, rico?

Almeida Garrett

 

E eu pergunto aos economistas-políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico.

 

— Almeida Garrett, in Viagens na Minha Terra.

publicado às 20:49

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