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Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

We will always have Kosovo?

Ai, que pena é já não nos lembrarmos do Kosovo... de como foi dada a independência em 2008 a essa pequena região sérvia sem nenhuma justificação que não fosse a de haver uma grande população de origem albanesa, de como o “direito internacional” de nada valeu então e dos bombardeamentos da NATO que destruíram gratuitamente boa parte da belíssima Belgrado...

Que pena a nossa falta de memória! É que daria tanto jeito para vermos a situação da Ucrânia de um outro modo!

Já não peço conhecimentos em história e geografia europeias: peço, simplesmente, memória! E não tão longínqua assim... Não peço para relembrar a crise dos misseis de Cuba e do estado de loucura que provocou na América dos anos 60. Claro, isso foi nos anos 60, quase ninguém era nascido nessa altura... Hoje é lícito os americanos colocarem misseis em tudo o que é país fronteiriço da Rússia. É muito diferente, claro.

É que tudo o que os americanos não gostam que lhes façam a eles, fazem aos outros e tudo aquilo que os americanos fazem aos outros não admitem que os outros façam. Complicado? Não, é muito simples. Com a atenuante de que o que está em causa, como sempre esteve, é a segurança da população russa naqueles territórios ucranianos a qual, desde o golpe de estado de 2014 que instaurou um regime com “simpatias” neo-nazis naquele país, tem estado seriamente comprometida.

Mas todos nós convivemos bem com um regime que “adora” suásticas, militarizar as populações e submetê-las segundo a regra da violência de milícias armadas. Claro que convivemos bem: a Europa patrocinou esse golpe de estado na Ucrânia, como poderia ser de outro modo? Se não aceitamos o direito que a Rússia tem em zelar pelos seus legítimos interesses, aceitemos, pelo menos, o direito que a Rússia tem em proteger os seus cidadãos. É só isso. O resto é propaganda descarada de uma grande potência que já só o é para as televisões e para os jornais amestrados (neste particular, note-se a grande adição que foi a CNN Portugal ao panorama de papagaios do imperialismo que já tínhamos aqui no bairro). Aos Estados Unidos da América, de facto, já não lhes resta mais do que isto: propaganda. Daí toda esta histeria dos capangas da NATO: como não podem fazer nada, berram e chamam nomes, como as crianças no recreio da escola.

publicado às 11:16

A culpa é da seca?

Será da seca a culpa da falta de água?

Será da seca a culpa da falta de água nas barragens?

Será que as barragens não andavam a carburar a dobrar por força dos encerramentos extemporâneos das centrais elétricas a carvão?

E os 30% de eletricidade que importamos, também se devem à seca?

E os custos da eletricidade, sempre a subirem?

E a gasolina a 2 euros o litro?

Pobre seca... ilustres governantes... pobre país cada vez mais dependente energeticamente, integralmente submetido a soberanos estrangeiros...

Pobre seca que carrega as culpas da falta de água...

publicado às 19:06

O rescaldo possível

Para mim é sempre difícil, penoso, fazer o rescaldo das eleições em Portugal, sejam elas quais forem. Para um revolucionário que vê neste sistema capitalista as correntes que não nos deixam ser livres, viver em plenitude, perseguir os nossos sonhos de um modo sustentável e racional, todas as vitórias são meramente simbólicas, todos os ganhos são escassos e todas as derrotas demasiado dramáticas porque se constituem como oportunidades perdidas, adiamentos do progresso que a humanidade reclama, mesmo que disso não tenha qualquer consciência.

As passadas eleições não trouxeram nada de novo, muito embora a comunicação social se tenha excitado muito com a maioria absoluta do PS e o grande crescimento da extrema-direita neoliberal e fascista. Não considero estes factos verdadeiramente surpreendentes, de facto. Quando pensamos bem na coisa e no modo como foi preparada, vemos que não há muito de surpreendente nisso: o discurso fortemente bipolarizador, a ameaça da extrema-direita, as sondagens com empates técnicos fictícios e, claro, uma esquerda sem um discurso próprio, sem um discurso afirmativo, sem a capacidade ou a vocação para desmascarar as intenções e as práticas políticas do PS — em boa verdade, depois de seis anos de colagem total à governação socialista, como poderia tê-lo feito? Adicione-se uma liderança verdadeiramente incapaz da parte do PSD, um António Costa a acenar com aumentos e distribuições de verbas da forma mais inadmissivelmente anti-ética, e fez-se a calda perfeita para o resultado eleitoral verificado.

Do lado da direita, também não considero os resultados particularmente brilhantes, ao contrário do que a comunicação social reacionária tem procurado veicular. Juntos, Iniciativa Liberal e Chega obtiveram qualquer coisa como 13% de votos, 8% para o Chega e 5% para a IL. Claro que houve um crescimento, mas em si mesmos, são resultados bastante medíocres: 8% para a terceira força política é dos resultados mais fracos de sempre e considerando o quase desaparecimento do CDS estes resultados são ainda mais irrelevantes. Note-se que, há uns anos, Paulo Portas chegou a obter um resultado equivalente a estes 13% sozinho com o CDS. O que se passou foi, com efeito, uma transfiguração da direita, uma mudança de rostos e de plataformas políticas. É manifestamente injustificado, ainda, falar-se num crescimento da direita: a única coisa que aconteceu foi uma substituição de direitas e transferências praticamente diretas de votos.

O que resultou de mais grave nestas eleições é a perceção clara de um enfraquecimento substancial da esquerda que perde votos para o PS e, até, para o Chega. PCP e Bloco estão reduzidos a meros 10% de votos. É grave a transferência de votos operada, porque significa, mais que uma erosão eleitoral, uma erosão ideológica. Há algo de realmente errado quando uma pessoa que vota Partido Comunista passa a votar PS ou — imagine-se! — Chega. Devia ser sobre isto que estes partidos, PCP e Bloco, deviam ponderar com seriedade. Que eleitorado pretendem? Que eleitorado estiveram a construir com os seus discrusos e as suas práticas? Foi isto que conseguiram com seis anos de geringonça.

O que resulta surpreendente nestas eleições, e também nas demais, é que o povo não nos surpreende. As grandes massas, por muito que deem aso, diariamente, à mais contundente crítica relativamente ao sistema político e seus serviçais, demonstram à saciedade a sua aversão completa por qualquer vislumbre de mudança, um comodismo implacável pela situação presente, uma genuína falta de ambição por um futuro melhor, mais próspero, mais honesto e mais justo. A distribuição dos votos é, essencialmente, sempre a mesma. As escolhas são sempre, essencialmente, as mesmas. Como que se isto fosse o melhor que estamos autorizados a ambicionar. Como se isto fosse a meta que queríamos atingir, o paraíso na Terra tal como nos foi prometido. No final das contas, contados e recontados todos os votos, é essa sensação de resignação que fica e que me deixa sempre muito desanimado.

publicado às 16:03

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