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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Ninguém compreende Nash

por Amato, em 29.12.17

John Nash foi um matemático brilhante que marcou a ciência sobretudo pelos seus estudos em Teoria de Jogos. As aplicações da sua teoria inovadora valeu-lhe, em 1994, a atribuição do Prémio Nobel em economia. Mas que teoria foi essa afinal?

 

John Nash

 

A Teoria de Jogos é um ramo da Matemática que se preocupa com o estudo de jogos num sentido lato do termo, isto é, por jogo devemos entender uma competição entre duas ou mais partes. Nash dedicou-se particularmente aos jogos não cooperativos, onde, genericamente, cada parte atua individualmente em competição. Ao contrário do paradigma até então que defendia que cada parte competia pelo prémio máximo procurando eliminar os adversários dessa forma retirando-lhes qualquer ganho, Nash defendeu na sua tese de doutoramento que, pelo contrário, as partes tendiam a chegar a um entendimento, ou acordo, que permitisse a todas não perder e a garantir ganhos estáveis e repartidos. Este entendimento é chamado de equilíbrio de Nash e as suas aplicações à economia são evidentes. Mais: a existência do equilíbrio de Nash é natural e espontâneo: chama-se cartel ou cartelização. A título de exemplo, veja-se o que sucede com o preço da gasolina previamente acordado por todas as marcas fornecedoras. É igual, não é? Mas não devia ser. É o equilíbrio de Nash!

 

O problema é que ninguém compreende Nash, verdadeiramente. Ninguém compreende o alcance da sua teoria e do seu equilíbrio, por muitas vezes que vejam Uma Mente Brilhante. O equilíbrio de Nash diz-nos uma coisa tão simples quanto isto: a existência do mercado livre é uma mera abstração. Não tem correspondência com o real.

 

No ano novo que aí vem vamos ser confrontados novamente com uma nova manifestação do equilíbrio de Nash. Face aos aumentos obscenos das tarifas da eletricidade na EDP que se anunciam, os nossos governantes, impotentes e serventuários perante o poder económico, mandam-nos procurar alternativas na concorrência. Vamos, então, ficar muito admirados quando comprovarmos que toda a chamada “concorrência” do mercado da eletricidade vai oferecer preços muito semelhantes aos praticados pela EDP.

 

É o capitalismo no seu esplendor! Nash explica-o.

O Natal de Hipácia de Alexandria

por Amato, em 23.12.17

Há um filme que eu acho que todos os cristãos deviam ver e não consigo imaginar uma melhor ocasião para o fazer do que o Natal. Chama-se Ágora e tem a soberba Rachel Weisz como atriz principal.

 

Ágora traça um retrato aproximado do advento do cristianismo no império romano e do que se terá passado na cidade de Alexandria, a cidade farol do conhecimento na era pré-cristã. Alexandria foi fundada de raiz, no norte do Egito, por Alexandre, o Grande, muito antes dos romanos. Alexandre quis edificar uma cidade nova que contivesse todo o conhecimento do mundo, onde todos os sábios pudessem estudar e formar novos sábios, criando novo conhecimento. Assim, a cidade de Alexandria foi construída em torno de dois monumentos essenciais e indissociáveis: a grande biblioteca, que ambicionava conter nos seus escritos toda ciência humana, sede dos grandes sábios que lá acorriam para beber do seu conhecimento, e o alto farol, cujo objetivo era iluminar as mentes dos homens e o seu caminho e não as suas embarcações.

 

Rachel Weisz oferece uma superior interpretação da personagem Hipácia de Alexandria, presumivelmente a primeira mulher cientista de que há registo no mundo ocidental.

 

Hipácia de Alexandria, pormenor do quadro A Escola de Atenas

 

A ascensão do Cristianismo ao poder no império romano fez-se como em tantos outros casos semelhantes, antes e depois: através da ignorância. Os cristãos aproveitaram-se de um ponto fraco de quase todas as sociedades e, em particular, das sociedades clássicas, que era a sua iniquidade muito acentuada. Essa iniquidade, essa diferença tão abismal entre os cidadãos e os escravos, entre os ricos e os pobres, serviu de alavanca à mobilização das massas incultas contra o sistema "pagão" vigente. Os resultados foram catastróficos, como não poderia deixar de ser. A biblioteca foi destruída, os pergaminhos queimados, os cientistas perseguidos e mortos, milénios de conhecimento destruídos de um dia para o outro. A própria Hipácia conheceria um fim horrível, torturada e mutilada, cortada aos pedaços, até à morte por apedrejamento. Os seus restos mortais haviam de ser, então, queimados numa fogueira. Morreu assim a primeira cientista mulher de que há registo, uma mulher brilhante e corajosa cujo pecado terá sido erguer a sua voz contra a ignorância que invadia as esferas da sociedade.

 

Muitos historiadores consideram a morte de Hipácia como o símbolo do fim da Era Clássica que terá lançado as bases para o início de uma idade de trevas e de insciência que se prolongaria por quase dois mil anos. Resta-nos apenas imaginar o que se terá perdido em termos de conhecimento com a destruição de bibliotecas, as queimadas de livros e a perseguição de sábios do período clássico. Apenas podemos imaginar. Mas quando não sabemos explicar coisas tais como, por exemplo, como é que os egípcios conseguiram erguer as pirâmides ou como os sumérios puderam administrar tão vasto território, estaremos seguramente na pista de conhecimento irremediavelmente perdido.

 

Nenhuma religião na história dos homens que conhecemos consegue chegar aos calcanhares do cristianismo no que diz respeito ao atraso intelectual a que votou a humanidade no seu conjunto. Este é um feito assinalável e que deve ser conhecido para que, nos dias de hoje, não nos deixemos enganar, uma vez mais, por falsos profetas guardiões da moralidade. É que a história teima em repetir-se e nós não podemos ser melhores se não conhecermos o nosso passado.

 

Nós, que nos sentimos tão poderosos com a arrogância dos nossos smartphones e tablets, corremos um risco muito maior do que o que julgamos de mergulhar no mais profundo obscurantismo de um dia para o outro. O que sabemos nós, afinal? Em que bases é que assenta esta sociedade em que vivemos? Somos muito facilmente manietados pelo que nos rodeia e agimos como meras cobaias de laboratório. Estamos nas mãos de quem nos governa.

 

É isto que retiro do filme Ágora: a possibilidade assustadora da história se repetir. Vejo claramente fragmentos dessa repetição todos os dias. Como terá sido possível que grandes civilizações tenham desaparecido sem deixar o mais pequeno rasto? Como ainda hoje não conseguimos explicar tantas evidências do passado? A resposta está algures aqui, na ignorância absurda e inimaginável a que pequenas minorias conseguem votar as grandes massas de população, uma e outra vez, ao longo da história da humanidade.

 

Lembremo-nos de Alexandria. Lembremo-nos de Hipácia.

 

Sempre.

A verdade do avesso

por Amato, em 20.12.17

O caso Raríssimas é um excelente exemplo de como a discussão pública em torno dos mais variados temas é um rodilho com excesso de infantilidade e falta de seriedade e de pragmatismo. O debate em torno da Raríssimas foi e continua a ser exatamente assim, misturando sentimentalismos mais ou menos hipócritas com julgamentos subjetivos e pouco contextualizados de modo a não se discutir nada do que seja essencial. E o que é essencial é este sistema de capitalismo de estado burguês.

 

Em primeiro lugar, sejamos sérios: qual é a novidade do caso Raríssimas? Quantos de nós já não ouvimos tantas histórias semelhantes de associações similares? É que, não sendo sérios connosco próprios, como podemos sê-lo na discussão do caso?

 

Em segundo lugar, quem se pode verdadeiramente espantar com este caso? Não foi o estado e muitos de nós individualmente que confiámos o nosso dinheiro nas mãos de uma associação que, em boa verdade, não tem — nem tem que ter, diga-se — nenhum tipo de responsabilização ou de supervisão da sua atividade? Do que é que esperávamos, afinal?

 

É que a questão é mesmo esta: a nossa sociedade escolhe confiar em privados, que não são eleitos nem se submetem a qualquer tipo de sufrágio ou de controlo, para servir o bem público. Eu sempre pensei que esta era a definição prática da palavra estado, mas parece que tenho andado enganado.

 

Estamos aqui à espera para ver se neste processo alguém será constituído arguido, se alguém será acusado e se alguém será condenado ­— são coisas diferentes. Preparem-se para uma boa espera. O problema em causa não tem, à partida, nada de ilegal: é, antes sim, moral.

 

Moral!

 

Mas nós confundimos tudo, confundem-nos, lançam-nos areia para os olhos, levam-nos nesta dança histérica durante uma ou duas semanas que é para que nada de substancial seja alterado e para nos darmos conta disto mesmo.

 

É que — reparem bem — se a Raríssimas é culpada de esbanjar o dinheiro da Segurança Social em vestidos e camarão, também a Sonae e a Jerónimo Martins são culpadas de acumularem os fabulosos lucros que todos os anos garantem lugares de destaque aos seus líderes nas listas de milionários deste mundo, porque esses mesmos lucros são obtidos às custas de operadores de caixa colocados pelo Centro de Emprego e pagos pela Segurança Social — será que há alguém que está a ler estas palavras que desconhece esta realidade?!

 

Mais: apesar das benesses que estas e outras empresas recebem da Segurança Social, que somos todos nós, não organizarão também os seus cocktails de camarão? Não comprarão também os seus carros de serviço de luxo? É que é a mesma coisa! Onde está a moralidade? Onde está a diferença? A diferença é que no caso da Raríssimas o povo tem pena dos meninos doentes, tem pena das vítimas. A diferença é o sentimento que salta à vista. O problema não é a Raríssimas. O problema é o sistema. O problema é o capitalismo.

 

Mas nós não somos sérios nem quando a coisa nos bate de frente. E mais, escolhemos ser infantis na forma como encaramos a coisa. Ao mesmo tempo que a maioria de nós vê no estado um demónio usurpador de liberdades — em muitos casos com fundadas razões — olhamos para os privados, nomeadamente nestas "instituições de solidariedade", como anjos puros sem qualquer tipo de interesse próprio. Parece que não crescemos desta infantilidade endémica e preferimos antes continuar a ver a verdade do avesso.

Um estado de coma cerebral coletivo

por Amato, em 11.12.17

Não sei onde é que este mundo vai parar. À partida, as expectativas não são boas.

 

O povo, o proletariado, as massas que trabalham, que produzem, que colocam o planeta a girar, que transformam mundos e são capazes de os colocar de pernas para o ar, estão cada vez mais mergulhados num estado de coma cerebral, agarrados ao smartphone e ao tablet em cada minuto de liberdade de que dispõem. Esta febre de novas tecnologias tem contribuído sobretudo para este estado de coisas: o ser humano médio já não sabe o que é pensar pela própria cabeça. Pelo contrário, deixa que o smartphone pense por si e que o seu tablet lhe injete nas veias as sensações que é suposto que sinta, disfarçadas de app ou jogo infatilo-idiota.

 

Com este relato que faço do estado de coisas não olvido que o problema retratado não seja verdadeiramente novo. O que temos assistido, todavia, é a uma grande sofisticação deste processo de adormecimento das massas neste estado de coma cerebral coletivo.

 

A História não deixa nunca de me surpreender. O que as ditaduras não conseguiram lograr em amordaçamento dos povos, a democracia conseguiu. Quem diria que era dando a corda da liberdade aos povos, que seriam eles próprios a dar os nós de forca sobre os seus próprios pescoços? O que as inquisições e o fanatismo religioso não conseguiram fazer em termos de obscurantismo científico e do saber, nem fogueiras de cientistas, nem queimadas de bibliotecas, as novas tecnologias contemporâneas conseguiram-no. Hoje, os jovens deixam voluntariamente os livros, nem lhes pegam, para se agarrarem a joguinhos de autossatisfação pueril. Quem diria? Vivemos uma nova idade das trevas, mais profunda e mais poderosa, e nem damos conta disso.

 

Paralelamente, como pode um povo, em pleno século XXI, delirar com os feitos de um mero jogador de futebol?

 

Como pode?!

 

É verdadeiramente inacreditável! É inacreditável para mim mesmo quando coloco a coisa no papel! É inacreditável ler e reler estas mesmas palavras que acabo de escrever! Mas é bom que encaremos o problema de frente: as massas deliram com os feitos de um jogador de futebol! Não deliram com um cientista, com um escritor, com um professor ou com um sábio. Tão pouco deliram com um jogador de xadrez que ainda seria algo digno de admiração. Deliram com alguém que dá pontapés numa bola!

 

Estamos a moldar um povo inteiro à imagem de um mero jogador de futebol que só tem isso mesmo para dizer dele próprio: é jogador de futebol. De resto, trata-se de um homem de reduzida instrução, de parca cultura geral e que mal consegue articular duas palavras numa entrevista informal. É este o modelo de homem e de pessoa para a esmagadora maioria dos jovens de Portugal, já para não falar da Europa e do mundo.

 

Tomem atenção a esta realidade. Se Cristiano Ronaldo coloca dois brincos na orelha direita, os jovens imitam-no. Se faz um desenho no penteado, o mesmo sucede. A juventude não sabe falar? Não há problema, se fala como o Cristiano Ronaldo, então está tudo bem. Não é bom a Matemática? Sem stress, o Cristiano Ronaldo também não e é riquíssimo e famoso.

 

Cristiano Ronaldo tornou-se na norma, na lamentável norma pela qual aferimos a nossa qualidade pessoal. E o mais grave é que a sociedade aceita de forma cega e surda todas as opções pessoais dos seu modelo. Ai, Bandura, Bandura... quão verdadeira e quão perigosa é a tua teoria de aprendizagem social... Por exemplo, considero moralmente chocante que Cristiano Ronaldo ande a encomendar filhos por catálogo, leia-se por barriga de aluguer — já lá vão três! —, mas não vejo ninguém incomodado com a moralidade da coisa. Não é que ele não possa fazer o que quer, nem que não tenha a liberdade para o fazer. Antes, é esta aceitação acéfala de tudo o que faz e a adoção da sua pessoa como modelo transversal. Porque Cristiano Ronaldo é quem é, de alguma forma nem as leis, nem qualquer conceito de moralidade se lhe aplicam. Erguem-lhe estátuas! Ele é Cristiano Ronaldo, ele faz o que quer porque já ganhou cinco bolas de ouro. E agora, nesta quadra, até substitui o Pai Natal nos anúncios da televisão, ao que parece. É extraordinário e ridículo. O problema não é ele, bem entendido, somos nós! Ele é apenas um jogador de futebol. Nós é que fazemos dele mais do que o pouco que ele é.

 

É um caminho perigoso este que estamos a trilhar. Quando dermos por isso, não sobrará muito do que julgávamos adquirido, nem princípios, nem valores, nem cultura e nos quedaremos com um povo ignorante, incapaz, por mais cursos superiores que lhe atribuam, agarrado a smartphones e tablets, a adorar falos ídolos e sem consciência nem de si, nem do que os rodeia, num estado de coma cerebral coletivo.

 

Duvido que as pessoas do século X achassem que viviam na idade das trevas. Se lhes dissessem isso, desdenhariam. Cinco séculos depois, Petrarca caracterizou desse modo esses tempos. Nós também não temos consciência dos tempos em que vivemos.

O acervo da realidade

por Amato, em 01.12.17

Fechado mais um orçamento de estado deste governo, resulta transparente a ideia central que tem vindo a ser veiculada neste blog: a esquerda, PCP e BE, troca o seu apoio parlamentar por um punhado de pequenos ganhos centrados, sobretudo, no setor público do estado, funcionários públicos e pensionistas, bem entendido. Código de Trabalho, condições de vida e de trabalho dos trabalhadores não públicos, rendas e benesses aos grandes grupos monopolistas da economia e dos recursos nacionais, são dossiês que, com efeito, não sofrem uma alteração que seja ideológica, e é melhor não nos debruçarmos muito sobre o tema ou arriscamo-nos a descobrir alguma surpresa desagradável da qual não nos tenhamos dado conta, ainda. Sejamos muito claros: a influência da esquerda nesta governação não toca, tão pouco superficialmente, em absolutamente nada que seja estrutural. PCP e BE comportam-se como pedintes de mão estendida, agradecendo ao seu senhor a migalha de pão que este lhes dedica e parecem não ter a consciência do poder substancial que detêm e que lhes permite, qualquer um deles individualmente, fazer o governo cair.

 

Neste ponto, deixo um aviso à navegação. Leiam as palavras que escrevo com atenção para que delas não sejam extraídas conclusões erradas. Quem acompanha este blog sabe bem que eu nunca fui um opositor desta solução governativa e não deixo de lhe reconhecer méritos importantes. Entre outros, foi importante para travar o ímpeto legislativo neo-liberal que avassalava o país e para mostrar à sociedade que, quer PCP, quer BE, se podiam assumir ativamente como partidos de solução governativa, quebrando o preconceito político instalado em sentido contrário. Não obstante, a gestão que tem sido feita da “coisa” deixa muito a desejar e é contra isso mesmo que me revolto.

 

Em primeiro e em último lugar, vamos à realidade. Neste mundo completamente dominado pelo virtual, pela contaminação da mentira e pelo culto da propaganda elevados a níveis estratosféricos, nunca antes experimentados pelas sociedades humanas, diga-se, o apuramento do acervo da realidade revela-se um exercício de vital importância, nem que seja tão somente pelo resgatar da nossa própria sanidade mental dos grilhões de tão demente sociedade.

 

Se enveredarmos por este exercício honesto, a verdade é que, em abono deste governo não resta muito mais do que os fantasmas do governo anterior, o receio pelo que poderia ter existido, o medo, em estado puro, do desconhecido. Porque assim é, temos permitido que este governo, tendo parado a aceleração neo-liberal no país, prosseguisse a velocidade constante e firme esse mesmo caminho neo-liberal traçado anteriormente e não ousamos dizer nada, nem apontar qualquer dedo na sua direção, com medo do retorno de alguma imitação mais ou menos grosseira de Passos e de Portas.

 

Como disse anteriormente, nada de substancial ou estrutural foi beliscado no país; impostos de natureza extraordinária foram efetivamente substituídos por impostos de caráter permanente; orçamentos de estado conservadores, recessivos e anti-constitucionais foram substituídos por orçamentos de estado mentirosos alicerçados na cobardia e na baixeza política das cativações orçamentais. Não há ninguém que seja intelectualmente honesto, e que não seja um pensionista ou um funcionário público, que possa defender que o Portugal de hoje é melhor que o de ontem. Não há ninguém que consiga afirmar que a escola pública está melhor, ou que os centros de saúde ou os hospitais funcionam hoje melhor do que ontem. Não há ninguém que possa dizer que no seu trabalho dispõe de melhores condições ou de mais estabilidade, nem que, ao fim do mês, lhe sobre mais dinheiro do que sobrava no passado. É verdade que já não paga sobretaxa de IRS, mas está a pagar o litro da gasolina a quase 1,60 euros, entre outras taxas encapotadas de que nem dá conta, ao mesmo tempo que se vê empurrado para fora da sua cidade por causa do arrendamento turístico.

 

O país está melhor, afirmam os cartazes de propaganda governamental, e é verdade que está, porque há mais emprego e mais dinâmica económica, mais dinheiro a circular. Mas quanto disso é responsabilidade deste governo?

 

Quanto?!

 

Um crescimento suportado por um contexto de crescimento de todos os países da zona euro, dinamizado sobretudo pelo turismo e secundado pelo consumo e endividamento interno crescentes no país, denota que a influência governativa neste ciclo positivo é relativamente diminuta. Sejamos sérios: todos estes sinais já vinham a ser dados com o anterior governo e o mais certo é que, quando o ciclo económico fizer o pino, a nossa cada vez mais frágil economia, tão dependente do exterior — dos credores e dos agiotas, dependente do turismo e completamente terciarizada —, será afundada, uma vez mais, como a pobre embarcação que é, à deriva no imenso oceano da dívida, sem rumo e sem nenhuma ideia do que quer para si própria.

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