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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

A névoa

por Amato, em 10.02.17

https://minimoeomaximo.files.wordpress.com/2016/05/saramago1.jpg

Conta Eduardo Galeano, grande escritor uruguaio, que Rafael Guillén, antes de tornar-se Marcos, veio a Chiapas e falou aos indígenas mas eles não o entenderam. «Então meteu-se na névoa, aprendeu a escutar e foi capaz de falar.» A mesma névoa que impede ver é também a janela aberta para o mundo do outro, o mundo do índio, o mundo do «persa»... Olhemos em silêncio, aprendamos a ouvir, talvez depois, finalmente, sejamos capazes de compreender.

 

— José Saramago, in Chiapas, nome de dor e de esperança

Ser "de esquerda" III

por Amato, em 08.02.17

http://img03.deviantart.net/58a2/i/2013/362/a/d/jose_mujica_by_robertobizama-d6zq9kn.jpg

Há coisas que não se compram, não têm preço. Não se pode ir ao supermercado e pedir mais cinco anos de vida. Assim como o afeto das pessoas, isso não é subornável.

 

Temos que dar conteúdo à nossa vida. Ou seremos apenas consumidores de supermercados, trabalhadores que perdem três horas por dia para ir e vir do emprego e vivem para pagar contas. É preciso ter uma causa e essa é se preocupar pela sorte dos demais.

 

Nós que lutamos pela igualdade no direito de navegar na aventura da vida, nas oportunidades. Isso define a posição filosófica perante a vida, na qual prima a solidariedade sobre o egoísmo.


Sou um homem feliz e vou morrer feliz porque vivo, sonho e caminho como penso para o que penso.

— Pepe Mujica em entrevista.

O guião que já se conhece de cor

por Amato, em 05.02.17

A ministra da Presidência veio dar uma entrevista com o primordial propósito, todavia em jeito de mensagem subliminar, de começar a tornar públicas e declaradas as intenções do governo em vender o Novo Banco por um baixo valor.

 

Note-se que a escolha desta figura secundária do executivo para efetuar tal declaração não é de todo inocente. Este governo, aliás, usa e abusa desta estratégia: vai preparando a opinião pública para o que pretende fazer, com declarações um pouco inesperadas, um pouco a despropósito, feitas por personagens suficientemente secundárias para se poder descolar delas se assim o entender, ao mesmo tempo que ausculta atentamente as reações resultantes.

 

Este governo é como aquele menino que prefere entrar aos bocadinhos na água fria do mar, em vez de entrar de mergulho. Primeiro um pezinho, depois um joelho, um saltinho, um passo atrás e tenta novamente. Não vou dizer que o resultado é exatamente o mesmo, antes pelo contrário. Mais que uma questão de estilo, é uma questão de estratégia.

 

Em boa verdade, as declarações de Maria Manuel Leitão Marques, de seu nome — o nome lembra-me a outra Maria, a Luís, mas é apenas casualidade —, são de todo em todo redundantes. O guião deste filme está escrito desde o princípio, todos o sabemos. Já vimos a cena repetida por tantas vezes que apenas um imbecil esperará um desfecho diferente: o banco vai à falência, o estado injeta dinheiro no banco e paga as dívidas assumindo o seu controlo, o estado põe à venda, o estado entrega de graça (a troco de simbólico valor) de volta ao controlo privado. O que o estado pagou, pago está, perdido está e o seu papel na sociedade cumprido em plenitude: salvou a burguesia aflita. Sejamos claros: o estado apenas serve para acudir a burguesia e salvaguardar os seus interesses.

 

Também aqui, vemos claramente o quão semelhante é este governo relativamente ao governo anterior, o quão empenhado está no seu papel servil relativamente aos senhores deste país, a burguesia que domina sobre o povo. Partido Comunista e Bloco de Esquerda: é um jogo perigoso este que jogam. Não consigo vislumbrar que ganhos para o país esperam dele e espero que estejam à altura do balanço final quando ele estiver aí para ser feito. Por ora, a imagem que estão a construir é a de coniventes menores com este estado de coisas.

Uma questão de economicismo relativamente à iluminação pública?

por Amato, em 02.02.17

Todos os dias de manhã assisto ao desligar das luzes da cidade do Porto. Hoje foram desligadas vinte e oito minutos depois das sete. A cada dia que passa a hora é atrasada um pouco devido ao facto de amanhecer cada vez mais cedo.

 

Acontece que a hora em que a iluminação pública é desligada é incrivelmente desajustada. Com efeito, quando as luzes são apagadas, a cidade fica completamente envolta num breu, sem vislumbre de sol, e eu e as pessoas que, como eu, se deslocam para o trabalho a essa hora têm que o fazer sob noite fechada. O percurso torna-se um pouco perigoso, sobretudo em dias com condições atmosféricas adversas.

 

Tenho observado o facto ao longo deste inverno e não encontro explicação para o mesmo. Será um mero erro de programação? Será uma questão de economicismo?

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Amato

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