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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Sociedade doente

por Amato, em 25.12.16

Esta sociedade tem que estar mesmo mesmo doente quando há pessoas que enviam e-mails de trabalho no dia de Natal.

 

Já não bastava profanarem os domingos e os feriados ao longo do ano. Já não bastava também que o envio fosse feito, muitas vezes, depois das oito da noite.

 

Não.

 

Faltava o dia de Natal.

 

Sociedade doente. Pessoas doentes, sem vida pessoal, sem vida familiar.

 

Sem vida.

O presente de Natal imaginativo

por Amato, em 24.12.16

Este governo pode ser muita coisa, mas "de esquerda" é coisa que não é. Com uma mão adiciona uns magros tostões ao salário mínimo nacional e, em simultâneo, retira com a outra uma quantidade superior de capital do bolso dos trabalhadores, daqueles que realmente trabalham neste país, para a entregar, limpinha, ao patronato, sob a forma de uma redução da TSU.

 

O povo é roubado e não dá, verdadeiramente, por isso. Pelo contrário, ainda pensa que fica melhor do que o que estava. Há que tirar o chapéu ao governo por este presente de Natal tão imaginativo.

Uma reflexão

por Amato, em 22.12.16

De que vale viver num país lindo, com paisagens de cortar a respiração, um clima maravilhoso, quando se vive enclausurado dentro da sua própria casa, quando nos escondemos atrás de muros e de vedações, quando tememos estender uma mão que seja ao nosso vizinho?

 

Para mim, não vale de muito. Todavia vejo a cena repetida vezes demais, mundo fora.

 

O Homem vive demasiadamente atormentado com os seus próprios fantasmas, o seu mundo governado pela desconfiança e pela inveja para com o próximo, desumanizado até ao limite da besta, pois nem a maioria dos animais abdica do valor da comunidade.

 

O Homem valoriza mais e mais o material em vez do espiritual, cada vez mais perdido no caminho coletivo que escolheu para trilhar, o caminho a que chamamos de capitalismo.

Mais força que qualquer verdade

por Amato, em 13.12.16

Como o mundo está cravejado de anticomunistas, qualquer coisa que se diga sobre um comunista, por muito estapafúrdio que possa soar, medra. Qualquer mentira que se diga torna-se verdade. Ninguém pensa sobre o que ouve ou sobre o que repete.

 

Noutro dia, ouvi esta barbaridade dita por um amigo meu: “o Fidel comia lagosta diariamente ao almoço, enquanto o povo passa fome”. A barbaridade não era da sua autoria. Leu-a de um adolescente anticomunista que, pelos vistos, trabalha para o Semanário Sol e escreve barbaridades para o Jornal i. Tenho notado que ser-se um ignorante anticomunista faz muito bem em termos de carreira. O adolescente vai muito bem lançado.

 

Em primeiro lugar, ninguém passa fome em Cuba e tão pouco existe mendicidade. Mas não dispersemos, vamos ao busílis da afirmação: a lagosta!

 

Quem tem o privilégio de visitar Cuba, mesmo aqueles que não saem das estâncias balneares de Varadero, todo incluido, mesmo aqueles que têm medo de se misturar no meio da multidão, conseguem vislumbrar, ao longe, no mar, pescadores cubanos, por vezes a bordo de uma simples câmara de ar, a pescar a dita cuja lagosta, em boa verdade, uma espécie de lagostim que existe em grandes quantidades ao largo da costa cubana.

 

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Quem ouve tamanho disparate de que Fidel comia lagosta todos os dias, pensa que comer lagosta em Cuba é tão precioso como comer lagosta em Portugal. Mas não. É ainda mais comum do que comer sardinhas assadas. Se refletirmos um pouco, todavia, seria altamente improvável que Fidel mantivesse uma tal dieta e conseguisse simultaneamente atingir os noventa anos de idade.

 

Tive eu o trabalho de explicar tudo isto ao meu amigo. Ele, todavia, não ficou muito convencido. Prefere acreditar-se nos disparates do adolescente anticomunista que nunca visitou Cuba. É que na verdade, as barbaridades que se escrevem sobre Fidel e sobre Cuba vão de encontro ao que ele próprio acredita. E isso tem muita força. Tem muito mais força que a força de qualquer verdade ou evidência.

A trágica simbologia da escolha de Macedo

por Amato, em 04.12.16

A escolha de Paulo Macedo para a gestão da Caixa Geral de Depósitos é como que a última cena desta fantochada de governo. Não é que Paulo Macedo seja de uma estirpe diferente da de António Domingues. Não. Vêm os dois do mesmo lugar. São feitos da mesma matéria ideológica. A figura de Paulo Macedo é, todavia, tragicamente simbólica. É que Paulo Macedo foi um dos rostos do governo anterior e, agora, aparece como que vindo em auxílio de António Costa, como uma figura surpreendentemente consensual pela sua superior competência.

 

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Abro aqui um parênteses para sublinhar este ponto. Há gente neste país que parece deter um certo tipo de competências, de natureza mística, talvez, que lhes permite atuar superiormente em toda e qualquer área da sociedade, seja ela qual for. É curioso e, na minha opinião, revelador do provincianismo e da ignorância que medram por entre o povo, o povo que a tudo isto assiste abanando, ora positivamente, ora negativamente, com a cabeça. É este precisamente o caso de Paulo Macedo que tanto atua na banca, como na saúde, como no mundo empresarial em geral, com índices de aceitação e de sucesso espantosos. Serve este exemplo, como outros, para construir uma certa imagética de liderança, uma certa personalidade de líder, que qualquer um que governe deva assumir, porque para bem governar há apenas uma receita que é a anterior e mais nenhuma.

 

É simbólico, portanto, sinistramente simbólico, como um dos mais emblemáticos ministros do anterior governo, do governo da austeridade — e Macedo soube aplicar muito bem a sua dose de austeridade pelos hospitais e centros de saúde de Portugal, como bem mandado servil desse governo que foi — seja agora o bombeiro de serviço deste novo governo, autoproclamado de anti-austeridade, no que diz respeito à questão que presentemente a todos preocupa da Caixa Geral de Depósitos.

 

Deixo aqui a seguinte interrogação: quem será o próximo bombeiro de António Costa? Vítor Gaspar? Acho que era de dar uma nova oportunidade ao homem, ele que até já reconheceu que falhou com a austeridade e com o “enorme aumento de impostos”.

A inacreditável recondução de Jerónimo no PCP

por Amato, em 03.12.16

É inacreditável que o PCP reconduza Jerónimo de Sousa como Secretário-Geral do partido. Considero inacreditável e considero ser minha obrigação escrever sobre isso mesmo, por muito que isso me custe. Não está em causa a qualidade humana, como é óbvio. Está em causa a competência técnica e, sobretudo, física para o cargo.

 

Relativamente à competência técnica, é notável que Jerónimo de Sousa tenha aguentado doze anos à frente do partido, quando demonstra visíveis incapacidades no debate, no discurso, na entrevista, enfim, em todos os meios e veículos que permitem a divulgação da mensagem e das posições do partido. Jerónimo limita-se a repetir um discurso ensaiado de véspera, sem flexibilidade e sem talento para responder de improviso a uma pergunta qualquer. Quando improvisa, sai invariavelmente um dito popular qualquer, mais ou menos apropriado, normalmente menos. A melhor participação de Jerónimo de Sousa terá sido, com efeito, aquele debate de fevereiro de 2005 em que, logo de início, Jerónimo ficou afónico e... não falou. Agora prepara-se para mais um mandato.

 

Já no plano das capacidades físicas de Jerónimo, considero que esta decisão é de uma falta de sensibilidade que roça o desumano. Quem acompanha as campanhas eleitorais verifica como Jerónimo termina as mesmas: abatido, exausto, magro, sem voz... Acho difícil que os camaradas de Jerónimo não consigam ver isto. Com esta recondução de Jerónimo, o PCP parece estar a apelar a algo diferente do que a confiança política do povo. Parece que o PCP apela antes aos sentimentos das pessoas, à pena do eleitorado, arriscando-se, todavia, a ver num destes dias Jerónimo cair inanimado, sobre os braços de quem o vai levando, no meio de alguma arruada.

 

Repito, para ser muito claro: não está em causa o valor de Jerónimo de Sousa. O Secretário-Geral do PCP é uma figura respeitável e admirável pelo seu exemplo de vida, pelo seu percurso, pela sua dedicação, firmeza e coerência. Sob muitos pontos de vista, aliás, Jerónimo foi um líder muito bom e muito útil para o PCP: uniu as hostes, consolidou métodos, transmitiu uma imagem de confiança e de solidez, equilibrou vontades no seio do partido. Mais: Jerónimo é, por ventura, o líder mais simbólico que o PCP alguma vez já teve e que, quiçá, alguma vez terá, personificando o operário humilde que ascendeu pela sua experiência no meio do povo trabalhador e do movimento sindical, que se instruiu e que se cultivou. Mas isso, lamento muito dizê-lo, lamento muito em apontar o óbvio, já deu o que tinha a dar.

 

Todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para esta solução, não poderão fugir às responsabilidades das consequências que dela resultarão. Não, não adianta escudarem-se na ladainha do costume, de que “somos um partido diferente” e outras frases de enchimento. Que eu saiba, o Partido Comunista Português não é o Vaticano. Até no Vaticano o penúltimo papa deu o lugar a outro por se sentir incapaz para a tarefa. Quem está à frente do Partido Comunista Português parece, contudo, não ter a mínima noção das coisas e, com isso, transmite uma péssima imagem para o povo que, de fora, acompanha a situação. Porque, convenhamos, não é boa propaganda para um partido que se diz contra a exploração dos trabalhadores que este explore até à última gota de sangue o seu próprio Secretário-Geral.

As mentiras repetidas

por Amato, em 01.12.16

Para uma mentira se tornar verdade basta que se repita muitas vezes. Esta é uma daquelas leis da natureza humana que devemos guardar.

 

Ainda a propósito da morte de Fidel Casto, tenho tido conhecimento de algo de natureza absolutamente insólita, para mim que vivi algum tempo em Cuba. Ao que parece, Cuba persegue as minorias, em geral, e os homossexuais, em particular. Parece que o país da alegria, da música e da dança, que faz da salsa um património da humanidade, celebrada todas as noites nas ruas das vilas, no calçadão de Havana, um país repleto de bares gay e com algum turismo vocacionado para o efeito, parece que, afinal, persegue os homossexuais.

 

Faz sentido?

 

Para mim, não faz sentido nenhum. Mas o sentido que faz ou que não faz não interessa aqui para nada. O que interessa é repetir a mentira até à exaustão e ela repete-se, com efeito, passando de boca em boca, pelos lábios vis de cada um dos papagaios do capitalismo com assento permanente — e não eleito, refira-se —, em cada um dos jornais escritos ou falados.

 

Outro dos disparates propalados é o dos “genocídios”, mas esse é já um fadinho a que regimes comunistas, ou simplesmente aparentados, estão condenados a ter que ouvir. De onde vêm os números, não se sabe muito bem. Se faz sentido que Fidel Castro tenha executado um número de pessoas muitas vezes superior à população cubana, também não. Nenhum sentido, aliás. Mas também aqui, a questão não é a conversa ser factual ou ter algum sentido. Também aqui, a questão é passar uma determinada mensagem de demonização da revolução cubana.

 

A questão é repetir a mentira, vezes e vezes sem conta, a toda a hora, a toda o momento, pelo maior número de vozes, para que até os relativamente ajuizados ou, simplesmente, céticos, passem a devotamente acreditar.

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