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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Uma adenda ao post de ontem

por Amato, em 30.11.16

Depois de Rui Moreira, no Porto, também o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, ofereceu as chaves da cidade, a capital de Portugal (!!!), ao rei de Espanha. Depois do Presidente da República, também o Primeiro-ministro, o chefe do governo, teve uma intervenção de relevo neste espetáculo embaraçoso que foi a receção aos monarcas espanhóis de visita ao nosso país.

 

Eles, no fundo, queriam todos ser reis e reizinhos por direito. Por sangue. Para eles, no fundo, no fundo, a República e a democracia são apenas um meio para se atingir o poder. Daí esta admiração boçal pela realeza estrangeira. Daí este desrespeito pelos princípios do país e pela sua História. Daí este espetáculo verdadeiramente deprimente.

 

https://blobsvc.wort.lu/picture/a1edc826e3fc6aa89290d74c4bfa86f9/577/356/wortv3/527292daa435ee659649ad6b374f497be640cf12

 

Patria o muerte!

por Amato, em 29.11.16

Fidel costumava dizer, em jeito de lema, “Patria o muerte!”. Dizia-o não com a superioridade com que o dizem os fascistas, não. Aquelas palavras não tinham nada de xenofobia ou de racismo. Pelo contrário, fosse qual fosse o momento, fossem quais fossem as circunstâncias, Cuba estava sempre preparada para enviar os seus médicos, os seus engenheiros, os seus quadros em geral, para acudir e ajudar todos os povos do mundo. Assistimos a isso mesmo, catástrofe após catástrofe, emergência após emergência.

 

Aquelas palavras transbordavam sim em amor àquela ilhota a flutuar entre o norte e o sul das Américas, amor pelas pessoas que lá viviam. “Patria o muerte!” significa “tudo pelo nosso país, tudo para sermos melhores, tudo para vivermos melhor, para sermos mais sábios e mais felizes”. Significa “orgulho, princípios e identidade”.

 

Disto temos muito pouco em Portugal. Com a visita dos reis de Espanha a Portugal ficou provado, aliás, que a nossa identidade é tão sólida como pasta de papel. As palminhas, as bandeirinhas espanholas, os “adeus”, a cavalaria da guarda — aliás, devem ter tido que alugar uma meia dúzia de cavalos à pressa para o efeito —, o Rolls Royce, as jantaradas nos palácios, os beija-mão e as vénias, foi tudo um espetáculo demasiado deprimente protagonizado pela nossa República de fingir.

 

De tudo, o mais grave, o mais nojento, pela simbologia, pelo desrespeito para com a nossa História, foi aquele momento de orgasmo incontido em que Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto, oferece as chaves da cidade ao Rei de Espanha! Reparem bem: o presidente da Câmara da segunda cidade de Portugal ofereceu as chaves da cidade ao Rei do país vizinho. Não há noção nem há um pingo de decência.

 

Para gente deste calibre, para gente desta qualidade, as palavras “Patria o muerte!” de Fidel só podem soar a grotesco por serem completamente incompreensíveis.

Gostamos de ser enganados

por Amato, em 28.11.16

Acho piada às pessoas que discordam das minhas opiniões sobre Cuba e sobre Fidel, desconfiando da factualidade dos meus relatos, mas ao mesmo tempo, contrapõem com opiniões de personagens como José Manuel Fernandes.

 

Sejamos bem claros: uma boa parte da população prefere crer em indivíduos que mudam de opinião consoante o seu proveito, que depois do Vinte e Cinco de Abril de 1974 andavam a apregoar a revolução cultural popular e a superioridade do pensamento de Mao Tsé-Tung, empunhando bandeiras de partidos como a União Democrática Popular, e que depois, em tempo oportuno, como que viram a luz, como que tiveram uma epifania, convertendo-se ao sistema capitalista, rendendo-se em toda a linha ao mais tétrico conservadorismo ideológico.

 

As pessoas preferem acreditar-se nas opiniões destes opinion makers, que mudam radicalmente de opinião literalmente da noite para o dia. As pessoas preferem acreditar-se em tais indivíduos, mercenários da caneta, de coluna vertebral vestigial, talvez por se identificarem com eles, quem sabe? Só tenho uma coisa a dizer: façam um bom proveito! E aproveitem também para assistir aos documentários dos bons media que já nos presentearam, entre outras, com a maior fraude noticiosa de todos os tempos: o primeiro passo do Homem na Lua.

 

http://i2.cdn.cnn.com/cnnnext/dam/assets/120525114944-space-6-horizontal-large-gallery.jpg

 

Vejam bem a bandeira dos Estados Unidos ao vento, como se houvesse vento na Lua...

 

Nada acontece por acaso. Não é por acaso que estamos como estamos. Deixamo-nos enganar. Deixamos que nos enganem. Gostamos de ser enganados.

Fidel Castro (1926-2016)

por Amato, em 27.11.16

A propósito da morte de Fidel Castro, recordo a sua passagem por Matosinhos, onde discursou durante cerca de três horas no pavilhão a que se chama Centro de Desportos e Congressos. Não tenho a certeza de quanto tempo Fidel discursou, na verdade. Fidel era um orador assim, falava de improviso e tinha sempre muito para partilhar com os outros.

 

A data do evento foi 17 de outubro de 1998. Fidel havia-se deslocado a Portugal por ocasião da VIII Cimeira Ibero-Americana organizada naquele ano na cidade do Porto. O evento paralelo e fugaz de Matosinhos era, todavia, uma espécie de festa-comício de solidariedade Portugal-Cuba organizada pelo Partido Comunista Português, o único partido que, ainda hoje, se solidariza com o regime cubano. As pessoas confundem solidariedade com identificação e aceitação para com todos os axiomas do regime cubano, mas são conceitos diferentes, na verdade.

 

Ainda hoje, é interessante verificar que as reações mais abjetas à morte de Fidel provêm de partidos e órgãos teoricamente situados à esquerda no espectro político e não propriamente da direita, em geral. Creio, de mim para mim, que a questão cubana é uma das questões centrais para percebermos de que matéria ideológica somos feitos e, mais ainda, se somos homens de consciência plena ou rapazinhos a brincar à política e ao politicamente correto.

 

Desvio-me do que quero contar. O ano era 1998. Estávamos a mais de um ano de entrar na moeda única e havíamos entrado no clube europeu há relativamente pouco tempo. Os fundos europeus que nos começavam a inundar criavam a ilusão de que a nossa economia era melhor do que aquilo que realmente era e de que podíamos viver eternamente como enteados da Europa, sempre à espera de encher os bolsos à custa da mesada devida. Recordo as palavras de Fidel quando denunciou a armadilha em que caíamos voluntariamente. Nesse dia de 17 de outubro de 1998 Fidel disse que nos tornaríamos a curto prazo num país lacaio das grandes potências europeias e apontou o euro como o último prego no caixão da nossa soberania.

 

As palavras pareciam claras quando saiam da sua boca, substantivas, carregadas de conteúdo, marcadamente pronunciadas no seu castelhano com sotaque cubano característico, como era seu timbre, mas muitos de nós não podíamos acreditar plenamente. Acreditávamos em tese, bem entendido, mas sempre pensávamos para nós próprios, secretamente, que tal não se viesse a verificar. Mas veio. Palavra por palavra.

 

Fidel era um líder sábio, dono de um amplo conhecimento e mundividência que ia muito para além das fronteiras da sua ilha. Amava aprender. Amava perguntar porquê. Amava perceber os por que's. Interessava-se pela vida do seu concidadão, por perceber as suas angústias. Amava a arte em todas as suas formas. Amava a igualdade e a democracia. Amava o seu país e amava o seu semelhante.

 

É certo que Cuba tem um regime de partido único. Mas, dentro das fronteiras desse regime, a livre associação é uma realidade e as eleições internas que ocorrem regularmente na ilha têm taxas de participação brutais. Essas taxas deviam ser objeto de profunda análise das democracias ocidentais, as quais registam, em média, taxas de abstenção de mais de 50%. O analfabetismo e a iliteracia são pragas virtualmente erradicadas em Cuba. A maioria dos cubanos detém um grau académico de nível superior e, desde o nível primário até ao nível superior, os estudos são totalmente gratuitos. Como também é gratuita toda a assistência médica. Como também é gratuito o alojamento, o acesso à arte e à cultura.

 

Isto é igualdade e isto é democracia. Ponto. Comparem-se estes índices com qualquer outro país no mundo. E compare-se também a criminalidade e a paz social. Não é possível. Não há comparação. Ponto.

 

É verdade que Cuba tem pouco para distribuir e que podia obter melhores resultados se mais tivesse. Também é verdade que, mesmo após a normalização de relações diplomáticas com os Estados Unidos da América, o bloqueio económico sobre ilha prossegue, asfixiante.

 

É mentira que haja censura. É mentira que alguém seja impedido de escrever um livro ou de compor uma canção. É mentira que grupos politicamente avessos ao regime não se possam reunir e manifestar. Pelo contrário. Quem diz o contrário não sabe do que fala.

 

Um dos problemas é que as pessoas falam de Cuba sem nunca lá terem posto os pés, falam apenas com base no que lhes diz o preconceito gerado pelos media capitalistas. Alguns que lá colocam os pés decidem fazer montagens de imagens retiradas sem contexto cultural e analisadas sem qualquer laivo de bom senso. Mais: é frequente apontar-se defeitos à sociedade cubana como se no nosso próprio bairro esses mesmos defeitos não existissem em dobro ou, pior, como se ao regime cubano, apenas por ser o que é, não se possam admitir quaisquer tipo de defeitos.

 

Esta análise é muito própria do capitalismo: aos regimes não capitalistas, não alinhados, não se admite nada menos do que a perfeição e qualquer falha é exagerada e empolada ao máximo. Algumas reportagens sobre a morte de Fidel parecem já ter sido preparadas há anos para serem divulgadas na hora da sua morte. Isto sim, isto é censura da boa, lavagem cerebral no seu melhor.

 

Neste particular, destaco a execrável peça biográfica apresentada pela RTP por um “jornalista” chamado de João Pacheco de Miranda. Nessa peça, o jornalista conseguiu a hercúlea proeza de condensar todos os chavões e todos os lugares-comum que era possível dizer sobre Cuba. Achei particular piada ao automóvel a ser puxado por um cavalo e ao ênfase dado ao transporte de uma gaiola de pássaro.

 

É engraçado: eles, os cubanos, com um e dois cursos superiores cada um, com todas as garantias objetivas que é possível ter para a felicidade, são como pássaros engaiolados e nós, portugueses, europeus e ocidentais, que temos que lutar todos os dias pela nossa côdea de pão e que recebemos doses industriais de Casas dos Segredos, novelas e música ordinária, somos livres. É muito engraçado mesmo.

 

Também é engraçado que, das várias vezes que estive em Cuba e passeei, livremente, pelas cidades e vilas, sem qualquer tipo de proteção ou de receio — facto praticamente singular em todo o continente americano —, nunca vi um cavalo e nenhum automóvel avariou durante o privilégio que foi circular a bordo daquelas verdadeiras peças de museu dos anos cinquenta. É estupendo como o “jornalista” da RTP conseguiu encontrar um cavalo a puxar um carro! Que papel, Sr. João Pacheco de Miranda! Que papel! É isto o livre jornalismo. É desta forma que o capitalismo (re)escreve a história. Parabéns!

 

Naquele evento de 17 de outubro de 1998 participou o Jorge Palma e o Luís Represas. Lembro-me deles. Acho que participou mais gente, mas não me recordo. Também falou o José Saramago. Depois falou Fidel. Terão sido três horas, podiam ter sido cinco ou seis. Era um prazer ouvir Fidel discursar. Essa era a sua riqueza. Fidel morre sem nada seu, sem nenhum bem. A sua vida foi para o povo. O seu legado é a sua vida e o seu exemplo. Hasta siempre! Obrigado!

 

http://www.matosinhosport.com/fotos/galerias/5_1224164370717999801.jpg

A Carris em Lisboa segundo Medina, o aprendiz de Costa

por Amato, em 23.11.16

Nesta semana, foi anunciado que a Câmara Municipal de Lisboa passará a deter a gestão da Carris, a empresa que opera os transportes por autocarro e elétrico da região. Anuncia-se um grande investimento na modernização e dinamização da rede de transportes da Carris e as intenções que se propalam — quem não concorda com elas? — são promissoras e reveladoras de uma estratégia interessante para a capital, à parte, claro está, das benesses usuais para reformados e criancinhas. Estas últimas o trabalhador comum seguramente dispensava, farto de andar em autocarros atolados de reformados em horas de ponta, todos eles com uma imperiosa necessidade de viajarem sentados — nem que seja por apenas duas paragens —, mais os carrinhos de bebé a ocupar metade do espaço interior da viatura, pisando tudo o que se coloca no seu caminho.

 

Estas boas intenções valem tanto, todavia, como a palavra de um vendedor de call center, ou seja, muito pouco. Sempre que há uma mudança de gestão, repete-se a manha, repete-se o ardiloso discurso. Neste mundo, as promessas não valem de nada, as palavras não valem de nada. Esperemos para ver.

 

https://thumbs.dreamstime.com/x/trolleybus-stop-vector-drawing-bus-city-street-50251776.jpg

 

O que é interessante, na minha perspetiva, é verificar três coisas.

 

A primeira, é o tratamento de exceção descarado que o país dedica à sua capital, comparativamente com outras cidades que, legitimamente, poderão reclamar iguais responsabilidades na gestão dos seus transportes públicos. Nada de novo neste ponto.

 

A segunda, é a total ausência de uma estratégia nacional num setor que se prefigura como crucial para o desenvolvimento económico do país. Não nos deixemos enganar: quando um governo central decide começar a atirar com as suas responsabilidades para terceiros, é sinal inequívoco de que não tem nenhuma ideia sobre o que fazer com os assuntos. É uma declaração de incompetência ou inépcia escrita e assinada na primeira pessoa.

 

A terceira é mais sinistra. As câmaras municipais, ou uma boa parte delas, continuam a colocar-se em bicos de pés para receber acrescidas responsabilidades — responsabilidades originalmente e por princípio do Estado — sem haver uma contrapartida financeira sólida. Este processo de descarada desorçamentação do Estado, que se verifica claramente no setor da educação, por exemplo, tem conduzido indelevelmente os setores a uma suborçamentação e a uma redução de condições humanas e materiais para a sua operacionalização no terreno. Estaremos cá para ver, também neste particular, se todas estas excelentes intenções de Medina, o aprendiz de Costa, não se revelarão também insustentáveis dentro de um par de anos.

Ideia fixa em países adiantados

por Amato, em 22.11.16

Então o quê? Não concebem um secretário de Estado filósofo, um ministro poeta, escritor elegante, cheio de graça e de talento? Não, bem vejo que não: têm a ideia fixa de que um ministro de Estado há-de ser por força algum sensaborão, malcriado e petulante. Mas isto é nos países adiantados, em que já é indiferente para a coisa pública, em que povo nem príncipe lhes não importa já em que mãos se entregam, a que cabeças se confiam.

— Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett

Não se pode ser de esquerda apenas em parte

por Amato, em 19.11.16

Por mais do que uma vez, tenho escrito que não se pode ser de esquerda apenas em parte, que a esquerda não é algo que se possa materializar numa sociedade em porções, nem que seja capaz de cobrir por camadas as injustiças, uma por uma. Quem interpreta a esquerda deste modo, o que está a fazer, com efeito, é a criar novas injustiças, substituindo, quanto muito, as existentes. Quando o paradigma liberal, capitalista, permanece intacto e acorremos a cada injustiça com uma panaceia que nos parece apropriada, apenas semeamos novas injustiças que as gerações seguintes tratarão de colher.

 

Veja-se, a título de exemplo, o caso das pensões mais baixas que, ao que parece, verão um aumento concreto ao longo do próximo ano, por ação da esquerda parlamentar. É evidente que as pensões mais baixas são objetivamente insuficientes para uma sobrevivência minimamente decente seja para quem for. É evidente. Por ser evidente, deixemos a evidência de lado. Importa refletir sobre a razão pela qual tais pensões são as mais baixas e a razão é óbvia: são pensões atribuídas a quem durante a vida toda pouco ou nada descontou para o sistema. Ora, quando pensamos no assunto deste modo, a evidência anterior, não perdendo por completo a sua natureza, começa a abandonar alguma da sua robustez.

 

Não é muito justo que o Estado acorra em auxílio de quem viveu uma vida inteira à margem do sistema. Estou a generalizar, claro. É certo que, muitas vezes, não se trata de uma opção voluntária. Outras tantas vezes, todavia, é.

 

É aqui que se separa o trigo do joio. É aqui que se vê o que é esquerda do que é mera alquimia política.

 

Se entendemos que o estado deve ser assistencialista e deve acudir a todos os casos e garantir um mínimo de rendimento a todos, pois então o sistema de redistribuição da riqueza deve ser equitativo, justo, ponderado, e globalmente transversal. Devem ser claras as transferências de verbas das classes economicamente superiores para os estratos mais baixos.

 

Se assim não for, isto é, se formalmente a sociedade permanecer esboçada segundo a arte liberal, se se continuar a permitir a concentração de riqueza, o estabelecimento de monopólios económicos e se se continuar a proteger a burguesia, a classe dominante, então quem acaba por pagar todos estes aumentos são sempre os mesmos explorados do costume, aqueles que trabalham de dia e de noite, aos sábados e feriados, só porque foi essa a educação que lhe deram e porque veem no trabalho uma especial virtude. Porque não conseguiriam viver de uma outra forma, de mão estendida, por muito explorados que sejam.

 

Com a intenção de desfazer injustiças, a esquerda agudiza injustiças já existentes ou cria outras totalmente novas. Isto não é esquerda, é outro tipo de exploração dos trabalhadores.

 

Porque não existe esquerda aos bocados.

 

Porque não se pode ser de esquerda apenas em parte.

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