Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Porto de Amato

Porto de abrigo, porto de inquietação, porto de resistência.

Amanhã será um bom dia para se ver...

Amanhã seria um bom dia para se “fazer” democracia, para se deixar o domínio da palavra, desse conceito tão pouco concreto, e abraçar o ato, despudoradamente, descomplexadamente.

 

Amanhã, todos os que votaram na pérfida PaF — PSD ou CDS — deviam levantar-se à hora do costume, fazer a higiene pessoal, tomar o pequeno-almoço e ir trabalhar.

 

Amanhã seria um bom dia para se ser o que se defende, verdadeiramente, para se defender o que se acredita, para dar o corpo aos ideais.

 

Amanhã seria um bom dia para isso, em vez de se aproveitar, oportunisticamente, o feriado pelo qual se votou contra.

 

Amanhã será um bom dia para se mostrar de que é feito e como é feito o caráter que se tem.

 

Amanhã será, seguramente, um bom dia para se ver a cara dos oportunistas e dos hipócritas.

publicado às 23:55

Os anjos da morte

Às vezes a diferença entre um “homem bom” e um “homem mau” não é nenhuma. Por vezes, a distância entre um louco e um visionário existe apenas na imaginação dos homens. Não é mais que uma ilusão.

 

Hitler, o responsável pelo holocausto dos judeus, é hoje pintado como um louco, quando durante a maior parte da sua vida política foi erguido em braços e aclamado como um visionário. É fácil pintar as coisas a preto e branco, gritar “louco” ou berrar “visionário”, para que no fim não se perceba nada nem se aprenda nada com a história. Hoje, os judeus de Israel que lavram qui ça a mais prolongada limpeza étnica, o mais sangrento e continuado genocídio, sobre o povo palestiniano, de que subsiste memória, não são qualificados de igual modo que os seus predecessores. Pelo contrário, quando morrem, são sepultados como se de verdadeiros anjos se tratassem. Isto da propaganda é algo de extraordinário!

 

Assim é o caso de Shimon Peres. O unanimismo em torno do personagem chega a ser confrangedor. Fica aqui um artigo muito bem documentado com as notas biográficas mais relevantes sobre Shimon Peres. Vem n' ODiario.info, uma das melhores fontes de informação lógica, coerente e humanista que está na rede. Vale a pena ler para aprender alguma coisa sobre os “anjos da morte” de Israel.

publicado às 20:43

Selminho, quo vadis?

Lembram-se do caso Rui Moreira e da imobiliária Selminho? Não? Pois claro que não, é uma história que não tem muito interesse e, por conseguinte, não tem honras de primeiras páginas. Não interessa muito que a imobiliária da família do atual presidente da Câmara do Porto tenha lucrado num acordo com a Câmara que envolve alterações ao Plano Diretor Municipal e a construção em terreno rústico sobre proteção ambiental. Não, não interessa nada.

 

Trata-se, sem mais nem menos, da tal aura de santidade política sobre a qual escrevi há uns meses. Também não há problema porque Rui Moreira veio logo para os jornais indignado, como aliás é timbre de um homem sério, dizer que era tudo uma infâmia e uma conspiração dos comunistas, dos três que fazem questão de o arreliar na Assembleia Municipal — isto da democracia é um tédio! —, referindo que nada tinha tido que ver com o processo e que até passou uma procuração para que fossem os advogados da Câmara a tratar do assunto.

 

Para memória futura fica este registo. Tal procuração desapareceu dos processos e, à hora a que escrevo, parece que se encontra em parte incerta.

publicado às 09:10

Subconcessionando

“Hoje, eu e a esposa tomámos uma decisão. Isto de criar um filho, de lhe dar sustento e educação, é muito dispendioso. É mesmo o que se poderá chamar um investimento a fundo perdido. Retorno, nem vê-lo! Quando o magano tiver idade suficiente nunca mais lhe pomos a vista em cima e, ainda bem, porque a alternativa seria pior e eu não nasci para sustentar mandriões. Bem vistas as coisas, gasta-se uma pipa de massa durante dezoito anos, pelo menos, da qual não vemos um tostão de volta.

 

Dizia eu que tomámos uma decisão. Esta brincadeira já dura há tempo demais. A decisão é de, em face do exposto, subconcessionar a criação do nosso filho a uma empresa privada que se nos apareceu com bom preço de oferta.

 

Não o fizemos, todavia, de modo a despachar o problema de qualquer jeito. Não. Primeiro fizemos o nosso trabalho de casa, a prospeção do mercado. Solicitámos vários orçamentos, enviámos diversos e-mails, e o que mais barato resultou foi esta empresa que acabámos por escolher. Em boa verdade, a empresa oferece ainda alguns extras bem interessantes, como atividades de lazer e extracurriculares e outras coisas que tais para o catraio se entreter.

 

Adoro o sistema capitalista. Faz do inimaginável realidade. Quem é que poderia pensar que isto poderia ser possível? Delegar as nossas responsabilidades num terceiro é mais eficaz e sai mais barato na carteira. Afinal, a empresa é profissional e está melhor preparada do que nós para a criação do nosso filho. Agora, substituem-nos nas aborrecidíssimas reuniões de encarregados de educação na escola, são eles que ouvem o que nos custava tanto dantes ouvir, tomam nota das asneiras que o miúdo faz ao longo do ano e disciplinam-no da melhor maneira. Funciona melhor assim: como não há uma relação de proximidade, o miúdo ouve e aceita as reprimendas melhor do que se fossemos nós a ter que o fazer. Todos ficam a ganhar.

 

E não se pense, por um minuto que seja, que as vantagens não se ficam por aqui. Se o miúdo não comer e passar fome, a culpa não é nossa. Se o miúdo andar sujo, a culpa não é nossa. Se o miúdo fizer alguma asneira, a culpa não é nossa. Essencialmente, a culpa nunca é nossa. A subconcessão a uma empresa reputada e que presta todas as garantias prévias salvaguarda-nos de qualquer problema. Se a empresa presta o serviço em condições, isso é outro problema que não é, seguramente, nosso.

 

Que ideia brilhante! Amanhã à noite, vamos jantar à conta do que já poupámos com esta ideia. Quem nos dera ter-nos lembrado de fazer isto mais cedo. Devíamos ter prestado mais atenção quando as empresas começaram a fazê-lo mundo fora, ainda na década de noventa, desmantelando os seus serviços e subconcessionando-os a outras empresas satélite. Hoje, não há quem assuma responsabilidade seja pelo que for e o serviço que custava dez, agora custa cinco. Não interessa se tem ou não tem qualidade. No subconcessionar é que está o ganho!”

publicado às 23:44

Pág. 2/2

Mais sobre mim

imagem de perfil

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2017
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2016
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2015
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2014
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub