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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Lembremo-nos dos gregos

por Amato, em 17.09.16

Chama-se de Grécia Antiga a uma civilização que existiu entre aproximadamente o século VIII a. C. e o ano 600 d. C. Esta civilização não era delimitada exclusivamente por fronteiras políticas. Pelo contrário, as muitas dezenas de cidades-estado que varriam toda a zona que hoje é ocupada pela atual Grécia, pelo sul de Itália e da França, a Macedónia, o Chipre, a Turquia e parte do norte de África, eram unidas por um laço mais forte chamado de cultura, de filosofia e de ciência.

 

Na Grécia Antiga sabia-se mais matemática e tinha-se mais conhecimento do que durante os quase dois milénios que se seguiram ao fim do império romano. Sabia-se, por exemplo, que era a Terra que orbitava em torno do Sol e não o contrário. Estimara-se também o raio da Terra e a distância da Terra à Lua. São apenas alguns exemplos. Os avanços dos gregos abrangeram praticamente todas as áreas do saber e da cultura.

 

É surpreendente constatar como foi possível apagar este riquíssimo legado da História do Homem durante quase dois mil anos. Sim, foi exatamente isso que aconteceu. De um momento para o outro, a recém criada Igreja Católica queimou livros e bibliotecas, apedrejou e queimou sábios e cientistas e mergulhou toda uma civilização nas mais profundas trevas culturais, período esse ao qual se convencionou chamar de “Idade Média”. Da noite para o dia, passou-se a acreditar que afinal era o Sol a “viajar” em torno de uma Terra plana. Mesmo depois do fim deste período, a retoma do caminho da cultura fez-se sempre muito devagar, muito lentamente. Ainda hoje, a sociedade contemporânea alicerça-se sobre o legado grego.

 

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Ninguém sabe ao certo o que se perdeu. Ninguém pode afirmar com segurança com quantos séculos de atraso ficámos, o quão à frente estaríamos se tal não tivesse ocorrido. Mas, para mim, o importante é notar o facto. O que é importante é perceber que sim, que é possível mergulhar o povo na mais profunda ignorância de um dia para o outro, literalmente. Aconteceu no passado. Pode-se repetir no futuro. E quando nos apoiamos sobre os recursos tecnológicos de que hoje dispomos e no que mais temos à disposição para desprezarmos tal ameaça, estamo-nos apenas a enganar. Não dominamos nada de nada. Quanto muito, os sistemas de comunicação apenas concorrem para a lavagem cerebral coletiva. Bem entendido, hoje em dia é ainda mais sofisticado enganar o povo.

 

Se não se acreditarem, se acharem que é teoria da conspiração, olhem para a História. Lembrem-se dos gregos.

Quantos pobres são precisos, afinal, para produzir um, somente um, rico?

por Amato, em 09.09.16

Almeida Garrett

 

E eu pergunto aos economistas-políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico.

 

— Almeida Garrett, in Viagens na Minha Terra.

Contratos de trabalho contemporâneos

por Amato, em 08.09.16

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“Naquela tarde fria de meados de setembro, quando saía da escola, a rapariga ouvira alguém chamar por si. A voz vinha do lado de lá do vidro que separava a secretaria do corredor central:

 

— Professora! Professora!

 

— Sim? — retorquiu a rapariga, num sobressalto.

 

— Esqueceu-se de picar o ponto antes de sair!

 

— Esqueci-me? — perguntou, não conseguindo conter um sorriso antes de acrescentar: — O meu novo contrato só começa para a semana.

 

A interpelação insistente foi substituída rapidamente por um género de interjeição que não traduzia desapontamento propriamente dito, mas antes o sentimento de quem acabara de rematar ao lado da baliza.

 

Do outro lado do corredor surgiu um sorriso. Era um professor jovem:

 

— Parece que estamos no mesmo barco: todos os anos começamos a meio de setembro e terminamos antes de agosto.

 

Parecia ainda não ter acabado de falar quando uma velha funcionária que fazia de contínua e tratava das limpezas o interrompeu:

 

— Não são apenas os senhores professores. Também nós terminamos antes de agosto...”

Algumas considerações sobre o pessimismo

por Amato, em 03.09.16

Deixo aqui a ligação para mais um excelente artigo de José Pacheco Pereira. Destaco o parágrafo final, o qual não dispensa a leitura integral do texto.

 

O que se passa neste infeliz País é que há demasiadas coisas a puxar para "baixo" ou a travar o caminho para cima. E como se passa sempre nestes casos não faltam pessoas, muitas por interesse ou elitismo – isso sim verdadeiro elitismo –, a ajudar a manter o estado de coisas. Aqui, como em muitas outras matérias, há também uma "luta de classes" latente, que encontra um "ópio" (e uso deliberadamente uma das expressões mais viciadas que há) neste embrutecimento colectivo. Com uma classe média a afundar-se na proletarização, dificilmente seria de outra maneira. Mas não há problema, vem aí o futebol…

Pacheco Pereira in Sábado, 2 de setembro de 2016

 

Não são poucas as vezes que este blog é acusado de ser demasiadamente pessimista ou negativista. De quando em vez, lá recebo uma mensagem nesse sentido. Há alguma verdade nessa crítica e eu compreendo-a e aceito-a de bom grado. Há que realçar, contudo, dois ou três aspetos.

 

Em primeiro lugar, o conceito primordial do Porto de Amato é a observação crítica, é a partilha de pensamentos e de reflexões que partem da experiência pessoal de quem nele escreve. Este blog não obedece nem a critérios científicos, nem jornalísticos, nem tão pouco está preocupado com isso. Sobre a voz do Porto de Amato não são exercidos quaisquer constrangimentos externos e procura-se fazer dela um instrumento de ação e de intervenção sociológica através de uma análise e reflexão antropológica objetiva, culta e politicamente comprometida.

 

Não me enganei. Repito: politicamente comprometida. Isto não quer dizer que o Porto de Amato tem os seus artigos ditados por algum partido ou movimento político. Afirmo aqui a total independência deste blog. Todavia, é um espaço politicamente assumido e politicamente comprometido, distanciando-se frontalmente de outros blogs que, apregoando neutralidade política, na prática, comportam-se como autênticos amplificadores do pensamento da burguesia reinante. A neutralidade é, aliás, um estado manifestamente utópico. Condição essencial para se ser neutro é estar-se calado, porque a partir do momento em que se começa a falar, a escrever, a emitir qualquer recorte de opinião, está-se a tomar posição política quer se queira, quer não.

 

Em segundo lugar, não é verdade que não pontifiquem neste espaço artigos elogiosos, de regozijo ou de partilha de satisfação por determinados eventos. Há exemplos vários, basta procurar. O que acontece simultaneamente, é que no Porto de Amato não há lugar para o elogio gratuito e qualquer louvor vem acompanhado, em regra, de alguma consideração crítica, o que resulta natural pela intangibilidade da perfeição na ação humana.

 

Em último lugar, creio que o pessimismo é muitas vezes pouco considerado no que respeita ao potencial que realmente contém. É importante distinguir o “bota abaixismo” da crítica válida, ponderada e construtiva porque esta será, em última análise e tal como podemos observar da leitura do parágrafo supratranscrito, o melhor conselho para a autopromoção e para aprimoramento das sociedades, dos processos e dos indivíduos.

Integridade, convicção e seriedade

por Amato, em 02.09.16

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Jornalista TVI: Alguma vez se arrependeu de ter entrado neste acordo?

 

Jerónimo de Sousa: Não, nós entrámos com convicção, determinação e seriedade. Sabíamos das diferenças, das divergências, mas não estávamos dispostos a que PSD e CDS continuassem no governo a dar cabo do resto e, simultaneamente, sabendo dessas diferenças, pensamos que era abrir uma janela de esperança àquilo que os portugueses ansiavam (...).

 

in reportagem da TVI, Jornal das 8,

2 de setembro de 2016

 

 

O Jerónimo não tem particulares dotes oratórios ou qualidades dialéticas. O Jerónimo não tem um curso superior ou destreza especial em artes cénicas. O Jerónimo não tem respostas ensaiadas. O que diz sai-lhe com naturalidade e com franqueza, sai-lhe do coração.

 

Compare-se a resposta que deu, face à pergunta da jornalista da TVI, com o já célebre clichê de Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, “Arrependo-me todos os dias”. Aqui subjaz a diferença entre um e outro partido. Não é uma diferença de estilo. É uma diferença de integridade, convicção e seriedade políticas.

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