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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

O novo presidente da Goldman Sachs

por Amato, em 09.07.16

A pergunta é: até onde Durão Barroso poderá ainda chegar?

 

À expressão “o céu é o limite” substituiria apenas o substantivo céu por inferno. Ele lá chegará, estou seguro, e tomará nas suas mãos o proverbial tridente, símbolo da liderança do submundo.

 

Longe vão os tempos do vídeo que se segue, onde Durão falava em “ensino burguês” e defendia o “movimento operário” e os “trabalhadores”. Aquele Durão — não se enganem! — não era diferente do Durão de hoje. Estava simplesmente na fase inicial do seu caminho, da sua escalada.

 

 

 

Bem entendido, já naquela altura, Durão, estando na extrema esquerda política, constituía-se como um entrave, um embaraço, aos movimentos progressistas, quando “mandava” pilhar o mobiliário da Faculdade de Direito, entre outras ações de caris social-terrorista, ao mesmo tempo que dividia politicamente as forças à esquerda visando o enfraquecimento da esquerda, em geral, e do Partido Comunista, em particular. Já naquele tempo, ainda sem um pelo de barba na face, Durão servia os interesses da direita que agora abertamente serve.

 

É por isso que é preciso assentar a mudança política, hoje e sempre, não numa individualidade forte e carismática, bem-falante, mas num coletivo que partilhe causas e ideias comuns. Apenas o coletivo constitui-se como o mais eficaz antídoto contra degenerações e desilusões. Infelizmente, uma vida inteira parece não ser suficiente para a aprendizagem desta lição pela maioria das pessoas que persistem numa sebastiânica busca por uma liderança forte que, no fundo, por elas decida, por elas faça e, enfim, por elas pense.

O estado a que chegámos

por Amato, em 08.07.16

Não sei se será melhor escrever “O estado a que chegámos!” ou “O Estado a que chegámos”. Não sei. Vou refletir sobre o assunto.

 

A comunicação social, braço armado do poder burguês, estende a sua influência a todos os domínios da sociedade. Não é uma influência à primeira vista descarada ou evidente. Trata-se antes de um sussurrar permanente, um condicionamento subliminar que procura chegar e chega a cada vez mais cidadãos.

 

É condição essencial para o sucesso desta operação a montagem de um cenário com uma infinidade de intervenientes que opinam aparentemente de forma independente. Se os lermos na diagonal, até parece que cada um acrescenta algum pormenor diferente que o seu antecessor. O mecanismo ilusório resulta, portanto, eficaz. O ouvinte ou o leitor passa por todas aquelas vozes e, no final, está a repetir aquela mesma mensagem que une todas elas sem dar por isso. A coisa acontece, o que é mais grave, com a perceção de livre arbítrio na formação de opinião.

 

O braço mediático burguês não conhece fronteiras: interfere ativamente na política, tanto na parte legislativa como na parte executiva, mas também coloca o seu dedo na justiça. É indesmentível que o julgamento mediático hoje em dia é mais valioso e determinante que o julgamento nos tribunais; os juízes podem ser facilmente atacados indiretamente por um qualquer órgão de comunicação social; os tribunais vêm a sua ação constantemente posta em causa. A questão das constantes fugas de informação assume aqui um papel relevante para analisarmos esta problemática globalmente.

 

O caso de Carlos Cruz, condenado e a cumprir pena em liberdade condicional, é paradigmático. A forma como se coloca em causa a decisão do tribunal de o condenar chega a ser chocante. Conceda-se todos os recursos que a lei permite ao condenado, mas no fim de contas calem-se! No fim de contas aceitem e respeitem o tribunal! Isto não devia ser como um jogo de futebol em que cada qual assume o papel de treinador de bancada. A justiça devia ser algo sério. Já estou a imaginar a sucessão de entrevistas a reclamar inocência e os programas de televisão que lhe vão conceder. É uma vergonha e é nojento. Atingimos um estado lastimável que, na prática, concretiza os piores receios sugeridos por uma espécie de estado anarquico.

 

Não há independência. Não há democracia. Não há liberdade. Não há lei. Não há justiça. Só há um pensamento único. Só há fomento do caos e da desconfiança como tronos sociais para a burguesia poder reinar.

Sectarismo

por Amato, em 07.07.16

Confesso que fiquei admirado.

 

Confesso que, depois do texto exato e cabal de António Filipe no Diário de Notícias de ontem — do qual fiz eco aqui no blog —, esperava que a controvérsia em torno da patética proposta de referendo do Bloco de Esquerda — repito, patética — tivesse ficado por ali. Todavia, Francisco Louçã vem hoje no Público responder. O que responde em nada acrescenta ao assunto, limita-se a puxar do seu verbalismo de algibeira e, assim, de duas palavras faz três, de três faz quatro, junta-lhe um ou dois chavões, de natureza subliminarmente insultuosa, que repete como um leitmotiv nauseante, e, num piscar de olhos, temos uma sucessão de frases, um texto de opinião!

 

Acho que chega a ser cómico o Bloco de Esquerda constantemente acusar o Partido Comunista Português de “sectarismo”, inclusivamente a propósito desta proposta de referendo. Para o Bloco, pelos vistos, o facto do PCP não apoiar as suas ridículas propostas, surgidas literalmente de um dia para o outro e que visam unicamente o mediatismo fácil e rápido, é sintoma do seu “sectarismo”.

 

Imagino, no entanto, o que seria deste governo sem o “sectarismo” do PCP e, pelo contrário, com um PCP do tipo do Bloco de Esquerda... Quantos meses duraria? A quantas propostas bombásticas sobreviveria? Teria chegado a tomar o poder? Quero dizer, teria sido possível firmar acordos? Teriam as exigências sido razoáveis? Seria possível viabilizar parlamentarmente um governo?

 

Eu acho que quando o Bloco de Esquerda fala em “sectarismo” na verdade quer dizer solidez, quer dizer equilíbrio, quer dizer responsabilidade e quer dizer também coerência. O PCP é o que é, concorde-se ou não. O que não é, não obstante os debates internos que também tem, é um partido com dezenas de tendências alternativas. Isto pode constituir motivo de perplexidade, sobretudo no contexto do mundo contemporâneo sempre muito desconfiado de idealismos e de idealistas, mas ajuda a explicar a coerência e o equilíbrio do PCP.

 

O PCP sabe em que é que acredita. Sabe-o exatamente. Podemos, repito, concordar ou não concordar com o PCP, mas o PCP nunca trairá quer uns, quer outros. Bem entendido, dificilmente alguém ficará surpreendido com a ação do PCP. A isto o Bloco chama de “sectarismo”. Na verdade, o Bloco não compreende como o PCP pode ser como é, porque o Bloco, com as suas diferenças, não consegue ser como o PCP, nem daqui por um milhão de anos.

O formalismo é revelador

por Amato, em 06.07.16

Agora, a realidade com que nos confrontamos é que o país está sob chantagem do diretório europeu e isso exige firmeza, clareza de posições, e uma grande unidade das forças progressistas na defesa da soberania e dos interesses nacionais. Para isso, cá estamos, e todos não somos demais.

— António Filipe, in Diário de Notícias

 

Nem mais. O artigo de António Filipe de hoje sistematiza tudo o que há para dizer sobre o Bloco de Esquerda e sobre a sua conduta, da qual a patética proposta de referendo é apenas o último sound bite.

 

Muito do que é dito por António Filipe converge com o que já foi escrito aqui. Fica bem clara a diferença de atitude entre os partidos, a sua visão relativa ao respeito pela lei e a sua responsabilidade pública. Fica bem clara a diferença de posturas e a qualidade da clareza de posições.

 

O Partido Comunista Português é muito diferente do Bloco de Esquerda, é um facto, e essas diferenças, sobretudo as formais, são significativas. O formalismo, como sempre, é como um espelho revelador da consistência ideológica, da integridade e de tudo o resto.

Vassalagem

por Amato, em 05.07.16

João Miguel Tavares escreveu hoje no Público um pequeno artigo de opinião em quatro pontos com o jocoso tom que é seu apanágio e que é uma espécie de disfarce esfarrapado de prepotência de oratória e de putativa superioridade moral. Não sei o que confere a João Miguel Tavares tal putativa superioridade. Sobre o seu currículo poderia escrever, com efeito, algo de semelhante ao que escrevi aqui sobre um seu “colega”.

 

O artigo é um atestado passado pelo próprio a si mesmo da sua completa e insanável vassalagem intelectual. Apenas alguém que não seja mais que um porta-voz de outrem, concretamente da burguesia reinante, poderá ser capaz de colocar o seu nome num texto que procura advogar que os resultados da ação do governo anterior não são culpa do governo anterior, mas sim do atual. Em bom rigor, será um caso de completa vassalagem intelectual ou de completa debilidade mental. Tanto uma como outra são igualmente justificativas.

 

http://www.studenthandouts.com/01-Web-Pages/2013-07/vassal-paying-homage.jpg

 

Mas voltemos ao texto e foquemo-nos no “ponto um”. Não é o primeiro ponto, é o “ponto um” — o que resulta, desde logo, divertido. Da leitura do dito apenas se pode concluir o seguinte: as eleições legislativas nunca deveriam ter ocorrido em Portugal para bem do país, pois, ainda que houvesse garantia de vitória da PaF para tranquilizar os “investidores”, a governação de Passos, Portas, Maria Luís e afins foi severa e irremediavelmente afetada pela campanha e pré-campanha eleitorais. Em suma, se não tivessem ocorrido eleições, o país estaria por esta hora a bater-se taco-a-taco com a Alemanha pela liderança do crescimento económico na zona euro.

 

É isto. Não é necessário dizer mais nada.

 

Ao mesmo tempo, a direita rejubila com a possibilidade de sanções ao nosso país, exulta com cada ameaça que nos é endereçada. Sublinhe-se, neste particular, a tão graciosa quão hipócrita carta de Assunção Cristas a Juncker a ensaiar uma espécie de pedido pouco convincente para que não sejam aplicadas tais sanções por défice excessivo a Portugal. Pela frente, magnificada pela comunicação social, a direita veste-se de virgem piedosa; por trás, em sede do Partido Popular Europeu, alimenta as pressões mais infames ao nosso país. A direita não olha a meios para atingir os seus fins, que são os propósitos da burguesia que serve e à qual presta vassalagem.

Um povo de fogos de palha

por Amato, em 04.07.16

http://resizer.abc.es/resizer/resizer.php?imagen=http://foto-cache.abc.es//jpg/5/5/1276864710155.jpg&nuevoancho=644&nuevoalto=362&copyright=no&encrypt=false

 

Este país preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa.

 

— José Saramago, Jornal de Letras, Artes e Ideias (1999)

Ser “de esquerda” II

por Amato, em 02.07.16

Nunca antes se experimentou, como hoje, tamanha degeneração dos conceitos políticos em geral e no que diz respeito à esquerda em particular. Uma boa parte das pessoas que se dizem “de esquerda” também se dizem a favor do sistema capitalista e, podendo eventualmente suportar o comunismo, são na prática anticomunistas.

 

Começa a ser surpreendente. Ainda noutro dia falei com um militante de um partido da esquerda que se dizia também monárquico. Monárquico!!!

 

“Mas monárquico?! Tem ideia de que ser de esquerda implica ser-se pela igualdade e pelo fim das classes sociais e económicas?”, perguntei eu.

 

“Classes sociais e económicas? Isso é coisa do passado. Isso é coisa de comunistas.”

 

Achei melhor não prosseguir, já tinha ouvido que chegue. Uma boa parte da “esquerda” está corrompida, está degenerada numa mistura grosseira de conceitos, numa massa informe de boas intenções unidas inconsistentemente por uma ignorância aguda, por uma falta de cultura assustadora.

 

Esquerda capitalista não é esquerda: é direita. É uma direita que põe o Estado, os trabalhadores e os mais pobres, a pagar almofadas sociais para compensar uma sociedade injusta. Este processo não torna a sociedade menos injusta, nem belisca a posição da burguesia no seu pedestal. É apenas um analgésico administrado aos povos.

 

Sob o capitalismo não pode haver justiça social ou económica. Está nos livros. Leiam e instruam-se. O capitalismo conduz à diferenciação social e económica e à acumulação de capital em monopólios. Mais: o capitalismo é contrário à democracia, porque induz o controlo do poder político pelo poder económico que está nas mãos da burguesia e da burguesia apenas.

 

E não se trata de um problema de condições de aplicabilidade do sistema, como muitos teóricos capitalistas procuram fazer crer. Arranje-se uma sociedade perfeita, equilibrada social e economicamente, justa e democrática — não existe um tal exemplo, mas imagine-se —; introduza-se o capitalismo nessa sociedade e, em menos de uma década essa sociedade inicial perfeita estará destruída: haverá muitos pobres e poucos muito ricos, haverá injustiça e falta de democracia, porque os poucos muito ricos controlarão a justiça e a política, a cultura e a educação. Adicionalmente — e é aqui que radica o sucesso do capitalismo enquanto sistema —, os poucos muito ricos controlarão os meios de comunicação e, com eles, farão os pobres sentirem-se muito bem com a sua condição, possivelmente melhor do que se sentiam antes, quando não eram pobres.

 

Isto está tudo estudado e documentado com exemplos e contextualização histórica. Desconhecendo o exposto ou, mais grave, tendo conhecimento mas ocultando a verdade do povo, esta “esquerda” capitalista concorre para os objetivos da direita e para a eternização da burguesia como a classe dominante nas nossas sociedades.

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