Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Então a coligação não tinha vencido as eleições?

por Amato, em 24.10.15

Estou confuso. Estou mesmo confuso. Então a coligação não tinha vencido as eleições? E não conseguiu eleger o seu candidato à presidência da Assembleia da República? Não percebo...

 

Se calhar a coligação só venceu as eleições nas páginas dos jornais, nas bocas de opinantes políticos e, claro está, na cabeça do presidente, onde essa ideia peregrina ecoa livremente. Se calhar é isso. No parlamento o conceito de vitória é outro e, felizmente, é esse que conta.

Ou mentiroso ou ignorante

por Amato, em 23.10.15

Espanta-me esta sociedade em que vivemos onde frequentemente personalidades várias, proferindo falsidades facilmente verificáveis como tal, permanecem incólumes ao crivo da credibilidade social ou mediática. Pelo contrário, nada lhes sucede. O doutor permanece doutor, o senhor engenheiro continua senhor engenheiro e o senhor arquiteto mantém-se como senhor arquiteto, e todos eles mantêm as suas posições de destaque no espaço de opinião e de comentário social. Espanta-me que tal suceda desta forma. Para mim, alguém que diz uma falsidade ou é mentiroso ou ignorante. Não consigo vislumbrar sequer um meio termo, quanto mais uma terceira alternativa.

 

Nos dias que correm têm saltado, desde debaixo das pedras de onde vivem para a ribalta mediática, inúmeras personalidades, todas anticomunistas pejadas de um horror pela mera suposição do PS poder governar com o apoio parlamentar do Partido Comunista. Saltam com os chavões anticomunistas do costume, com as falsidades e as generalizações negativas que se conhecem. Uma destas personalidades foi António Barreto, a sinistra figura que dizem ser sociólogo. Na RTP3 disse o seguinte:

 

Em 100 anos, nunca vi um partido comunista no poder que governasse com eleições livres, com partidos políticos, com liberdade de expressão, sem exilados, sem presos políticos.

 

O jornal Público, honra lhe seja feita, publicou a prova dos factos que pode ser consultada aqui e que desmente cabalmente a afirmação caluniosa produzida.

 

Como referi no princípio, daqui só pode resultar uma de duas coisas: ou António Barreto é mentiroso ou é ignorante. Se é mentiroso, fá-lo com a intenção de poluir e de influenciar a opinião pública. Se é ignorante, então... simplesmente é. Mas uma das duas, reforço, será seguramente. As duas opções não abonam nem a favor do próprio, nem a favor dos canais de comunicação social que lhe dão voz, a ele e a outros como ele. Porque há muitos outros como ele.

 

Podemos constatar que este anticomunismo primário leva longe quem o adota. Por exemplo a Paulo Rangel, que também tem sido muito verbal neste particular, valeu-lhe o cargo de vice-presidente do partido popular europeu com a benção exclusiva de Angela Merkel.

A declaração mais esclarecedora

por Amato, em 23.10.15

Cavaco Silva falou e disse tudo. Ao falar Cavaco revelou-se, as palavras simples e torpemente pronunciadas, como é seu apanágio, desnudaram-no, mostraram o género de alma que anima aquele corpo de movimentos rígidos e calcificados. Para Cavaco ainda que um partido como o Bloco de Esquerda ou como o Partido Comunista Português obtivesse maioria absoluta parlamentar, ainda assim não deveria ser indigitado para formar governo, porque quebraria “compromissos internacionais” aos quais, segundo a sua visão, o país, o povo, está amarrado quer queira, quer não queira.

 

Cavaco Silva não é o Presidente da República. Cavaco Silva é o presidente dos compromissos internacionais, é o presidente dos “credores”, dessa alcateia, desse bando de abutres, de necrófagos sem cara, que se alimentam da carcaça do país que somos, do país que ele, Cavaco Silva, ajudou a criar no final do século XX. Cavaco Silva é o presidente de todos esses e dos “mercados” também, mas não é o Presidente da República Portuguesa.

 

A figura do Presidente da República não existe nem foi criada para tomar partido ou para influenciar as escolhas políticas do país. O Presidente da República apenas existe para supervisionar o governo e o país no estrito contexto da Constituição da República. E lá está tudo dito, bem claro e transparente, assim ele a conhecesse. A indigitação do Primeiro-ministro não é uma questão de tradição, é uma questão parlamentar bem tratada no texto da Constituição.

 

Mas para o Presidente da República, Cavaco Silva, a Constituição é um pormenor, não é mais que uma nota de rodapé. Já o provou mantendo no poder um governo que violou cerca de vinte vezes essa mesma Constituição durante o seu mandato. O Presidente, voltamos ao princípio, está lá para defender os interesses dos outros, não necessariamente portugueses, daquela minoria que leva mais de metade do PIB português a cada ano. São esses: os mercados, os credores, salvaguardados pelos acordos e compromissos internacionais.

 

O Presidente da República pode indigitar quem quer que lhe apeteça. É essa a sua prerrogativa. O que não pode é tomar partido de forma descarada. O que não pode é justificar-se da forma como se justifica. Mas ainda bem: assim as coisas são mais claras.

 

A coligação e o Presidente jogam na deserção dos seguristas do PS para fazerem passar o programa de governo à socapa. Até pode ser que isso aconteça. Seria, contudo, extremamente interessante assistir ao que se seguiria se isso não acontecesse, isto é, se o parlamento chumbar este governo minoritário. Será que Cavaco teria a falta de pudor para promover um governo de gestão? Ou de promover novas eleições para forçar uma maioria de direita? Estaremos cá para ver, porque a indecência ameaça seriamente não ficar por aqui.

A palavra a Péricles

por Amato, em 22.10.15

http://www.worldhistoryplus.com/worldhistorypictures/-5/4%5BGR%5DC.jpg

Em virtude do facto do Estado, entre nós, ser administrado no interesse da massa e não duma minoria, o nosso regime tomou o nome de democracia.

— Péricles (séc. V a. C.)

A democracia que convém enquanto convém

por Amato, em 21.10.15

Deste processo de formação de um novo governo para Portugal resulta pelo menos um facto insofismável como a revelação da verdadeira face de um setor político que se escondia atrás da máscara da democracia. A mera hipótese académica das forças de esquerda portuguesas viabilizarem um governo PS tendo por contrapartida a negociação de certas políticas a seguir pelo executivo (políticas essas que se desconhecem!) fez revolver corpos defuntos nos seus túmulos, fez dobrar os sinos em todas as igrejas do país, fez invocar fantasmas que pareciam esquecidos mas que, afinal, sempre ali estiveram guardados nos bolsos das calças com vinco à mão de semear.

 

Para as forças do sistema, aquelas que sempre governaram o país quer ganhasse PSD ou PS, a democracia sempre foi como um emblema dourado embelezando a lapela engomada do casaco, e nunca foi mais do que isso. A democracia e a lei, porque não dizê-lo, são emblemas que se usam enquanto servem o seu propósito, enquanto convém, enquanto ferramentas de manutenção do poder. Quando esse poder se vê ainda que minimamente beliscado por unhas de meio milímetro de comprimento arrancam-se os emblemas, rasgam-se as lapelas e as leis e as regras do jogo democrático. Esses são os democratas! Esses são os campeões da democracia!

“O outro”

por Amato, em 19.10.15

Existe esta ideia superlativa e absoluta que se inspira como um fumo difuso, quase transparente, em cada recanto da sociedade. É a ideia de que “o outro” é de fraca qualidade: seja por ser preguiçoso, seja por ser incapaz, seja por ser corruptível. Essa ideia é precisamente o suporte para a aceitação social das medidas de precarização do trabalho e das relações humanas em geral, estando presente na desconfiança geral que o cidadão médio tem relativamente à justiça e ao sistema penal.

 

O problema reside sempre “no outro”. Mas “o outro” é uma miragem, “o outro” não é mais do que um espelho do “eu”. Os defeitos que somos lestos em verificar “no outro” são pecados nossos e essa é a precisa razão que justifica a celeridade do diagnóstico anterior que fazemos ao “outro”. Do mesmo modo, é necessária genuína bondade, genuíno caráter e verticalidade para ver “nos outros” a bondade e a esperança na humanidade. Com efeito, “o outro” é o melhor espelho de nós.

Imbecis de Portugal

por Amato, em 15.10.15

A quantidade de imbecis que pulula pelas redes sociais cresce de forma exponencial. Mais grave é sermos obrigados a reconhecer que essa imbecilidade virtual é reflexo de uma imbecilidade real e que estas se alimentam uma à outra.

 

A propósito da formação do novo governo há uma imbecilidade que impera e que tem uma natureza dupla. Por um lado, um desconhecimento aterrador do nosso sistema político democrático. Aqui, sublinhe-se a palavra “democrático”. Por outro lado, uma ideia autoritária de imposição da sua vontade à vontade do vizinho.

 

Fala-se do nosso sistema político como se de um sistema bipartidário se tratasse, assim do género do sistema americano. Num sistema de dois partidos resulta evidente que o partido mais votado é o que tem maioria para governar. Num sistema pluripartidário como o nosso a coisa é diferente. Envolve negociação e entendimentos e a maioria parlamentar pode perfeitamente não envolver o partido mais votado e, como maioria que é, é representativa da maioria dos eleitores, logo absolutamente democrática. E é a maioria parlamentar que suporta o governo e não o contrário.

 

É que até parece que assim não é. Quando se lê aquilo que escrevem esta quantidade exponencialmente crescente de imbecis, os imbecis de Portugal, das redes sociais, dos cafés, dos jornais e das televisões, até parece que o que é democrático é a minoria parlamentar governar, tão somente pelo facto de ser essa a sua vontade.

 

E é engraçado notar que esta imbecilidade também é democrática: não escolhe idades, género, religião, cor, nível de literacia. Neste caso, como em outros, é estupendo verificar que tanto o letrado como o indigente se unem na verborreia e na imbecilidade que expelem.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Amato

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Mensagens