Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Doze de março

por Amato, em 20.04.15

Em doze de março do ano corrente sucedeu um acontecimento de assaz interesse e relevância e que deveria ter justificado os comentários dos mais ilustres comentadores que pululam por toda a parte, bem como acesos debates públicos, quer pelo ponto de vista prático da nossa situação concreta atual, quer desde um ponto de vista mais geral, filosófico até.

 

No dia doze de março de dois mil e quinze decidiu a Islândia, por iniciativa própria, retirar a sua candidatura a membro da União Europeia.

 

Por que razão o fez?

 

Esta é a questão que deveria e devia, ainda vai muito a tempo, de ser discutida. Pelo contrário, a notícia passou despercebida no rodapé de um ou outro jornal e ignorada pela generalidade dos media televisivos.

 

Por mim, deixo aqui a minha contribuição para o debate que nunca teve lugar. A razão é simples: depois de o povo islandês ter aberto o precedente de julgar e condenar os governantes que colocaram a sua economia em bancarrota eminente, estes governantes que os sucederam têm agora algum receio, não vá a coisa dar para o torto, de, daqui por uma ou duas décadas, partilharem as celas dos seus antecessores.

Megafones do ininteligível

por Amato, em 17.04.15

Quando ouço certos intervenientes (chamemos-lhes assim) do jogo político conjugarem, na mesma oração, convergência de forças de esquerda e PS, fico baralhado: serei eu de “esquerda”, afinal?

 

Quedo-me a meditar por uns minutos sobre o que é ser de esquerda, percebo que sim, que ser de esquerda faz parte de mim e regresso a plenas faculdades mentais.

 

Então volto a ouvir tamanhas aberrações insistentemente repetidas pelos meios de comunicação, mas já não surtem o mesmo efeito. Soa simplesmente a imbecilidade e a oportunismo.

Tempo de propaganda

por Amato, em 17.04.15

Bardos da europa antiga

 

São horas de propaganda.

 

Os ministros e secretários de estado deste governo revezam-se em conferências de imprensa nas quais, durante horas a fio, cantam, como bardos da europa antiga, mitos e lendas com as quais adormecem o povo que se acocora em seu redor e ouve, deslumbrado, até adormecer.

 

Agora, fazem previsões excecionais, apresentam números sem vestígio de antecedente que o justifique, acenam ao povo com um Portugal de ilusões que se concretizará em 2019.

 

E continuam, estes obscuros bardos, vindos da europa das trevas... E os meios de comunicação transmitem e repetem sem sombra de observação pertinente, sem uma questão inteligente que se escape ao rol de perguntas protocolarmente combinadas.

E ao décimo dia anunciou

por Amato, em 16.04.15

Sobre a idoneidade jornalística em Portugal: foram necessários dez (!) dias de greve dos trabalhadores da Efacec para constituírem notícia de rodapé do telejornal.

 

Entretanto temos horas de propaganda governamental ou retórica acéfala em direto televisivo, sabemos tudo sobre o marido que matou a amante, sobre os namorados que se esfaquearam e notícias afim.

 

Adjetivar este jornalismo de boçal é apetecível mas incorreto. Estes critérios editoriais são inteligentes nos seus objetivos.

Entrada Enciclopédica: Utopia

por Amato, em 16.04.15

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
―Eduardo Galeano

Viajar no tempo

por Amato, em 15.04.15

DeLorean, a máquina do tempo de Regresso ao Futuro

 

Mais amiúde do que se possa imaginar, e sem dar imediatamente por isso, embarco numa viagem temporal que me conduz ao passado ou ao futuro.

 

Justamente numa destas manhãs solarengas de fim-de-semana dei comigo de regresso ao passado. Nestes dias de meados de 2015, o Brasil debate-se acesamente com a questão da “terceirização” do trabalho. O termo nada me dizia e não me suscitou curiosidade imediata. Vim a saber, nessa iluminada manhã de domingo, que o termo brasileiro “terceirização” esconde, afinal, um conceito assaz conhecido por todos os portugueses e pode ser interpretado como um sinónimo de subcontratação.

 

A subcontratação tem sido implementada ativamente em Portugal há já vários anos que, todos juntos, perfazem mais de uma década e tem que ver com a delegação de determinados serviços necessários ao funcionamento de uma empresa ao cuidado de uma outra empresa que os oferece ao melhor preço. Esta intromissão de uma terceira parte no processo da prestação de serviços conduziu, em Portugal, a uma diminuição substancial dos custos do trabalho que se traduziram em ganhos imediatos para as empresas acompanhados de diminuições progressivas da qualidade dos serviços prestados e, igualmente, perdas concretas dos rendimentos dos trabalhadores, reais prestadores dos serviços em causa.

 

Esta lógica, subjacente ao processo de intermediação, é tão evidente que me abstenho de a explicar em detalhe, talvez por preguiça, ou talvez por estar cansado de ver, no meu país, entre outras coisas, a falta de higiene em que caíram os serviços públicos, como os hospitais ou as universidades, ou até mesmo a assustadora diminuição dos níveis de responsabilidade e segurança de empresas ditas de alta segurança e vitais para o nosso país.

 

Por tudo isto, assistir ao debate em torno da “terceirização” no Brasil resulta como uma viagem de regresso ao passado. Nós viemos de lá, desse mesmo sítio onde o povo brasileiro se encontra agora, no que a este assunto particular diz respeito.

 

Mas nem só de viagens ao passado vive este DeLorean. Num outro dia, já não me lembro se de manhã, se de tarde, se de noite, se solarengo ou cinzento taciturno, uma amiga, vinda do coração de Inglaterra, contou-me que as salas de aulas londrinas já vêm equipadas de panic buttons (botões de pânico) sob as mesas dos professores, vítimas de ataques frequentes dos seus pupilos. Neste particular, vemos nos ingleses o nosso futuro imediato mesmo ao virar da esquina.

Nós somos os vossos carcereiros

por Amato, em 14.04.15

Numa coisa há que dar crédito a estes governantes: eles dizem com suficiente clareza ao que vêm.

 

“Queremos diminuir os custos do fator trabalho!”.

 

Será necessária mais clareza do que isto?

 

O que é simultaneamente surpreendente e assustador é a confiança inerente necessária para se exprimir uma tamanha cara de pau. Eles têm um exército de portugueses que os suportam ativamente e que, podendo não bastar para a maioria absoluta, são o suficiente para o legitimar do impensável.

 

Ainda mais dramático é perceber que, dentro do universo daqueles que não suportam os partidos do governo, uma esmagadora maioria suporta diretamente o mesmo tipo de políticas, não obstante indexadas sob uma sigla diferente. Note-se bem as palavras do maior partido da oposição: “a diminuição dos custos do trabalho não deve ser uma prioridade”. Também aqui, as palavras são claras e tudo dizem. Não ser uma prioridade não é ser-se contra. Antes pelo contrário.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Amato

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Mensagens