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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

Catalunha livre

por Amato, em 08.11.14

Gostava de ver uma Catalunha independente. Independente, como aquele povo merece e como sempre devia de ter sido, por muitos anos que tenham passado e por muitos mais que possam vir a passar.

 

Não me esqueço de que Portugal deve a restauração da sua independência, em parte, à Catalunha. Devemos-lhes isso. Não fosse a revolta que deu na Guerra da Catalunha de 1640 a 1652 e o nosso próprio golpe revolucionário de 1640 poderia não ter resultado em coisa nenhuma. Por isso, repito: devemos-lhes isso, porque tenho memória histórica e porque amo o meu país. É triste que ao mais alto nível não subsistam estas qualidades. Porque, caso contrário, os mais altos representantes da nação assumiriam o seu dever moral e patriótico de apoiar a causa catalã.

 

Gostava de ver uma Catalunha independente como é o seu direito. Mas gostava também que o caminho livre e independente que o povo catalão há de um dia tomar nas suas próprias mãos fosse um caminho de progresso social e humano e que a Catalunha livre de Castela se erguesse como um farol de liberdade. Um farol para iluminar a europa e o mundo neste século XXI. De países conservadores e repressores já estamos bem servidos.

Medida da distância

por Amato, em 08.11.14

“Chega-se mais facilmente a Marte neste tempo do que ao nosso próprio semelhante.”

— José Saramago

Uma questão de fé

por Amato, em 07.11.14

Ao mesmo tempo que escrevo sobre os menos afortunados da vida, aqueles que escolheram o lado errado da cama para acordar de manhã, parece que me esqueço dos outros, aqueles cerca de cinco pontos percentuais que, em boa verdade, nunca ganharam tanto como agora. Existem certos princípios de vida que são como que insofismáveis. Um deles é que “não há melhor altura para ganhar dinheiro do que em tempos de crise”. Entenda-se, contudo, a palavra “ganhar” como um eufemismo descarado.

 

A riqueza, sendo de natureza finita, tem destas coisas. É relativamente fácil de perceber: quando uns perdem, e tantos perderam tanto, outros têm de ganhar, e os poucos que sobram ganham tudo o que os primeiros perderam. Não há grande volta a dar à questão. Mas é mais fácil tratar o assunto se o pusermos claramente como ele é.

 

Mas o que é surpreendente, verdadeiramente surpreendente, é que uma parte da população encare esta realidade objetiva ignorando a sua perniciosidade latente. Com efeito, são muitos os que rejubilam com os lucros crescentes dessas “empresas” interpretando-os como sinais positivos da economia. Devem pensar: o dinheiro está bem entregue nas mãos daqueles senhores, eles saberão o que fazer com ele pelo meu bem. Como escrevi num post anterior, é preciso notar como se faz a retribuição social desses lucros e para onde vai esse dinheiro. Existe maior investimento? Mais empregos? Melhores salários e condições de trabalho?

 

É preciso estar atento. Porque acreditar na solidariedade social dos empresários é acreditar na inversão da sua natureza. Não é mais do que uma questão de fé.

O clamor

por Amato, em 05.11.14

Existe um clamor nas sociedades, um clamor que fermenta e cresce a cada dia, em cada comentário, a cada ideia partilhada, em cada dedo de conversa trocada. Existe um clamor por menos estado, por menos impostos e por uma sociedade mais liberal do ponto de vista económico. É um clamor que se percebe em parte, mas apenas em parte.

 

É um clamor que se desmonta a muito custo pois, por mais argumentos inteligentes que possamos jogar no debate, é algo que nasce de dentro, de um certo instinto primário e não necessariamente de uma qualquer articulação intelectual. Mas é um clamor que se extingue no momento preciso, a que todos aliás chegamos eventualmente, em que se nos deparamos numa situação de necessidade: um desemprego duradouro, uma catástrofe natural destruidora de bens ou até mesmo uma doença justificativa de tratamentos médicos dispendiosos e/ou continuados.

 

Nesse momento preciso, perdemos a noção do alimento que nutria esse clamor que nos consumia. Nesse preciso momento entendemos até outras coisas menos triviais que, até aí, não conseguíamos perceber. Entendemos, por exemplo, como é que um homem com um euro de salário pode ser mais rico do que um com mil. Percebemos bem. Só que aí já é tarde demais. Olhamo-nos ao espelho e não reconhecemos a face. Apenas vemos um mendigo.

A alma de um povo

por Amato, em 04.11.14

No meio de tudo isto, de toda a tempestade que se ergueu e permanece ainda mais forte do que nunca, apesar do vendaval de mentiras semeado pelos dirigentes e erguido pelos meios de comunicação, apesar de tudo, o que para mim é importante é a evidência cabal de que uma grande parte do país perdeu uma boa parte da sua alma, daquilo que nos define não apenas como portugueses, mas como povo soberano e orgulhoso. Não restam dúvidas acerca disto.

 

A questão da dívida é paradigmática. Perante evidências claras sobre uma influência externa direta e determinante, o povo escolheu a oratória bacoca e provinciana da auto-culpabilização corporizada no atual governo, bem como no principal partido da oposição. O povo escolhe acreditar que é o culpado da situação e aceita a auto-punição ditada pela austeridade dita “necessária”. O povo admite a sua desonestidade, confirma que viveu muito acima das suas possibilidades e entrega-se voluntariamente às autoridades justiceiras estrangeiras, muito sérias e honestas. Isto é uma questão muito importante pois não encontra paralelo em mais nenhum povo do mundo que se encontrou, em algum momento da sua história, numa situação semelhante.

 

A atitude de Portugal durante estes anos passados valer-lhe-á, com efeito, a entrada para os anais de história antropológica mas inevitavelmente ver-se-á retratado como o povo que um dia deixou de o ser sem um único conflito, o disparo de uma qualquer bala ou a efervescência de uma qualquer revolução. Deixou de o ser, simplesmente, democraticamente.

Talvez...

por Amato, em 01.11.14

“Perhaps one did not want to be loved so much as to be understood.”

— George Orwell

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