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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Os fogos e o resto

por Amato, em 18.06.17

Todos os anos sucedem-se os fogos florestais em Portugal e, para a maioria das pessoas, é já uma coisa natural contra a qual nada se pode fazer. “É a natureza! É o calor! São os ventos fortes! Nós até temos helicópteros e canadair's e tudo, o que se há de fazer?”

 

Vou fazer uma sucinta lista de outras coisas que, ano após ano, se mantêm, também elas, iguais, para além dos referidos fogos.

 

  1. As florestas permanecem ao abandono.

 

  1. Não existem guardas-florestais, função que permanece extinta no nosso país.

 

  1. Não existe limpeza frequente das florestas.

 

  1. Não existe economia de florestas, com aproveitamento e tratamento dos recursos das mesmas.

 

  1. Não existe limpeza de matas nem de bermas de estradas.

 

  1. Prossegue a praga do eucaliptal no nosso país que drena e seca os solos.

 

  1. Prosseguem as queimadas de eucaliptal para estimular a propagação desses mesmos eucaliptais.

 

  1. Continuam-se a queimar hectares de floresta de espécies variadas para se poder replantar com eucaliptos em favor do lobby da indústria da pasta de papel.

 

  1. Continuam-se a queimar hectares de floresta para forçar e legitimar alterações de PDM's para converter áreas florestais em áreas de construção em favor do lobby das construtoras e outros.

 

  1. Permanece a mesma política nacional de desresponsabilização com respeito às florestas, forçando privados a deter as responsabilidades sobre propriedades florestais das quais não retiram qualquer dividendo, apenas prejuízo.

 

  1. Prossegue a política de centralização do país e dos seus recursos nas grandes metrópoles — sobretudo Lisboa e vale do Tejo — e o abandono do resto, em particular das localidades rurais do interior.

 

  1. Continua a ser promovido o lobby dos meios aéreos de combate aos fogos florestais, entidades privadas que sobrevivem à custa dos fogos florestais e que, sem fogos florestais, deixariam de existir. A ação destes meios é, em si mesma, algo controversa para quem perceba minimamente do assunto. É como tentar apagar um fogo de um churrasco com a água existente numa chávena de café, ao mesmo tempo que se abana um leque, com potência, sobre as chamas. Eficaz? Não me parece.

 

Desta vez, a propósito do incêndio em Pedrógão, a contagem de mortos já vai em quarenta e três, o que é um número absolutamente terceiro-mundista. Mas não deixa de ser o preço a pagar pelo perpetuar do negócio económico, macro e micro, mas também mediático, em torno dos fogos florestais e que interessa alimentar ad aeternum.

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