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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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O plural de pokemon é pokemon

por Amato, em 22.07.16

A febre de Pokemon Go, que atinge momentaneamente o nosso país, é o sintoma da decadência cultural das sociedades. Decadência é a palavra mais acertada para descrever o fenómeno.

 

O jogo em si é uma palermice, mas não é apenas uma palermice, é uma palermice perigosa, um braço do sistema de vigilância em que nos metemos — cidadãos, sociedades e nações — voluntariamente, e que se vai tornando cada vez mais sofisticado. Desta vez, assume a forma de um jogo palerma. Através deste jogo, pode-se aceder às rotinas diárias dos jogadores, passo por passo, à conta de e-mail e sim, até ao interior das casas onde vivem, assim, inocentemente.

 

Sublinho aqui a palermice do jogo: quem já jogou algum jogo da saga percebe facilmente que este Pokemon Go tem muito pouco que ver com os seus parentes afastados da Nintendo. É tão somente uma simplificação pateta com condimentos para viciar as massas.

 

Que o mundo, e o nosso país em particular, está repleto de palermas, não constitui propriamente uma novidade de assinalar. Estes — os que andam para trás e para diante a palmilhar as ruas e os recantos do país com os olhos vidrados no telemóvel sem pestanejar — são os mesmos jovens da geração de “os políticos são todos iguais” e outras pérolas que tais, mas que votam sempre nos mesmos. Também são as audiências dos big brothers e das casas dos segredos. Reparem que não interessa que tenham ou não um curso superior: são todos iguais, unidos nesta mediocridade cultural sem precedentes, porque esta cultura reality-TV, que também não conhece precedentes, alimenta-os e cria-os. O Pokemon Go é simplesmente a última face desta miséria cultural a que chegámos.

 

Mas se se impõe que se fale e que se escreva sobre o fenómeno, pelo menos que se tenha a derradeira decência de se falar e de se escrever com correção. O plural de pokemon não é pokemons, é pokemon. Não se acrescente à palermice incorreção linguística. Pelo menos isso, se não outra coisa qualquer, pode ser que ajude a disfarçar a decadência cultural em que nos metemos.

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Amato

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