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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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O cúmulo da desonestidade política

por Amato, em 09.10.17

Em julho deste ano, portanto há cerca de três meses, a oposição venezuelana convocou ilegalmente um referendo popular que visava colocar em causa a legitimidade política de um governo reiteradamente eleito de forma democrática. O referendo em causa, todavia não seguindo os pressupostos legais, não teve qualquer oposição por parte do estado venezuelano e pôde decorrer com a normalidade possível. Não obstante terem sido violados variados princípios éticos na organização do referendo — as televisões mostravam pessoas a votar nas ruas e sem confidencialidade garantida, por exemplo —, os seus resultados esmagadores contra o governo venezuelano tiveram um eco fenomenal em toda a Europa, particularmente em Portugal e em Espanha.

 

Em síntese, os resultados de um referendo ilegal, mal aplicado, violando princípios básicos de qualquer sistema democrático, foram recebidos com êxtase pelo mundo ocidental e serviram para exigir a demissão a um governo democraticamente eleito, bem como a convocação de eleições antecipadas. Antes de prosseguir, é bom deixar isto bem claro.

 

Volvidos menos de três meses, a Catalunha convocou um referendo sobre a sua independência. O referendo foi, como todos tivemos oportunidade de verificar, fortemente reprimido pelo estado espanhol. Ainda assim, o governo catalão encontrou formas hábeis de conseguir consultar o seu povo.

 

É evidente que, devido à inqualificável ação do governo espanhol, tais resultados não serão representativos, nem o referendo dispôs de todas as condições para ser aplicado com transparência e normalidade. Mas o que é estupendo é que as mesmas forças políticas, as portuguesas e as espanholas, que procuraram legitimar o referendo venezuelano e com base neste exigiram a demissão do governo daquele país chamando-o de “ditadura”, entre outros insultos, são agora lestas a descredibilizar o referendo catalão e a apelidá-lo de “ilegal”.

 

A duplicidade de critérios é absolutamente surreal. Estes políticos — é fácil saber quem são — deviam ser simplesmente proibidos de falar e de exercer atividade pública. São uns crápulas. Ontem ouvi alguns naquele programa de debate, o Eurodeputados da RTP. Houve um que até teve coragem de ensaiar uma resposta indignada perante este mesmo facto que foi apontado pelo eurodeputado comunista.

 

Não há vergonha nem há decência. Não devíamos aceitar este tipo de baixeza na política. Ou sim, ou não. Ou a favor, ou contra. Dizer sim nuns casos e não noutros, ser a favor perante um interesse ou um amigo e contra noutra circunstância, não pode ser. É o cúmulo da desonestidade política.

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