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Porto de Amato

Porto de Amato, porto de abrigo do filho de Héracles

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Esquerda, desculpa

por Amato, em 04.11.16

Esquerda, desculpa, mas este orçamento não me satisfaz.

 

Esquerda, desculpa, mas o que o governo tem feito também não me satisfaz.

 

Esquerda, desculpa, mas o que vocês estão a apoiar parlamentarmente é, essencialmente, o mesmo que anteriormente repudiavam.

 

Esquerda, desculpa, mas apoiar medidas diferenciadoras de funcionários públicos dos demais trabalhadores, não é de esquerda.

 

Esquerda, desculpa, mas ficar contente com aumentar pensões e reformas não é suficiente.

 

Não é suficiente.

 

Esquerda, desculpa, mas os precários continuam exatamente na mesma. Continuam sem direitos, sem férias, sem subsídios, sem garantias e cada vez mais a trabalhar mais por menos.

 

Esquerda, desculpa, mas não te reconheço. Este governo é um embaraço.

 

Esquerda, desculpa. Reconheço que a força das circunstâncias te empurrou para esta situação, mas não te podes deixar travestir nem pela força das circunstâncias, nem por coisa nenhuma. Esquerda é esquerda, direita é direita. E o que tu estás a ser não é esquerda, é uma espécie de direita aguada, atenuada, mas não te equivoques! O que estás a ser é direita.

 

Esquerda, desculpa, mas não partilho da tua felicidade. Antevejo, pelo contrário, tempestades no horizonte, brotadas de cada indefinição, de cada cedência que vais plantando para dares seguimento a este governo de faz-de-conta, a este frete, a este mal menor que até me dói nos lábios quando o pronuncio. Essas tempestades virão com as próximas eleições.

 

Esquerda, desculpa, estás a perder de vista quem devias apoiar que é o povo que trabalha, que é o povo que, mesmo trabalhando, empobrece. E a troco de quê? A troco de medidas pueris, inconsistentes, insustentáveis, de esmolas que dão a pequenos grupos sociais? E cada uma dessas esmolas é suportada por quem? Queres que te diga? É pelo tal povo que trabalha. É pelo povo que devias estar a proteger.

 

Esquerda, desculpa, mas não se pode ser de esquerda apenas em parte: ou se é, ou se não é. Não há meio termo.

 

Esquerda, desculpa, hoje estou sentido contigo. Esperava mais. Esperava reversões a sério, no código de trabalho, na lei, na inspeção, nos contratos de trabalho, nos recibos-verdes, esperava algo que fosse realmente estrutural.

 

Esquerda, desculpa, amanhã falamos. Hoje, não posso olhar mais para a tua cara e para o que te tornaste.

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